Benfica impõe nova regra

A partir de agora, passa a ser assim, no Campeonato: 1 ponto por cada golo.

O Benfica marcou 70 golos – tem 70 pontos.

Ora, como cada vitória só vale 3 pontos, o Benfica tem que marcar 9 golos ao Olhanense, ao Porto e ao Rio Ave.

A divisão dos golos por cada uma destas três equipas, é lá com eles.

Mas eu não me importava nada que o Benfica só marcasse 2 golitos ao Olhanense e outros dois ao Rio Ave, não acham?

“Crossing Over”,de Wayne Kramer

—Gostei bastante deste “pequeno” filme, com ar de ter um “low budget” e que, sem grande alarde, aborda um tema interessante: os imigrantes  que procuram, nos EUA, a terra prometida.

O protagonista da história é Harrison Ford, no papel de um polícia de fronteira, solitário, mas não empedernido. Ele interessa-se pelas histórias de via, quase sempre difíceis, dos imigrantes dos vários continentes que procuram, na Califórnia, um lugar para começar uma vida nova.

E acompanhamos o caso da jovem australiana que não hesita em ir para a cama com um funcionário do SEF lá do sítio (Ray Liotta), em troco da autorização de residência. E a história da adolescente muçulmana que, por escrever uma redacção em que tenta perceber a atitude dos “terroristas”, acaba por ser expulsa do país, juntamente com a mãe. E a história do outro australiano que se faz passar por judeu para conseguir trabalho numa escola judia e a consequente autorização de residência. E a história dos jovens coreanos que, uma vez instalados na sociedade americana, não hesitam em assaltar as lojas dos seus próprios conterrâneos. E as histórias dos mexicanos, que atravessam a fronteira uma, duas, três vezes, de um modo quase obsessivo.

Embora o filme não tenha nada de especial, conta-nos histórias verosímeis, sem tomar uma posição, deixando ao espectador a liberdade para formar a sua opinião.

“What Just Happened”, de Barry Levinson

—Aqui está o exemplo de quem nem sempre um grande elenco consegue fazer um grande filme.

Barry Levinson, realizador de “Rain Man”, “Disclosure”, “Sleepers”, “Good Morning, Vietnam”, “Wag the Dog” e outros bons filmes, dirige um elenco do qual fazem parte Robert DeNiro, Sean Penn, Bruce Willis, Robin Wright Penn, Kristen Stewart, Michael Wincott, Catherine Kenner e Stanley Tucci e, no entanto, o resultado é fraquito.

DeNiro faz o papel de um produtor de Hollywood, Ben, que está na mó de baixo, não só por causa dos seus casamentos falhados, mas também porque está a tentar que o seu novo filme tenha sucesso, tendo de lidar com um realizador excêntrico, uma directora executiva dos estúdios que quer êxitos de bilheteira e um actor armado em super-estrela, que se recusa a rapar a barba, embora isso seja essencial para as filmagens.

Ben está enfadado com a sua vida, pessoal e profissional e nós também ficamos um pouco enfadados porque o filme não anda nem desanda.

Mais uma vez, o título em português (“Pânico em Hollywood”), não faz qualquer sentido.

A tia de Louçã

No debate quinzenal, na Assembleia, Louçã disse que Sócrates, de debate para debate, estava “cada vez mais manso”.

Sócrates fez cara de poucos amigos e murmurou qualquer coisa.

Como não falou para um telemóvel, os jornalistas tiveram que recorrer í  ajuda de um tipo que é capaz de ler nos lábios, para perceberem o que o primeiro-ministro disse, em resposta í  provocação de Louçã:

– Manso é a tua tia! – foi o que ele disse.

Ora como é costume chamar “manso” aos bois, acho que Sócrates até foi moderado, pois poderia ter respondido, com toda a propriedade: “Manso és tu, meu ganda boi!”. E eu teria aplaudido!

