Para a Islândia, e em força!

A Islândia nunca me enganou.

Como é que uma ilha praticamente gelada, situada no escroto de Judas, foi considerada, pela ONU, no ano passado, como o país mais avançado do Planeta?

Agora, está-se a ver. Bancarrota, a coroa islandesa não vale um caracol congelado e os islandeses correm aos supermercados e í s farmácias para açambarcarem os bens de primeira, segunda e terceira necessidade, como qualquer outro povo de um qualquer país subdesenvolvido da América do Sul e arredores.

Em bancarrota, ninguém deve dar nada pela Islândia, agora.

É portanto uma boa oportunidade para convencer o Alberto João Jardim a usar os lucros da off-shore da Madeira e comprar a Islândia.

Depois, muda-se para lá com todos os seus apaniguados, enquanto os islandeses (são pouco mais que 300 mil) vêm para a Madeira.

Ganhamos todos: Jardim ganha a independência, os islandeses ganham uma nova ilha sem gelo e nós ficamos livres do Alberto João.

A crise financeira explicada í s crianças

Era uma vez um país muito grande e muito rico, chamado Estados Unidos da América, governado por um senhor chamado Bush, que, em português, quer dizer arbusto, embora também possa designar o conjunto de pêlos que as pessoas mais crescidas têm, í  volta da pilinha ou do pipi.

Esse país, porque era muito grande, tinha muito espaço para construir casas, que também eram muito grandes. Então, os americanos (assim se chamavam os habitantes desse país, embora também houvesse alguns chamados John, Michael, Betty, Sarah, Barak, Bill, Monica, etc) desataram a construir casas. Mas, para o poderem fazer, tiveram que pedir dinheiro emprestado aos Bancos.

Eu escrevo Bancos com letra grande, para vocês não confundirem com os bancos onde a gente se senta, claro.

Ora, os banqueiros – que são os donos dos Bancos – emprestam dinheiro a juros. E o que é que isto quer dizer? Quer dizer que tu pedes, por exemplo, 1 euro emprestado a um amigo, para comprares pastilhas elásticas e, depois, tens que lhe pagar 1 euro e meio.

E perguntas tu: mas por que raio é que eu tenho que dar um euro e meio ao gajo, se ele apenas me emprestou um euro?

E eu respondo-te: é o capitalismo, ó ranhoso!

Se não estás bem, muda-te! Quando tiveres direito ao voto, vota no PCP que, lá para 2040 ainda há-de continuar a lutar pelo pleno emprego, pelo aumento salarial das classes trabalhadoras e pela nacionalização dos meios de produção.

Bom, mas voltemos ao tal país muito grande…

Portanto, os banqueiros emprestavam dinheiro com juros ao americanos e estes construiam casas, que depois vendiam a outros americanos que, por sua vez, para as poderem comprar, pediam dinheiro emprestado aos Bancos.

í€s tantas, alguns Bancos já não tinham mais dinheiro para emprestar mas, como não queriam perder os clientes, pediram dinheiro emprestado a Bancos mais ricos, – e assim sucessivamente, até ao Infinito.

Estava tudo a correr muito bem: os americanos compravam e vendiam casas uns aos outros, que é uma coisa que os americanos gostam muito de fazer, e os banqueiros estavam cada vez mais ricos, tinham grandes ordenados e passavam férias em sítios formidáveis.

Só que, certo dia, alguns americanos deixaram de pagar o que deviam aos Bancos. E, depois, mais americanos fizeram o mesmo. E mais, e mais. Até que os Bancos mais pequenos começaram a ficar sem dinheiro e deixaram, também eles, de pagar aos Bancos mais ricos – e assim sucessivamente, até ao Infinito.

Moral da história: se quiseres uma pastilha elástica e não tiveres dinheiro para a comprar, não peças dinheiro emprestado – rouba-a!

Prison Break – 3ª série

—Coitadinho do Michael Scofield que é tão bonzinho!… Uma senhora muito má, que trabalha para The Company, corta-lhe a cabeça í  namorada e Michael é incapaz de lhe dar um tiro.

E aí vai ele, estrada fora, algures no Panamá, em busca de vingança…

Mas, entretanto, ao longo de 12 episódios esteve a serrar presunto até conseguir fugir da inverosímil prisão de Sona.

