“Marie Antoinette”, de Sofia Coppola

marieantoinette.jpgUma sucessão de quadros rococó, com banda sonora punk. Sofia Coppola ficou fascinada pelos vestidos da corte de Luís XVI e o guarda-roupa ganhou um í“scar. Kirsten Dunst tem o ar gaiato que Maria Antonieta talvez tivesse quando, aos 17 anos, se casou com o futuro rei de França. Viver em Versailles e não saber, sequer, onde ficava o resto do país. Luís XVI passa o filme em caçadas e tem duas reuniões com os seus conselheiros, sobre o apoio da França aos independentistas americanos. E, de súbito, está uma multidão andrajosa í  porta – vem buscar o rei e a rainha, afim de lhes cortarem as respectivas cabeças.

Um filme de futilidades, com uma banda sonora curiosa e um guarda-roupa de encher o olho.

O resto, é paisagem – e a de Versalhes forma verdadeiros bilhetes postais.

Piercings, cães maus e assassínios

Sócrates continua a desafiar a sorte.

Depois de atacar os funcionários públicos, os professores, os operários e camponeses, os fumadores, e os professores outra vez, decidiu, agora, fazer a vida negra aos donos de certos cães e aos adeptos de piercings e tatuagens.

Com efeito, o Governo prepara-se para aprovar legislação que obriga í  esterilização de todos os cães pertencentes a sete raças consideradas perigosas.

Para os donos dos rotweilers, dogues argentinos, pitbulls, cães de fila e similares, Sócrates quer fazer aos seus cães o mesmo que Hitler fez aos judeus.

Ao mesmo tempo, um deputado do PS tem pronto um projecto de lei que proíbe piercings e tatuagens aos menores de 18 anos e em certas zonas do corpo, nomeadamente, na língua e nos genitais (redundante…)

Isto cheira-me mesmo a perseguição.

Imaginem um professor fumador, com um piercing no escroto e dono de um pitbull.

Se esse prof der de caras com o Sócrates, vai-lhe fazer o mesmo que Marcelo Caetano fez a Ramos Horta.

Dá-lhe um tiro.

E lá se vai a estatística!…

É que Lisboa é a segunda capital da Europa com menos assassínios (0,68 por 100 mil habitantes).

Melhor, só mesmo La Valeta, onde, entre 2004 e 2006 não houve homicídios.

Pensem bem na chatice que deve ser viver numa cidade em que ninguém merece ser assassinado e ninguém tem paciência para matar ninguém!

A menos que, para manter a estatística, os assassinos de La Valeta, arrastem as suas vítimas para os arredores da cidade e só depois de ultrapassarem os limites da cidade, as matem.

PSD – new look

Só hoje me apeteceu escrever qualquer coisa sobre a nova imagem do PSD.

Luís Filipe Meneses quer ficar na história do PSD como o líder que tirou duas das três setas ao símbolo.

Meneses pensou assim: o PCP mantém a foice e o martelo, mas escondeu o símbolo atrás da CDU; o PS deixou cair o punho e adoptou a rosa, com uma mãozinha discreta a agarrá-la; o CDS, assim de repente, ninguém se lembra do que querem dizer aquelas duas setas a apontar para uma bola ao centro – portanto, era tempo de acabar com as três setas do PSD.

E Meneses tirou duas das setas e manteve apenas uma delas, bem saliente, laranja sobre fundo azul, a apontar para cima. Parece um anúncio ao Viagra.

meneses_seta.jpg

Sotavento algarvio: da serra í  praia

A Pousada de S. Brás de Alportel é um excelente ponto de partida para passeios vários.

Pode começar-se em Alte que pode já não ser a «aldeia mais algarvia do Algarve», mas tem um não sei quê de «new age», sobretudo na zona das fontes. E a luz é, de facto, única.

alte.jpg

Merece a pena parar em Salir, mas escusam de procurar o castelo; as ruínas estão mesmo muito arruinadas. Em Loulé, vi apenas 10 pessoas. Eram todas as brasileiras e estavam todas no único café aberto. Como é possível tanto deserto, num sábado í  tarde. Lou Reed vai actuar em Loulé, em Julho. Para quantos?…

Faro tem uma atracção irresistível: as cegonhas. Estão por todo o lado: no topo dos candeeiros, nas torres das igrejas, no cimo dos edifícios. Enchem os céus com os seus voos planados e os ares com o matraquear dos seus longos bicos.

faro.jpg

Começa-se o passeio pelo jardim Manuel Bívar, junto í  Doca de Recreio, passa-se por baixo do Arco da Vila e caminha-se até ao Largo da Sé, bordejado por dezenas de laranjeiras, em flor e em fruto e carregadas de abelhas. São tantas que o ruído que fazem se confunde com água a correr. Na torre da Sé, mais um casal de cegonhas, claro. Nota alta para os telhados em tesoura de todos os edifícios do largo, seminário incluído.

