“The Devil Wears Prada”, de David Frankel

diabovesteprada.jpgSe o diabo veste Prada, será que deus veste Boutique da Alcofa?

É esta a grande questão de mais um filme tipo gata borralheira. A menina-que-não-quer-saber-da-moda-para-nada, mas que quer ser uma grande jornalista (Anne Hathaway), arranja emprego como assistente da directora de uma grande revista de moda, a Sra. D. Miranda (Meryl Streep).

A Sra. D. Miranda quase nunca olha ninguém nos olhos, nunca levanta a voz, dá ordens e não tolera que a ponham em causa.

A gata borralheira, a pouco e pouco, aprende a vestir-se com estilo, arranja o cabelo e até fica com a cintura mais fininha: está a subir na vida e na consideração da D. Miranda. Até vai com ela para Paris e para a cama com um D. Juan nova-iorquino. Mas perde o namorado e a dignidade.

Então, desiste do emprego, volta a vestir-se como antigamente e reconquista o namorado.

A D. Miranda escreve-lhe uma carta de recomendação e a gata borralheira arranja emprego como jornalista no New York Mirror.

Se não estivéssemos de férias, o dvd bem podia ter ficado na prateleira do videoclube.

Tantos cães a um osso

Como é possível que um Câmara falida e com dívidas até ao tecto, tenha tanta gente a querer ocupar o cargo de presidente?

O PS não brinca em serviço e avança com a candidatura do nº2 do Governo, aquele senhor moreno que usa camisas e fatos um número abaixo.

Marques Mendes levou várias negas e acabou por ver a coisa preta; vai daí, convidou Negrão, que era vereador da Câmara de Setúbal e o homem aceitou porque, para ele, qualquer cidade serve, desde que tenha emprego.

O PCP avança com Ruben de Carvalho e o Bloco, com Sá Fernandes – escolhas lógicas.

O PPM apresenta o fadista Gonçalo da Câmara Pereira, que tem a vantagem de já ter a Câmara no nome.

O PDN (que é isso?…) concorre com Manuel Monteiro, um homem do Norte para endireitar Lisboa.

O CDS vai decidir hoje quem será o seu candidato, mas tem muita gente disponível: Teresa Caeiro, Luís Nobre Guedes, Telmo Correia e o próprio Paulo Portas que, ontem, ao Telejornal, fez questão de referir estes nomes por ordem alfabética (betinho…)

E ainda há a Helena Roseta que, de repente, está muito preocupada com o estado da capital do país.

E parece que aquele senhor que não gosta de pretos também vai concorrer mas, com esse não me posso meter, porque ainda acabo por ser perseguido por dois calmeirões carecas.

Ai pode, pode…

Posso ouvir, em meia hora, o seguinte: “Vibe Boogie” (Lionel Hampton), “Autoharp” (Hooverphonic), “I Have Not Been to Oxford Town” (David Bowie), “Glorious Pop Song” (Skunk Anansie), “Lonesome Road” (Stan Kenton), “Hurricane Eye” (Paul Simon) e “Suzie Q” (Creedence Clearwater Revival)?

Ai posso – no meu iPod.

Já lá estão 11 107 músicas e ainda tenho 40 gigas livres.

É chegar a casa, ligar aquele pequeno rectângulo branco e deixar que seja ele a escolher aleatoriamente a música que vou ouvir. Agora, por exemplo, o B.B. King está a acabar o seu “Outside Help”, ao vivo, em Kansas City, em 1972 e, já a seguir, os Stones atacam “Thief in the Night”.

Grande invenção, esta!

House – 2ª série

house2.jpgGregory House está mais ácido, nesta 2ª série, mais politicamente incorrecto, mais egocêntrico, mais insuportável, mais zangado com o mundo, mais solitário – pior da perna, literalmente.

Os temas de cada episódio são, nesta 2ª série, ainda mais raros e até um pouco inverosímeis, como o caso do síndrome de Erdheim-Chester que, ainda por cima, está mal apresentado. De facto, este síndroma raríssimo é apresentado, na série, como tendo início súbito, o que é falso e, no fim do episódio, House manda os seus discípulos administrarem o respectivo tratamento, que não existe. Além disso, a situação do doente agrava-se quando lhe é administrado o interferão, que é uma das poucas coisas que, de facto, melhoram a situação destes doentes. Finalmente, o doente em causa é uma criança, enquanto a idade média de aparecimento de Erdheim-Chester é aos 50 anos.

Claro que eu também não sabia nada disto. Os argumentistas de House devem ir ao Livro das Doenças Esquisitas procurar inspiração, o que não tem mal nenhum, já que o interesse da série se centra na personagem do House; os doentes e as suas doenças são meros elementos decorativos.

