Afinal, as rapidinhas não prestam?

Sexólogos americanos conduziram um estudo, agora publicado no Journal of Sexual Medicine, que pretende esclarecer o que se entende por uma boa queca.

Como sou demasiado preguiçoso para procurar o estudo na Net, tenho que me contentar com as referências ao mesmo, publicadas na imprensa portuguesa.

E aí é que a porca torce o rabo.

Se eu acreditar no Diário de Notícias, se a queca (considerando, apenas a penetração, o que é pouco. Sempre.) demorar 1 a 2 minutos, é «demasiado curto»; se demorar 3 a 7 minutos, é «adequado»; se durar de 7 a 13 minutos, é «desejável»; se se prolongar por mais de 13 minutos, é «demasiado longo».

No entanto, se eu me fiar no Sexta-feira (semanário de distribuição gratuita – e há sempre que desconfiar do que é de borla…), «três a treze minutos é o tempo ideal para o acto sexual (…); não é preciso uma relação longa para satisfazer uma mulher». E para satisfazer um homem? Ou para satisfazer duas mulheres? O jornal não esclarece, mas acrescenta: «conclui-se também que dez a 30 minutos é uma relação demasiado longa». O que terá acontecido aos 13 minutos, referidos pelo DN?

Divergências í  parte, ambos os jornais concordam que uma penetração sexual que dure entre um a dois minutos, é pouco satisfatória.

É o fim do velho Pepe Rápido!

Alérgico ao Senhor

Não resisto a esta diatribe.

O suplemento Tabu (título bem adequado!), do semanário Sol, da semana passada, publica um artigo intitulado «Comungar sem glúten».

Refere o artigo que «comungar pode dar direito a lesões intestinais, anemia, infertilidade e muitas outras maleitas». E isto porque a hóstia é feita com farinha de trigo, que contém glúten e há por aí muita gente alérgica ao glúten. Os portadores de doença celíaca, por exemplo, não suportam o glúten.

Fácil de resolver, diria qualquer ateu inteligente.

Errado.

A igreja católica, neste como noutros assuntos, é inflexível! A hóstia representa o corpo do Senhor e «as hóstias sem glúten são impróprias para a comunhão», segundo um documento de 1995, da Congregação da Doutrina da Fé, cujo perfeito era, então, Joseph Ratzinger, o actual Papa.

Que fazer, então?

É que um católico que não engole o Senhor regularmente, não é católico, não é nada.

Mais uma vez, fácil de resolver.

Segundo o padre Peter Siltwell, director da faculdade de Teologia da Universidade católica, citado pelo jornal, «ninguém está a ser excluído do sacramento. Quem quiser pode comungar através do cálice sagrado. É o que faço na minha capela.»

Então, mas o cálice sagrado contém vinho. Vamos dar vinho, por exemplo, a uma criança?

Por que não? diz o senhor padre. Â«É só uma quantidade mínima, umas pequenas gotas».

Portanto, para o padre Stilwell, não faz mal nenhum dar um pouco de vinho a beber a uma criança. O vinho é o sangue de Cristo, está abençoado – logo, não é um mau exemplo, não é incitamento ao consumo de álcool, não é condenável.

Enfim, o raio que os parta.

Agora, confesso que a ideia de um católico alérgico ao Senhor não me sai da cabeça.

Cuba í  beira do colapso

É conhecida a piada que diz que a revolução cubana teve três grandes êxitos: a saúde, a educação e a segurança social, e três grandes fracassos: o pequeno-almoço, o almoço e o jantar.

Mas o regime sempre teve a desculpa dos parvalhões dos americanos, que insistem em manter um bloqueio que já não faz sentido, se é que alguma vez fez sentido…

A farsa do «não-fode-nem-sai-de-cima» de Fidel Castro acabou.

O jovem e prometedor Raul Castro está agora, de pleno direito, í  frente dos destinos da nação cubana.

Mas começou mal.

Qual Marcelo Caetano das Caraíbas, Castro II começou por permitir os telemóveis e, agora, decidiu autorizar que os seus compatriotas frequentem os mesmos hotéis que os turistas estrangeiros.

Já falta pouco para que Cuba seja anexada pelos States…

Turmas dos filhos dos doutores?

O Bloco de Esquerda quer contribuir para a bagunça na Escola Pública. Não lhe chega os diversos ministros da Educação e as respectivas equipas de peritos que, paulatinamente, têm vindo a lixar o ensino, com sucessivas reformas e contra-reformas.

O Bloco quer mais. Quer “turmas heterogéneas”.

E o que será isto de “turmas heterogéneas”? Serão turmas com gordos e magros, altos e baixos, miúdos e miúdas, brancos e pretos?

Também.

Mas o Bloco quer que a heterogeneidade atinja, também, o QI e propõe que se acabem com “as turmas dos filhos dos doutores e as turmas dos repetentes”.

O quê?!

Não se importa de repetir?

O Bloco quer que se acabem com as “turmas dos filhos dos doutores e as turmas dos repetentes”.

Quer dizer: o Bloco pensa que os filhos dos doutores nunca chumbam o ano. E isto porquê? Porque os filhos de doutores são mais inteligentes que os outros ou porque os filhos dos doutores são beneficiados e passam sempre?

Não há pachorra para estes intelectuais de pacotilha, caramba!

“Este País Não É Para Velhos”, de Cormac McCarthy

estepais.jpgDecidi ler o livro antes de ver o filme. Quando vejo o filme primeiro, fico com pouca vontade de ler o livro. Regra geral.

