“Atirei o pau ao Pinto da Costa”…

O trabalho dos jornalistas tem que ser devidamente enaltecido.

Que dizer dos jornalistas que foram desencantar esta história?

A educadora de uma creche de Ericeira, decidiu fazer uma ligeira adaptação de uma canção popular “Atirei um pau ao gato”. Na segunda estrofe, cantou, juntamente com os meninos a seu cargo: “vai-te embora pulga maldita/ batata frita/viva o Benfica”.

Quando soube da nova versão deste verdadeiro hino do Cancioneiro Popular português, o pai da Vera ficou chocado.

Ele, que é adepto do Futebol Clube do Porto, foi tirar satisfações com a educadora – mas o que é isto, viva o Benfica? E o Porto?

Numa interessante reportagem transmitida pela TVI ontem, vemos o pai da Vera, incomodado, dizendo que a educadora ignorou a sua indignação, respondendo-lhe que a maioria das crianças era do Benfica e que, portanto, não iria mudar a nova letra da cantiga.

O pai da Vera estava visivelmente preocupado, assim como a mãe da Vera, mostrada em segundo plano, sentada no sofá da sala, a fumar, enquanto a criancinha, lá ao fundo, andava num baloiço suspenso das escadas da habitação.

Dizia o pai da Vera: isto pode não ter importância nenhuma mas, hoje é isto e amanhã, o que poderá ser?

Tens razão, pai da Vera: a ditadura da maioria é o que dá – hoje és obrigado a dar vivas ao Benfica e amanhã, quem sabe, serás obrigado a fazeres-te explodir í  porta da Assembleia da República!

Estas educadoras adeptas do Benfica, no fundo, são o verdadeiro Perigo Vermelho!

Comunistas do caraças!

A reportagem mostra, depois, a fachada da creche onde tudo se passa. A mãe de uma outra criança diz que aquela educadora só tem 13 crianças a seu cargo e que os pais das outras 12 já assinaram um documento de apoio í  educadora.

Mas o pai da Vera não desiste e já fez queixa da educadora no ministério da Educação (verídico!).

Boa, pai da Vera! Mostra-lhes como é!

Na minha opinião, o senhor enganou-se no motivo da queixa: a educadora devia ser admoestada por ensinar í s crianças uma cantiga que instiga í  violência contra os animais, isso sim!

Atirei um pau ao gato?!

Porquê?! Que mal é que o gato fez?!

Ainda se fosse atirei um pau ao pinto-da-costa…

Salazar era uma gaja!

Na quarta-feira í  noite, na TVI 24, no programa Prova dos 9, foi revelado este grande segredo: Salazar, afinal, era uma mulher!

No dito programa, Santana Lopes exaltava as «virtudes da resistência, paciência e abnegação do povo português».

Perante esta exaltação nacionalista, o bloquista Fernando Rosas comentou: «parece o Salazar a falar…»

E o Sr. Lopes contra-atacou, exclamando: «Salazar é a tua tia!»

Ora, com esta afirmação, o Sr. Lopes revela quatro coisas: a primeira é que Salazar é tia de Fernando Rosas, a segunda, é que Salazar ainda está vivo, a terceira, não interessa, e a quarta, é que Salazar, esse grande ditador, afinal, era uma gaja!

Esta revelação muda a História da Europa Ocidental.

Se Salazar, afinal, era um gaja, quem nos garante que Hitler não terá sido transexual?

O espião obeso

Enquanto a Mata Hari se despia para obter informações, o espião português veste-se, de fato e gravata e armazena números de telemóvel.

Enquanto o James Bond se esfalfa, salta, rola no chão, trepa, corre e sua as estopinhas, o espião português senta-se í  mesa com os seus contactos e enfarda.

Por isso, o espião português é gordo.

Além disso, o espião português é conhecido de todos e até tem página no Facebook.

No fundo, ele não espia porra nenhuma – limita-se a ter uma lista de nomes de pessoas e a dar a entender que sabe umas coisas sobre elas.

Todos nós sabemos coisas sobre algumas pessoas.

Todos nós, no fundo, somos um pouco espiões.

No entanto, o espião português ganha um ordenado por fazer o que todos nós fazemos.

E é gordo.

Quase de certeza, é hipertenso e tem o colesterol alto.

Se ainda não é, vai ser diabético.

Morrerá precocemente.

É dura, a vida de um espião…

Mesmo sendo português…

O ílvaro e os feriados

O ílvaro vivia no Canadá, que é um daqueles países que não existe.

Por isso, para ele, coisas como a restauração da independência ou a implantação da República, não devem ter qualquer tipo de significado.