Depois, perdemo-nos pelas ruelas até chegarmos í  beira da Ria Formosa.

Olhão tem uma marginal com cerca de 800 metros. Dá para comer um gelado, enquanto se caminha de uma ponta í  outra. A animação era muita, ao fim da tarde.

olhao.jpg

Castro Marim é minúsculo. Do castelo, em ruínas, avista-se o sapal, uma área protegida e, claro, Espanha, do lado de lá do Guadiana.

No interior do castelo, costumam organizar-se feiras medievais e ainda lá estão os restos da última, para além de muitas ervas que, entretanto, foram crescendo.

cstromarim.jpg

O traçado quadriculado de Vila Real de Santo António tem o dedo do Marquês de Pombal, que foi quem inventou esta povoação, há mais de 200 anos, tirando, assim, a Castro Marim o epíteto de cidade mais a sudeste de Portugal.

vrsa.jpg

Entre Vila Real e Tavira ficam muitas praias, incluindo a preferida: Manta Rota. Fica, também, Cacela-a-Velha, de onde a Vila Formosa é mais formosa.

cacela.jpg

O passeio por Tavira começou no Jardim Público, junto ao rio Gilão e continuou pela Vila Adentro, até ao centro histórico, que está bem preservado. Passear junto í  igreja de Santa Maria do Castelo e pelos jardins do próprio castelo. Destaque para a torre do relógio da igreja. As horas podem ver-se de bem longe.

tavira.jpg

Mais Apelidos

Ora aqui vão mais seis apelidos inolvidáveis:

– Primavera Travessa – que malandra que deve ser esta Primavera…

– Grilo Pinto – um animal com problemas de identidade, que não sabe se há-de ser insecto, se há-de aderirÂ í  família dos galináceos

– Pica Milho Paz – quase que parece uma lenga-lenga

– Alfinete Antunes – a dignidade que um apelido vulgar, como Antunes, confere a um simples Alfinete…

– Pilonas Mouco Marinho – ser Pilonas já deve ser mau; mas ser Pilonas Mouco, deve ser terrível…

– Galhofa Zabumba – este, coitado, não tem safa possível…

Acordo Ortográfico – um objeto abjeto

Estávamos todos ocupados a ver os professores a desfilar pela avenida abaixo, quais marchas populares (eu até ouvi aquela do José Mário Branco e do GAC – “í“ ministra, vai-te embora/ que nós não te queremos cá/ os professores estão em luta/ o fascismo não passará”)…

Perdão… deixem-me respirar um pouco que já me dói a barriga de tanto rir…

Bom… então, estávamos nós tão ocupados com a manif dos prof que nem demos pela aprovação do Acordo Ortográfico. Aproveitando o fato de Cavaco Silva ir de visita ao Brasil, o Governo aprovou o Acordo. Temos, agora, 6 anos para nos habituarmos a escrever como os brasileiros – alguém tem alguma objeção?

Claro que o meu processador de texto ainda não se habituou ao fato, mas este texto está cheio de sublinhados a vermelho – tudo palavras que ele não conhece, o que dá mau aspeto í  coisa. Vai ser difícil adotar estas palavras como sendo portuguesas. Um tipo olha para ótimo, batizar, coleção, cetro, afetivo, diretor, exato, Egito, e não consegue deixar de pensar que fizemos um mau negócio com este acordo.

E a desculpa de que não pronunciávamos as letras que agora deixam de existir, não é uma desculpa. Na palavra “ceptro”, por exemplo, o pê é pronunciado; por outro lado, na palavra horta, por exemplo, o agá não se pronuncia e não é por isso que deixa de existir.

O que eu penso é que este Acordo é uma grande merrda – com dois erres, que é como os brasileiros pronunciam!

Mudar de operador telefónico é árduo

No que respeita a novas tecnologias, sou muito conservador.

Quando o vídeo começou, comprei um leitor Sony Betamax, um monstro que pesava 30 quilos e que foi tão caro que tive que o comprar a prestações, na Bepaliz. Não resultou. O sistema beta foi para o maneta e a Bepaliz foi í  falência – não por minha causa, que paguei toas as prestações, num total de 150 contos! 150 contos por um gravador de vídeo Betamax que, poucos anos depois, valia nada! Népia! Nicles! Mas eu fui resistindo e só comprei um leitor VHS quando, praticamente, me encostaram uma pistola í  cabeça e me disseram: ou mudas para VHS ou nunca mais vais conseguir gravar porra nenhuma!

