Hélder Amaral (deputado do CDS-PP):
“O CDS e o MPLA têm hoje muitos mais pontos em comum”
aqui desde 1999
Desta escritora espanhola, só tinha lido Instruções para Salvar o Mundo (2008), livro que muito apreciei.
Devorei agora este livrinho de cerca de 150 páginas e há muito tempo que não lia nada que me enchesse tanto as medidas.
A partir de um pequeno diário escrito por Madame Curie, após a morte violenta e súbita de Pierre Curie, Rosa Montero fala sobre a sua própria experiência de perda, já que o seu companheiro de décadas, Pablo, morrera recentemente, vítima de cancro.
Rosa Montero usou a escrita deste livro como terapia para o vazio que o desaparecimento de Pablo lhe deixou e socorre-se do exemplo de Maria Curie, uma mulher aparentemente austera e fria mas que, naquele pequeno diário, se revela uma mulher carinhosa e sensual.
Pelo caminho, Rosa Montero fala da dificuldade que as mulheres ainda têm para se afirmarem num mundo de homens, conta pequenos episódios relacionados com a sua profissão de escritora, fala-nos de amizade, de amor, de sexo, da vida e da morte.
Recomendo vivamente!
Definitivamente, este aclamado escritor japonês não me consegue encher as medidas, para usar uma frase feita, como ele gosta tanto de usar.
Já tinha lido Kafka í Beira-Mar e tinha ficado decepcionado, pelo que deixei esta história do carneiro para mais tarde. Agora, achei que talvez já estivesse preparado para mais um livro de Murakami, mas confesso que me custou ir até ao fim!
A história do carneiro é uma patetice pegada, na minha modesta opinião e dizer, como dizem algumas críticas, que Murakami mistura realidade com fantasia e que a narrativa tem um toque de romance policial, vou ali e já venho (mais outra frase feita…)
E esta adoração por frases feitas não pode ser só defeito da tradução. Em meia dúzia de páginas encontramos as seguintes: não podia com uma gata pelo rabo, por que carga de água, a dar para o torto, pormenores de lana-caprina, a ponta de um corno, enquanto o diabo esfrega um olho, etc, etc.
No que respeita í história propriamente dita, só vos digo que é tão entediante que nem me apetece resumi-la.
Arruma-se o Murakami definitivamente na prateleira e não se fala mais no assunto.
Almoço de homenagem a Cavaco Silva.
Um grupo de amigos decide agradecer-lhe publicamente pelos 20 anos que esteve a tomar conta de nós, como primeiro-ministro e como presidente.
A recepção dos amigos aconteceu na cavalariça do Pestana Palace.
Na cavalariça?… compreende-se…
Entre os amigos presentes, contavam-se muitos banqueiros:Â Fernando Faria de Oliveira, ex-presidente da CGD e actual presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Vítor Bento, que esteve í frente do Novo Banco, Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, Paulo Teixeira Pinto, ex-presidente do Millennium BCP, Norberto Rosa, actualmente consultor do conselho de administração do Banco de Portugal, mas ex administrador e ex-vice-presidente da comissão executiva da Caixa e ex-vice-presidente do BPN.
Compreende-se…
No final do almoço de bacalhau com batatas, Cavaco discursou.
E disse, por exemplo:
“Há muita coisa que não se sabe [da forma como exerceu a Presidência] porque tomei a decisão de manter muita coisa reservada por convicção de que essa era a melhor forma de manter o superior interesse nacional.”
Portanto, para Cavaco, o superior interesse da nação implica esconder coisas, não divulgar coisas…
O homem acha que, sem ele, Portugal tinha sido outro país – e tem toda a razão.
Convencido da sua importância na História de Portugal, acrescentou:
“…Em que outro tempo teria sido mais útil para o meu país a minha experiência como primeiro-ministro, o meu conhecimento de economia e finanças, o meu conhecimento das instituições europeias? Não consigo ver outro e portanto foi o tempo certo para ter sido Presidente da República”.
Por acaso, eu vejo outro tempo em que Cavaco podia ter sido o homem certo no lugar certo: o tempo da Outra Senhora, por exemplo.
Quem se lembra, hoje, do presidente Craveiro Lopes?
Quem se vai lembrar, daqui a 50 anos, do presidente Cavaco Silva?
Sempre convencido, Cavaco avisou que ainda tem uma palavra a dizer.
Será: “í“ Maria, já tomei as gotas hoje?”
O desempenho da selecção nacional de futebol no Europeu fez disparar o uso do verbo “acreditar”.
Se googlarem a palavra “acreditar”, encontram mais de 750 mil entradas!
Exemplos:
E por aí fora…
Chegamos, portanto, í conclusão que, afinal, nada disto é fruto do esforço, da dedicação, do trabalho, do suor ou da sorte – afinal, é tudo uma questão de crença.
É como na religião: ou acreditas ou és descrente.
Um verdadeiro católico não precisa de provas da existência de Deus, porque acredita.
Assim foi com a nossa selecção – nem precisou de fazer grandes jogos (aliás, não ganhou nenhum jogo nos 90 minutos, embora também não tenha perdido nenhum). Bastou-lhe acreditar.
O Passos e o Portas também nos quiseram fazer acreditar que a saída tinha sido limpa.
E, no entanto, os buracos vão aparecendo: o Banif, a Caixa, o buraco de 50 milhões na electricidade… e começamos a acreditar que a saída limpa, afinal, foi uma saída badalhoca…
Mas o acreditar também se está a meter entre o António Costa e as sanções da União Europeia.
