Cuidado com as católicas!

O cardeal Patriarca avisou as raparigas católicas: cuidado com os muçulmanos; casamento com muçulmano é fonte de muitos aborrecimentos.

Em resposta, o Imã Ali Kadhnefi afirmou: “cuidado com as católicas! Gostam muito de pecar e depois dizem que a culpa é dos homens!”

E acrescentou: “elas gostam de fazer porcarias com o sexo e não se ralam porque, depois, vão í  confissão e o padre absolve-as, se elas lhe fizerem sexo oral!”

Está a ver, sr. Cardeal Patriarca?… O senhor é que diz as asneiras e depois as nossas mulheres é que são enxovalhadas.

“O Eco da Memória”, de Richard Powers

—Segundo o New York Times, citado na capa deste livro, Richard Powers «é um génio da literatura moderna. Brilhante e admiravelmente original».

Não sei se será um génio mas, quanto í  originalidade tenho mesmo muitas dúvidas.

A personagem central do livro é um neurologista que, nos últimos anos se tem dedicado a escrever livros em que conta as histórias de doentes neurológicos, daqueles que se esquecem que têm o lado direito do corpo, ou que alucinam vendo crianças, quando olham para a esquerda de um certo modo, ou que esquecem o nome só de certos objectos.

Ora é exactamente isto que Oliver Sacks, por exemplo, faz há muito tempo, nomeadamente no seu livro “O Homem que Confundiu a Mulher com o Chapéu” (1985), ou até mesmo António Damásio, com o seu “O Erro de Descartes”, embora, neste caso, sem a parte ficcional.

Em “O Eco da Memória”, um rapaz do Nebrasca, sofre um grave acidente de viação e entra em coma. Quando recupera, embora não saiba muito bem o que lhe aconteceu, recorda-se de quase tudo, mas é incapaz de reconhecer a irmã e a cadela. É o sindroma de Capgras.

O neurologista é chamado para dar a sua opinião técnica, mas sente-se irresistivelmente atraído por uma ajudante de enfermagem do hospital onde o rapaz está internado. Apesar de ter um casamento longo e bem sucedido, começa a duvidar de si próprio, como homem, como marido e até como médico. Afinal, ele serve-se das desgraças dos outros para fazer fortuna, contando as suas histórias.

Em pano de fundo, o livro vai-nos descrevendo as danças de acasalamento dos grous que, todos os anos, se instalam naquela zona dos Estados Unidos.

Assim, o livro pareceu-me interessante mas não «sem qualquer paralelo entre os nossos romancistas de primeira linha na forma como consegue ligar as novas ambiguidades científicas com as antigas relatividades do coração», como também diz o New York Times.

Até já as ávores matam homens!

Quando surgiu o Correio da Manhã, a malta dizia que se amarrotava o jornal e saía sangue, tal era a quantidade de notícias sobre crimes e derivados.

Depois, surgiu o jornal O Crime e outros semelhantes, como, mais recentemente, o 24 Horas.

Mas o Diário de Notícias é um clássico. Sempre.

Desde os tempos de El Rei D. Luis.

Pois é, o DN existe desde 1864!

Então, tomem lá com alguns títulos do DN de ontem.

«Gaia: Roubaram tabaco armados com caçadeiras e uma metralhadora»; «Assaltos a caixas multibanco aumentaram»; «Ovar: Detido gangue da pistola prateada»; «Valongo: Duo armado rouba mulher que seguia a pé na rua»; «Amarante: Ladrões de casa detidos»; «Tomar: Trabalhador ferido em queda»; «Marinha Grande: Carro roubado na praia»; «Caldas da Rainha: írvore mata homem» (tudo na página 21).

«Coimbra: Detido homem que estará ligado ao tiroteio no Bairro do Ingote»; «Vila Flor: Pai e filho tentaram matar vizinho a tiro»; «Oliveira do Bairro: Detido terceiro suspeito de roubo a donos de restaurante»; «Lourinhã: Amarraram condutor e fugiram com o tabaco»; «Albergaria: Rapaz incendiava autocarros para se exibir aos amigos» (tudo na página 22).

«Covilhã: Homem de 77 anos mata companheira de 82»; «Setúbal: Agente da PSP apanhou ladrão a assaltar o seu carro»; «Vouzela: Bombas roubadas com faca» (página 23).