Mais fraca que a segunda série, a anos-luz da fantástica primeira série, esta terceira época de Prison Break consegue, apesar disso, prender a nossa atenção e tem, ainda, alguns picos de suspense.

No entanto, os autores de Prison Break precisam de dar uma grande volta ao argumento para que a série consiga sobreviver mais 2 ou 3 épocas.

Quanto a Michael Scofield, sempre com aquele ar muito sério, olhando por baixo das sobrancelhas, já merecia que alguém o fizesse rir…

E onde é que Michael e Lincoln cortarão o cabelo?…

Títulos enigmáticos

Dois títulos enigmáticos da primeira página do Expresso de ontem;

Primeiro: “Gago fecha Moderna”

E por que não “Surdo abre Antiga” ou “Coxo inaugura Contemporânea”?

Segundo: “C. Santos não quer vender Mercedes a ciganos”

E por que não: “B. Lopes não quer vender BMW a pretos”? ou “J. Silva não quer vender Audis a chinocas”?

Crise? Qual crise?

Notícia do DN de ontem:

“As vendas de automóveis em Portugal cresceram 4,1% em Setembro, face ao mesmo período do ano passado, num total de 17 884 veículos ligeiros. (…) Em portugal, já se venderam este ano dez Ferrari, sete Bentley e 177 Porsche”.

Se calhar, afinal, a gasolina e o gasóleo estão mas é baratos!…

Volta, Gabriel Alves, estás perdoado!

Gabriel Alves é um nome consensual, no que respeita aos comentadores desportivos. Linguagem própria, neologismos, todo um edifício filosófico construído ao longo de muitas transmissões televisivas.

Mas Gabriel Alves limitou-se a ser um seguidor do Enorme Comentador Futebolístico (tudo com letra grande), que foi Alves dos Santos.

Um Alves seguiu-se a outro Alves…

Nos anos 60 do século passado, quando o Benfica começou a despontar na Europa e a Eurovisão começou a transmitir os jogos da Taça dos Campeões Europeus, era Alves dos Santos que inventava expressões como “corre como se fosse um extremo” ou “recebe no peito e cola na relva”.

Bons velhos tempos… em que o Alves dos Santos, com a sua voz cavernosa, comentava, o Eusébio marcava e eu era um puto!…

Sobre as expressões idiomáticas inventadas por Gabriel Alves já existem enciclopédias (podem ser consultadas, por exemplo, em http://galves.no.sapo.pt/frases.htm).

Mas também esse Alves está ultrapassado.

Hoje em dia, quem pontifica é um senhor chamado Luis Freitas Lobo.

Confesso que raramente consigo ler um texto de LFL até ao fim. O homem consegue encher uma página inteira do Expresso! Todas as semanas! E suspeito que escreva em mais sítios. Produz prosa a uma velocidade estonteante! Mas escreve coisas algo místicas.

Por exemplo, sobre o Benfica de Quique Flores: “nesta construção complexa de um jogar, manda o futebol como natureza inquebrantável”.

LFL explica por que razão o novo Benfica se foi abaixo, frente ao Porto, e se superiorizou, frente ao Nápoles.

E a explicação é simples: “Equilibrar (Katsouranis) e, depois, desequilibrar (Reyes). Com protecção física e inteligência táctica. Para explorar os pontos fortes, na velocidade e imaginação ofensiva. Para proteger os seus alçapões sem bola, fechando melhor as faixas (Ruben Amorim) e dando mais peso para ganhar a zona de pressão e combate no centro (Yebda).”

Sinceramente, não percebo patavina!

Preferia a ousadia poética e gramatical de Gabriel Alves.

E que saudades da simplicidade de Alves dos Santos (e do Eusébio, Coluna, Simões, José Augusto, Torres, Germano, Costa Pereira, í‚ngelo, Cávem…)!…

Benfica derrota Camorra

Foi limpinho, apesar da sujidade das ruas de Nápoles.

A Camorra não se entende com as autoridades e não limpa as ruas napolitanas, mas o Benfica limpou-lhes o sarampo, com dois belos golos í  moda antiga.

E í  moda antiga é com a bola a mexer – nada dessas mariquices de golos de bola parada, que é algo que nunca hei-de entender: como é que a bola entra na baliza, se está parada?!

