Uma coligação do camandro!

O ministro Amado (haverá ministros amados neste governo?…) propõe que se forme um governo de coligação, já!

É numa entrevista ao Expresso de hoje. E Sócrates concorda.

Subentende-se que essa coligação seria entre o PS e o PSD.

Acho pouco.

A crise é tão profunda que Portugal precisa de uma coligação mais alargada, que abarque todas as forças políticas, sem olhar a credos, raças ou clubes de futebol.

Claro que o Novo Governo de Salvação Nacional seria chefiado por um português de reconhecido mérito, famoso em todo o mundo e que até já se disponibilizou para ajudar Portugal, caso o seu actual patrão não se opusesse. Refiro-me, claro, a José Mourinho.

Do elenco ministerial fariam parte diversas figuras incontornáveis, como Paulo Portas, í  frente do Ministério da Lavoura, Santana Lopes, como ministro da Economia (mas pouco) e Oliveira e Costa, como ministro das Burlas e Finanças.

Para acabar de vez com os desfiles na Avenida da Liberdade, Mário Nogueira ficará í  frente do Ministério dos Professores e, vá lá, da Educação e Carvalho da Silva será ministro dos Trabalhadores.

Louçã, que até propí´s que vendêssemos os submarinos, ficará com o Ministério das Forças Armadas, Garcia Pereira será ministro da Justiça Popular, António José Seguro fica com o ministério das Polícias, Manuel Maria Carrilho vai para os Negócios Estrangeiros e Medina Carreira fica com a Segurança Social.

César Peixoto fica í  frente do Ministério dos Coxos, Manuela Moura Guedes fica com o ministério da Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, Carlos Queiroz vai para o ministério da Dopagem e Linguagem Obscena e Marcelo Rebelo de Sousa vai para o ministério dos Comentadores Dominicais.

Para Sócrates não ficar a chorar, dá-se-lhe o ministério do Ensino de Inglês Técnico e Passos Coelho vai para Vila Real e fica lá muito bem.

Com este Governo é ver os juros da dívida soberana começar a descer como o caraças!

O que eu aprendi com a negociação do Orçamento

Que Sócrates e Passos Coelho querem fazer de conta que pouco têm a ver com a discussão em torno do Orçamento.

Que aquilo é lá uma coisa entre aqueles dois ursos brancos.

Que, afinal, a aprovação do Orçamento só é importante para o PS e o PSD – para o Bloco, os comunistas, o Paulo Portas e o Alberto João, o melhor era chumbar o documento e… e…

Que todo este teatro só serviu para nós dizermos: «ufa! até que enfim que há acordo! que contente que eu estou pelo facto de o iva ter subido para os 23% e me irem sacar 10% do meu ordenado! Estava a ver que não conseguiam chegar a acordo! Assim, quando me forem ao bolso, sei que é por acordo entre os dois maiores partidos de Portugal!»

Que Paulo Portas já explicou que ele teria solução para todos os problemas orçamentais mas, como ficou de fora da negociação, junta-se ao problema, em vez de ajudar a uma solução.

Que Jerónimo de Sousa já teria resolvido isto há muito tempo, tomando as mesmas medidas que Vasco Gonçalves (quem?) tomou em 1976.

Que Louçã, apesar de tudo, anda muito arredado porque, no fundo, ele poderia propor sair da União Europeia, mas continua a gostar das camisas Gant.

Que, ao fim e ao cabo, como eu já disse, tudo se resumiu, afinal, ao IVA do leitinho com chocolate.

O PS, partido de esquerda, acha que leite com chocolate é para a burguesia endinheirada.

PSD, partido de direita liberal, acha que leite com chocolate é um direito adquirido da classe média.

Vitória da direita: o leitinho com chocolate ficou a 6%!

O que eu aprendi com o discurso de Cavaco

Com o Cavaco nunca se aprende nada. Um fulano que foi primeiro-ministro durante 10 anos e que se vangloriou de ter feito todas as reformas estruturais e que, afinal, não fez nenhuma , não pode ter nada a ensinar a ninguém.

Mas quer ficar mais cinco anos em Belém. Porquê?