«Porto: Metade da cidade tem medo de sair í  rua í  noite»; «Coimbra: Carro ardeu e obrigou a evacuar prédio»; «Abrantes: Homem morreu em despiste de tractor»; «Lourosa: Marroquinos baleados» (página 25).

Este país está a saque!

Até já as ávores matam homens!

Pelo menos, nas Caldas da Rainha…

Frio como a água do rio

Está um frio do caraças!

Basta ver o Telejornal…

Eu sou do tempo em que um gajo ia í  janela ver como estava o tempo.

Agora, não. Agora, vê-se o Telejornal e se eles disserem que está frio, a gente tem que tiritar. Ouvimos atentamente conselhos altamente especializados como: quando está mais frio deve vestir-se mais roupa.

E eu que pensei que o frio enrijava os ossos, embora sempre tenha ouvido dizer que, se tiver frio, me devo enrolar na capa do meu tio.

Mas agora há os alertas coloridos.

Se estiver amarelo, visto uma camisola. Se estiver laranja, visto duas. Se estiver vermelho, mais vale não sair de casa.

Que seria de nós sem o Telejornal para nos dizer o que fazer!

Senhoras e senhores, está um barbeiros dos antigos, um briol do carago. Toca a tremer de frio!

Aqui estou, então, fechado em casa, estores em baixo, televisão acesa, í  espera que me digam o que devo vestir, o que devo comer, o que devo beber.

E penso que só vou sair daqui quando anunciarem uma vaga de calor…

“Beat”, dos King Crimson

—Em 1982, os King Crimson eram, para além do eterno Robert Fripp (guitarra, órgão e frippertronics), Adrian Belew (guitarra e voz), Tony Levin (baixo e voz) e Bill Bruford (percussão).

São apenas 8 temas e o último é uma seca de guitarra, chamado “Requiem” e que é daqueles temas que algumas bandas, do rock dito “progressivo”, gostavam de gravar, para encher o vinil (deve haver por ai algum fã que ainda me bate!…)

De resto, este álbum vem na esteira do anterior “Discipline” (1981) e é muito semelhante mas, na minha opinião, perde.

“Fados”, de Carlos Saura

—Depois de “Tangos”, de 1998, Saura debruçou-se sobre o fado e realizou este documentário formidável, que se vê quase como uma história da música mais genuinamente portuguesa.

“Fados” é isso mesmo, uma sucessão de fados, uns ilustrados com imagens de Lisboa, outros acompanhados de coreografias originais, outro recriando uma casa de fados, outro ainda com a câmara fixa na boca da fadista. Pelo meio, homenagens a Alfredo Marceneiro (com um rap um pouco deslocado, digo eu), a Amália Rodrigues e a Lucília do Carmo.

Momentos brilhantes: a interpretação espantosa de Caetano Veloso, de “Estranha Forma de Vida” (Chico Buarque podia ter feito melhor com o seu “Fado Tropical”, embora Júlio Pereira dê uma ajuda) e  Lila Downs, de quem eu nunca tinha ouvido falar, que canta muito bem uma versão bem esgalhada do clássico “Foi na Travessa da Palha”.

Em geral, todos os momentos são bons, incluindo Argentina Santos, que canta fado como deve ser. Só não gostei de Carlos do Carmo e da Mariza (embora a guitarra de Rui Veloso quase safe a coisa), mas isso são opiniões muito pessoais e que devem ser consideradas quase sacrílegas.

ER – 12ª série

—Se o ER sem o Dr. Greene já não era a mesma coisa, sem o Carter, ainda é menos.

Em desaceleração, em direcção ao fim da série (parece que acaba na 15ª época), este ER, ao querer competir com os seus congéneres, tipo Grey’s Anatomy, dá menos importância ao que se passa nas urgências do County e mais ao que se passa nas vidas privadas dos actuais heróis.

Nesta 12ª série, temos mais dois episódios fora do County, passados num campo de refugiados, em Darfour. Se, por um lado, para o público norte-americano, estes episódios podem ser um modo dar publicidade a uma situação de calamidade, por outro lado, os médicos americanos transformam-se em super-heróis muito bonzinhos, ajudando os pretinhos coitadinhos, o que me parece uma visão um bocado neo-imperialista da coisa.

Apesar disso, ainda há um ou outro episódio que se safa, sobretudo quando as urgências se enchem de vítimas de algum acidente e tudo começa a correr mal. Nesses episódios, o ritmo ainda é alucinante e os 40 minutos passam num instante.

Um kick no Flores

Senhores, estou farto!

