“Up In The Air”, de Jason Reitman

—George Clooney faz de George Clooney, neste filme muito aclamado porque tenta mostrar que, afinal, a teoria da mochila não funciona para sempre.

Clooney é Ryan Bingham, um tipo cuja função é despedir pessoas. Uma vez que muito patrões não têm tomates para tomar essa decisão, acabam por contratar uma empresa que tem especialistas nessa área. Bingham é um desses especialistas e vive em viagem, entre um e outro aeroporto norte-americano, de hotel para hotel. Dá formações onde mostra que é difícil ser-se livre se, na nossa mochila, temos que introduzir a casa, os móveis, os electrodomésticos, o carro, a mulher e os filhos. A nossa mochila deve estar sempre pronta para zarpar e, com todo esse peso, é impossível partir de um momento para o outro.

Só que Bingham acaba por conhecer uma mulher (Vera Farmiga), que fica muito bem, de costas, toda nua, apenas com uma gravata í  cintura. Também ela anda de aeroporto para aeroporto. Os dois acabam na cama mas o desenvolvimento da relação trás uma surpresa desagradável para o teórico da solidão.

Como dizia o meu tio Zé, é bonito e faz chorar, é próprio para mulheres grávidas e pupilos do exército.

No final, Clooney fica a beber o Nespresso sozinho.

Mais apelidos

Ora tomem lá mais alguns apelidos dignos de antologia.

Podemos começar por alguém que, não sendo profissional, se chama Amador Pulguinha. Contradição em pessoa deve ser o Israel de Jesus e, sabendo que foi Abel quem matou Caim, que dizer de um Caim Turbulento?

Ignorando uma quase inverosímil Cristiana Ronalda, passamos ao reino dos peixes com um Valente Lampreia e um não menos surpreendente Bacalhau Pelúcia.

Posso garantir que não estou a inventar ao citar o Opinião da Silva e o Encontro da Silva e, se é verdade que a inteligência salva, que dizer do Astúcia Mata?

Se o Bastos Bate, por que fará o Bonito Durão?

A Felicidade Pesqueira pode ser natural, mas o Marinho Mouco, terá assim ficado (mouco) por ser familiar do Pilonas Mouco?

No entanto, nada supera a Grelixa Carapeta.

Ezequiel – um herói português

Em 1992, Ezequiel Lino era presidente da Câmara de Sesimbra, eleito pelo PCP.

No dia 5 de Março desse ano, decorria o cortejo carnavalesco daquela vila quando Ezequiel, ao volante de um Volvo, fez menção de percorrer uma determinada rua, que estava cortada ao trânsito pela GNR.

Um jovem cabo da GNR, Viriato de sua graça, barrou o caminho a Ezequiel, que lhe terá perguntado sabes quem sou eu?

Viriato não sabia e não deixou que Ezequiel passasse.

Vai daí, Ezequiel acelerou, levou Viriato pelo ar um par de metros e continuou o seu caminho, sem se preocupar com o estado de saúde do cabo, que teve que ser socorrido no hospital de Setúbal.

Passaram 18 anos e eis que a PSP de Oeiras decide rebocar o carro da filha de Ezequiel, que estava estacionado numa passadeira para peões.

Irado, Ezequiel – agora adjunto do presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais – foi í  esquadra da PSP e, palavra puxa palavra, agrediu um agente com um pontapé, um empurrão e uma dentada!

Quer dizer, quando era do PCP, um  partido organizado e com uma longa história, Ezequiel agrediu a autoridade com um veículo automóvel.

Agora, que não passa de adjunto de um presidente que nenhum partido quer como candidato, tem que agredir a autoridade í  dentada!

“Precious”, de Lee Daniels

—Não bastava í  pobre da Precious ser negra e gorda. Tinha que ser, também, muito feia, mal encarada, analfabeta, pobre e – cereja no topo do bolo – maltratada pela mãe e violada pelo pai.

Sinceramente, não me senti tocado pela personagem; nem incomodado, nem revoltado, nem solidário, nem nada.

Precious não tem substância e por mais verdadeira que possa ser a história, a mim não me convenceu.

A mãe de Precious tem os defeitos todos, o pai só aparece para violar a filha, a professora boazinha que ensina Precious a ler é lésbica, a primeira filha de Precious é mongolóide. Para evitar transformar isto tudo num grande dramalhão, o realizador tentou fazer um filme despojado, para parecer mais verdadeiro.

Comigo não pegou.

Por razões que não compreendo, Mo’Nique, que interpreta o papel de Precious, ganhou o óscar para melhor actriz secundária (quem será a actriz principal neste filme, em que Precious ocupa todo o écran?)

Cooperação estratégica, uma ova!

—

Nunca passou pela cabeça de Cavaco dissolver a Assembleia. E Passos Coelho sabia disso, embora tenha feito de conta.