Acrescente-se que a legendagem tem erros crassos, com frequência irritante; “kidney” é traduzido por fígado, “hipotyroidism” é traduzido por hipertiroidismo e outras barbaridades.

Apesar de tudo isto, House continua a ser uma das melhores séries de tv desta nova vaga norte-americana.

Chegou a vez do sexo oral

Um grupo de cientistas engraçadinhos da Escola de Saúde de John Hopkins, Baltimore (a mesma onde se formou o Dr. House), chegou í  conclusão que fazer sexo oral aumenta a probabilidade de se contrair cancro na garganta.

Já não bastava o tabaco e o whisky – agora também já não podemos dar beijinhos da pilinha ou no pipi das nossas companheiras(os)!

Segundo o estudo que os engraçadinhos realizaram, os indivíduos que tiveram sexo oral com um a cinco parceiros, têm o dobro das possibilidades de contrair cancro da garganta, em relação aos que (idiotas!) nunca praticaram sexo oral.

Esta conclusão é um pouco perversa. Quer dizer, se eu já coloquei a minha língua no pipi da minha namorada, tenho o dobro do risco de ter cancro. Portanto, já agora, perdido por cem, perdido por mil: vou mas é colocar a minha língua nos pipis de mais quatro meninas. O risco é o mesmo! Mais é que não! Segundo o mesmo estudo, se praticares sexo oral com mais de seis parceiros, as hipóteses de cancro sobem 250%!

A culpa de tudo isto parece ser do vírus do papiloma humano que, pelos vistos, também se pode transmitir através do sexo oral.

E o mais engraçado (ou trágico?) do estudo, é que os cientistas tiveram o cuidado de fazer um inquérito a todos os indivíduos estudados, a fim de não enviesar os resultados com o eventual consumo de tabaco e álcool que, como se sabe, são os maiores responsáveis por cancros da garganta (ou eram?).

Portanto, agora, para além de termos, em locais públicos, sítios especiais só para fumadores, passaremos a ter, também, áreas restritas para praticantes de felacio e de cunilingus.

Eu tenho andado a avisar…

“Pastoral Americana”, de Philip Roth

pastoralamericana.jpgSeymour Levov, conhecido como o Sueco, é um judeu norte-americano bem sucedido. Na escola, era o ídolo dos colegas, membro destacado das equipas de futebol americano e de basquetebol. Herdou, do pai, uma fábrica de luvas, em Newark, e foi um patrão exemplar, não discriminando empregados, quer pelo sexo, quer pela etnia. Casou com Dawn, uma católica – e aí, teve que afrontar o pai, muito mais ortodoxo do que ele e para quem foi muito difícil aceitar uma nora não judia. Mas Dawn era linda, tinha sido Miss New Jersey e revelou-se uma esposa exemplar, tomando conta de uma quinta, onde criava vacas.

Levov era o retrato do norte-americano feliz e realizado, sempre fazendo “the right thing”. Depois nasceu a filha, Merry e a família viveu feliz e próspera até começar a guerra do Vietnam e Merry, que entretanto chegara í  adolescência, se ter transformado numa militante radical anti-guerra.

Merry levou o seu radicalismo ao extremo, colocando uma bomba na estação de correios que, ao explodir, matou acidentalmente um médico idoso e respeitado em toda a comunidade judaica. Merry passou í  clandestinidade, foi responsável por outros atentados, nos quais morreram mais três pessoas e, anos depois, abraçou a religião Jain, não comendo seres vivos e recusando-se a tomar banho, para não conspurcar a água.

Levov viveu anos de desespero, sem saber onde parava a filha, sem compreender a sua atitude, mas sempre fazendo “the right thing”.

Nem sempre os bons são recompensados, nem sempre a “normalidade” gera “normalidade”, não está escrito, em lado nenhum, que a vida é justa.

Roth é um dos meus escritores favoritos e, neste livro, para além de ser torrencial, como de costume, interpreta muito bem os sentimentos de um homem que não consegue perceber o que fez de errado para merecer uma filha assim. Se calhar, na vida, uma coisa não tem que forçosamente levar a outra.

Com este livro, Roth ganhou o Prémio Pullitzer, em 1998. A edição portuguesa é da D. Quixote, com tradução de Maria João Delgado e Luisa Feijó.

Letra de doente

A famosa letra de médico está a transformar-se em letra morta.

Com o advento dos programas informáticos de saúde, as receitas são passadas no computador e toda a gente percebe a letra do médico que, no fundo, já não é dele – é um “times new roman” qualquer.