Aliás: devem ter o mesmo significado que a Ascenção da Nossa Senhora e o Corpo de Deus, que são os dois feriados de que a Igreja católica abdica.

Portanto, um Estado laico aceita negociar com uma determinada religião esta história dos feriados e essa facção religiosa tem o desplante de impor condições: só aceitamos que nos retirem dois feriados se vocês também tirarem dois feriados dos vossos.

Patético!

Vai daí, o ílvaro pensa: não podemos acabar com o 25 de Abril porque o Otelo era mesmo capaz de fazer outro, não podemos acabar com o 1 de Maio porque o Carvalho da Silva voltava a liderar a CGTP e nunca mais largava o osso, o 10 de Junho tem que ficar porque já foi da Raça, é do Camões, de Portugal e das Comunidades, e chateava muita gente se acabasse.

Logo, restavam esses dois feriados menores, em que se celebra, só, o facto de Portugal ser independente e o facto de vivermos numa República.

E, deixem-se de mariquices – estes dois pontos são os mais importantes da nossa identidade: sermos independentes e sermos republicanos.

Sendo assim, o ílvaro é um palerma!

A quem é que ele quer enganar?

Será que ele acredita que é com mais quatro dias de trabalho que a economia de Portugal vai disparar?

Ingénuo?

Não – populista.

Desprezível…

 

Champí´ de polvo

O inefável Diário de Notícias informa que começou ontem, no Porto, o julgamento do século.

Trata-se do caso do facínora que, em fevereiro do ano passado, teve a ousadia de entrar, de rompante, no Pingo Doce, da Praça Afonso V, na Invicta, e tentar roubar uma embalagem de champí´ e outra de polvo.

Felizmente, o sevandija não conseguiu efectivar o seu hediondo crime, graças í  rápida e eficaz actuação do segurança, que conseguiu apanhá-lo em flagrante.

Por esse motivo, o benemérito holandês Alexandre Soares do Santos, pí´de reaver uma embalagem de champí´ e outra de polvo, evitando um desfalque de 25 euros e 66 centimos.

A notícia não explica que estranhas e sórdidas cenas o miserável pretenderia executar com polvo e champí´, mas podemos imaginar algo de sexualmente sinistro…

O palerma do advogado do criminoso, ainda teve a ousadia de dizer que os tribunais portugueses estão atulhados com processos destes, verdadeiras bagatelas, e protestou pelo facto do Pingo Doce não ter desistido do processo.

Vê-se mesmo que este advogado não faz compras no Pingo Doce e não percebe que é graças a esta atitude que eles têm “os preços sempre baixos”…

 

O caso da ré fofinha

Esta história é tão inacreditável que me sinto obrigado a fazer uma declaração solene.

E essa declaração é: o que eu vou contar é verdade!

O Conselho Superior de Magistratura decidiu aposentar compulsivamente um juiz da Covilhã que, para além de ter centenas de processos em atraso, ainda tinha o desplante de usar termos menos próprios, em pleno tribunal.

Por exemplo, segundo o Boletim do Conselho, o juiz teria dito, no final de um julgamento, “está absolvida a ré fofinha”.

Ora, não é aceitável que um juiz classifique de “fofinha” qualquer ré, por mais jeitosa que seja.

Se a ré for feiosa, malpronta, desajeitada, será que o juiz diria: “está absolvida o estafermo da ré”?

Ou ainda: será que o juiz absolveu a ré por ela ser fofinha?

Em resumo: fez muito bem, o Conselho Superior de Magistratura, em reformar compulsivamente o dito juiz.

Ou não?

O Público hoje revela que, afinal, o que o juiz disse foi: “foi absolvida a ré Fofinha”.

E, neste caso, o éfe capital, é importantíssimo.

É que a ré era, com efeito, uma empresa – Fofinha – Fios e Tecidos, Ld.

Portugal no seu melhor!…

Milagres

Telejornal da Sic:

Um homem, numa igreja, em Espanha, deu um tiro na cabeça de uma mulher grávida em fim de tempo. Inopinadamente. A seguir, meteu o cano da pistola na boca e suicidou-se.

A emergência médica chegou, confirmou o óbito da grávida, fez uma cesariana e o bebé nasceu, saudável.

A jornalista, dando voz aos crentes que estavam na igreja e que assistiram í  cena, diz que todos concordaram que se tratou de um milagre.

O que foi milagre – a morte da mãe ou o nascimento do filho?

Deus estava distraído, no momento em que o homem deu o tiro na cabeça da grávida e depois, para compensar, ajudou os médicos a salvarem a criança?

Notícia seguinte:

Na Austrália, um ultra-leve chocou contra uma roda gigante de um feira. Os dois ocupantes da aeronave e duas crianças de 9 e 11 anos ficaram encarcerados e o salvamento de todos demorou horas.

