O perigoso esquerdista

—Olhem bem para ele, de cravo na mão, este perigoso marxista-direitista, este admirador de Lenine e de Bento 16, este maoista do Largo do Caldas.

Se Portas for para o governo, teremos Cuba do nosso lado e importaremos alta tecnologia da Coreia do Norte.

Com a nova colocação do CDS na cena política, í  esquerda do PSD, como Portas afirmou, teremos que repensar tudo e talvez uma coligação alargada CDS-PCP-Bloco comece a fazer sentido.

Portas já andava a ameaçar, com todo o seu apoio í  lavoura e í s pequenas e médias e empresas.

Agora, é definitivo: agora, o cravo. Amanhã, a foice e o martelo!

A vingança dos pepinos

A Alemanha lixa os países da periferia europeia?

A Sra. Merkel quer que nos reformemos aos 70 e que tenhamos menos férias que eles?

A gente revolta-se!

Os espanhóis já começaram: invadiram os mercados alemães com pepinos infectados com eschiria colli.

Seis alemães já marcharam e 276 estão contaminados!

Toca a vender-lhes tomates com salmonelas, alfaces com klebsiellas e vinho do Porto com águarrás. Zás!

Alemães pró galheiro! Poupamos mais dinheiro!

Não os vencemos em produtividade, ganhamos em maldade!

 

 

A dieta de Hitler

O PSD tem um jeito especial para escolher os seus candidatos.

Como cabeça de lista por Viana do Castelo escolheu um senhor, chamado Carlos Abreu Amorim, que é professor na Universidade do Minho e que, desde há algum tempo (pouco), se tornou conhecido por assinar crónicas no Correio da Manhã e no Diário de Notícias.

CAA auto-intitula-se liberal e diz que é muito difícil ser liberal em Portugal.

Claro que é muito difícil ser várias coisas em Portugal. Jogador de hóquei sobre o gelo, por exemplo. Ou fotógrafo de corais. Ou senador.

O Sr. Amorim, faz questão de ser liberal em qualquer circunstância, incluindo í  mesa.

Por isso, é obeso.

Por isso, calhou-lhe mesmo bem entrar nesta campanha eleitoral, uma vez que isso o obriga a andar.

No final de mais uma acção de campanha, o Professor Amorim afirmou, segundo o extremamente democrático jornal O Sol: «sabe que o Hitler perdia 4 kg de cada vez que discursava? É essa a minha esperança?»

Tão liberal é o Professor que até tem esperança que se possa comparar com Hitler nos discursos e na perda de peso.

Mas, convenhamos: í  razão de 4 kg por discurso, Carlos Abreu Amorim terá que discursar, pelo menos, vinte vezes.

Que Hitler o ajude!…

Almanaque Bertrand – uma deliciosa inutilidade

Lembro-me, sobretudo, dos cheiros.

A casa velha da Beira Alta, em Santiago de Cassurrães, tinha um cheiro característico, que era uma mistura de muitos cheiros: o cheiro da pocilga, o cheiro da chamada “sala da aula”, onde se secavam figos, o cheiro do “chalezinho”, que era umas águas-furtadas onde as senhoras faziam a sua sala de costura.

E o cheiro da latrina, claro. A latrina era uma casinha com 2 por 2 metros, situada na varanda, e consistia num balcão de madeira com um buraco redondo no meio. Lá em baixo, a palha amparava os dejectos. Estrume da melhor qualidade.

Ao lado do buraco, a literatura: um jornal qualquer, talvez o da paróquia, talvez o Diário de Notícias, e Almanaques Bertrand.

Muita companhia me fizeram os Almanaques Bertrand nos momentos que passei sentado naquele buraco. E confesso que o cheiro do papel envelhecido e os outros odores que se misturavam naqueles momentos, eram algo de religioso.

A avozinha Rita foi-se embora, o tio Germano e a Tia Odaleia também, a casa foi ficando vazia, cada vez mais esbarrondada, ameaçando ruína.

Trinta anos depois, fui lá buscar os Almanaques. São dos anos 30, 40 e 50 e as suas páginas mostram bem o uso que têm tido.

Nos tempos em que escrevi para o Pão Comanteiga, recorri muitas vezes a eles, e nunca me desapontaram.

—O Almanaque Bertrand publicou-se, todos os anos, entre 1899 e 1969 e este ano, a editora teve a brilhante ideia de lançar um Almanaque 2011/2012.

São contos, poemas, passatempos, calendários, receitas literárias, prazeres, listas, crónicas, palavras cruzadas, horóscopos, lugares, citações, efemérides, curiosidades, ilustrações, e muitas outras inutilidades imensamente úteis.

Como esta lista de “lugares portugueses com nomes danados para o pecado”, dos quais destaco Regato da Coitada (Viana do Castelo), Rego do Azar (Ponte de Lima), Vale da Rata (Viana do Alentejo) ou Entalada (Melgaço).

Ou como estes deliciosos aforismos de José Sesinando, tão ao gosto do Pão Comanteiga: «quem não tem um Roll’s, rói-se»; «os terroristas raciocinam por explosão de partes»; «Em Cabo Verde, Deus pegou no homem e crioulo í  sua imagem e semelhança»; «Foi Copérnico que viu a primeira estrela pular».

Ou ainda uma “lista de nomes de lugares ligeiramente compridos”, entre os quais, Parangaricutirimicuaro, no México, ou Pekwachnamaykoskwaskwaypinwanik, no Canadá.

Espero bem que a Bertrand retome mesmo a tradição e passe a editar Almanaques todos os anos.