Com os cd, não fui tão conservador. Estava farto dos discos de vinil, todos cheios de riscos, humidade, fungos e lixo, que punham os Beatles a gritar “She Loves You”, com um ruído de batatas a fritar que se ouvia no vizinho do lado – de tal modo que ele chegava a vir bater-me í  porta, incomodado com o cheiro.

Comprei, portanto, um leitor de cd Pioneer, ainda só havia três cd em Portugal: “Lover Over Gold”, dos Dire Straits, “Carmina Burana”, do Carl Orff e “Revolver”, dos Beatles. As caixas dos cd eram tão grossas que, se eu atirasse uma delas í  cabeça do meu filho Pedro, na altura com 14 anos, lhe provocaria uma concussão cerebral, no mínimo.

Não funcionava. O leitor de cd estava estragado.

Mas arranjou-se…

No que diz respeito ao dvd, também só a eles aderi quando a procissão já tinha abandonado o adro há muito tempo. Não me estava a apetecer entrar numa guerra semelhante í  do betamax-VHS. Assim como, agora, não sei se vou aderir ao blue-ray, enquanto os senhores não concordarem com um único sistema de alta definição.

O Ipod também entrou na minha vida já com algum atraso – embora, agora, não queira outra coisa. Os 80 gigas do meu pequeno aparelho permite-me ter tudo o que já tinha e muitos arredores.

Tudo isto para explicar que, no que toca a novas tecnologias, sempre preferi o tipo “wait and see”.

Assim foi, quanto aos operadores telefónicos. Este mês ainda vou pagar aluguer de telefone í  PT, vejam bem!

Mas será a última vez!

Agora, sou cliente do cabo, também no telefone.

Liguei para o número que vem na publicidade e atendeu-me uma menina muito simpática. Respondi-lhe í s perguntas que ela me fez e, no dia seguinte, por volta das 9 da noite, um tipo com ar de foragido político, oriundo da Roménia, tocou í  minha campainha. Abri a porta e o tipo, depois de olhar sobre o ombro, como se estivesse a ser perseguido, entregou-me uma caixa e fugiu, escadas abaixo.

Abri a caixa e, lá dentro, estava um kit para a instalação do telefone por cabo – melhor dizendo, para a instalação da ligação telefónica, porque o telefone, propriamente dito, já eu tinha. Além de várias peças e fios, a caixa trazia, também, um manual de instruções e um envelope que, por fora, dizia esta coisa curiosa: «nem todas as peças deste kit podem ser necessárias para a instalação». Quer dizer: a própria empresa leva a sério o dito popular, segundo qual, quando a malta instala qualquer coisa, sobram sempre peças!

A instalação do kit é muito fácil e fiz aquilo tudo em cerca de 15 minutos. No final, o telefone não funcionava. Evidentemente.

Liguei para a linha de apoio ao cliente, pelo telemóvel, claro está, e um rapazinho muito simpático tentou ajudar-me. Como é habitual nestas coisas do cabo, pediu para eu me pí´r de pé, apoiado só num pé, com o braço direito esticado e o indicador a tocar no nariz da minha mulher, ao mesmo tempo que carregava em todos os botões do telefone.

Não resultou.

Pediu, depois, que eu esticasse o fio até í  varanda e cantasse o “I Am the Walrus”, em falsete.

Mesmo assim, o telefone não funcionou.

Combinámos que, no dia seguinte, um técnico credenciado haveria de visitar-me.

Assim foi.

No dia seguinte, um tipo com idade para ser meu neto e com cara de quem está a precisar de um par de estalos, veio cá a casa e viu logo o problema: sentou-se na minha cadeira, ligou-se í  internet, digitou umas coisas, aproveitou para ver algumas fotos que estavam a passar no screen saver (numa delas, eu estava nu, na casa de banho, a fazer peitorais para o espelho… e o técnico olhou-me com ar condescendente e disse «não devia ter usado o flash»; pois não, a luz reflectiu-se no espelho e não se via a minha pila…), depois telefonou para alguém, a quem ditou o código do meu modem e com quem comentou o facto de Valentim Loureiro ir ser julgado, que era a notícia que estava a passar na minha televisão.

Depois, fez mais qualquer coisa no computador e anunciou: pronto, agora é só cortar o fio da PT, ali, naquela caixinha e está tudo í  maneira.

Cortar o fio da PT?

Então não era suposto ser a empresa a informar a PT que eu deixava de querer ser seu assinante?

Quer que eu corte o fio agora? perguntou o técnico.

Deixe estar… eu depois faço isso – respondi, desejoso de o ver pelas costas.

O tipo foi-se e o telefone, de facto, ficou a funcionar.

O mesmo não se pode dizer do mail, que me começou a pedir a password e me recusava a que eu escrevia.

Telefonei, desta vez, para a linha de apoio aos clientes da netcabo.

