Nip/Tuck – 5ª série

—Só esta linha do argumento chega para caracterizar a série mais “kinky” da televisão norte-americana: Matt, o filho do cirurgião plástico Sean McNamara que, afinal, é filho do outro cirurgião, Christian Troy, depois de se ter apaixonado por um(a) transexual, sem saber que ele(ela) o era, apesar de ter tido relações com ele(ela), casou-se com uma das ex-namoradas do seu pai verdadeiro, e ex-actriz porno, de quem teve uma filha mas, como ela voltou í  indústria porno, começou a andar com uma israelita com a cara desfeita por um bombista suicida e, finalmente, com uma miúda gira, com uma hemangioma de nascença e que foi operada com muito sucesso por Christian Troy, mas só depois de a desvirginar descobriu que, afinal, era irmão ela, ao mesmo tempo que o seu pai verdadeiro se divertia na cama com a mãe da miúda, uma diabética amputada a ambas as pernas.

Uf!

As restantes linhas do argumento ainda são mais estranhas.

Levada ao extremo da bizarria, só falta mostrar sexo com animais, mas já não deve faltar muito. Talvez na sexta série…

Lamento socrático

Não me bastavam o Portas
O Louçã e o Rangel
A crise económica
E a falta de papel
O Jerónimo e os Verdes
As trapalhadas na Educação
A Manuela Ferreira Leite
O desemprego e a deflação
O Marcelo Rebelo de Sousa
O Pacheco Pereira
O Manuel Alegre
O Mário Nogueira
A falta de médicos
Os juízes e os tribunais
Os despedimentos colectivos
As parangonas nos jornais
O inverno rigoroso
A chuva e a vaga de frio!

E agora ainda sou lixado
Pelos ingleses e pelo meu tio!

A dissolução de Santiago

Santiago Lopez tem 75 anos e é mexicano.

Preso na passada quinta-feira, confessou publicamente que dissolveu em ácidos corrosivos algumas centenas de elementos de gangues rivais.

Não está bem certo se foram 305 ou 289. Tem pena de não ter escrito o nome deles todos num caderninho. Mas foram cerca de 300.

Santiago não fazia este trabalho í  borla. Era pago por Teodoro Simental, um dos barões da droga.

Santiago recebia cerca de 462 euros por semana para dissolver cadáveres em soda cáustica.

Santiago não os matava – só os dissolvia.

E já fazia este trabalho há 10 anos. Era assim uma espécie de “gancho” após a idade da reforma.

Esses cerca de 300 mexicanos estavam todos envolvidos no narcotráfico e, de um modo ou de outro, tinham-se metido no caminho de Simental, que por isso os matava.

E Santiago, dissolvia-os.

Por mim, está perdoado…

Onde pára a ASAE?

O DN de hoje publica uma notícia assustadora: “Prisão de Coimbra vende canivetes a reclusos na cantina”.

Trata-se de uma espécie de canivetes, conhecidos como “chinos”, com uma lâmina de 4 centímetros, que os prisioneiros usam para descascar fruta ou cortar uma carótida.

Estão no seu direito.

Agora, o que não se percebe é como a ASAE não obriga o Estabelecimento Prisional de Coimbra a vender os canivetes noutro local.

Na cantina, perto dos alimentos, não me parece nada higiénico.

O meio tio de Sócrates e os cadilhes de Constâncio

A comunicação social anda, novamente, muito entusiasmada com o “caso Freeport”.

Agora, descobriram que um tal Júlio Monteiro, meio irmão da mãe de Sócrates, poderá ter servido como intermediário, entre a empresa inglesa, dona do outlet, e um ministro do governo de Guterres. Untando as mãos desse ministro com 4 milhões de euros, ele teria dado um jeito, no sentido do projecto ser aprovado, o que veio a acontecer, três dias antes de Guterres deixar o pântano.

Ora, sabendo que o ministro responsável pelo estudo de impacto ambiental era José Sócrates, depreende-se que os 4 milhões foram parar aos seus bolsos, o que explica as gravatas giras.

No entanto, se o Júlio Monteiro é meio irmão da mãe de Sócrates, isto significa que é apenas meio tio do primeiro-ministro – logo, só lhe deve ter dado 2 milhões.

Resta saber onde páram os outros 2 milhões.

Aliás, a malta está a especializar-se em fazer desaparecer milhões. Cada dia que passa, descobre-se que desapareceram mais alguns milhões, e nisso, o BPN é perito.

Ora, segundo a teoria de Cadilhe, a culpa não é de quem rouba os milhões, mas de quem tinha obrigação de montar guarda e não deixar que os milhões fossem roubados.

