“Six Feet Under” – 5ª série

setepalmos5.jpgAssim terminou uma das melhores séries de televisão desta nova vaga que tem inundado o mercado nos últimos anos. E terminou bem, antes que a fórmula se esgotasse.

Durante 5 anos fomos seguindo as vidas da família Fisher e do seu negócio muito particular de “funeral directors”. Nate não chega a ver a sua filha Willa, que Brenda dá í  luz antes do tempo, porque tem um novo AVC, pouco depois de ter dado uma facada no matrimónio com Maggie, filha de George, o bipolar que casou com Ruth, mãe de Nate.

Só este pedaço dava para uma série completa. Mas ainda há David, cuja relação com Keith se vai desenvolvendo, ao ponto de ambos adoptarem dois irmãos negros, rebeldes e sempre desprezados. E há Claire, que vai amadurecendo, ultrapassando a sua relação quase doentia com Bill, irmão de Brenda, outro bipolar e acaba por aceitar um emprego em New York, depois de se relacionar com Ted, um conservador republicano, o oposto de si própria.

E Ruth, que não desiste de encontrar alguém que tome o lugar do Sr. Fisher, morto logo no primeiro episódio. Depois de renegar George, por não estar para aturar mais um maluco, ainda tenta voltar a um antigo namorado, mas é nesse mesmo dia que o seu filho morre, sem que ela esteja presente.

E Brenda, cujos pais, ambos psicoterapeutas, a marcaram de forma indelével, ao ponto de ela continuar a fantasiar uma relação incestuosa com o irmão.

E poderia continuar a dar exemplos, já que a riqueza desta série é imensa; para além disso, os actores são excelentes, a realização competente e a fotografia muito acima da média.

Terei saudades desta série.

Ria de Aveiro

Dois dias na Pousada da Ria, podem proporcionar passeios e visitas agradáveis.

Para chegar í  Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, caminha-se por um trilho com cerca de 5 km.

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Depois, são as dunas e o Atlântico.

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A cerca de 2 km de Ovar, fica Valega, que tem uma igreja toda forrada de azulejos.

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Aveiro é uma cidade simpática, í  qual os canais dão um toque de originalidade.

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Os moliceiros ainda existem mas, para vê-los, é preciso sair de Aveiro e ir, por exemplo, a Torreira.

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í€ noite, com a lua cheia, a Ria de Aveiro tem outro encanto.

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“Amor & Etc”, de Julian Barnes

amoretct.jpgEditado em 2000, este livro de Julian Barnes está escrito em forma de entrevista. Os vários personagens vão-nos dando depoimentos, como se estivessem a ser entrevistados e, cada nova entrada, faz avançar a história.

Basicamente, a trama centra-se em Gillian e nos dois homens da sua vida: Stuart, o primeiro marido, e Oliver, o segundo.

Em tempos, estas três pessoas foram grandes amigos. Gillian e Stuart casaram-se ainda jovens e, passado pouco tempo, Gillian e Olivier começaram a entender-se. Stuart saiu de cena, foi viver para longe e voltou a casar. Gillian e Olivier tiveram duas filhas e o seu casamento entrou na pasmaceira. Stuart divorciou-se e regressou e voltou a entender-se com Gillian.

Uma história banal, que já todos ouvimos contar mas, neste caso, apresentada de um modo diferente.

Parece que este livro é uma espécie de sequela de um outro, de Barnes, intitulado “Love & Cª”.

Talvez seja melhor lê-lo, para entender melhor este. No entanto, pareceu-me um livro aparentemente superficial mas que, no fundo, retrata os sentimentos de muita gente banal, de muita gente verdadeira (conheço alguma dessa gente).

Pode ler-se aos solavancos, sem grande concentração.

“Fracture”, de Gregory Hoblit

ruptura.jpgBom filme de suspense que nos conta a história de um engenheiro aeronáutico que, ao descobrir que a mulher tem um amante, decide matá-la, pondo em prática um plano quase perfeito.

Depois de preso, prescinde de advogado, assumindo a sua própria defesa. Por sua vez, o Ministério Público tem, como advogado de acusação, um jovem ambicioso, nas vésperas de se mudar para uma grande firma de advogados e que encara este último caso como favas contadas.

O assassino é interpretado por Anthony Hopkins, que, cada vez mais, faz dele próprio, isto é, de Hannibal Lecter, com pequenas alterações.

A história é contada de modo escorreito e, para além do excelente Hopkins, também Ryan Gosling faz um advogado muito convincente.

No final, confirma-se que não há crimes perfeitos. Mas quase…

Acrescente-se que, mais uma vez, o tradutor achou que “Fractura” era um péssimo título e resolveu chamar ao filme, “Ruptura”. Claro!

País de anedota

O que se passa em Portugal?

Que acontecimentos importantes ditam o nosso futuro, como nação?

