Abstinentes e repetentes

Se, por um lado, houve cidadãos que decidiram não votar, e foram a grande maioria (64%), houve outros que decidiram votar duas vezes.

A televisão mostrou ontem um deles, um tal Vitor Manuel Teixeira da Costa Santos que, na sua ingenuidade, não sabia que estava a cometer um crime.

Orgulhoso da sua esperteza saloia, disse como fez: primeiro, usando o seu velho cartão de eleitor, foi votar na freguesia de onde é natural; depois, com o seu novo cartão único, votou na freguesia onde actualmente reside.

Muito contentinho, acrescentou: “E votei as duas vezes no mesmo partido!”. Depois, sorriu para a câmara, exibindo alguns dentes estragados, montou na  Famel e partiu, í  desfilada, em direcção í  sua freguesia natal, a Golpilheira.

País de opereta este: o autor do golpe, é natural de Golpilheira…

PS – se existe uma freguesia chamada Golpilheira, será que também haverá uma Falcatrueira e outra, Roubalheira?

Que ninguém o pare!

Houve duas coisas de que gostei muito na noite eleitoral.

Uma, foi a maneira sentida, vibrante, máscula, í  homem, como Paulo Portas, com uma lágrima no canto do olho, se abraçou a Nuno Melo.

Por momentos, pensei que iam arrancar o braço um ao outro, tal o vigor aplicado naquele abraço.

Os homens a sério vêem-se neste gestos(*).

A outra, foi ver Paulo Rangel a ocupar metade do palanque e rodeado por 152 jovens pê-esse-dês, imberbes, a gritarem: “Ninguém pára o Rangel! Ninguém pára o Rangel! Ninguém pára o Rangel, olé-ó!”.

Concordo plenamente.

Posto a rolar, em direcção a Bruxelas, espero bem que ninguém o pare e que o deixe rolar, Europa fora, até aos Urais.

(*) – Os homens? A sério?! Vêem-se nestes gestos?

Os homens!… A sério que se vêem nestes gestos?

Os homens a sério vêm-se nestes gestos?

Roubalheiras, negociatas, tranquibérnias e bambochatas

As eleições europeias são completamente desnecessárias.

Primeiro, realizavam-se as legislativas. Depois, consoante os resultados, cada partido tinha direito a “xis” deputados europeus, designados pelas respectivas direcções partidárias.

Da maneira como as coisas estão, as eleições europeias acabam por ser, sempre, um teste ao desempenho do governo em exercício.

Sendo assim, é natural que, na campanha, se fale quase exclusivamente de assuntos internos e pouco, muito pouco, da União Europeia.

É assim que se justifica o ataque do candidato Vital, que chamou a atenção para a “roubalheira” do caso BPN. No seu blogue, Causa Nossa, até lhe chamou “tranquibérnia”, o que obrigou os jornalistas a correrem ao dicionário, para ficarem a saber que tal palavrão significa “confusão, desordem, negócio de má-fé, trampolinice, falcatrua, tramóia, fraude, trapaça, burla.”

Que língua tão rica, a nossa. Quantos sinónimos para algo tão velho como a Humanidade: enganar o próximo.

Mas a palavra “roubalheira”, na boca do candidato Vital, fez estremecer as instituições. Claro que toda a gente sabe que a malta do BPN se abotoou, se aboletou, sacou, fanou, surripiou, gamou, desviou – numa palavra: roubou alguns milhões de euros.

Mas, uma coisa é saber o que eles fizeram, outra é dizer abertamente, que eles roubaram e que, entre eles, há “figuras gradas do PSD”.

Até a Maria de Belém ficou chocada. Diz que não usa esse tipo de linguagem. Gostaria de saber como diz ela, quando alguém lhe rouba a carteira: “Senhor polícia aquele senhor apropriou-se indevidamente da minha carteira?”

Mas logo veio José Lello, dizer: “choca-me a displicência da deputada Maria de Belém”.

O PS não precisa de inimigos. O próprio PS se encarrega de se lixar.

Claro que é tudo uma questão de linguagem.

Se Oliveira e Costa, Dias Loureiro e seus amigos ficaram, indevidamente, com dinheiro que não lhes pertencia, não será uma roubalheira?

Segundo Miguel Portas, do Bloco, é uma “negociata”.