Novamente, a jornalista (não posso afirmar se foi a mesma), diz que houve milagre.

Se calhar, Deus estava ocupado a salvar estas quatro pessoas na Austrália, distraiu-se e, quando deu por isso, já o louco tinha morto a grávida e Nosso Senhor só foi a tempo de salvar a criança…

Mas milagre a sério é esta outra notícia:

Em Portugal, cerca de 500 médicos já mortos, continuam a figurar nos registos oficiais e alguns deles ainda passam receitas!

Isto sim, é um milagre do caraças!

Wright under our beards

O simpático sr. Jorge dos Santos, de 68 anos e um sotaque engraçado, era afinal um foragido procurado pelo FBI há 40 anos.

Vivendo tranquilamente numa pequena localidade de Sintra, o sr. Jorge, isto é, George Wright, não era apenas o vizinho prestável, mas sim um tipo condenado a 30 anos de cadeia,nos EUA, nos anos 70 do século passado, depois de ter assaltado um banco, morto um homem, desviado um avião que ia de Miami para Detroit, sequestrado os seus passageiros, conseguindo um resgate de um milhão de dólares.

Mascarado de padre, e com uma arma escondida na Bíblia, Wright conseguiu desviar o avião para a Argélia. Os seus cúmplices fugiram para Paris, onde acabaram por ser presos, mas ele decidiu ir para a Guiné-Bissau. Aí, casou com uma portuguesa e acabou por vir viver para Portugal.

Qual o espanto?

Depois do BPN e do buraco da Madeira, como é possível que ainda nos espantemos por termos bandidos a viver tranquilamente, mesmo debaixo das nossas barbas?

Programas da manhã

Programas da manhã das televisões.

Não vejo, felizmente.

Diariamente, no restaurante onde almoçamos, fico sentado de frente para a televisão muda e leio os rodapés: “grávida dormia com o tio da prima”, “tentou salvar a tia e ficou queimado”, “foi violada por um marreco de raça negra”, “comeu fruta estragada e teve trigémeos”.

Sorrio, encolho os ombros e dedico-me ao almoço, sempre saboroso. Obrigado, Tucha!

Mas há um personagem que me deixa ficar sempre incomodado. Não me lembrava do nome da criatura, mas fui procurar no site da Sic e descobri que se chama Hernani Carvalho.

Diz que é jornalista, penso que já trabalhou na TVI, mas agora está na Sic… e é um especialista!…

Caramba, que especialista do caraças!

Enquanto devoro o almoço, vou deitando o rabo do olho para o televisor e vejo o homem a gesticular, sempre de cenho cerrado. Ele parece ser assertivo, ter a certeza de tudo e ter uma palavra definitiva para dizer sobre tudo, desde o caso da moça violada quando regressava a casa, até ao tipo que disparou a espingarda sem querer e matou o amigo.

Hoje, de férias, “apanhei” o tal Hernani ao vivo, isto é, com som, cá em casa, mais uma vez, enquanto almoçava, um excelente curry de frango, preparado pela Mila, em honra de um outro que comemos em Tromso, em Junho.

Pois lá estava o Hernani a cagar sentenças, desta vez, sobre a Sónia Frazão, personagem que eu só passei a conhecer depois da dita ter feito explodir o seu próprio apartamento.

Apanhei a coisa a meio, mas o especialista criminal (!) dizia qualquer coisa sobre doença celíaca e neuro-transmissores e tinha um careca ao seu lado, que parece que também era especialista (eles são todos especialistas!…)

Gritei um palavrão e mudei para a RTP-1 e dei com o bispo Manuel Martins, um velhinho muito bem conservado, com as unhas arranjadinhas, o anelinho na mão direita, os ésses sibilantes, perorando sobre o mundo e os seus pecados!

O velhinho estava contra as telenovelas e dizia que não percebia como é que as famílias não faziam uma revolução contra as telenovelas!

Porra!

O Hernani na 3, o bispo na 1… nem fui ver a 4!

Com programas da manhã destes, não admira que a malta continue um pouco estúpida…

Morrer no caminho

Mais um SAP que vai fechar durante a noite, em Vendas Novas .

A população protesta. Faz uma vigília í  porta do Centro de Saúde.

Dizem que Montemor-o-Novo fica muito longe. “Vamos morrer no caminho!”, lamentam.

(Note-se que são cerca de 26 km de distância entre as duas localidades).

Preferiam morrer na sua terra, o que é natural… Sim, porque um venda-novense com um enfarto que vá ao SAP de Venda Nova tem muitas probabilidades de morrer ali mesmo…

Morrer no caminho… é este o destino dos portugueses…