Em primeiro lugar, temos o caso gravíssimo do professor que foi alvo de processo disciplinar por dizer uma graça sobre a licenciatura do Sócrates.

O professor, Fernando Charrua, é daqueles que não dá aulas e está requisitado na DREN. Segundo umas versões, terá dito que somos um país de bananas, governado por um filho da puta de um primeiro-ministro; segundo outras versões, terá dito a um colega que, caso precisasse de um doutoramento, que lho mandasse por fax, nem que fosse falso.

Em qualquer dos casos, penso que o Charrua se estava a insultar a si próprio: ou porque, sendo português, se estava a considerar banana, ou porque insinuou que aceitaria um doutoramento enviado por fax, mesmo falso.

Enfim, o colega, que deve ser um amigo da onça, foi fazer queixa í  Directora da DREN que, sendo das que são mais papistas que o papa, instaurou um processo disciplinar ao Charrua.

Deve ser por isto que Portugal está na cauda da Europa porque, de facto, isto é mesmo um assunto de merda.

Mais acontecimentos importantes.

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, disse que “fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio”. Enfim, queria Lino dizer que “aquilo é um deserto”!

Ai que mentira!

Todos nós sabemos – até pelas anedotas de alentejanos, de que tanto gostamos – que a margem sul do Tejo é a margem certa!

Eu, que vivo na margem sul, eu, que vivo no tal deserto, estou sinceramente farto destas multidões. Só aqui em Almada, hotéis são… são… olhem, se calhar até nem há hotéis em Almada, mas, se tivéssemos um aeroporto, claro que teríamos hotéis. E que falta fazem hotéis em Almada, Laranjeiro, Feijó, Amora! Proponho, já, a construção de um hotel ali, junto ao bairro do Picapau Amarelo!

O ministro veio logo a seguir pedir desculpa por ter dito aquilo que muita gente pensa e justificou-se: as suas palavras foram tiradas do contexto.

Não acho bem que ele tenha pedido desculpa.

Um aeroporto na margem sul seria, certamente, um projecto faraónico. E as pirâmides, senhor ministro, não estão lá, na margem sul do Cairo? Não são agora candidatas a um das sete novas maravilhas do mundo? Toca mas é a construir um aeroporto em Palmela e outro em Azeitão!

Como vêem, mais um assunto importantíssimo para o futuro da nação.

Isto para já não falar no senhor Lopes.

Santana Lopes não perde uma oportunidade: sempre que ouve um membro do governo dizer ou fazer alguma alarvidade, vem logo a terreiro dizer outra pior, porque não quer o seu lugar tomado.

Então, Lopes disse que a actual direcção do PSD é estalinista e mesmo nazi, por não deixar que membros do partido, que sejam arguidos em processos, possam ser candidatos í s autarquias.

Pior: o Sr. Lopes, logo no dia seguinte, acrescentou isto: “retiro o que disse. (…) Não gostei de ler o que disse. Os políticos têm que dar o exemplo de boa educação.”

O Sr. Lopes não gostou de ler o que disse?

Só para terminar: Fernando Negrão, um dos 12 candidatos í  Câmara de Lisboa (!!!), diz, hoje, ao Expresso, que “António Costa não é vaca sagrada”.

Será que vai gostar de ler o que disse?

Digam lá se este país não é mesmo um fartar de rir?…

Pernas completas?

Anúncio publicado no Jornal da Região – Almada.

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1500 euros cada perna, será caro?

Claro que temos que levar em consideração o facto de se tratar de pernas completas, o que quer dizer que, se um tipo só precisar da perna abaixo do joelho, talvez façam um desconto.

Além disso, há sempre a possibilidade de pagar em 6 mensalidades e certamente que os Bancos, que emprestam dinheiro para carros, computadores e viagens, também hão-de emprestar para pernas completas.

Acabou-se o desespero dos amputados.

“Romance & Cigarettes”, de John Turturro

romancecigarros.jpgTurturro (realizador) e os irmãos Coen (produtores executivos), deviam estar com uma grande pedra quando fizeram este estranho filme musical. Isso mesmo, musical.

James “Soprano” Galdolfini é Nick Murder, um operário da construção civil que fuma que nem uma chaminé. Dependente da nicotina, Nick Murder “is murdered by the nicotine”. É casado com uma dona de casa e costureira (Susan Sarandon) e tem três filhas, uma delas adoptada (Aida Turturro) e um pouco atrasada.

Nick engana a mulher com uma prostituta ou vendedora de lingerie erótica (não cheguei a perceber), interpretada por Kate Winslet, que diz mais palavrões por segundo do que o próprio Steve Buscemi, que entra em apenas três cenas, para dizer “fuck” quinhentas vezes.

E o toque final é dado por Christopher Walken, que canta e dança uma deliciosa “Delilah”, com a voz de Tom Jones em fundo.

