Jerónimo, aproveita agora!

Factos:

1. O governo de António Costa conseguiu assinar um acordo com os patrões e os sindicatos da UGT para aumentar o salário mínimo nacional, a troco de uma descida da TSU para as empresas.

2. O governo de coligação PSD/CDS já tinha feito o mesmo há dois anos.

3. O PCP e o BE sempre foram contra a descida da TSU das empresas; dizem que, deste modo, os patrões vão continuar a pagar salários mínimos porque isso lhes dá benefícios e que é o Orçamento do Estado que fica a pagar a descida da TSU.

4. O PCP vai apresentar, na Assembleia da República, uma proposta para anular a descida da TSU e, portanto, inviabilizar o acordo alcançado entre patrões e UGT; o Bloco de Esquerda, apoia esta iniciativa.

5. O PSD também votará ao lado do PCP e do BE.

Porque sim.

Claro que já aconteceu no passado. Todos se recordam que o governo do Sócrates foi derrubado por uma coligação de PCP, BE, PSD e CDS.

O ressabiado Passos Coelho disse que votará ao lado do PCP e do BE porque se os da chamada geringonça não se entendem, por que raio há de ser ele a ajudá-los.

Portanto, não vota porque acha que é errado baixar a TSU, ou subir o salário mínimo.

Vota a favor do PCP e do BE apenas por raiva por lhe terem tirado o poleiro.

Jerónimo de Sousa, se estás a ler este texto, ouve o que te digo e aproveita agora: apresenta no Parlamento uma moção a favor da saída de Portugal do euro, que é uma coisa que vocês, comunistas, há muito defendem.

Sabemos que o PS quer continuar no euro, mas certamente que o PSD votará ao vosso lado, só para foder o Costa!

Aproveita, Jerónimo, não sejas palonço!

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Vamos acabar com 2016, antes que ele acabe connosco!

Todos os anos morrem milhões de pessoas.

Pensem nisto durante alguns segundos: milhões!

Por exemplo: vítimas de acidentes de viação, em Portugal, nos primeiros 6 meses do ano ““ 240!

Claro que a Síria bate todos os recordes, ultrapassando, de longe, os que morreram afogados, no Mediterrâneo.

Quedas de aviões, atentados terroristas, vítimas de sismos ou cheias, mortos em combate, epidemias, incêndios.

Mas no que respeita í  música, este ano foi mesmo muito mau, carago!

David Bowie, Prince, Leonard Coen, George Michael, Greg Lake e Keith Emerson (dos Emerson, Lake and Palmer), Rick Parfitt (dos Status Quo), Pierre Boulez, Maurice White (dos Eart, Wind and Fire), George Martin (o quinto Beatle), Gato Barbieri, Peter Burns (Dead or Alive), Glen Frey (dos Eagles).

Não nos bastava o Brexit ou o Trump!

Salvam-nos o Costa, com aquele ar de Buda-Sempre-Feliz e o Marcelo, í  beira de conseguir o principal objectivo da sua presidência: tirar uma “…marselfie” com cada um dos portugueses.

Por mim, estás despachado, Marcelito!

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Armas de arremesso

Ora aqui estão projécteis letais, perigosas armas de destruição maciça e, afinal tão fáceis de fabricar: simples folhas de cartolina dobradas e envoltas em fita cola.

Mas que capacidade destruidora!

Ontem, uma agremiação desportiva de Lisboa foi derrotada por simples trabalhos manuais…

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Vestir um fato de Domingues

Sou do tempo em que se considerava que vestir uma roupinha nova e elegante, era vestir fato de domingo.

Vestia-se fato de domingo para ir í  missa ou para ir ao médico, por exemplo.

Sou também do tempo em que se dizia que as pessoas que falavam com palavras difíceis, usavam palavras de 7 mil e 500 (escudos?… acho que sim…).

Vem isto a propósito das afirmações de António Domingues, ex-Presidente da Caixa Geral de Depósitos que, depois das trapalhadas em que esteve envolvido, decidiu explicar-se em comunicado.

Diz ele que foi vítima de um:

“turbilhão mediático politicamente instrumentalizado e frequentemente a resvalar para a demagogia populista”

Ora quem diz isto, poderia também dizer:

“foguetão electro-estático realmente formalizado e justamente a descambar para a alergia realista”

Ou, melhor ainda:

“cagalhão majestático intrinsecamente idealizado e bruscamente a escorregar para a aerofagia moralista”.

cgd

“Um Copo de Cólera”, de Raduan Nassar (1978)

raduan-nassarRaduan Nassar (Pindorama, 1935) é um escritor brasileiro que este ano ganhou o Prémio Camões, o que fez com que as editoras se lembrassem dele.

A Companhia das Letras editou este Um Copo de Cólera, um texto que Nassar terá escrito em 15 dias, por volta de 1970, mas que só veio a público em 1978.

Trata-se de um conto, pequena novela, minúsculo romance, de qualquer modo, um texto escrito de supetão, como um grito ou um manifesto, sobretudo o capítulo mais longo, denominado, correctamente, O Esporro.

um-copo-de-colera-raduan-nassar-capaDepois de uma noite tórrida de amor e sexo, um casal zanga-se e lança-se num “bate-boca” violento.

Vale pelo ritmo, pelas palavras, pelo domínio da língua, embora seja um texto típico dos anos 70-80 do século passado, quase sem pontuação, como era, então, moda (recordo O Outono do Patriarca, do Gabriel Garcia Marquez, publicado em 1975).

Preciso ler mais coisas de Nassar para formar uma opinião.