Para Cavaco, dá muito mais jeito que Sócrates continue como primeiro-ministro. Assim, ele tem sempre oportunidade de dar uns bitaites, de fazer umas acusações veladas, de se mostrar como verdadeiro salvador da Pátria. Se o primeiro-ministro fosse do PSD, Cavaco não poderia criticar, ficava-lhe mal.

Acrescente-se o facto de Sócrates não gostar muito (ou nada) de Alegre e temos o menu completo.

Será que sobrevivemos a mais 5 anos de Cavaco?

“New York, I Love You”

—E no dia em que se assinalam 9 anos sobre a destruição das Twin Towers, nada melhor que este pequeno filme para homenagear essa cidade fantástica.

New York, I Love You” é um conjunto de pequenas histórias, umas melhores que outras, passadas em Nova Iorque, com gente de Nova Iorque. Os realizadores são 11, todos desconhecidos para mim e a lista de actores é interminável, incluindo Julie Christie, que protagoniza a história mais “europeia”, John Hurt, James Caan, Andy Garcia, Eli Wallach, Natalie Portman, e muitos outros.

Apesar da tagline dizer “a cada momento começa uma nova história de amor”, e apesar das histórias serem todas histórias de amor, nenhuma é piegas.

Duas histórias sobressaem: a da jovem de cadeira de rodas, a quem o pai (James Caan) arranja um par para o baile de finalistas e a do engatatão de esquina e a sua tentativa de conquistar mais uma mulher. Ambas as histórias têm um final surpreendente.

Vale a pena ver.

Jesus sem maioria absoluta

No ano passado, Jorge Jesus tinha a maioria absoluta. Todos se renderam ao futebol do Benfica, foram apanhados desprevenidos, baixaram a crista e deixaram a coisa andar. O futebol praticado era bonito – todos o diziam -, a equipa marcou mais de 100 golos, viva o Benfica, deixa lá os gajos serem campeões, disseram os tipo que mandam nisto…

Mas este ano…

Este ano, Jesus não tem maioria absoluta e tem que enfrentar diversas forças de bloqueio.

Ontem, foi o Olegarinho, o famoso árbitro que não viu Baía tirar uma bola de dentro da baliza, chutada por Petit. Desta vez também não viu dois penaltis contra o Guimarães e viu  dois fora-de-jogo que não existiram.

Não faz mal.

Damos 9 pontos de avanço!

E ainda vai dar mais gozo que no ano passado!

Génova não dorme!

Quatro milhões por aquela abécula?!

Nós pagámos quatro milhões ao Braga por aquele guarda-frangos que leva quatro do Chipre?!

Um milhão por cada frango?!

E mais um frango inacreditável frente í  Noruega!

Bastou aquele norueguês típico, morenaço e tudo, chamado Carew, dois metros de escandinávia em cima do saloio do Minho e o gajo atrapalha-se, chuta a bola contra o calmeirão, deixa que ele lhe caia em cima e lhe esborrache os tintins e pronto: golo da Noruega.

Depois, foi cerca de uma hora de incompetência dos jogadores e do treinador, aquele tipo com um capachinho na cabeça e com um bigode que já não se usa.

Mas isso, é problema dos portugueses.

Agora nós, cá em Génova, não estamos a dormir e a margem de erro desse frangueiro do Eduardo é de 5 minutos – que é o tempo que a gente leva a colocar-lhe uma bomba no carro…

Alvor lixa Vila Velha de Ródão

Sou do tempo em que havia jornais da manhã e jornais da tarde. De manhã, saía o Comércio do Porto, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o República e o Século. í€ tarde, saíam o Diário de Lisboa, A Capital e o Diário Popular.

Isto era no tempo da Outra Senhora, em que havia ardinas (alguém se lembra deles?).

—Tinham um saco de pano a tiracolo, onde transportavam quilos de jornais. E havia pessoas que faziam assinatura de jornais! Os ardinas passavam, cá em baixo, na rua, dobravam o jornal e atiravam-no com destreza, para a varanda do terceiro andar. Nunca falhavam.

E apregoavam os jornais.

Diz-se – que eu nunca ouvi – que chegavam a apregoar, nas ruas da Baixa, “Lisboa, Capital, República, Popular”, só para chatear os salazaristas.

Usando os títulos dos jornais mais vendidos, iam dizendo que Lisboa era a capital de uma República Popular.

Também sou do tempo do Banco Fonsecas e Burnay que, em maio de 1980, resolveu abrir mais três agências: em Alvor, em Lixa e em Vila Velha de Ródão.

Tal como os ardinas faziam com os títulos dos jornais, também o Banco, com os nomes das terras fez com que Alvor lixasse Vila Velha de Ródão…