Boa, também, é a interpretação que Sarandon faz de “Piece of my heart”, de Janis Joplin, acompanhada de um coro de igreja.

E é assim mesmo: em ambiente suburbano decadente, um grupo de americanos românticos canta e dança grandes canções de amor, ao mesmo tempo que se insultam mutuamente.

Filme estranho, entre o divertido e o claramente piroso.

Por que carga de água Turturro e os Coen fizeram um filme destes?

Porque podem.

Cadáveres esquisitos

bodies.jpg“O Corpo Humano como nunca o viu” – é o subtítulo da exposição “Bodies”, patente no Palácio dos Condes do Restelo, na Rua da Escola Politécnica.

Graças a uma técnica que envolve preservação por polimerização, e graças a uma série de chineses que (supõe-se) doaram os seus corpos í  Ciência, podemos ver como somos por dentro.

Para quem tirou o curso de Medicina e apenas teve direito a um bocadinho de cadáver, nas aulas de Anatomia, esta exposição é uma revelação. Ali, bem í  vista, estão estruturas, que só conhecia dos livros do Rouviére: nervos, tendões, músculos, articulações, vísceras.

Muito didáctica, bem documentada, a exposição permite-nos perceber a complexidade do corpo humano e como todas estas estruturas se complementam.

Li alguns comentários menos entusiasmados, criticando o lado “espectacular” da exposição. De facto, não era preciso colocar um cadáver na posição de “O Pensador”, de Rodin, para chamar a atenção para o cérebro – mas a Ciência também pode ser espectacular e, talvez assim, chegue a mais pessoas.

“The Queen”, de Stephen Frears

rainha.jpgO filme é, sobretudo, um show de Helen Mirren, que faz uma rainha muito convincente.

Mas tem mais coisas que valem a pena: a ascensão de Tony Blair (“por favor, trate-me por Tony”), na sua posição quase esquizofrénica de querer, simultaneamente, a “modernidade” e a continuidade daquela família real; o espanto da chamada rainha-mãe e do marido da rainha, perante as manifestações de apoio a Diana, após a sua morte, incapazes de perceber o que se estava a passar; o próprio fenómeno mediático que foi a morte de Diana que, de certo modo, inaugurou uma nova espécie de notícia – a notícia que, embora tenha um facto real como base (a morte da princesa de Gales), é potenciada pela comunicação social, até se transformar em algo autónomo que, no final, já pouco tem com a notícia em si (veja-se o caso do desaparecimento da miúda inglesa, no Algarve).

Filme escorreito e sóbrio, como é habitual nos trabalhos de Frears.

Sexo por votos

Leio, no Sol, que Tânia Derveaux, candidata ao Senado da Bélgica, promete 40 mil relações sexuais a quem votar nela, “numa campanha de protesto contra as promessas eleitorais exageradas”.

Fui í  procura do site da Tânia e está aqui: http://www.nee-antwerpen.be/index-eng.htm.

Afinal, o que a Tânia oferece, em troca dos votos, é um broche (blowjob é isso mesmo, não é?).

Ora aqui está uma ideia que podia animar a campanha pela Câmara de Lisboa.

Cada candidato poderia oferecer, aos seus eleitores, aquilo que sabe fazer melhor. Tania faz broches e vamos supor que os sabe fazer bem. Portanto, é isso que ela oferece aos eleitores, em troca de votos.

Seguindo o exemplo da menina Derveaux:

António Costa podia oferecer combates a incêndios. Sempre que uma dona de casa tivesse a fritadeira a arder, telefonava ao Costa, que mandaria lá a casa uma corporação de bombeiros, só para ela.

Fernando Negrão, com aquele seu ar vagamente sedutor de ex-inspector da Judiciária, oferecia investigações, com aquelas luzes azuis para detectar manchas de esperma e aqueles pincéis tóteis para detectar impressões digitais.

Telmo Correia, assim de repente, não sei se sabe fazer alguma coisa bem feita, mas, pelo seu ar, talvez pudesse oferecer botões de punho ou assim.

A arquitecta Helena Roseta, está-se mesmo a ver, que podia oferecer maquetas para a marquise ou para o anexo, a todos os moradores de Camarate e Chelas que votassem nela.

Manuel Monteiro oferecia discos da Dina, que é aquela cantora com escoliose que, desde o século XVIII, compõe os hinos de todas as agremiações a que Monteiro preside.

Gonçalo da Câmara Pereira também iria para os discos, de fado, claro.

Ruben de Carvalho e Sá Fernandes teriam pouco para oferecer, em troca dos votos, mas talvez se arranjasse uns autocolantes e umas bandeirinhas, ou mesmo umas canetas com a efígie do Che (ainda ontem comprei uns chinelos com a cara do Che estampada; agora, ando com o Che a meus pés…).

Enfim, não seria tão divertido como trocar felacios por votos, mas podia ser que animasse a malta – que é o que faz falta, caramba!