Força Xico!

Está confirmado: Francisco Lopes é o candidato do PCP í  Presidência da República.

O “nosso Xico”, como é conhecido entre os camaradas, é electricista e está pronto para mudar os fusíveis em Belém.

Força, camarada Xico!

As eleições estão no papo!

PS – acho que nem valia a pena realizarem as eleições; dava-se a presidência ao Xico e estava o assunto arrumado!

As comparações de Paulo Portas

Fazendo lembrar os seus tempos de director de O Independente e criador de títulos de primeira página, Portas disse: ” Sócrates está para a justiça social como a vuvuzela está para a música clássica”.

O Portas sempre foi um cómico que se perdeu na política, embora, na Assembleia da República, algumas das suas intervenções estejam ao nível do stand up.

Mas com aquela comparação, Portas pode ter iniciado uma nova moda na política portuguesa.

Assim, comentando a proposta do PSD para a revisão constitucional, Sócrates poderá dizer que Passos Coelho está para a Constituição como o parafuso está para a Torre Eiffel.

Ou questionado quanto í  possibilidade de uma aliança í  esquerda, o líder do PS poderá dizer que Jerónimo de Sousa está para o futuro da democracia como os sinais de fumo estão para o iPhone.

E quanto í  eventualidade do Bloco integrar um futuro governo, caso Manuel Alegre seja Presidente, Jerónimo de Sousa poderá dizer que Louçã está para a credibilidade política como a BP está para a defesa do ambiente.

Finalmente, se perguntarem a Passos Coelho a sua opinião sobre a hipótese do PS se coligar com o CDS-PP, o líder do PSD dirá que Paulo Portas está para a competência governativa como o submarino está para a aviação comercial.

Obrigado, Portas!

CPLP expande-se

Para além dessa maravilhosa democracia que é a Guiné Equatorial, outros países pediram, também, para serem membros de pleno direito da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, a saber:

– a Venezuela, porque tem muitos emigrantes portugueses, porque nos compra os Magalhães e porque Chavez é grande amigo do Sócrates e do Alberto João;

– a Líbia, porque Kadhafi já armou a sua barraca em Portugal e gostou;

– o Kosovo, porque Portugal é um dos poucos países europeus que reconheceu a sua independência;

– a Ucrânia, porque metade da população já fala português porque, ou está emigrada em Portugal, ou já esteve e ficou a falar melhor português do que alguns portugueses nas entrevistas de rua dos telejornais;

– e a Coreia do Norte porque foi a única equipa a quem Portugal marcou golos no Campeonato da Vuvuzela.

Pequena nota: a esperança média de vida na Guiné Equatorial é de 51 anos, a taxa de mortalidade infantil é de 92 por mil nascimentos, três em cada quatro habitantes do país vive abaixo do limiar da pobreza e o actual presidente foi considerado pela Forbes o oitavo governante mais rico do mundo.

Razões atendíveis

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O PSD quer substituir, na Constituição, o despedimento por justa causa pelo despedimento por “razões atendíveis”.

Lista de razões atendíveis para despedir um gajo: cheirar mal dos pés, ser gordo, ser mariconço, ser do FCP, ter tiques, suar muito, ter mau hálito, ter voz aflautada, dar traques, não gostar de anedotas, ter a mania que é esperto, ter herpes labial, ter caspa, ter muito sucesso com as gajas, ser marreco, ser zarolho, ser gago, ter eczema, usar óculos, ser coxo, ser muito alto, ser muito baixo, ser muito magro, fazer más digestões, ter mau gosto no vestir, dizer que sim a tudo, não tomar banho, tomar demasiados banhos, usar um perfume horrível, ter barbicha, ter patilhas, ser careca, acreditar em OVNIS, ser ateu, ser muçulmano, ser cristão ortodoxo, ser budista, ser hindu, ser católico, ser luterano, fazer yoga, ser vegetariano, ter os olhos muito juntos, ter as sobrancelhas muito cerradas, ter um grande par de mamas, ser absurdamente boa, ser simpático demais, ser vira-casacas, ser palerma, ser do PSD.

Eu não vos disse que o tipo me fazia lembrar Anhuca, o palhaco?…

A marcar passos, Coelho…

Num futuro próximo, o PSD, liderado por Passos Coelho, ganha as eleições com maioria relativa. O PSD e o CDS juntos, têm praticamente o mesmo número de votos que o PS, o PCP e o BE.

O PSD e o CDS-PP formam governo, instável, sempre contestado pelos partidos í  sua esquerda.

Zangado com as querelas parlamentares, o presidente da República, Manuel Alegre, aproveitando uma moção de censura construtiva apresentada pelo PS, destitui o governo e nomeia outro, formado por uma coligação, igualmente instável, entre o PS e o BE (o PCP nunca fará parte de nenhum governo…).

O novo governo não consegue vingar nenhuma proposta no Parlamento, sempre com a oposição da direita e com a abstenção do PCP.

Manuel Alegre vê-se obrigado a aceitar um governo PSD-PS, mas a coisa também corre mal porque, quer o CDS-PP, quer o BE ficam em brasa e boicotam todas as iniciativas do novo governo (o PCP sempre boicotou tudo, qualquer que fosse o governo).

Alegre, cada vez mais triste, decide, certo dia, ir í  caça e nunca mais voltar, deixando os portugueses a contas com uma crise política provocada pelas ideias peregrinas do Passos Coelho, que quer transformar os governos em Programas Quinquenais (Lenine inventou isso..) e deixar a formação dos governos na mão dos Presidentes, sem ser preciso fazer eleições.

Onde é que eu já vi isto?…

Coligações há muitas, seu palerma!

