Pais que lavam a loiça criam filhas com carreiras mais bem pagas

É este o título de uma notícia de hoje do Jornal de Notícias, fazendo eco de uma investigação da Universidade British Columbia, Canadá (ler aqui).

Segundo os investigadores, liderados por uma sorridente Alyssa Croft, as filhas dos pais que participam nas tarefas domésticas, têm mais probabilidades de vir a ter carreiras bem pagas.

Proponho os seguintes estudos, a realizar seguidamente:

– Mães que fazem a barba têm filhos com mais possibilidades de concluir doutoramentos

– Pais que lavam os pés em público têm filhas mais altas

– Mães que usam fio dental na boca têm filhos com tendências suicidas

– Pais com voz grossa têm filhas cantoras de ópera.

FicoÂ í  espera dos resultados…

E o António Gosta?

Os resultados das eleições europeias sugerem-me as seguintes perguntas:

– O Seguro vai morrer de velho?

– Marinho e Pinto é dois?

– Se, em vez de se chamar Movimento do Partido da Terra, se chamasse Partido do Movimento da Terra, não seria o mesmo que Partido do Terramoto?

– E não foi isso que aconteceu com a votação do MPT – um terramoto?

– O Bloco bloqueou?

– Dos três deputados da CDU, que parte cabe aos Verdes: as pernas do 3º deputado?

– A Aliança Portugal é pechisbeque?

– O Garcia Pereira não há meio de Reorganizar o Partido do Proletariado?

– Marinho é diminutivo?

– O PS está triste pela vitória e o PSD-CDS está eufórico com a derrota?

– Ninguém tem coragem de divulgar os nomes dos 3 692 tipos que votaram na Carmelinda Pereira?

– O Seguro está bem seguro?

– E o António Gosta?…

 

Tampa na polícia

Os portugueses adoram figurar no Guiness Book of Records.

Uma pesquisa rápida no Google, permite saber que estamos representados naquela excelente obra literária com o maior Arroz de Lapas do mundo, a maior aula de judo, o maior castelo insuflável, o maiior prato de bacalhau dourado, a livraria mais antiga do mundo, o Tratado mais antigo, o maior sobreiro, o cineasta mais velho, a maior colecção de garrafas de Whisky, os maiores chifres de um bode, o maior número de t-shirts vestidas, a maior aletria, o maior foguete de fogo-de-artifício, a maior largada de balões, o maior encontro de narizes de palhaço, a maior porção de peixe preparado num evento ao ar livre, o maior número de colorações de cabelo em 24 horas, o maior tacho de caracóis, o maior piquenique, o maior caixote do lixo, o maior aplauso, a maior distância percorrida em 24 horas por uma cadeira de rodas, o maior assador de castanhas, o maior lançamento em simultâneo de aviões de papel, a maior largada de bolas de futebol, a maior onda mexicana, o maior palco temporário, a mais comprida corrente de nós, o maior espectáculo pirotécnico, o clube de futebol com maior número de sócios pagantes, o maior pão de chouriço, o maior agrupamento de tocadores de concertina, o maior logotipo humano, a maior broa já confeccionada, o maior número de não-mágicos a fazer um truque de magia num único local, a maior navalha, o maior mural de moedas, o maior bouquet de noiva, a maior guitarra acústica, a maior manta de retalhos, a maior camisola, o maior copo de vinho, a mesa mais comprida, o maior número de pratos lavados com 1 litro de detergente, a maior colecção de recordações reais, o maior reinado na Europa.

Agora, calhou a vez aos polícias.

Segundo o DN, “agentes de patrulhamento da PSP de Lisboa vão estar empenhados, até 10 de junho, a juntar 15 toneladas de tampinhas plásticas para fazer uma superbandeira nacional, para apoiar a selecção nacional de futebol e bater um recorde do Guinness.”

Os sindicatos estão contra.

Não sei porquê.

Para fazer a bandeira nacional, basta os chuis separarem tampinhas vermelhas, verdes, brancas, amarelas e azuis.

Imaginem se tivessem que fazer a bandeira da Alemanha!

Sempre queria ver onde iam arranjar tampinhas pretas!…

Deixem-se de merdas e separem lá as tampas, porra!

Gosto muito das campanhas eleitorais

Eu gosto muito das campanhas eleitorais.

É graças a elas que vemos como os políticos afagam criancinhas, beijam peixeiras, deambulam por mercados e feiras, distribuem canetas e bonés, conversam com senhoras í  janela, acenam, cumprimentam e abraçam.

Se não fosse a actual campanha eleitoral, ficaríamos sem conhecer aquele simpático senhor do Partido da Vida que, se for eleito para Bruxelas, quer realizar um novo referendo sobre o aborto em Portugal, ou o outro senhor, não menos simpático, do Partido dos Animais, que andou a distribuir sementes biológicas na Feira da Ladra.