Constâncio foi ao rubro e só não teve um AVC por causa da recessão, que tem mantido tudo em baixo, mesmo a tensão arterial.

Tem alguma graça ver os banqueiros quererem ser independentes, abominarem o Estado e revoltarem-se contra qualquer intromissão na sua actividade e, depois, quando alguma coisa corre mal, irem todos a correr pedir ajuda e gritarem que a culpa é do Banco de Portugal.

Filhos ingratos!

Mas Constâncio devia saber que quem tem filhos, tem cadilhes…

Obama – a desilusão

Assisti, em directo, pela televisão, í  tomada de posse do nosso novo presidente.

E fiquei triste e desiludido e revoltado e verdadeiramente zangado com ele.

Então, depois de tudo o que fizemos por ele, de todo o apoio que lhe demos, o Obama nem por uma vez se referiu a Portugal no seu discurso de tomada de posse!

Ingrato!

House – 4ª série

—Mais uma série em declínio, com muita pena minha.

Má opção, a dos responsáveis da série, ao acabarem com a equipa de três médicos que apoiava House. A tensão entre os seus elementos era um dos atractivos da série.

Metade dos episódios desta 4ª série é passada numa espécie de concurso, graças ao qual House vai escolher os seus novos colaboradores – e a coisa roça o absurdo, uma vez que House e os candidatos ao lugar, fazem experiências com os doentes, como se fossem cobaias. E isto poderia ser interessante, se House fosse cáustico, amargo, misógino, como nas três séries anteriores. Em vez disso, House quase parece patético e adopta um tom de comédia, que não fica nada bem neste tipo de série.

A segunda parte da série quase se safa, mas depois, os dois últimos episódios são novamente tão inverosímeis, que até irrita.

Nas três séries anteriores, os casos clínicos tinham pouca importância. O que importava era o mau feitio de House e o modo como ele (não) se relacionava com a sua equipa, com o oncologista Wilson e com a directora do hospital. Nesta série, os casos clínicos não interessam mesmo nada – ou é sarcoidose, ou lupus, ou amiloidose ou outra coisa qualquer, e isso tem pouca importância, desde que se possa fazer uma ressonância ou espetar uma agulha no cérebro para fazer uma biópsia.

Espero que a 5ª série retome a dinâmica das três primeiras, caso contrário, acabou-se o House.

De Évora a Mértola e voltar

Évora nunca cansa.

Sabe sempre bem passear pelas ruas estreitas, de paralelepípedos, entrar no frio das igrejas, contornar as muralhas.

A Pousada dos Lóios, apesar do preço, pode ser uma boa base para explorar a cidade e ir mais ao sul.

Mas antes, passar por Mora para ver o excelente Fluviário, único da Península Ibérica e que é uma grande ideia da Câmara Municipal.

O Fluviário recria um rio, desde a nascente até í  foz, com as várias espécies de peixes, batráquios e outros animais que não sabem viver sem a água de um rio.

Numa sala í  parte, alguns aquários com espécies exóticas, do Amazonas e de ífrica.

Na imagem, o esturjão – um peixe famoso pelas suas ovas e que nunca tinha visto ao vivo. E não é que o esturjão é branco?!

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Já em Évora, rever o templo de Diana, que muda de cor conforme o sol, a Catedral, cuja visita é paga, a Praça do Giraldo, onde comemos castanhas assadas,  a Messe dos Oficiais, onde agonizei durante um ano, as Portas de Moura, as janelas com cortinas de rendinhas, os velhotes de boné a galarem as jovens estudantes e lojas do chinês por todo o lado.

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Depois, rumar a Mértola.

Graças ao trabalho de Cláudio Torres e da sua equipa, as diversas camadas de Mértola estão bem preservadas, desde os tempos romanos de Myrtilis e islâmicos de Martulah.

A igreja, que foi mesquita. O castelo. A Torre do rio. O Guadiana, muito castanho, correndo lá em baixo.

Pena alguns edifícios mais modernaços, pintados de amarelo, a estragar o cenário branco das casas caiadas.

Comer migas numa tasca chamada assim mesmo: Migas.

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Passar por Serpa, na margem esquerda do Guadiana.

Mais uma vila antiga, com uma cerca mandada construir por D. Dinis. A igreja matriz também tem dedo islâmico. A Torre do Relógio e mais um castelo.

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E Moura que, como o nome indica, não esconde a influência árabe, nomeadamente, na igreja matriz.

O castelo está em mau estado, safando-se a Torre, por pouco.

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De regresso a Évora, dar um pulo ao Cromeleque dos Almendres, apesar da chuva.

São 4 km de estrada de terra batida, mas vale a pena ver este conjunto de 95 menires, dispostos em círculo.

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