Paulo Portas propí´s ontem, no debate do Estado da Nação, que se formasse um governo de coligação alargada, PS, PSD e CDS-PP, para os próximos 3 anos, mas sem o Sócrates a comandar o PS.

Provocação, claro.

Se Portas fosse humilde, teria proposto uma coligação PS, PSD, CDS-PP, mas sem o Portas.

Para o seu lugar, poderia nomear aquela minha colega dos cuidados paliativos, a Isabel Galriça Neto.

Que entusiasmo, o dela, a aplaudir todas as palavras do Portas!

Que embevecimento!

A senhora até saltava da cadeira, ao bater palmas, frenética com o discurso do seu líder.

Alguém a devia informar que o facto de ter sido medalhada no 10 de Junho não a obriga a ser tão apologética.

Este tipo de acólitos devia ser premiado. Por isso, Portas devia ter sugerido uma coligação alargada, mas com Assis a chefiar o PS, Relvas í  frente do PSD e Galriça Neto pelo CDS-PP.

Os três actuais líderes retiravam-se pela direita baixa e deixavam os discípulos governarem.

Quanto a nós, é claro que emigrávamos…

Saudades da paróquia!

Estive uma dúzia de dias ausente e que saudades que eu já tinha!

Saudades do ministro da Economia, Cavaco Silva, sempre a acentuar a próxima bancarrota do país a que ele preside – se a situação é insustentável, por que razão não dissolve a Assembleia e convoca eleições antecipadas?

Saudades da discussão em redor das Scut: quando as Scut foram criadas, todos criticaram o governo por não ter criado portagens; agora, os que não queriam portagens, já as querem e os que eram a favor, são contra. E depois, ainda há a história do ex-assessor do secretário de Estado das estradas, que agora está na empresa que fornece os chips que serviriam para a cobrança electrónica! E alguém acredita que o PSD está preocupado com a privacidade dos cidadãos, ao ser contra os chips? Enredo de telenovela…

Saudades de manchetes como a do Público de ontem: «cortes na cultura ameaçam os artistas independentes». Então, se eles são independentes por que razão estão preocupados com os cortes no Orçamento do Estado? Independentes, dependentes de subsídios?

Saudades de um país que tem um primeiro-ministro, Sócrates, a ser queimado em lume brando e outro primeiro-ministro, Passos Coelho, já na calha, que se reúne com o futuro primeiro-ministro espanhol, Aznar, que praticamente já está a governar, mas que não tem coragem para fazer passar uma moção de censura ao governo e provocar eleições antecipadas, a fim de se tornar primeiro-ministro, de facto.

Saudades de um primeiro-ministro, Sócrates, que, pelos vistos, deve ser o único português que ainda acredita no país, ao ponto de afirmar: “muitas vezes sinto-me sozinho a puxar pelo país!»

Pois deve ser por isso – por estar sozinho a puxar – que o país não sai do mesmo sítio…

Houve tempos em que ele, o país, até partiu, í  descoberta, qual jangada de pedra, mas o Saramago morreu, a crise instalou-se e o país não sai da cepa torta.

Que saudades que eu já tinha da minha paróquia!

O franciú, o portuí±ol e o Anhuca

Depois do 25 de Abril, Portugal sofreu duas grandes crises económicas e ambas estão ligadas a primeiros-ministros socialistas e a problemas de pronúncia.

Nos anos 80 do século passado, Mário Soares, que falava um francês tão típico, que se tornou anedótico, foi obrigado a retirar o 13º mês aos funcionários públicos, para diminuir a despesa pública.

Foram os tempos do franciú e do mon-ami-miterã.

Agora, é Sócrates que está aflito com o endividamento do país. O “rating” – ou seja-lá-o-que-for – está a lixar o orçamento, mas Sócrates também tem culpas no cartório: ninguém percebe o que ele diz, naquelas entrevistas que dá em Espanha.

São os tempos do portuí±ol e do mi-amiego-zapatero.

Entretanto, vocês já repararam que a comunicação social está a fazer ao Passos Coelho o mesmo que fez ao Sócrates há 6-7 anos: está a levá-lo ao colo até ao lugar de primeiro-ministro.

Passos Coelho é sempre mostrado com ar solene, a dizer coisas sérias e definitivas e sublinhando o seu cadastro (ainda) limpo.

Talvez tenha chegado a hora de começarem os boatos: que o Passos é disléxico, trissexual ou, até, que é mesmo o Anhuca, mas sem o nariz vermelho e com a gravata.

A tia de Louçã

No debate quinzenal, na Assembleia, Louçã disse que Sócrates, de debate para debate, estava “cada vez mais manso”.

Sócrates fez cara de poucos amigos e murmurou qualquer coisa.

Como não falou para um telemóvel, os jornalistas tiveram que recorrer í  ajuda de um tipo que é capaz de ler nos lábios, para perceberem o que o primeiro-ministro disse, em resposta í  provocação de Louçã:

– Manso é a tua tia! – foi o que ele disse.

Ora como é costume chamar “manso” aos bois, acho que Sócrates até foi moderado, pois poderia ter respondido, com toda a propriedade: “Manso és tu, meu ganda boi!”. E eu teria aplaudido!

Ou poderia, ainda, ter dito algo deste género, que seria, provavelmente, a minha escolha: “mansa é a zona genital da tua tia!”

Utilizava, assim, o eufemismo “zona genital”, em vez do termo mais corrente, porque se encontrava na Assembleia da República e ainda vai tendo algum respeito pelos deputados da Nação.

E é assim que a tia de Louçã entra na política portuguesa. Pela porta grande.