“Olhos de Cão Azul”, de Gabriel Garcia Marquez

olhosdecao.jpgO escritor colombiano, prémio Nobel em 1982, escreveu esta série de contos entre 1947 e 1955, no início da sua carreira, mas só os publicou em 1974. Acho que compreendo porquê. Todos eles são narrativas lúgubres, com a morte como pano de fundo e muito longe da escrita torrencial e multitudinária a que Garcia Marquez nos habituou.

Confesso que fiquei um pouco desiludido com a leitura destes contos, já que estava í  espera de mais aventuras em Macondo, e saem-me textos tristes, muito introspectivos e circulares.

 Em Portugal, esta colectânea de contos saiu na D. Quixote, em 2005, com tradução de Maria da Piedade Ferreira.

Dupla personalidade

Outra pequena local do DN de sábado passado, página 27: 

“Um indivíduo de 21 anos foi ontem detido pela PSP de Santarém por ter furtado um veículo em A-dos-Cunhados, Torres Vedras. No interior da viatura foram apreendidos objectos de arte sacra, também furtados. O detido não tinha documentos de identificação e já apresentou dois nomes distintos para si próprio” 

Assim se vê a dificuldade do trabalho de um polícia: prende-se um ladrão de arte sacra, vai-se a ver e o gajo não só não tem identificação, como tem a mania que é dois!

Não admira que seja cada vez mais difícil recrutar agentes para a PSP, nomeadamente nas pequenas localidades. Quem é que quer ser polícia em A-dos-Cunhados e, ainda por cima, ter que levar com ladrões com dupla personalidade?

Neste caso particular, o polícia encarregado da prisão do ladrão teve que enfrentar um problema bem complexo: aquilo que parecia ser um simples furto de um veículo, acabou por se revelar um caso de roubo de arte sacra por indivíduo sem identificação e, ainda por cima, esquizofrénico.

Não há polícia que aguente isto, caramba!

O minuto 34

Mais uma notícia espectacular do Diário de Notícias de ontem, página 27: 

“Um homem de 21 anos foi detido quinta-feira, na Venda Nova, Amadora, por ter tentado furtar dois pacotes de leite e um comando de televisão, avaliado em 31 euros, do interior de um estabelecimento comercial, situado na Rua Elias Garcia. Os funcionários detectaram o furto e alertaram a PSP, que deteve o indivíduo í s 14.34.”

Ora aqui está uma pequena local, como antigamente se chamava a estas pequenas notícias enviadas pelos correspondentes da província, que encerra muito ensinamentos, a saber:

– Portugal é, todo ele, uma província. Apesar do choque tecnológico, da banda larga e dos 10 milhões de telemóveis, continuamos uns provincianos. Esta notícia vem da Venda Nova, Amadora – e não, por exemplo, de algum buraco escondido do nordeste transmontano;

– Dizem que a criminalidade cada vez está mais sofisticada, mas ainda há ladrões pouco ambiciosos. O desta notícia tentou roubar apenas dois pacotes de leite e um comando de televisão. Se a criminalidade estivesse, de facto, a aumentar, o tipo deveria roubar, pelo menos, uma palete de leite e levar, também, o televisor, além do comando.

– Quando dizemos «onde está um polícia quando precisamos dele», é má vontade nossa. Como demonstra esta notícia, o polícia está sempre í  mão, mesmo quando se tentam roubar, apenas, dois pacotes de leite. Vejam bem que, assim que os funcionários detectaram o furto, avisaram a PSP e ela logo apareceu.

– Logo apareceu e apanhou o malogrado ladrão, í s 14.34! Mais uma vez, a precisão jornalística. O tipo não foi preso por volta das 14.30, ou depois das 2 da tarde ou alguns minutos antes das 15 horas. O ladrão foi preso, precisamente, í s 14.34!

Quando leio notícias destas no DN, vêm-me lágrimas aos olhos. A publicação de notícias destas demonstra que, apesar de tudo, os administradores do DN ainda sentem alguma ternura por estes pequenos correspondentes de província e continuam a dar-lhes trabalho.

Bem hajam!

Nossa Senhora dos Foguetes

Hoje, í s 8 da matina, o pároco de Cacilhas virou-se para o acólito e disse:

– Vamos lá acordar esses hereges!