Gostei muito do outro livro que li de McCarthy, “A Estrada”. Considerei-o, mesmo, um dos melhores livros dos últimos tempos. Por isso, fiquei um pouco desiludido com este “No Country For Old Men”, publicado em 2005.

É um livro árido, com uma história muito simples, violência a rodos e um xerife que gosta de filosofar. Há páginas inteiras de diálogos, aparentemente desnecessários, fazendo lembrar os diálogos de “Pulp Fiction”

Exemplo:

“Arrombas cofres, é?
Se eu arrombo cofres?
Isso.
Como é que essa ideia te passou pela cabeça?
Não sei. És um arrombador de cofres ou não?
Não.
Bom, alguma coisa tens de ser. Certo?
Toda a gente é alguma coisa.
Alguma vez estiveste na Califórnia?
Sim. Já estive na Califórnia. Tenho um irmão a viver lá.
E ele gosta daquilo?
Não sei. Vive lá.
Mas tu não eras capaz de lá viver, pois não?
Não.
Achas que é para lá que eu devo ir?”

E assim sucessivamente. Gosto destes diálogos mas, í s tantas, farta um bocado. Outra técnica que McCarthy usa e abusa, neste livro, é a da utilização da conjunção copulativa.

Exemplo:

“Pí´s a mão em concha e varreu o troco de cima do balcão para a palma da outra mão e guardou as moedas no bolso e deu meia volta e dirigiu-se para a porta.”

Até parece que McCarthy estava já a pensar no argumento para um filme…

Seinfeld – 9ª série

seinfeld9.jpg“We couldn’t get any better” – foi por isso que Jerry Seinfeld e Larry David decidiram acabar com a melhor série norte-americana de comédia, ao fim de 9 anos de êxito total.

Não conseguiam fazer melhor, tinham atingido o ponto mais alto e, a partir daquele momento, ou mantinham o nível ou seria sempre a descer. Num dos extras do DVD, Seinfeld confessa, também, que estava farto; enquanto o restante elenco ia para férias, ele não tinha outro remédio senão preparar a temporada seguinte. Terão sido nove anos sem parar e o homem estava estoirado.

Mas é pena não poder ver episódios novos de Seinfeld. Ainda por cima, a nona série é uma das melhores.

Serenity now!

Dá o telemóvel í  criança, velha de um carago!

Toda a gente viu. Era quase impossível não ver. As imagens passaram em todos os telejornais de todos os canais, várias vezes ao dia; as fotos vieram em todos os jornais: a desgraçada de uma professora tira o telemóvel a uma calmeirona de 15 anos, que não se fica e se atira í  professora, tentando reaver o aparelho de telecomunicações. Seguem-se momentos de grande angústia, em que as duas se engalfinham, tentando, cada uma delas, ficar com o telemóvel.   (http://www.youtube.com/watch?v=AfIkEw98duM)

Um verdadeiro choque tecnológico.

Nos dias seguintes, as maiores sumidades em psicologia, adolescência, menopausa e telecomunicações, deram as suas opiniões sobre este caso raro: uma aluna enfrentando uma professora, como se nenhum desses especialistas, nunca na vida, tivesse presenciado um caso semelhante.

Resta fazer algumas perguntas:

1. De que marca era o telemóvel para merecer uma luta daquelas?

2. Teria ligação í  internet?

3. Qual seria o operador?

4. Tendo a miúda uns verdes 15 anos, não se pode considerar que a professora exerceu violência sobre a criança?

5. E o puto que filmou a cena toda, não merecia um subsídio para realizar uma curta metragem? (há que incentivar as artes!)

“Little Miss Sunshine”, de Jonathan Dayton

littlemisssunshine.jpgOra aqui está um filme curioso sobre mais uma daquelas americanices que nos deixam estupefactos: os concursos de beleza para miúdas de 6 ou 7 anos.

Uma miúda concorre a um desses concursos e obriga a sua família disfuncional a acompanhá-la na viagem de mais de mil quilómetros: o aví´ paterno (Alan Arkin), que começou há pouco tempo a snifar heroína, o tio materno, homossexual e o maior especialista americano em Proust, o meio irmão, que não fala há meses porque fez voto de silêncio até saber se consegue entrar na Força Aérea, o pai (Greg Kinnear), que inventou um daqueles métodos de auto-ajuda mas que, no fundo, é um falhado, e a mãe (Toni Collette), que será a mais “normal” desta malta toda.

A viagem e as múltiplas peripécias que a família vai ultrapassando faz com que os vários elementos se conheçam melhor uns aos outros e se aproximem, ultrapassando os vários diferendos que os afastavam.

O título, em português (“Uma Família í Beira de um Ataque de Nervos”), devia ser proibido!

“The Moguls”, de Michael Traeger

amadores.jpgConfesso que fui ao dicionário e “moguls” significa «autocratas, manda-chuvas», embora também possa significar “mongóis” ou, ainda, «saltos que um esquiador dá, quando desce uma montanha coberta de neve e que tem altos e baixos». Nada disto se aplica a este filme pelo que, pela primeira vez, acho que o título em português (“Os Amadores”) é melhor do que o original.

Jeff Bridges é o principal actor, em modo Big Lebovski e o filme é uma palermice que faz sorrir de vez em quando. Resumo do argumento: sem dinheiro e sem emprego, Andy (Bridges) e um grupo de amigos igualmente patetas, decide fazer um filme pornográfico só com amadores.

Bom filme para ver num sábado de aleluia…