O Reyes e o Nuno Gomes mostraram que, cada vez mais, este Benfica se está a aproximar do “meu” Benfica.

Pena a guerra entre operadores ou lá como se chamam os gajos que nos prestam o serviço televisivo. Os ladrões da Sport TV versus os ladrões do Meo.

Resultado: ouvi o relato na TSF e fiz de conta que vi o jogo, aos soluços, em http//:estadiovirtual.sapo.pt.

A maior parte do jogo, os jogadores pareciam acometidos de espasmos epileptiformes e a bola ficava congelada a meio campo durante mais de dez minutos, enquanto o tipo da TSF gritava “Goooooolo”!…

Não vi nenhum dos golos em directo. Mesmo as repetições pareciam retiradas de um mau jogo do Spectrum.

Mau serviço do Sapo.

Não admira. O Sapo é verde… não se pode dar bem com o Benfica…

Marxismo, tendência Bush

Admiro o homem!

Enganou-me bem enganado!

Quem diria que um republicano que acredita no Criacionismo é, afinal, um marxista convicto?!

Bom, claro que George Bush não é um marxista ortodoxo. Não acredito que tenha sequer lido um resumo de “O Capital”. Mas alguém lhe deve ter dado umas luzes sobre a teoria marxista e Bush ficou fã.

Depois, é claro, teve que pensar sobre o assunto – e todos sabemos como é difícil um Bush pensar, e este George ainda é pior que o pai.

Bush ruminou sobre as ideias de Karl Marx durante anos mas, na primeira oportunidade – pimba! – atacou os capitalistas!

E aí está ele a propor que o povo norte-americano tome de assalto os Bancos e as Seguradoras. Os capitalistas não souberam gerir os grupos financeiros, foram gananciosos e garganeiros? O povo, liderado por George Bush, toma conta dos meios de produção de notas e moedas.

Capitalista, escuta – George Bush está em luta!

E por essa Europa fora, outros marxistas perdem a vergonha e saem do armário. Os governos inglês e belga até já nacionalizam bancos!

Pobre Vasco Gonçalves, pobre companheiro Vasco, que já não está entre nós para assistir a esta verdadeira revolução!

Espero que George Bush não fique por aqui. Depois de retirar os bancos e as Seguradoras das garras dos capitalistas e de as devolver ao povo, é imperioso que avance logo para a Reforma Agrária e comece a distribuir as grandes herdades pelos camponeses, seguindo-se a urgente nacionalização da McDonald’s, da Coca-Cola e da Starbucks.

LONGA VIDA AO CAMARADA GEORGE BUSH!

OS ESTADOS UNIDOS JAMAIS SERíƒO VENCIDOS!

“The Shield” – 2ª série

—Mackey e Aceveda firmam um pacto de não agressão: o comandante daquela esquadra muito especial não chateia muito o detective corrupto e, em troca, este arranja-lhe umas detenções baris, que poderão ajudar o latino a ganhar as eleições.

Este arranjinho fica comprometido com uma auditora civil, que mete o nariz em tudo e que começa a desconfiar dos métodos do Strike Team. Além disso, também a detective Claudette começa a não achar muita graça aos métodos de Mackey e decide roer-lhe os calcanhares. Paralelamente, a mulher de Mackey quer mesmo o divórcio, um dos seus principais chibos é queimado vivo e uma prostituta junkie, que também lhe dava umas tips, leva um balázio na barriga e vai desta para melhor.

Vic Mackey só tem coisas que o ralem!…

A série é filmada com muito nervosismo. Uma simples conversa de três minutos, é filmada de três ângulos, com uma câmara hesitante, fazendo lembrar o método usado por Soderbergh, em “Traffic”, por exemplo. Os episódios são todos filmados a correr, tudo acontece muito depressa e é raro haver um diálogo que dure mais de três minutos. Mackey, por exemplo, está sempre a entrar e a sair de salas, a aproximar-se e a afastar-se da câmara, sempre nervoso, nunca nos olhando de frente.

Não é uma grande série, mas é bem esgalhada e tem a diferença de os heróis serem polícias assumidamente corruptos e nós nem nos importarmos muito com isso. Até porque “ladrão que rouba a ladrão…”