O caso fruta (a propósito das PPP)

Hoje ouvi notícias tenebrosas sobre as parcerias público-privadas, que responsabilizam o ex-secretário de Estado, Paulo Campos, entre outros, de endividar os portugueses até í  terceira geração e ouvi o próprio a dizer que é tudo mentira.

Ouvir uma coisa e o seu contrário e ambas as versões com igual veemência.

Lembrei-me de uma pequena história que escrevi há 38 anos e que saiu no jornal República do dia 11 de Maio de 1974. Chamava-se “O Caso Fruta – mais uma lenda saltiburiana” e rezava assim:

Como já tive ocasião de dizer, Saltibúria era assim. Quando era necessário o apoio de todos – todos apoiavam.

Conta-se que Rajavick, célebre chefe saltiburiense, convocou os seus colaboradores certo dia, ordenando-lhes que fossem, não só, devidamente fardados, como também munidos da atenção máxima.

Rajavick chegou depois da hora e de uma pasta extraiu uma roliça maçã, que exibiu ao nível do mento, pronunciando esta frase mágica:

– Isto é uma laranja!

Não era, e os colaboradores deixaram escapar um leve rumor.

Rajavick repetiu, convicto:

– Isto é uma laranja!

Continuava a não ser e o rumor aumentou.

– Precisamos salvar Saltibúria da ambição dos nossos inimigos! – exclamou Rajavick – Isto é uma laranja!

Os colaboradores rugiram em uníssono:

– Isso é uma laranja!

Depois, foi só repartir a maçã e comer a laranja…

Quem quer dar tiros com a Lusa?

Fiquei hoje a saber que a metralhadora portuguesa foi um fracasso nos Estados Unidos.

Antes de mais, quem diria que existia uma metralhadora portuguesa!?

—Concebida e desenvolvida pelas Indústrias Nacionais de Defesa de Portugal (INDEP), a criação da metralhadora portuguesa terá custado 10 milhões de euros desde 1983 e, face ao seu fracasso comercial, acabou por ser comprada por um grupo de empresários norte-americanos por 40 mil euros! (onde é que eu já vi isto?)

A dita metralhadora tem uma velocidade de disparo de 790 metros por segundo (seja lá o que isso for) e um alcance de 400 metros mas, em dois anos, apenas se venderam 2 mil unidades, nos EUA.

Qual a razão deste fracasso?

Segundo a notícia do DN, a principal razão é o nome da metralhadora: Lusa.

De facto, imaginem mercenários norte-americanos, atacando um grupo da Al Qaeda e um diz para o outro:

– Watch out! Pick up the Lusa and shoot them!

– Pick up what?!

– The Lusa, you motherfucker!

– What’s the hell is that shit?!

De facto, no meio de um tiroteio, o termo Lusa tira qualquer tusa!

Três tristes títulos

1. “Relvas e ex-espião trocaram nove sms e tiveram três encontros” – DN de hoje

– e não foram para a cama?

2. “Mordomo do Papa detido por posse ilegal de documentos secretos” – i de hoje

– o representante de Cristo na terra tem um mordomo?!

3. “ANA PODE RENDER 1,6 MIL MILHí•ES” – Sol de ontem

– xiça! deve ser muito boa na cama!

O adjunto do adjunto

Temos um secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares.

Chama-se Feliciano Barreiras Duarte.

E diz coisas.

Por exemplo: «deixámos de ter em conta que o que contava não era a sociedade de prazer, nós fomos viciados no consumo».

Que pensamento tão bonito!

E que fraseado elegante…”deixámos de ter em conta que o que contava”…

Melodioso…

E a clarividência?

“Nós fomos viciados no consumo”.

Lapidar.

Descobri esta pérola numa pequena local do DN de hoje, que acrescenta:

«Feliciano Barreiras Duarte considerou que os portugueses “deveriam pí´r a mão na consciência”, porque Portugal se desviou do rumo certo.»

O secretário adjunto do ministro adjunto mostra-nos como é: toca a pí´r a mão na consciência, seja lá o que isso for!

Bem haja, Feliciano!

Jardim mostra o caminho

Notícia do DN:

«A ausência de “entusiasmo” e de “pressão imprescindível de Lisboa” junto da Comissão Europeia para resolver o impasse do Centro Internacional de Negócios da Madeira, cujo fim poderá estar para breve, “justifica uma reflexão sobre a nossa saída”, leia-se Madeira, “do âmbito da União Europeia, se necessário, a exemplo de outros territórios autónomos noutros Estados soberanos europeus”, avisou ontem Alberto João Jardim.»

O Jardim quer sair da União Europeia?

É para já!

Pode sair imediatamente e juntar-se í  Grécia.

Após dois ou três meses de convívio com Jardim, era ver os gregos a pedir, de joelhos, o reingresso na União Europeia!

Licor de Relvas

Pior que ílvaro Santos Pereira, só Miguel Relvas.

Um cromaço!

Das autarquias í  RTP, do futebol í s polícias secretas, tudo passa pelas mãos do super-Relvas.

Agora, vê-se envolvido na polémica das secretas. Recebeu mails e sms de Silva Carvalho, o 007 de pacotilha, a sugerir-lhe nomes para postos-chave.

Uma jornalista do Público, tem assinado vários artigos sobre este assunto e Relvas não gostou. Parece que ameaçou divulgar detalhes da vida privada da jornalista, se ela publicasse um determinado artigo sobre o mesmo assunto.

Revelador…

Os deputados quiseram ouvir Relvas sobre o seu eventual envolvimento na questão das secretas.

E ele foi.

Com aquele seu sorriso sacaninha, disse: «não posso transformar o que não é sequer uma tempestade num copo de água, numa tempestade num copo de licor».

O quê? Não se importa de repetir?

Tempestade num copo de licor?

ílvaro Santos Pereira quer ultrapassar o coiso, Relvas quer uma tempestade num copo de licor.

Temos o governo que merecemos…

O ílvaro quer ultrapassar o Coiso

ílvaro, vou-te dizer uma coisa: não é qualquer um que ultrapassa o Coiso.

Eu sei que viveste, estudaste e ensinaste no Canadá, mas isso não te dá o saber suficiente para conseguires ser mais rápido que o Coiso.

Recordo o que disseste na Assembleia da República:

«O desemprego tem que ser uma preocupação de todos nós. E todos nós temos que trabalhar em conjunto, sindicatos, patrões e partidos para conseguirmos ultrapassar este coiso».

Que mal é que eu te fiz, pá?

Que mal é que eu te fiz para que queiras trabalhar em conjunto com os sindicatos, os patrões e os partidos, só para me ultrapassares?

Bem sei que tenho brincado um pouco com essa tua toleima, porque é toleima essa coisa de quereres ser tratado pelo nome próprio, como se quisesses fazer parte de todas as famílias, mesmo das famílias dos desempregados que ajudaste a criar.

Mas o Coiso é uma página simples e despreocupada, que não merecia essa tua raiva.

É desmesurado, ílvaro.

Por favor, ílvaro Santos Pereira, deixa-me o Coiso da mão!