Atendeu-me outro rapazito, também simpático, que me agradeceu por eu ter estado í  espera e me tentou ajudar de todas as maneiras e feitios, mas o mail não quis funcionar, por mais versões da passaword que nós tentássemos.

Mais uma vez ficou agendada a visita de um novo técnico.

No dia seguinte, experimentei novamente a primeira password de todas e o mail funcionou.

Não precisei sequer de me pí´r de cócoras e cacarejar, enquanto escrevia a password.

E não precisei de nova visita do técnico.

Zon é o novo nome da TV Cabo.

Zon é um bom nome.

Faz lembrar algo do outro mundo, não é?…

Farto de professores

A primeira meia hora de todos os telejornais da hora do almoço, foi dedicada í  chamada Marcha da Indignação. Dizem que 70 mil professores vão desfilar, em Lisboa, contra a política da ministra da Educação, nomeadamente, a avaliação.

Esta simples frase faz com que me apeteça fazer as seguintes perguntas:

1ª. Há 70 mil professores em Portugal?

2ª. Todos os professores estão contra a política do ministério?

3ª. Mesmo que estejam contra a política do ministério, os professores não se sentem incomodados pelo facto de estarem a ser manipulados pelo partido do Jerónimo de Sousa?

4ª. Os professores não têm vergonha quando são filmados pelas televisões, dentro dos autocarros, a cantarem quadras populares contra a ministra, como se fossem grupos excursionistas, a caminho de Fátima?

5ª. Os professores – que são os responsáveis pela educação dos futuros dirigentes de Portugal – não têm vergonha de, em vez de apresentarem alternativas í  política do Governo, optarem por protestar, nas ruas?

6ª. Os professores não percebem que estão a colaborar no show mediático? Não percebem que esta Marcha da Indignação está a ser coberta, pela comunicação social, como se de um Benfica-Sporting se tratasse?

7ª. Sejamos claros: os professores têm medo de ser avaliados?

8ª. Não vos parece um bocado ridículo ver professoras cinquentonas, gordas, de cabelo oxigenado, a cantar palermices dentro de autocarros e a deixarem-se filmar por repórteres de televisão?

9ª. Repito: há 70 mil professores em Portugal?

Sobre esta questão, várias abordagens são possíveis.

Posso fazer uma abordagem político-partidária e rir-me com o facto de ver os sindicatos dos professores do PSD, a reboque dos professores do PCP.

Mas posso – e devo – fazer uma abordagem de cidadão comum e dizer que, quando fui aluno (durante 19 anos), tive professores bons, muito bons, medíocres e abaixo de cão, tive professores, como o de matemática, do 6º ano, tão confuso e baralhado, que me deu, por engano, um teste já corrigido e eu tive que “errar” duas perguntas para não ter 20 valores! Professores tão loucos, como um de Geografia, que adormecia, í  secretária, a contar histórias que ia inventando, í  medida que as contava.

Será que todos os professores merecem subir de escalão e de categoria – quer faltem, quer sejam assíduos, quer cumpram, quer não cumpram?

Não vos parece lógico que a inexistência de uma avaliação (pode não ser esta) favorece os medíocres?

Não vos parece razoável que os professores sejam adeptos de uma avaliação rigorosa e proponham alternativas ao sistema da ministra que, pelos vistos, é muito mau?

Como cidadão comum, também posso falar como encarregado de educação. Tive dois filhos no sistema de ensino. Ambos fizeram um curso superior. De um e de outro dos meus filhos, me recordo de dois ou três professores. Professores que influenciaram, pela positiva, o desenvolvimento dos meus filhos.

Ainda hoje, tantos anos depois, me lembro dos meus professores bons e dos professores bons dos meus filhos – mas tenho a certeza que todos eles, os bons, os maus e os vilões, estão, agora, reformados por igual.

Discutam o método – mas não discutam o princípio.

Por muito que vos custe, não somos todos iguais…

“24” – 6ª série

24_6.jpgJack Bauer anda-me a descair. A 6ª série até começa bem: num dos primeiros episódios, Bauer, amarrado a uma cadeira, consegue pí´r um bandido fora de combate, mordendo-lhe uma carótida, até í  morte. Mas depois, a coisa arrasta-se. Outra vez os muçulmanos maus, outra vez os americanos a lixaram o seu próprio país, outra vez os chineses, outra vez os russos, outra vez o presidente Palmer II (o irmão do primeiro), outra vez a CTU í  brocha… enfim, já cansa.

Parece que os produtores da série reconheceram a fragilidade do argumento desta 6ª série e já prometeram melhorar as coisas na 7ª série, mas com a greve dos argumentistas, duvido.

A prova de que esta 6ª série é muito fraca: demorámos quase 24 dias a ver toda a série, í  razão de um único episódio por noite, ao passo que as anteriores séries foram praticamente devoradas.