E foi também a campanha que nos mostrou Marinho Pinto, como candidato do Movimento Partido da Terra, a perorar contra a política-espectáculo e a meter-se, depois num side-car, a caminho de Sintra. Espectáculo!

E o candidato do MRPP e o seu chefe, Garcia Pereira, que querem sair do euro quando, basta olhar para a cara e para o penteado deles, para perceber que nunca entraram no euro e que continuam a pagar as despesas em escudos!

Aquele rapazinho alto que se está a tornar no humorista oficial do regime, o Ricardo Araújo Pereira, também parece gostar de campanhas eleitorais e decidiu entrar nesta, apoiando o Partido Livre. Humor puro!…

Jerónimo de Sousa, por seu lado, explicou muito bem, ontem, quem é que a CDU quer nas suas fileiras. Referindo-se ao secretário de Estado Carlos Moedas, chamou-lhe “fraca figura”, mostrando que, na CDU, só os verdadeiros machos, ombros largos, patilhas grossas, têm direito a entrar. Vais longe, Jerónimo!

O Bloco escolheu a palavra de ordem “De pé!” (ó vítimas da fome?), mas a Marisa está rouca e as vítimas não ouvem…

O PS balança entre Seguro e Sócrates, com um Assis muito suado e um Capucho envergonhado… e o Soares nem foi convidado…

O PSD tem um Rangel que já foi de peso mas que, agora, 40 kg a menos, usa suspensórios e quase caiu da bicicleta abaixo, lá para os lados de Aveiro, com o Nuno Melo sempre atrás, armado em Clooney barato, beijando viúvas velhas e casadas obesas.

E a Carmelinda Pereira?…

A Carmelinda Pereira é bem o símbolo destas eleições, nas escadas do Parlamento, com dois ou três apaniguados, afirmando que quer ser eleita para sair da União Europeia.

Se a Carmelinda nunca para lá entrou por que se dá ao trabalho de lutar para de lá sair?

É por estas e por outras que cada vez gosto mais das campanhas eleitorais…

Saudades da troika

A troika foi-se embora hoje.

Oficialmente.

Tenho pena.

Graças í  troika, conseguimos coisas que nunca sonháramos conseguir!

Foi graças í  troika que batemos o recorde do desemprego e é sempre bonito bater recordes.

Foi graças í  troika que muitos dos nosso jovens foram conhecer cidades com Glasgow, Montpelier ou Birmingham, e locais maravilhosos como os Alpes suíços. E por lá ficaram… Nunca o Manuel, o Joaquim ou a Tânia pensariam em viajar para tais sítios se não fossem estimulados pela troika.

Foi também graças í  troika que os nossos velhotes tiveram que se mexer, em vez de ficarem amarrados aos bancos de jardim a jogar sueca. É vê-los agora a fazer ganchinhos, fretes e partaimes, para compor a reforma.

É por isso que vamos sentir saudades da troika, do primeiro egípcio com ausência de cabelos no couro cabeludo até ao último troikano, o indiano Subir Lall (não será antes Descer Lol?).

Forbrydelsen, 3ª temporada

Forbrydelsen é uma série televisiva dinamarquesa, criada por Soren Sveistrup e que já vai na 4ª temporada.

forbrydelsenA 3ª temporada passou recentemente no AXN Black, gravei-a e tenho estado a ver, í  velocidade de um episódio por noite, para fazer render o peixe, porque a vontade é ver os episódios todos de seguida.

Nunca pensei que pudesse gostar de uma série policial dinamarquesa, depois de todas as séries norte-americanas que já papei.

A principal personagem é uma desconcertante Sarah Lund (interpretada por Sofie Grabol), inspectora da polícia de Copenhaga; desconcertante porque é a perfeita anti-heroína. Surge sempre com os cabelos desgrenhados, sem maquilhagem, de jeans e faz os dez episódios da temporada com duas ou três camisolas de lã. Tem uma vida particular destroçada, mora num apartamento minúsculo, desarrumado, desconfortável, escuro e quase sem mobília. Acho que nunca a vi rir.

As histórias de Forbrydelsen são complexas, envolvendo, para além de assassínios e/ou raptos e/ou violações, uma intrincada teia política com relações também complicadas com empresas e empresários.

Num momento em que o Cavaco se farta de apelar ao compromisso entre os principais partidos políticos, dando, como exemplo, a maior parte das democracias europeias, é curioso ver, neste série, como é que os três ou quatro principais partidos dinamarqueses se chantageiam, subornam, aldrabam, para conseguir alianças pré e post-eleitorais. E como são perigosas as relações entre alguns elementos desses partidos e os grandes empresários e como, por vezes, as suas acções roçam a criminalidade.

