“Triunfo do Triunfo”, de Luísa Costa Gomes (2026)

Mais um livro de contos desta escritora, que é uma especialista na matéria.

Dela já lemos “Afastar-se – 13 contos sobre água” (2021), “Setembro e outros contos” (2007) e “Visitar Amigos e outros contos” (2024).

Este livro agora editado tem um conjunto de contos já publicados anteriormente e mais alguns repescados.

Destaco o conto que dá título ao livro, e que é um gozo a muitos dos nossos autarcas, e o conto O Golpe do Ascensor da Biblioteca, sobre aquele que poderia ter sido o golpe que daria origem à implantação da República.

Para esta autora, o mais importante não é a história que o conto nos conta, mas sim as palavras, o discurso que ela vai tecendo ao longo da narrativa.

“Visitar Amigos e Outros Contos”, de Luísa Costa Gomes (2024)

Luísa Costa Gomes gosta de nos contar histórias. Vencedora do Grande Prémio do Conto da Sociedade Portuguesa de Escritores tem já, no seu currículo, alguns livros de contos.

Depois de lermos “Setembro e Outros Contos” (2007) e “Afastar-se e Outros Contos” (2021), detivemo-nos, por estes dias, com este “Visitar Amigos”, editado já este ano.

São 13 contos, dos quais talvez destaque dois.

No conto “O Velho Senhor”, lemos este parágrafo:

“A mãe morrera num acesso de extrema discrição. Retirar-se por partes para um silêncio todo feito de modéstia, contíguo a uma etapa em que a sua única frase tinha sido, não me lembro, não sei, já não sei nada.”

O outro chama-se “Património” e começa assim:

“Na primavera dos seus quarenta e um anos, saindo de um duche frio, Félix teve a consciência de que nunca por nunca viria a ser rico. A nitidez, quase de alucinação, pode ter vindo do choque térmico, ou da fome danada com que sempre acordava. Secando-se depressa calculou que o esperavam anos e anos de contas e acertos, dívidas pequenas que iam transitando de mês a mês, mudando, na melhor das hipóteses, a intensidade com que as sentia”.

Mas há mais, muito mais…

A história “Catilinária”, começa assim:

“Não encontro dono de gato que o seja sem relutância. É comum julgar-se vítima de um acaso que lhe trouxe à porta, miando pela vida, uma exigência a que ele, por fraqueza, não resiste. Diz com ironia que é mais o gato que o tem a ele do que ele ao gato. Não convém argumentar”.

Muito bom…