Levar 5-1 do Olimpyakos doeu, mas os gregos vivem lá longe.

Agora, perder 2-0 com o Trofense?!

Será que o Flores não via que o Bynia estava ali, estava a ser expulso?

Será que não viu que o Carlos Martins estava vesgo?

Será que não percebeu que o Jorge Ribeiro estava bem era no Boavista?

Trocar o Di Maria pelo Cardozo?!

Insistir no Ruben Amorim pela direita?

Sou só eu é que vejo estas coisas?

Então e tu, ó castelhano de má pinta? Onde tiraste o curso de treinador? Saiu-te em alguma embalagem de bolachas Cuétara?

Que tipo de palestra proferiste, durante o intervalo, que os gajos ainda jogaram pior na segunda parte?

Quatro remates í  baliza em todo o jogo?

í“ Flores, do que tu precisas mesmo é de um kick num sítio que eu cá sei.

Para a próxima, peço o despedimento com justa causa para esse espanholito de patilhas grandes que, depois de ser afastado da Uefa, da Taça de Portugal e do primeiro lugar da Liga, ainda só tem uma coisa a seu favor: os 6-0 ao Marítimo.

É pouco…

Ai Flores, Flores, que ainda levas com o regador!…

“O Cisne Negro”, de Nassim Nicholas Taleb

—“Antes da descoberta da Austrália, as pessoas do Velho Mundo estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos.”

Assim começa este livro que não podia ser mais actual, agora que estamos a sofrer as consequências de um acontecimento “inesperado”: a crise no mercado imobiliário norte-americano, os empréstimos não pagos, o tal sub-prime ou coisa que o valha.

Os economistas não previram esta crise, assim como não previram crise nenhuma porque, segundo a opinião de Taleb, só têm curvas de Gausse na cabeça e a realidade nada tem a ver com a curva em forma de sino.

Confesso que a leitura deste livro nem sempre foi fácil. Taleb navega em águas que não são as minhas. Mas captei o essencial: o inesperado, a incerteza, fazem parte da vida e não podemos prever nada se basearmos as nossas previsões apenas nas certezas – há que contar, também, com a incerteza.

Algumas ideias interessantes:

“A distinção entre escritor e padeiro, especulador e médico, burlão e prostituta, constitui uma forma útil de analisar o mundo das actividades, separando as profissões em que se podem adicionar zeros í  remuneração sem grande trabalho, daquelas em que é necessário aumentar o trabalho e despender mais tempo”.

Esta, então, faz-me lembrar qualquer coisa recente:

“O banco da Reserva Federal protegeu-os í  nossa custa, com o dinheiro dos nossos impostos: quando os banqueiros «conservadores» têm lucro, ficam eles com os benefícios; quando têm prejuízo, pagamos nós.”

Citando John Stuart Mill:

“Nunca foi minha intenção dizer que os conservadores são, de um modo geral, estúpidos. O que quis dizer foi que os estúpidos geralmente são conservadores”.

Sobre os especialistas:

“O problema dos especialisas, é que não sabem o que não sabem”.

Taleb não gosta de economistas em geral, de estatísticos e, sobretudo, de jornalistas, os fazedores de médias. E diz:

“Preocupo-me menos com os riscos propagandeados e sensacionalistas, mais com os riscos ocultos que representam um maior perigo. Preocupo-me menos com o terrorismo do que com a diabetes”.

A maior parte do livro passa-o Taleb a zurzir na curva de Gausse que, segundo ele, infectou todas as áreas. A da saúde, por exemplo. Veja-se o que se passa com a famosa “epidemia da gripe” actual, cujo pico já deveria ter ocorrido na véspera do Ano Novo, segundo a tal curva de Gausse e que – digo eu – nem sequer existe. Ou então, a existir, terá vários picos, uma vez que a difusão do vírus tem a ver com o contacto entre as pessoas, que será maior nos dias de trabalho, nos transportes públicos, nos escritórios, nas escolas, do que nos fins-de-semana, em que muita gente fica em casa. Ou não. O modo como se comporta o vírus da gripe não pode ser mostrado por uma curva de Gausse.

Restam, portanto, os fractais e, por isso, Taleb dedica o livro a Benoit Mandelbrot. Confesso que não percebi muito bem o que são fractais e penso que isso também não é muito importante para o meu dia-a-dia. Percebi, no entanto, que existe uma alternativa ao pensamento “gaussiano” e que essa alternativa é capaz de prever “melhor” a incerteza.