Roubalheira, negociata, tranquibérnia… bambochata (grande patuscada).

rangel1Mas há uma terceira coisa que me agrada nas eleições europeias (a primeira foi o ressurgimento da Carmelinda Pereira e a segunda foram os comentários ao texto que escrevi sobre ela…): ver o Paulo Rangel de corpo inteiro.

É que estou habituado a vê-lo na Assembleia da República, atrás da bancada. Sabia que ele me fazia lembrar uma figura da banda desenhada, mas não me lembrava qual.

Ontem, ao vê-lo, na TV, a percorrer as ruas de Aveiro, ao lado de Ferreira Leite, vi-o de corpo inteiro e percebi quem é ele, de facto.

bluemeaniesPaulo Rangel não passa de uma incarnação de um Blue Meannie, um dos mauzões do filme “Yellow Submarine”.

E não me desmintam!

Salvé Carmelinda!

Do que eu mais gosto nas campanhas eleitorais é da Carmelinda Pereira.

Carmelinda Pereira é a eterna líder do POUS – Partido Operário da Unidade Socialista.

Eterna líder e, suponho, única militante.

Sempre que há eleições, Carmelinda sai do seu esconderijo, onde está a hibernar, e vem para a praça pública defender as suas posições trotskistas.

Terminadas as eleições, Carmelinda retira-se, com os 5 mil votos que obtém não se sabe bem como e volta a esconder-se.

O POUS tem um site formidável. Para entrar no site, temos que clicar no punho socialista.

Nem o próprio Trotsky se lembraria desta!

Sabem o que os candidatos do POUS í s eleições europeias, propõem?

Isso mesmo: o fim da União Europeia!

Pelo menos, não fazem fretes, como o Bloco ou o PCP, que sempre estiveram contra a União Europeia, mas aceitam ser eurodeputados para corroer o sistema por dentro. Pois…

Ontem, revi Carmelinda na televisão e fiquei feliz.

Está viva! Com mais rugas, mas viva!

E Carmelinda Pereira atirou logo com uma proposta revolucionária: que o Governo proíba os despedimentos!

Só isso, Carmelinda?!

Estás a perder qualidades, mulher!

Nos bons velhos tempos do prec, nos tempos em que o POUS eras tu e o Aires Rodrigues, terias ido mais longe e dirias:

O Governo tem que proibir os patrões!

Estás a ficar velha, Carmelinda…

O decepado e o atleta

pedrosoPaulo Pedroso vai ser o candidato do PS í  Câmara de Almada.

Por enquanto, esse facto não me merece nenhum comentário, a não ser o facto de achar o primeiro cartaz de campanha algo de inexplicável.

Sobre um fundo azul, um punho fechado, no qual está hasteada uma bandeira vermelha com o nome do candidato. Por baixo, o slogan inacreditável: “terminar a obra que ninguém começou”.

Já estou a ver o Paulo Pedroso a bater-me í  porta, í  frente de um grupo de operários e eu a perguntar:

– Faça favor de dizer…

E ele:

– Vim remodelar-lhe o apartamento.

E eu:

– Mas eu não quero! Acho que o meu apartamento está bem assim…

E ele:

– Desculpe, mas tem que ser! Eu tenho que terminar a obra que ninguém começou!

E depois, se súbito, eu olho para o seu braço direito e vejo que o Paulo Pedroso não tem a mão direita e que, na esquerda, empunha a direita, com o punho fechado.

Paulo Pedroso é o decepado!

E vai perder as eleições em Almada.

lopesMelhor está o Santana Lopes que vai ser candidato í  Câmara de Lisboa.

Só por si, esta simples frase já podia ser considerada a piada da década, mas é verdade: o PSD acha que o Sr. Lopes é a melhor escolha para candidato í  Câmara de Lisboa.

Para terminar a obra que ele próprio começou!

Os jornalistas perguntaram-lhe o que tem ele andado a fazer.

E ele respondeu:

“O que tenho andado a fazer? A almoçar e a jantar com gente de esquerda”.

Deve estar enjoado de pataniscas com arroz de feijão que, como se sabe, é a comida preferida da “gente de esquerda”.

O que é que o Sr. Lopes entenderá por “gente de esquerda”?

Os gajos que, nos almoços e jantares, se sentam í  sua esquerda?

E reparem o que o Sr. Lopes tem, pendurado ao pescoço.

Um atleta de ouro!

E vai perder as eleições em Lisboa.

Mas que choldra, menino, como dizia o Eça…