E é neste gajo – que só dá três – que 30 e tal por cento dos eleitores vai votar no domingo?
Puf!…
aqui desde 1999
Segundo a maior parte dos órgãos de comunicação social, o PSD já ganhou as eleições e vai formar governo com o CDS. E é bom que assim seja, porque ninguém percebe (leia-se: os jornalistas não percebem), como foi possível os eleitores terem dado a vitória ao PS em duas eleições sucessivas.
São jornalistas da SIC, da TVI, do Público, do Expresso. Para eles, esta campanha é uma luta do virginal Passos Coelho e do competente Paulo Portas contra o espertalhão, o mentiroso, o tenebroso Sócrates.
As sondagens diárias, que começaram com um empate técnico entre o PS e o PSD, estão, finalmente (!) a mostrar uma ligeira vantagem do PSD, depois da expressiva auscultação de duas mil pessoas!
Os jornalistas respiram de alívio! A estratégia montada há vários anos está, finalmente, a dar frutos. O cabrão do Sócrates está prestes a ir com os porcos!
Mas, pelo sim pelo não, hoje voltaram a aparecer notícias sobre o Freeport. Júlio Castro Caldas garante que Sócrates devia ter sido constituído arguido no caso Freeport. E ficou í espera todo este tempo, ficou í espera que faltassem três dias para as eleições para divulgar esta opinião.
Fazer eleições, para quê?
O Cavaco que chame o Passos Coelho e o Portas para formarem governo já amanhã e escusamos de perder tempo, no domingo, a “botar o boto”, como dizia a minha avó.
Confesso: estou tão farto deste jornalismo tendencioso que estou desejoso que o PSD e o CDS subam ao Poder!
Depois, infelizmente, todos os meus receios serão confirmados!
Olhem bem para ele, de cravo na mão, este perigoso marxista-direitista, este admirador de Lenine e de Bento 16, este maoista do Largo do Caldas.
Se Portas for para o governo, teremos Cuba do nosso lado e importaremos alta tecnologia da Coreia do Norte.
Com a nova colocação do CDS na cena política, í esquerda do PSD, como Portas afirmou, teremos que repensar tudo e talvez uma coligação alargada CDS-PCP-Bloco comece a fazer sentido.
Portas já andava a ameaçar, com todo o seu apoio í lavoura e í s pequenas e médias e empresas.
Agora, é definitivo: agora, o cravo. Amanhã, a foice e o martelo!
A Alemanha lixa os países da periferia europeia?
A Sra. Merkel quer que nos reformemos aos 70 e que tenhamos menos férias que eles?
A gente revolta-se!
Os espanhóis já começaram: invadiram os mercados alemães com pepinos infectados com eschiria colli.
Seis alemães já marcharam e 276 estão contaminados!
Toca a vender-lhes tomates com salmonelas, alfaces com klebsiellas e vinho do Porto com águarrás. Zás!
Alemães pró galheiro! Poupamos mais dinheiro!
Não os vencemos em produtividade, ganhamos em maldade!
Título de hoje do Diário de Notícias:
“Jesus investigado por fraude fiscal”
Então, mas o filho de Deus não está isento de pagar impostos?
Que injustiça fiscal!
O PSD tem um jeito especial para escolher os seus candidatos.
Como cabeça de lista por Viana do Castelo escolheu um senhor, chamado Carlos Abreu Amorim, que é professor na Universidade do Minho e que, desde há algum tempo (pouco), se tornou conhecido por assinar crónicas no Correio da Manhã e no Diário de Notícias.
CAA auto-intitula-se liberal e diz que é muito difícil ser liberal em Portugal.
Claro que é muito difícil ser várias coisas em Portugal. Jogador de hóquei sobre o gelo, por exemplo. Ou fotógrafo de corais. Ou senador.
O Sr. Amorim, faz questão de ser liberal em qualquer circunstância, incluindo í mesa.
Por isso, é obeso.
Por isso, calhou-lhe mesmo bem entrar nesta campanha eleitoral, uma vez que isso o obriga a andar.
No final de mais uma acção de campanha, o Professor Amorim afirmou, segundo o extremamente democrático jornal O Sol: «sabe que o Hitler perdia 4 kg de cada vez que discursava? É essa a minha esperança?»
Tão liberal é o Professor que até tem esperança que se possa comparar com Hitler nos discursos e na perda de peso.
Mas, convenhamos: í razão de 4 kg por discurso, Carlos Abreu Amorim terá que discursar, pelo menos, vinte vezes.
Que Hitler o ajude!…
Lembro-me, sobretudo, dos cheiros.
