Caganeira a bordo!

A comunicação social está maluca com um surto de handavírus que surgiu num cruzeiro entre Uchuaia, na Argentina, e as Canárias.

Morreu um casal, observadores de pássaros, que devem ter entrado em contacto com as fezes de um roedor que transmite aquele vírus.

Pânico!

Especialistas de todos os quadrantes vieram garantir que não havia perigo de uma nova pandemia, como a do Covid, porque este vírus não se propaga com tanta facilidade e porque dá sintomas muito precocemente, mas a comunicação social, farta da guerra do Médio Oriente, cansada das atoardas de Trump, decidiu pegar neste acontecimento e fazer dele o principal motivo de todas as notícias.

Temos assistido a directos do porto das Canárias, onde o navio ficou ao largo, claro e, só daqui, de Portugal, vimos enviados especiais da RTP, da SIC, da CNN. Se cada país da Europa enviar três jornalistas, o porto deve estar minado de jornalistas, todos com verdades científicas sobre vírus e medidas a tomar para os evitar.

E, de repente, ficamos a saber que há outro surto a bordo de um cruzeiro; desta vez, é um norovírus, a bordo de um cruzeiro das Bahamas e já haverá mais de cem infectados.

O norovírus provoca diarreia e vómitos, pelo que o navio de cruzeiro deve estar inundado de merda de americanos velhos e endinheirados!

Pelos vistos, este já será o décimo nono surto em cruzeiros, mas só este foi noticiado, porque surgiu no arrasto do hantavírus, o que só prova que as notícias também têm a sua oportunidade – umas surgem e outras não, conforme a disponibilidade dos órgãos de comunicação.

Com efeito, uma caganeira a bordo pode não ser uma notícia interessante e até cheirar um pouco mal, a menos que haja um ou outro morto!

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