Seguiram-se 15 minutos de foguetório.

É que hoje, aqui em Cacilhas, celebra-se o dia em que a Nossa Senhora fez com que o maremoto fosse para o lado de lá do Tejo e matasse milhares de alfacinhas, em vez de vir para o lado de cá, arrasar os cacilhenses.

Isso foi em 1755, mas os católicos não esquecem essas coisas. Por isso, todos os anos, no primeiro dia de Novembro, há uma festa religiosa que consiste em acordar a malta toda com foguetes, logo í s 8 da manhã.

Acho que, depois dos foguetes, é capaz de haver uma missa e tenho quase a certeza de que há uma procissão – mas, para mim, o que me interessa são os foguetes.

Que divertimento pode haver em atirar ao ar uma cana que, chegando lá acima, explode?

E qual será o objectivo do pároco de Cacilhas, ao organizar esta alvorada com 15 minutos de explosões? Espírito bélico? Pura maldade? Obra do demónio?

Os foguetes não devem servir para acordar quem queira participar nas festividades porque, quem acorda ao som dos foguetes só pode exclamar “cabrão do padre! Se ele enfiasse mas era os foguetes num sítio que eu cá sei!”

Hermitage – os Romanov em Lisboa

hermitage.jpgOs russos emprestaram-nos 600 objectos e pinturas que fazem parte do acervo monumental dos Romanov e Lisboa passou a ter o seu Hermitagezinho.

Está no Palácio de Ajuda e claro que vale a pena ir ver, embora se possa questionar a oportunidade desta colecção, em vez de outra qualquer.

A Exposição chama-se “Arte e Cultura do Império Russo nas colecções do Hermitage – de Pedro, o Grande, a Nicolau II” e o título diz quase tudo.

Sinceramente, tudo o que diz respeito a pintura, não me disse grande coisa. O mesmo já não digo dos objectos, nomeadamente, os instrumentos cirúrgicos de Pedro, o Grande, bem como a sua farmácia portátil, o seu telescópio e, em geral, todos os objectos que saíram do seu torno (não confundir com trono…).

Experimentem ir ver a exposição e, depois, vir a pé até ao Chiado, descendo a Calçada da BoaHora, passando por Santos, Alcântara, Prior Velho e Cais do Sodré. Lisboa é uma cidade do caraças!

“O Pintor de Batalhas”, de Artur Pérez-Reverte

pintordebatalhas.jpgO segundo autor castelhano que trouxe para a nossa viagem foi o espanhol Pérez-Reverte, mas este livro não me divertiu tanto como o de Vargas Llosa.

“O Pintor de Batalhas” acaba por não ser bem uma história, mas sim uma reflexão sobre a vida, a morte, a velhice e a influência que podemos exercer na vida e na morte dos outros.

Andrés Faulques é um fotógrafo que, durante décadas se dedicou a fotografar os diversos conflitos armados, pelo mundo fora, da Somália ao Líbano, dos Balcãs aos mais diversos países africanos. Depois da morte violenta da sua companheira, também fotógrafa, ao pisar uma mina, no Kosovo, Faulques retira-se para um antigo farol, na costa mediterrânica e dedica-se a pintar um mural que represente todas as guerras da Humanidade.

Certo dia, é visitado por um ex-soldado croata, que ele fotografou em tempos; essa fotografia foi capa de revista e correu mundo. Os sérvios, ao reconhecerem o soldado, graças í  fotografia, foram a sua casa, violaram e mataram-lhe a mulher, que era sérvia, bem como o filho. Agora, o soldado queria vingar-se e anuncia que vai matar Faulques.

Este é o ponto de partida do livro; a partir daqui, Pérez-Reverte disserta sobre a vida e a morte e questiona-se sobre um certo tipo de jornalismo, que se diz independente – será possível não tomar partido, num conflito?

Um livro interessante mas um pouco lúgubre.

Colónia del Sacramento – Portugal no Uruguai

O dia de hoje, foi passado em Colónia del Sacramento, no Uruguai.