A casa velha da Beira Alta, em Santiago de Cassurrães, tinha um cheiro característico, que era uma mistura de muitos cheiros: o cheiro da pocilga, o cheiro da chamada “sala da aula”, onde se secavam figos, o cheiro do “chalezinho”, que era umas águas-furtadas onde as senhoras faziam a sua sala de costura.
E o cheiro da latrina, claro. A latrina era uma casinha com 2 por 2 metros, situada na varanda, e consistia num balcão de madeira com um buraco redondo no meio. Lá em baixo, a palha amparava os dejectos. Estrume da melhor qualidade.
Ao lado do buraco, a literatura: um jornal qualquer, talvez o da paróquia, talvez o Diário de Notícias, e Almanaques Bertrand.
Muita companhia me fizeram os Almanaques Bertrand nos momentos que passei sentado naquele buraco. E confesso que o cheiro do papel envelhecido e os outros odores que se misturavam naqueles momentos, eram algo de religioso.
A avozinha Rita foi-se embora, o tio Germano e a Tia Odaleia também, a casa foi ficando vazia, cada vez mais esbarrondada, ameaçando ruína.
Trinta anos depois, fui lá buscar os Almanaques. São dos anos 30, 40 e 50 e as suas páginas mostram bem o uso que têm tido.
Nos tempos em que escrevi para o Pão Comanteiga, recorri muitas vezes a eles, e nunca me desapontaram.
O Almanaque Bertrand publicou-se, todos os anos, entre 1899 e 1969 e este ano, a editora teve a brilhante ideia de lançar um Almanaque 2011/2012.
São contos, poemas, passatempos, calendários, receitas literárias, prazeres, listas, crónicas, palavras cruzadas, horóscopos, lugares, citações, efemérides, curiosidades, ilustrações, e muitas outras inutilidades imensamente úteis.
Como esta lista de “lugares portugueses com nomes danados para o pecado”, dos quais destaco Regato da Coitada (Viana do Castelo), Rego do Azar (Ponte de Lima), Vale da Rata (Viana do Alentejo) ou Entalada (Melgaço).
Ou como estes deliciosos aforismos de José Sesinando, tão ao gosto do Pão Comanteiga: «quem não tem um Roll’s, rói-se»; «os terroristas raciocinam por explosão de partes»; «Em Cabo Verde, Deus pegou no homem e crioulo í sua imagem e semelhança»; «Foi Copérnico que viu a primeira estrela pular».
Ou ainda uma “lista de nomes de lugares ligeiramente compridos”, entre os quais, Parangaricutirimicuaro, no México, ou Pekwachnamaykoskwaskwaypinwanik, no Canadá.
Espero bem que a Bertrand retome mesmo a tradição e passe a editar Almanaques todos os anos.
Harold Camping, um pastor evangélico norte-americano, estudou a Bíblia e chegou í conclusão que o mundo acabaria, com um monumental terramoto, no passado dia 21 de Maio.
Houve gente que se preparou a sério para esse fim do mundo, como Jeff Hopkins, um produtor de televisão reformado, que gastou todas as suas economias em propaganda para alertar os seus concidadãos sobre o fim do mundo. Afinal, o mundo não acabou e Hopkins ficou teso!…
O pastor Camping (o nome faz-me lembrar Inatel…), confessou que ficou em choque quando a meia-noite do dia 21 de Maio chegou e nada de terramoto. Tudo na mesma…
Voltou í Bíblia e percebeu que se tinha enganado.
Deitou mãos í obra, refez as contas e chegou í conclusão que, afinal, o fim do mundo será no dia 21 de Outubro.
Ora, nessa altura, já o FMI nos terá entregue a 2ª tranche do empréstimo.
Podemos, portanto, fazer-lhe um grande manguito e não lhe pagar um cêntimo do empréstimo.
Afinal, o mundo vai acabar, não vai?
Passos Coelho, de capa e batina, cantando com a sua voz de tenor, acompanhando uma tuna ou, no Fundão, a apanhar cerejas.
Sócrates, em Vila Real, arrastado por uma velhinha, que o enche de beijinhos repletos de saliva.
Jerónimo de Sousa, acoitado sob um toldo de um café, em Viseu, com as bandeiras ensopadas de granizo.
Louçã, de barrete branco, bata de plástico e galochas, no meio de chicharros e cachuchos, na lota de Sesimbra.
Portas, de camisa aberta, mostrando os pelos suados do peito, provando vinho verde ou dando apertos de mão, capazes de arrancar o braço do cumprimentado.
Cada vez faz menos sentido.
As campanhas eleitorais são uma fantochada, os políticos põem-se a jeito e as televisões aproveitam-se.
Que bocejo!…
Com base nas Termas de Monfortinho, partimos í descoberta de mais castelos e de mais aldeias históricas.
Salvaterra do Extremo, Idanha-a-Velha, Monsanto, Penha Garcia – Já Lá Estive.