Porque pode. Porque está mesmo convencido que é bom e providencial.

No anúncio da sua recandidatura, disse:

«Dei indicações para que a minha campanha não ultrapasse metade do valor que é permitido (…), não colocarei um único carta exterior».

Não estava í  espera que Cavaco andasse a colocar “outdoor”. De certeza que alguém os colocará por ele e o preço desses cartazes acabará por ser pago pelos contribuintes.

E disse ainda:

«Em que situação se encontraria o país sem a acção intensa e ponderada, muitas vezes discreta, que desenvolvi ao longo do meu mandato?»

Quer dizer: o país está í  beira da bancarrota, os dois principais partidos fazem figura de parvos para conseguirem um acordo pré-nupcial que salve o Orçamento deste ano e Cavaco pergunta onde é que estaríamos, se não fosse ele?

Por outras palavras: estamos na merda mas, se não fosse o Cavaco estaríamos na…merda!

Ora, abóbora, Aníbal!

E o homem disse ainda:

«A minha magistratura de influência produziu resultados positivos»

Onde? Em que sector da sociedade? Em que estrato profissional? Onde é que se sente a influência de Cavaco Silva?

E ainda disse:

«Portugal precisa de um Presidente que contribua para a dignificação das Forças Armadas».

Porquê?!

Estamos em guerra? Tememos a invasão dos castelhanos? Precisamos de mais submarinos, bombas de neutrões, mísseis terra-ar? Precisamos, sequer, de Forças Armadas? Olha, a Costa Rica não tem Forças Armadas e tem costas em dois mares!

Por que carga de água Cavaco, com 71 anos, não se reforma e volta para Boliqueime, de onde nunca deveria ter saído?

O país não precisa de homens destes!

O Ornamento do Estado

Começa hoje, por volta das 15 hortas, a primeira reunião para discutir o Ornamento de Estado mais importante do sexo 21.

De um lado, Peixeira dos Santos, ministro da Ecomania; do outro lado, Eduardo Catrefa, por parte do PSD.

O Presente da República, Cavado silva, já disse que é fundamental aprovar este Ornamento e todos os especialistas em Ecologia e Faianças dizem o mesmo, mas os principais paridos parecem mais interessados em discussões estéreis ou histéricas, já não sei bem.

Teixeira dos Prantos diz estar pronto para negociar, mas o aumento dos impressos não é bem aceite pelos sexuais-democratas.

O PSD, í  última orla, tirou um Coelho da Catroga e o duelo é inevitável.

Quem ganhará?…

Veremos…

Como dizem os cegos…

As 13 condições

O PSD reuniu-se e decidiu: só deixará passar o Orçamento se se verificarem as seguintes condições:

1 – que Jorge Lacão mande extrair aquele sinal que tem na bochecha direita

2 – que Teixeira dos Santos pinte o cabelo

3 – que Maria de Belém e Edite Estrela deixem de pintar o cabelo

4 – que Isabel Alçada nunca mais faça vídeos de boas-vindas

5 – que Francisco Assis rape a barba e perca 15 kg e deixe de ter aquele ar tão sério

6 – que Manuel Alegre desista a favor de Defensor de Moura

7 – que Defensor de Moura desista a favor de Atacante de Barrancos

8 – que o IVA dos néctares se mantenha a 6%, incluindo os tintos que são verdadeiros néctares (depois faço uma lista)

9 - que os benefícios fiscais passem a incluir bicos de silicone para amamentar, fundas para hérnias, pés elásticos, capas para telemóveis, tapetes para rato com apoio de pulso, caixas para óculos escuros, cuequinhas sexy com aberturas várias, gel lubrificante, bigodis, banquinhos para apoiar os pés quando estamos a ver televisão e meias elásticas de fantasia

10 – que o Mendonça das Obras corte o cabelo í  escovinha

11 – que o Narciso Miranda seja readmitido e lhe seja dado um cargo importante, tipo chefe ou director ou responsável máximo de qualquer coisa

12 – que o Manuel Maria Carrilho fique como adjunto do Narciso Miranda

13 – que o Sócrates deixe de correr em público, deixe de usar gravatas de seda de uma só cor, deixe de abanar a mão direita, com o polegar encostado ao indicador, para cima e para baixo, quando está a discursar, porque parece outra coisa, deixe de ter aquele ar de que é primeiro-ministro de  outro país qualquer e, já agora, que passe a discursar sempre em espanhol ou em inglês técnico

Cavaco ao mar!