í€s 7 da manhã, já estavam a buscar-nos e tivemos que ir, mesmo sem pequeno-almoço. Fomos tomá-lo ao cais de embarque do buquebus, em Puerto Madero.

Esta história das fronteiras é uma grande desculpa para criar postos de trabalhos inúteis. Que quantidade enorme de funcionários para verificarem os passaportes, colocarem carimbos em impressos preenchidos í  pressa pelos turistas e que ninguém verifica!

O buquebus é um catamarã gigantesco, que também transporta carros, ao longo do estuário do rio de La Plata, entre Buenos Aires e a Colónia del Sacramento ou Montevideo.

Os porteí±os (habitantes de Buenos Aires), gostam muito de passear, ao fim-de-semana, em Colónia, e alguns deles até lá têm casa de praia.

Cumpridas as formalidades, embarcámos e cerca de uma hora depois, estávamos no Uruguai. Durante a curta viagem, a maior parte dos passageiros atacaram a free shop do barco, comprando, sobretudo, perfumes.

O estuário do La Plata é o maior do mundo. Olhando através da janela do barco, parece que estamos no mar alto, já que não se avista terra.

Do outro lado, estava í  nossa espera a Irma, uma guia setentona, falando um português aceitável. Introduziu-nos num táxi e fomos para a visita da cidade.

Colónia del Sacramento foi fundada pelo português Manuel Lobo, em 1680. Depois, seguiram-se as habituais disputas territoriais, entre Portugal e Espanha, e a cidade foi passando de uns para outros, razão pela qual, hoje em dia, vemos traços arquitectónicos dos dois países. Grosseiramente: casas com telhado (portuguesas) ou com terraço (espanholas), ruas com esgoto central (portuguesas) ou com dois esgotos laterais (espanholas). Desde há alguns anos que esta cidade é património da Unesco e, por essa razão, a cidade tem mantido muito bem o seu centro histórico, embora ainda haja muitos edifícios as pedirem recuperação.

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Não há dúvida que é uma cidade muito curiosa e que, em algumas ruas, até parece que estamos em Portugal. Passeámos por jardins luxuriantes, por ruas empedradas com basalto, pelo farol… pena, os mosquitos! Mais uma vez, fomos apanhados desprevenidos! A chuva dos últimos dias fez acordar milhares de mosquitos que, novamente, fizeram o favor de nos picar. A certa altura, vimos um aviso sobre o dengue. Olha que porra! Quer dizer: o repelente foi usado em Iguaçu, pelos vistos, sem necessidade e, nos sítios onde, de facto, havia mosquitos, aqui e nas pampas, deixámo-lo ficar no hotel!

Durante o resto da manhã, a Irma mostrou-nos os pontos de maior interesse da cidade e, depois, levou-nos ao Yatch Club, onde almoçámos – finalmente! – peixe! Mais precisamente, peixe rei, com legumes grelhados, acompanhado por cerveja uruguaia, de nome Patrícia. Bom!

Durante a tarde, deambulámos pela cidade, enxotando os cabrões dos mosquitos e, í s 4 e meia, estávamos de volta ao buquebus Patrícia Olívia II, que nos trouxe de volta a Buenos Aires.

Península Valdez – os pinguins

20.10.07 – para ver os pinguins de Punta Tombo, é preciso percorrer os 67 km que separam Puerto Madryn de Trelew e, depois, mais 160 km para sul, os últimos 50, em terra batida, com muita pedra solta. A paisagem é monótona e desoladora – quilómetros de estepe patagónica, sem nenhum motivo de interesse.

Chegados a Punta Tombo, caminhamos cerca de quilómetro e meio, em direcção í  costa e, de um lado e de outro, já vamos vendo os ninhos dos pinguins. Nesta altura do ano, estão a chocar os ovos – um ou dois, por casal, e quando os filhotes nascerem, 40 dias depois, a colónia poderá atingir o milhão de aves.

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Vimos centenas de pinguins, dispersos pelas encostas, metidos nos seus ninhos escavados no chão, ou caminhando, í  charlot, em direcção ao oceano, para ir buscar comida.

