O PSD conseguiu que o Parlamento aprovasse uma lei que cria um novo crime: o crime do enriquecimento ilícito.
Quer dizer que, a partir de agora, todo aquele que fique rico í custa da trapaça, da fuga aos impostos, dos compadrios políticos, do roubo, da especulação fraudulenta, negócios sujos, lenocínio, tráfico de droga e/ou de influências, etc – passa a ser um criminoso.
Acho mal.
Esses gajos deviam até ser incentivados pelo Estado!
Com efeito, os tipos que enriquecem ilicitamente deviam ter direito a receber um Rendimento Máximo Garantido, que lhes permitisse passar a viver í vontade, sem precisarem de continuar a cometer ilegalidades e, assim, terem tempo e disponibilidade para organizarem palestras, jornadas, congressos, onde nos ensinassem como enriquecer ilicitamente.
Até nas escolas, em vez da palermice da educação sexual, devia haver uma cadeira de enriquecimento ilícito para preparar os nossos jovens para o futuro – já que trabalhar, pagar impostos e ser honesto, nunca enriqueceu ninguém.
Será que um tipo que nasceu lá nas berças, comprou o primeiro par de sapatos quando foi para a instrução primária, aderiu a uma juventude partidária aos 16 anos, foi eleito deputado aos 24, nomeado secretário de Estado aos 32, ministro aos 40 e, agora, aos 50 anos, é administrador de uma empresa pública, vive em Cascais, tem uma casa no Algarve e dois Audis, é um criminoso?
Nesse caso, o PSD que se ponha a pau porque acaba por mandar grande parte dos seus militantes mais destacados para a cadeia.

Para quem já não se lembra, este Deus escreve-se com letra grande, mas é pequeno.