No Congresso dos Portos e Transportes Marítimos, Cavaco Silva disse:

“Espanta muitos, dada a importância estratégica dos nossos portos, que possamos discutir meses e anos a fio o TGV ou o novo aeroporto de Lisboa sem que paremos um pouco para pensar nos portos do futuro”.

É bem verdade, Sr. Presidente!

E também nos esquecemos de tudo o que o senhor fez pelos nossos portos durante os 10 anos que foi primeiro-ministro! O que eles se desenvolveram, senhor!

Lembro-me perfeitamente que, enquanto o senhor foi primeiro-ministro, Portugal não gastou um centimo em alcatrão, optando claramente pelas auto-estradas do mar, como o senhor muito bem lhes chamou no seu discurso de ontem.

O que os nosso portos floresceram, a nossa marinha mercante se elevou e o comércio marítimo se desenvolveu durante esses maravilhosos e aquáticos 10 anos!

E agora, é o que se vê: os nossos portos resumem-se ao Portinho da Arrábida e ao Porto Brandão!

Ainda bem que o senhor vai continuar a ser presidente e vai ajudar o PSD a ganhar as eleições e Portugal vai sair da crise.

Pelo mar, claro…

“Cisionistas, revisionistas e boicotadores”

—O MRPP fez ontem 40 anos!

Para quem não sabe – e há muita gente que não sabe – MRPP é a sigla de Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (reorganizativo de quê?!…do PCTP – Partido Comunista dos Trabalhadores de Portugal).

A coisa parece tão anódina como Movimento para a Reintrodução no Mercado do í“leo de Fígado de Bacalhau.

Quem quer recuperar uma coisa que é intragável?

No seu 40ª aniversário, o Garcia Pereira, perdão, o MRPP fez saber que, desta vez, não vai concorrer í s eleições presidenciais.

Faz mal.

Competindo com candidatos como Fernando Nobre e Defensor de Moura, Garcia Pereira era muito capaz de, desta vez, ir í  segunda volta contra Cavaco Silva e ganhar.

Eu, pelo menos, dava-lhe o meu voto.

Antes o Garcia que o Cavaco, safa!

O 40º aniversário do MRPP fez-me lembrar uma pequena notícia publicada no falecido Diário Popular, a 26 de Julho de 1979 e que dizia “Arnaldo Matos demite-se”.

—Ora, Arnaldo Matos era, nessa altura, o Grande Educador da Classe Operária (tudo com letra grande e não se riam porque era assim, exactamente, que ele era conhecido). Advogado e dirigente do MRPP, Arnaldo Matos e o seu bigode educavam a classe operária portuguesa como mais ninguém.

Mas, em 1979, Matos tinha 40 anos (como o MRPP tem agora) e estava farto de alguns dirigentes do movimento “não aplicarem a liberdade de expressão no interior da organização”, segundo diz a notícia. Vai daí, considerando que esses dirigentes eram “cisionistas, revisionistas e boicotadores”, Arnaldo Matos demitiu-se para nunca mais voltar.

Saindo o Grande Educador, a classe operário ficou cada vez mais mal-criada.

Até hoje!

É ver polícias acampados í  porta do MAI e professores a descerem a avenida e a chamar mentiroso ao senhor primeiro ministro!

Entretanto, Garcia Pereira e o MRPP, ambos simultaneamente, continuam a dizer que são pela revolução socialista.

A malta aguarda, serenamente.

No entanto, se o camarada Garcia Pereira fosse Presidente da República, convenhamos que a Revolução Socialista ficava mais fácil, não?…

Não sejas chato, ó Garcia – concorre lá, pá!

Ezequiel – um herói português

Em 1992, Ezequiel Lino era presidente da Câmara de Sesimbra, eleito pelo PCP.