Específicos desta zona do planeta, os pinguins de Magalhães passam aqui parte do ano e, lá para Março, vão-se embora, para o norte, passando o resto do ano no oceano, sem vir a terra.

valdez_pinguins2.jpgApesar de terem alguma dificuldade em andar, alguns destes pinguins escavam o seu ninho muito longe do mar, por vezes até 800 metros de distância, o que quer dizer que, sempre que têm que ir buscar comida, têm que percorrer essa distância, naquele passo apalhaçado. No caso desta espécie, quer a fêmea, quer o macho podem ir buscar comida ou ficar, no ninho, a tomar conta da descendência.

Pinguinera vista, vamos regressar a Trelew, pela mesma estrada monótona. Mas antes, fomos visitar uma pequena localidade, chamada Gayman, que foi fundada por emigrantes, vindos do País de Gales. Nos finais do século 19, uma comunidade de galeses, fugidos da Grã Bretanha, por razões religiosas (é o costume), veio aqui parar e, no vale do rio Chubut, construiu um sistema de canais que transformou a estepe patagónica numa zona verdejante, capaz de produzir toda a espécie de legumes e frutas. O contraste é bem evidente: de um lado da estrada, a estepe árida, do outro, o vale verdejante do Chubut.

Em Gayman, parámos numa casa de chá, herança dos antepassados galeses, para comer uns scones e beber um chá.

Península Valdez – baleias e pinguins

19.10.07 – Mais um dia cheio e em cheio, dedicado í  observação de animais, sobretudo, baleias, elefantes marinhos e pinguins.

Vieram buscar-nos í s 7h30 e partimos para a Península Valdez e, mais uma vez, formou-se um grupo multinacional, com espanhóis, ingleses e um casal belga, de idade bem avançada.

O nosso guia de hoje, chamado Marco, fazia jus aos naturais da Patagónia, pois devia ter, pelo menos, 2 metros de altura. Quando, nos anos 500, Magalhães e seus amigos chegaram aqui, a esta zona inóspita do mundo, verificaram que os aborígenes que a habitavam, os tehuelches (antigamente chamavam-se índios, mas indígenas ou aborígenes é mais correcto), eram muito altos e tinham uns pés muito grandes. Nesses tempos, os europeus eram relativamente baixos, í  volta do 1 metro e 60 de altura, enquanto os habitantes da Patagónia teriam í  volta de 1 metro e 80. Mas parece que foram os pés grandes, as patas grandes, que determinaram o nome Patagónia.

O Marco demonstrou um grande prazer em falar-nos e mostrar-nos a fauna da Península Valdez.

Começámos pelas baleias, chamadas baleias francas austrais. Vêm aqui, ao Golfo Nuevo, na Península, para se reproduzirem e por cá ficam até as crias deixarem de precisar dos cuidados das mães.

Para avistarmos estes imensos mamíferos (16 metros de comprimento e 60 toneladas de peso), fomos até Puerto Pirâmides e tomámos um barco da empresa Jorge Schmid.

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Durante cerca de uma hora, navegámos nas águas calmas do Golfo Nuevo e avistámos muitos golfinhos que, ao agitarem as águas, fazem com que o peixe venha
í  superfície e disso se aproveitam as gaivotas, que atacam, então, em força.

Avistámos também diversas baleias, quase todas nadando calmamente, acompanhadas pelas crias.

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Não estava nada í  espera deste espectáculo. Aliás, parece que esta é a melhor zona para avistar baleias; em quase todos os outros locais do mundo, as águas do oceano são muito mais agitadas e, para se avistar uma baleia é necessário esperar horas e vomitar várias vezes.

Segundo nos disseram, costuma ser sempre bastante fácil avistar baleias aqui, no golfo Nuevo e hoje ainda foi mais fácil porque não há vento nenhum.

A baleia franca austral é considerada Monumento Nacional Natural.

Para além das baleias e dos golfinhos, avistámos um casal de leões-marinhos que estavam em cima de um rochedo, como se estivessem a posar para os turistas e, claro, muitas aves.

No entanto, ver as baleias, nadando tranquilamente, mesmo junto aos barcos, foi mais um dos pontos altos desta viagem.

Depois das baleias, partimos em busca dos elefantes marinhos, em faro de Punta Delgada. Antes, porém, almoçámos, num restaurante junto ao farol. Comemos um assado de cordeiro patagónico, que dispensava de bom grado; valeram as duas empanadas de carne, que estavam boas.