A dificuldade, agora, reside em os médicos perceberem a letra dos doentes. Sobretudo, quando recebem papelinhos como este:

odescopia.jpg

“Sr. Doutora pedia o fabor de me passar uma crendencial Odescopia alta com biopecia.”

Um odescopia, o que será? Ainda por cima, alta. E uma biopecia?

Será que odescopia será um exame í  poesia, em forma de odes?

Seria uma ideia interessante: introduzir um endoscópio numa ode qualquer de um qualquer poeta.

Mas não é.

O doente queria escrever algo de muito menos romântico, porém, bem mais incómodo: “endoscopia alta, com biópsia”.

Enfim… letra de doente…

A manifestação esmagadora

Ponto prévio: em 1975 (ou 1976), com 22 (ou 23 anos), também participei numa manifestação, descendo a Avenida da Liberdade, gritando palavras de ordem, até S. Bento.

Hoje em dia, penso que as manifes já não têm tanto impacto como nesses tempos conturbados do PREC.

Alguém se lembra da gloriosa manif dos profes, contra a política da actual ministra da Educação?

Dizem que foi a maior mobilização de sempre dos professores – o que também não admira porque nunca houve tantos professores como agora…

O que conseguiram eles com essa manif, para além de alguns minutos de tempo de antena, nas têvês, e algumas linhas nos jornais?

As manifes passaram de moda.

Para afirmar as nossas convicções, hoje em dia, há que ser criativo.

Foi o que fizeram os apoiantes de Carmona Rodrigues, ao organizarem, no passado dia 6, uma manifestação de apoio ao quase ex-presidente da Câmara.

A manifestação foi convocada através do original email, de ressonância “beatle”, carmonaparasempre@gmail.com (impossível não nos lembrarmos do “Strawberry fields forever”).

O local da manif: a Praça do Município, claro.

Presentes estiveram apoiantes de Carmona e que, segundo o Público, eram “menos de uma dezena de pessoas”.

Isto sim, foi uma inequívoca demonstração de apoio a Carmona. Não foi preciso juntar milhares de munícipes, arregimentados pelo PSD e concentrando-se na capital, vindos dos quatro cantos do país, em camionetas pagas pelo partido.

Bastaram 8 ou 9 pessoas.

Disse Albertina Costa, uma das apoiantes: “valeu mais este pouco tempo que ele lá esteve do que os outros partidos em 30 e tal anos de governo da cidade”.

Disse Otto Czernin, outro apoiante: “foi muito mal tratado pelos partidos políticos, que gostam de ter marionetas e lhe tiraram o tapete”.

Se eu fosse ao Carmona, não me demitia nem í  lei da bala e nomeava a Albertina para Vice-presidente da Câmara e o Otto para os restantes pelouros que vão ficar livres, depois dos traidores todos se demitirem.

Car Mona Lisa

A vida não pode estar a correr melhor a Marques Mendes: foi ele quem escolheu  para candidato do PSD í  Câmara de Lisboa, o homem que conseguiu fazer mais disparates que Santana Lopes: Carmona Rodrigues.

Recordam-se que Santana suspendeu o mandato de presidente da Câmara para assumir o cargo de primeiro-ministro. Carmona ficou na presidência. Mais tarde, Sampaio despediu Santana, que regressou í  Câmara alegremente, enquanto Carmona metia a viola no saco.

E agora, que chegou a vez de ser ele próprio a ser despedido, Carmona esperneia, resmunga e diz que não vai deixar que o deitem borda fora.

E, apesar de tudo, mantém aquele sorriso enigmático.

Um verdadeiro Car-Mona Lisa.

Ingrato.

carmona_mota.jpg

O espectáculo é triste.

Mas já devíamos estar habituados.

Oiçam esta história: Jorge Loureiro (filho de Valentim Loureiro), José Luís Oliveira (vice-presidente da Câmara de Gondomar, de que Valentim é presidente) e Laureano Gonçalves (ex-dirigente do Boavista, de que o outro filho de Valentim é presidente), compraram a Quinta de Ambrósio, em 2001, por um milhão de euros.

A Quinta do Ambrósio estava afecta í  Reserva Agrícola Nacional.

Seis dias depois da compra, os três sócios venderam o mesmo terreno í  Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, por 4 milhões de euros!

Posteriormente, a Câmara desafectou a Quinta do Ambrósio da Reserva Agrícola, permitindo a sua urbanização.

Se calhar, estamos a ver mal as coisas.

Se este tipo de negócios (Quinta do Ambrósio, Parque Mayer e Bragaparques, etc) passassem a ser considerados normais, não teríamos tantos autarcas arguidos.

É capaz de ser tudo uma questão de pontos de vista…