No dia 5 de Março desse ano, decorria o cortejo carnavalesco daquela vila quando Ezequiel, ao volante de um Volvo, fez menção de percorrer uma determinada rua, que estava cortada ao trânsito pela GNR.

Um jovem cabo da GNR, Viriato de sua graça, barrou o caminho a Ezequiel, que lhe terá perguntado sabes quem sou eu?

Viriato não sabia e não deixou que Ezequiel passasse.

Vai daí, Ezequiel acelerou, levou Viriato pelo ar um par de metros e continuou o seu caminho, sem se preocupar com o estado de saúde do cabo, que teve que ser socorrido no hospital de Setúbal.

Passaram 18 anos e eis que a PSP de Oeiras decide rebocar o carro da filha de Ezequiel, que estava estacionado numa passadeira para peões.

Irado, Ezequiel – agora adjunto do presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais – foi í  esquadra da PSP e, palavra puxa palavra, agrediu um agente com um pontapé, um empurrão e uma dentada!

Quer dizer, quando era do PCP, um  partido organizado e com uma longa história, Ezequiel agrediu a autoridade com um veículo automóvel.

Agora, que não passa de adjunto de um presidente que nenhum partido quer como candidato, tem que agredir a autoridade í  dentada!

Cooperação estratégica, uma ova!

—

Nunca passou pela cabeça de Cavaco dissolver a Assembleia. E Passos Coelho sabia disso, embora tenha feito de conta.

Para Cavaco, dá muito mais jeito que Sócrates continue como primeiro-ministro. Assim, ele tem sempre oportunidade de dar uns bitaites, de fazer umas acusações veladas, de se mostrar como verdadeiro salvador da Pátria. Se o primeiro-ministro fosse do PSD, Cavaco não poderia criticar, ficava-lhe mal.

Acrescente-se o facto de Sócrates não gostar muito (ou nada) de Alegre e temos o menu completo.

Será que sobrevivemos a mais 5 anos de Cavaco?

Mariquices da reentré

O conceito de “reentré política” é algo que me escapa.

Parece que o país pára durante o mês de Agosto, os políticos vão todos para férias, a malta fica a ver os incêndios e, depois, há que marcar o regresso com grandes manifestações.

Eu, quando regresso ao trabalho, depois das férias, só quero é passar despercebido.

Mas os políticos, não!

O PCP é o único que inventou uma coisa para camuflar a reentré, dando-lhe uma aura de seriedade – é a Festa do Avante.

Na Festa (não há outra como esta…), o secretário-geral do Partido tem direito a dois-discursos-dois, com larga publicidade nos órgãos de comunicação social, e tudo é disfarçado por um programa cultural variado, que inclui ópera e operários, rap e vira do minho, jazz, fado, minis e tremoços, churros e charros í  discrição.

O PSD inventou duas coisas para a reentré: o Pontal e a Universidade de Verão e qualquer uma delas soa a falso, a patético e a coisa para ser transmitida pela televisão.

A festa do Pontal é uma espécie de Avante sem a ideologia, sem as atracções culturais e sem mais nada, a não ser as minis e as bifanas.

A Universidade do Verão é uma patetice ao nível das reuniões de tupperware, ou de lingerie para donas de casa, ou, neste caso, para laranjinhas-que-querem-um-dia-ser-políticos-profissionais-como-o-santana-lopes.

Quanto ao PS de Sócrates, tem arranjado reentrés com produção tipo hollywood. Este ano, começou por Mangualde e continuou em Matosinhos: em primeiro plano, o líder, o adorado líder, cheio de optimismo e confiança; por trás, um coro de jovens com ar saudável e t-shirts verdes (mau gosto!).

Mais modesto, o CDS-PP viveÂ í  custa do Paulinho que, com aquela voz tronitruante tenta esconder o vazio da militância no seu partido: ele é que apresenta propostas, ele é que faz, ele é que acontece, ele é que tem razão, ele nunca fez parte do governo, ele não tem culpa nenhuma desta merda (gritar isto em voz alta e ligeiramente nasalada)!

E acho que ainda há mais reentrés políticas, mas já ninguém dá por elas…

Tudo isto é inventado para os media, como o Valentine’s Day ou o Hallowheen.

E já não há paciência!…