O mundo não acabou? Que porra!

Harold Camping, um pastor evangélico norte-americano, estudou a Bíblia e chegou í  conclusão que o mundo acabaria, com um monumental terramoto, no passado dia 21 de Maio.

Houve gente que se preparou a sério para esse fim do mundo, como Jeff Hopkins, um produtor de televisão reformado, que gastou todas as suas economias em propaganda para alertar os seus concidadãos sobre o fim do mundo. Afinal, o mundo não acabou e Hopkins ficou teso!…

O pastor Camping (o nome faz-me lembrar Inatel…), confessou que ficou em choque quando a meia-noite do dia 21 de Maio chegou  e nada de terramoto. Tudo na mesma…

Voltou í  Bíblia e percebeu que se tinha enganado.

Deitou mãos í  obra, refez as contas e chegou í  conclusão que, afinal, o fim do mundo será no dia 21 de Outubro.

Ora, nessa altura, já o FMI nos terá entregue a 2ª tranche do empréstimo.

Podemos, portanto, fazer-lhe um grande manguito e não lhe pagar um cêntimo do empréstimo.

Afinal, o mundo vai acabar, não vai?

Não há lenha que detenha esta campanha

Passos Coelho, de capa e batina, cantando com a sua voz de tenor, acompanhando uma tuna ou, no Fundão, a apanhar cerejas.

Sócrates, em Vila Real, arrastado por uma velhinha, que o enche de beijinhos repletos de saliva.

Jerónimo de Sousa, acoitado sob um toldo de um café, em Viseu, com as bandeiras ensopadas de granizo.

Louçã, de barrete branco, bata de plástico e galochas, no meio de chicharros e cachuchos, na lota de Sesimbra.

Portas, de camisa aberta, mostrando os pelos suados do peito, provando vinho verde ou dando apertos de mão, capazes de arrancar o braço do cumprimentado.

Cada vez faz menos sentido.

As campanhas eleitorais são uma fantochada, os políticos põem-se a jeito e as televisões aproveitam-se.

Que bocejo!…

“A Humilhação”, de Philip Roth

—Este foi meu 12º romance de Philip Roth e continuo a dizer que ele é, neste momento, o meu escritor vivo favorito.

“A Humilhação” quase que podia ser um conto. Embora tenha a estrutura de um romance, tem apenas 127 páginas e centra-se praticamente num único personagem e na sua história, não tendo narrativas paralelas ou adjacentes.

É uma pequena novela que se inscreve na série que Roth vem escrevendo sobre a velhice, a decadência do corpo e a morte, na sequência de “O Fantasma Sai de Cena“, “Todo-o-Mundo“, “O Animal Moribundo” e “Indignação“.

Em “A Humilhação”, Roth conta a história do actor de teatro Simon Axler que, com 66 anos, perdeu a capacidade de representar. No palco, já não é capaz de se transformar nas personagens das peças de teatro. Deprime-se e pensa no suicídio. Procura ajuda psiquiátrica. Conhece uma lésbica, filha de um colega actor, 25 anos mais nova que ele e consegue levá-la para a cama. Incapaz de representar no palco, vai durante algum tempo representar o papel de um amante jovem e fogoso, pronto a experimentar todos os jogos sexuais. Ao mesmo tempo, a sua companheira, até então lésbica, está, no fundo, a representar o papel de heterossexual. A coisa acaba mal, como seria de esperar.

Roth ganhou o Man Booker Internacional deste ano, pelo conjunto da sua obra, apesar de uma das juradas, Carmen Calill, ter votado contra, porque acha que ele está sempre a escrever sobre os mesmos temas e é, até, um pouco machista.

Penso que Carmen Calill não terá gostado de passagens de “A Humilhação”, como esta:

“No fim costumava pegar-lhe na piça e ficar a vê-la perder a erecção. «Que estás tu a mirar?», perguntou ele. «Isto enche-nos», disse ela, «de uma maneira que os vibradores e os dedos não conseguem. Tem vida. É uma coisa viva».

Cá fico í  espera do próximo livro de Roth que, segundo creio, sai ainda este ano.

Strauss-Khan – o âmago da questão

Os telejornais massacram-nos com o rosto cansado do Presidente do FMI, com papos por baixo dos olhos, a barba por fazer e ar de quem foi apanhado com a boca na botija (a imagem não é muito feliz porque quem terá tido a boca na botija, terá sido a empregado do Sofitel).

Os enviados especiais das televisões explicam-nos por que razão o alquebrado Strauss-Khan surgiu algemado, como é que a polícia forense vai tratar as provas, como é que a justiça norte-americana trata destes casos.

Os comentadores falam sobre a possibilidade de tudo isto ter sido montado para lixar a vida do homem, que até poderia vir a ser o próximo presidente das França. Será que isto será mais uma maneira de o dólar humilhar o euro?

Tudo isto é conversa fiada.

A questão fulcral é esta: Strauss-Khan tem 63 anos, tinha acabado de tomar banho e preparava-se para seguir para o aeroporto, de regresso a Paris. A empregada guineense, de 32 anos, entrou na suite (de 2 mil euros por noite, como os jornalistas invejosos não se esquecem de sublinhar) com o intuito de a limpar e o homem que, segundo as regras em vigor em França, na Grécia e até em Portugal, já tinha idade para estar reformado, força-a a sexo anal e oral?!

A pergunta óbvia é esta: qual é o medicamento que o sacana do Strauss-Khan usa?

Será o Viagra, o Cialis ou o Levitra?

O resto é conversa de chacha!