A União Europeia não acredita nos números do nosso governo e o senhor da cadeira de rodas, no fundo, acredita que vamos precisar de um novo resgate.
Por seu lado, o primeiro ministro fartou-se de dizer que não acreditava que as sanções fossem para a frente e, agora que elas vão mesmo avançar, acredita que a multa será zero.
Em suma, a malta não tem mesmo outro remédio senão acreditar!
A União Europeia está preocupada com os 0,2% acima do défice de 3% de Portugal em 2015.
É compreensível.
Comparado com isso, os milhões de refugiados, o Brexit e os atentados terroristas são peanuts.
O que a UE não pode aturar é países pindéricos que ultrapassem os 3% de défice.
Outros podem fazê-lo, como a França, mas não são pindéricos.
E se há um Tratado Qualquer que diz que se devem aplicar sanções a esses países, por que não?
Nunca se fez?
Alguma vez havia de ser a primeira.
António Costa escreveu uma carta ao Sr. Junkers, explicando por que razão as sanções não devem ser aplicadas.
A oposição queria conhecer o conteúdo da carta mas o governo diz que é privada.
Para mim, acho que a carta deve ser mais ou menos assim:
“Exmo. Sr. Presidente Junkers,
É pá, deixa-te mas é de merdas e mete as sanções no cu!”
Perante isto, a UE decide mesmo avançar com as sanções.
E serão as seguintes:
Para combater estas sanções, Costa precisará de vários Sansões…
Para chocar o burguês, deixá-lo confuso, baralhado.
É isto que a selecção nacional de futebol está a fazer no Europeu deste ano.
Não ganha um único jogo, mas também não os perde.
Ou, como diria uma conciérge portuguése: vamos lá então empater…
A União Europeia sempre foi para inglês ver.
Puritanos, os ingleses da Old England sempre desprezaram os que viviam í grande e í francesa.
Aderiram í CEE por puro spleen, porque não tinham mais nada para fazer.
Sempre desdenharam.
Diz-se que quem desdenha, quer comprar, mas os ingleses queriam, sobretudo, vender.
Agora, querem regressar ao velho British Empire, como se ainda mandassem na Índia e na ífrica do Sul e continuasse a ser rule Britannia, Britannia rules the waves.
Faz lembrar o Angola é nossa…
Claro que Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente de todos os Presidentes, já emitiu a sua opinião.
No final do jogo contra a Hungria, Marcelo estabeleceu novas regras: no final dos jogos da selecção, os jornalistas têm que ouvir o seleccionador, um jogador de campo e o Presidente da República.
Marcelo tem sempre um opinião a emitir.
O que é que isto tem a ver com o Brexit?
Tudo!
Com a saída do Reino Unido, as quatro equipas nacionais britânicas vão passar a participar nos campeonatos da Commonwealth e deixamos de nos preocupar com a Inglaterra, o País de Gales e a Irlanda do Norte.
Resta a Escócia, que votou a favor do Remain e que merece todo o nosso amor.
I love scotch, if you know what I mean...
Vou explicar muito devagarinho porque há muita gente que não compreende bem, mesmo gente implicada na coisa.
A Federação Portuguesa de Futebol contrata um treinador de futebol e atribui-lhe o cargo de seleccionador, a que corresponde um ordenado, um eventual horário de trabalho e objectivos a cumprir.
Durante algum tempo, esse senhor e alguns ajudantes, assistem a jogos de futebol em Portugal e não só, supostamente atentos aos jogadores com nacionalidade portuguesa.
Vão tomando notas e, ao fim de algum tempo, escolhem 23 jogadores de futebol que, na sua opinião, são os melhores nas respectivas posições em campo.
Esses 23 jogadores constituem a selecção nacional de futebol.
Nada mais.
Com Portugal, têm apenas em comum o facto de terem a nacionalidade portuguesa.
Portugal é um país soberano desde 1139, tendo sido fundado por um tal Afonso Henriques, que foi rei; em 191o, a monarquia deu lugar í República e, desde 1974, Portugal é uma República democrática, com um Presidente eleito por sufrágio directo e um Governo, que emana da Assembleia da República, cujos deputados também são eleitos por voto directo.
Portanto, nada de confundir a selecção nacional de futebol com Portugal.
São coisas diferentes.
A selecção nacional é uma equipa de futebol, enquanto Portugal é um país.
Quando se diz que Portugal falhou, que Portugal não conseguiu ultrapassar a Islândia e a íustria, que Portugal, mais uma vez, esteve í beira do sucesso mas voltou a fracassar, está-se a confundir uma simples e prosaica equipa de futebol com uma nação.
Uma nação de deprimidos, tristes e desgraçadinhos mas, ainda assim, uma nação!
A culpa de tudo isto é dos responsáveis pelo marketing.
Quem decidiu começar a dizer que a selecção era candidata ao título de campeã da Europa?
Terá sido no fim de uma daquelas reuniões em que se bebe mais do que se discutem ideias?
A nossa selecção de futebol é mediana, portanto, empatar com a Islândia e com a íustria, foram bons resultados.
Fernando Santos é um treinador triste.
Aliás, o que faz um engenheiro no futebol?
Ponham o homem a fazer pontes e chamem o Mourinho, se têm aspirações.
Quanto a Portugal, a discussão é outra: não vai ser o Ronaldo que nos resolve o défice, a dívida, as sanções.
O cabrão até um penalti falhou!