Para complicar tudo isto, as tensão sociais também são abordadas pela série, com inclusão, por exemplo, do fenómeno da imigração.

Sarah Lund move-se no meio desta teia complicada com aparente dificuldade; não se socorre de alta tecnologia, tipo CSI, para chegar onde quer. Vai andando, de pista em pista, socorrendo-se da sua intuição e de ser capaz de estar atenta a pequenos pormenores que passam despercebidos a outros.

Aconselho.

O pirilampo mágico

O pirilampo mágico é um boneco de peluche que há mais de 25 anos se vende para angariar fundos que são, depois, canalizados para as CERCI.

Objectivo meritório. Nada a dizer. Quase todos os anos contribuo.

Mas ao ver a Sra. D. Maria Cavaco Silva associada ao lançamento da campanha deste ano do pirilampo mágico, não resisto a associar o boneco de peluche ao nosso presidente da República.

Cavaco Silva é, com efeito, um verdadeiro pirilampo mágico!

Primeiro ministro durante 10 anos e presidente da República durante outra década, Silva conseguiu passar entre os pingos da chuva e ser eleito e reeleito como se não tivesse nada a ver com porra nenhuma.

Se isto não é digno de um pirilampo mágico!…

maria cavaco pirilampo

 

“A Liberdade de Pátio”, de Mário de Carvalho (2013)

Depois de ter lido Os Alferes, li agora este A Liberdade de Pátio, mais um livro de contos do Mário de Carvalho.

liberdadedepatioO livro tem três partes: Névoas, que inclui os contos A Cabeça de Mânlio e A Liberdade de Pátio; Esgares, que inclui Os caminhos do Sucesso, A Força do Destino e O Passe Social; e Vincos, que inclui Vacilação e As Estátuas de Sal.

Todas as histórias merecem uma leitura atenta, sobretudo as da série Esgares.

Mário de Carvalho possui um humor fino e uma escrita rica e variada, utilizando muitas vezes vocábulos pouco usuais, como neste exemplo:

«Exíguas sevandijas nocturnas varejavam as sombras e refastelavam-se no seu corpo fatigado.»

Os Caminhos do Sucesso é uma história muito bem esgalhada, contada por um juiz numa roda de amigos e, í s tantas, estamos tão embrenhados na história como se fizéssemos parte dessa roda.

Os amigos vieram visitar o juiz, que estava enfermo e «viera um médico, fizeram observações carrancudas, ordenara resmas de análises e exames, escriturara rores e rores de remédios, com palestras miudinhas a cada um, e deixara o juiz muito satisfeito e aliviado por se ter, enfim, ido embora.»

Mais í  frente, referindo-se ao povo inglês, o juiz há-de dizer:

«Como é que um povo que conheceu tardiamente o chá e o garfo, que bebe vinho do Porto fora do Natal, que tem o palato habituado ao rosbife, que ainda não se reconciliou com o alho e tolera os kebabs, arriscando sérias degenerescências das glândulas pitutitárias, haveria de acostumar ao caldo verde?»

Muito bom!

Ban Ki-moon ou Baltazar?

Afinal, a GNR já não vai para a República Centro Africana.

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo chegou a dizer que todos aquelas manobras nos armazéns abandonados da Trafaria eram coisas banais no treino da GNR, mas acabou por admitir que o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon pediu a Passos Coelho que Portugal enviasse uma unidade da GNR para aquele país africano.

Miguel Macedo acrescentou que, depois de muito ponderar, o Governo tinha decidido que enviaria uma equipa da Força Aérea, em vez da GNR, porque havia pouco tempo para organizar as coisas.

Pouco tempo?

Então não era só enfiar meia-dúzia de carregadores na mochila, meter a metralhadora í s costas e zarpar?

Estranho…

Mas hoje, tudo ficou esclarecido com este título do DN:

« Noventa militares, vinte cavalos e dez cães procuram assassino fugitivo»

Aí está para que serviram os treinos na Trafaria: a GNR faz um manguito a Ban Ki-moon porque tem que dar caça ao Baltazar, o “monstro de S. João da Pesqueira”.

Qual Boeing desaparecido na imensidão do Pacífico, Baltazar matou duas mulheres, feriu outras duas e pisgou-se, embrenhando-se nos olivais e vinhedos e nunca mais ninguém o viu, já lá vai mais de uma semana!

Claro que a GNR não podia dispensar homens para a República Centro Africana quando te, em pleno território nacional, um perigoso assassino í  solta, assassino que até se dá ao luxo de comprar pão nas barbas da polícia, sem que ninguém o apanhe, nem o padeiro!

Mas fico na dúvida: noventa militares, vinte cavalos e dez cães serão suficientes?