Desmond Morris morreu

A notícia diz que o zoólogo, cientista, pintor e tudo, morreu anteontem, aos 98 anos.

Morris foi o autor de um livro icónico, que comprei em 1970, três anos depois da sua edição – tinha eu 17 aninhos!

Por cá, o livro foi publicado pela Europa-América com todo o cuidado.Com tanto cuidado, que, antes de começarmos a leitura, tínhamos direito a uma advertência, que dizia assim:

“A leitura deste livro, por razões de ordem científica, só é recomendável a adultos com a devida preparação cultural”

Será que seria o meu caso, com apenas 17 anos e o 12º ano acabado de fazer?

O regime Salazar-Caetano sempre preocupado com a nossa saúde mental.

Qualquer pessoa que não tivesse a “devida preparação cultural”, poderia cair na tentação de ler este livro e ficar com a ideia de que tinha macacos lá em casa, ainda por cima, nus!

Que atraso civilizacional era o regime antes do 25 de abril!

E temos agora um outro macaco, que não anda nu, mas que quer, à viva força, voltar ao passado.

Ainda hoje o vi, junto ao Palácio de Belém, a protestar contra a visita do Lula a Portugal.

Chama-se André Ventura e é um grande macaco, mas naquela acepção que nós usamos para os Chicos Espertos.

Um macaco, um verdadeiro macacão.

Desmond Morris também estudou este tipo de símios, mas tenho a certeza que o nosso macaquinho nunca leu nenhum dos seus livros…

Comprei este livro, já na sua 3ª edição, em agosto de 1970 e, como tenho o hábito de catalogar todos os nossos livros, este é o livro nº4!

Li-o e sublinhei-o e, dois ou três anos depois, reli-o, juntamente com a Mila.

“Poses – Linguagem Corporal na Arte”, de Desmond Morris (2019)

Quando tomei conhecimento da edição deste livro, pensei que seria uma reedição de alguma obra antiga. Será que o Desmond Morris ainda é vivo?

É que um dos primeiros livros que comprei foi, exactamente O Macaco Nu, de Desmond Morris, livro publicado em 1967 e que eu comprei em 1970.

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Claro que Desmond Morris está vivo ““ e bem vivo, pelos vistos, tendo publicado este Poses no ano passado. Nascido em Purton, Reino Unido, em 1928, Morris fará 93 anos este mês.

Poses é uma excelente edição da Bizâncio, com tradução de Maria Carvalho, capa dura, óptimo papel e reproduções irrepreensíveis.

Morris dividiu o livro em nove partes: saudações, bênçãos, estatuto, insultos, ameaças, sofrimento, autoprotecção, erótico e em descanso.

Em cada uma destas partes, mostra-nos como a arte reproduziu estas atitudes do ser humano ao longo dos tempos.

Apenas como exemplo: no capítulo insultos, podemos apreciar obras (pinturas e/ou esculturas) a fazer caretas, a deitar a língua de fora, a levar o polegar ao nariz, a fazer gestos com os dedos, gestos com as mãos, a fazer o manguito ou a mostrar as nádegas.

Ao longo das suas cerca de 300 páginas, podemos admirar obras de inúmeros autores, nomeadamente, Notticelli, Bosch, Gustave Courbet, Paul Cézanne, Dali, Paul Klee, Gustav Klimt, Manet, Matisse, etc. ““ acompanhadas pela interpretação, sempre curiosa, de Desmond Morris.

Aconselho vivamente.