Ou poderia, ainda, ter dito algo deste género, que seria, provavelmente, a minha escolha: “mansa é a zona genital da tua tia!”

Utilizava, assim, o eufemismo “zona genital”, em vez do termo mais corrente, porque se encontrava na Assembleia da República e ainda vai tendo algum respeito pelos deputados da Nação.

E é assim que a tia de Louçã entra na política portuguesa. Pela porta grande.

Da Islândia, com enxofre

A Islândia continua a lixar o resto da Europa.

Não bastava ter ido í  bancarrota e ter realizado um incrível referendo, em que decidiu que não pagava o que deve aos bancos europeus – agora, tem um vulcão em erupção, cujas cinzas poluem os céus da Europa, impedindo os aviões de voarem.

Há três dias que os aeroportos de toda a Europa, com excepção de Portugal, Espanha, Itália e… Islândia, estão encerrados e milhões de passageiros não puderam seguir viagem.

Cavaco Silva foi também apanhado. Em visita í  República Checa, está lá ainda, quando já devia ter regressado.

Sugestão: que venha a pé até Fátima.

Sempre faz exercício físico e, se estugar o passo, ainda chega a tempo de ver o Papa.

“Les Invasions Barbares”, de Denys Arcand

—Um sessentão rezingão e mulherengo, Remy, está na fase terminal de um cancro, num quarto de um hospital de Montréal. A sua ex-mulher pede ajuda ao filho de ambos, um jovem homem de negócios com pouco em comum com o pai.

O filho é um tipo ambicioso e rígido, cumpridor das regras do jogo; o pai é um ex-esquerdista, que foi adepto de todas as modas políticas, que bebeu, fumou e fodeu sem grande tino. Aparentemente, pouco têm a dizer um ao outro, mas a aproximação da morte do pai, faz com que ambos acabem por se aproximar também.

Para além de diálogos muito divertidos e inteligentes, o filme mostra-nos o aparente caos em que vivem os hospitais do Canadá. Nunca imaginei que pudesse ser assim tão parecido com os hospitais portugueses. Sempre pensei que o Canadá, como país inventado que é, tivesse um bom serviço de saúde.

O filme faz também uma feroz crítica aos sindicatos, aos quais é preciso subornar para se obter o que se devia ter direito.

Finalmente, o filme faz um apelo indirecto í  eutanásia, já que Remy acaba por morrer com uma overdose de heróina, ministrada por uma das suas amigas.

O filme ganhou o óscar por melhor filme estrangeiro em 2004.

Por que razão o Sporting só levou 2 na pá

Ficou combinado que, neste Benfica-Sporting, só marcariam golos aos lagartos os jogadores encarnados com as seguintes características:

– Que falassem espanhol

– Que tivessem nascido a sul do Equador

– Que tivessem orelhas de tamanho normal

Esta decisão teve a ver com o facto de todos os jogadores do Benfica quererem marcar um golo ao Sporting, o que iria dar uma embrulhada das antigas: por um lado, seria um engarrafamentoÂ í  entrada da grande área dos lagartos, tudo a querer rematar í  baliza; por outro, teríamos uma goleada que punha a cabeça do Costinha a prémio – e nós ainda temos muito para gozar com o Costinha como director desportivo de Alvalade…

Portanto, vistos os actos e ponderados os factos, só o Cardozo, que nasceu no Paraguai e o Aimar, que é argentino, cumpriam aquelas condições – e foram eles que marcaram golo.

O Javi ainda tentou, mas todos lhe disseram: ok, tu falas espanhol, mas nasceste bem a norte do equador; não podes marcar.

Quanto ao Di Maria, com aquelas orelhas í  Dumbo, nem tentou.

O Máxi e o Saviola reuniam as condições para meter a bola no fundo da baliza do Sporting, mas o uruguaio estava castigado e o argentino, lesionado e não puderam jogar.

E foi por isso que o Sporting, ontem, só perdeu por 2-0.