Para chegar até aos elefantes marinhos, é preciso descer a encosta, até ao mar, através de um trilho mais ou menos íngreme. Lá em baixo, estivemos sentados no areal, em silêncio, observando um macho, o seu harém e os seus filhotes. Aqui, na Península Valdez, é o único local do mundo onde se podem observar estes imenso mamíferos, já que é o único local do mundo onde eles se reproduzem, e exactamente no mês de Outubro. Cada macho alfa pode pesar até três toneladas, e medir 4 a 5 metros e acasala com 10 a 15 fêmeas, embora muitas acabem por acasalar com outros machos periféricos, enquanto o macho alfa descansa, até porque, durante a época de acasalamento, ninguém come – é só fazer amor…

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Durante cerca de meia hora, ali ficámos, em silêncio; apenas se escutavam os cliques das máquinas fotográficas, o chocalhar do oceano sem ondas e aquele ladrar estranho dos elefantes marinhos.

Em seguida, fomos a uma zona da Península, chamada Calheta Valdez, uma estreita língua de água que entra pela terra dentro. Aí, além de elefantes marinhos, há também pinguins. Pelo caminho, vimos maras, um roedor que é uma mistura de coelho e canguru, amarillos, uma espécie de tatu, guanacos, que são os llamas cá do sítio, e nandus, aves corredoras, da família da avestruz e da ema.

Comparada com o haveríamos de ver no dia seguinte, a pequena colónia de pinguins da Calleta Valdez é isso mesmo, pequena. Estes são os chamados pinguins de Magalhães; são muito mais pequenos que os da Antárctida – pesam cerca de 5 kg e não medem mais do que 50 centímetros.

E regressámos a Puerto Madryn, depois de mais este National Geographic ao vivo. Foram cerca de 400 km de estrada, metade em terra batida, e cerca de 11 horas de excursão.

puertomadryn.jpgAntes de jantarmos, ainda demos uma voltinha pela cidade, que é feia e incaracterística. Com uma vista tão espectacular sobre o oceano, aconteceu em Puerto Madryn o habitual: desataram a construir mamarrachos, que estragaram a avenida marginal. Mas o oceano ainda lá está, bem como um céu imenso que parece não mais acabar.

Iguazu – 2

Corremos para o hotel, mudámos de roupa e, í s 14 horas, já estávamos a caminho do Brasil, a bordo do autocarro mais multinacional, até agora: dinamarqueses, franceses, ingleses, mexicanos e, claro, espanhóis. Fomos ver as cataratas, do lado brasileiro. A chatice foi as fronteiras: para sair da Argentina e entrar no Brasil e, depois, fazer o trajecto inverso, perdemos cerca de duas horas. Parece que quanto mais desorganizado é o país, mais burocracia tem.

Valeu a pena visitar Iguaçu, do lado brasileiro.

Embora as passarelas brasileiras não estejam tão próximas das quedas de água, como as argentinas, a visão é mais abrangente e vemos melhor o conjunto das numerosas quedas de água. Fizemos o percurso todo, caminhando cerca de 12 km e estoirámos mais uma série de fotos.

No final do percurso, um elevador leva-nos até a um miradouro, mesmo junto í  queda da Garganta del Diablo. Aí, sim, o fragor das águas é quase assustador. 

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E regressámos.

18.10.07 – Esta manhã ainda andámos cerca de 3 km, deambulando pelas passarelas que, entre as 8 e as 9 da manhã, estavam praticamente desertas, o que nos permitiu tirar fotos í  vontade.

iguazu5.jpgPassámos pelas duas cascatas que caem paralelas e a que chamam “las duas hermanas”. Foi aqui que foi filmado “The Mission”, com De Niro e Jeremy Irons; voltámos a ver o salto Bosseti, onde ontem fomos ensopados; tornámos a ver as quedas na Garganta del Diablo; passámos pelo salto Chico; observámos demoradamente as tais aves que fazem os ninhos por detrás das águas e que não são bem andorinhas – e sentimos um enorme cansaço, não só por causa do dia de ontem, mas também pelo calor e pela humidade.