Há Manelas e Manuelas…

A Sra. Dona Manuela Ferreira Leite, actual líder do PSD, não tem nada a ver com uma outra Manela, com o mesmo apelido, que, em tempos, foi Ministra da Educação.

A Sra. Dona Manuela Ferreira Leite é uma Senhora, com ésse grande, muito bem maquilhada, vestida de modo sóbrio mas elegante, com o cabelo irrepreensivelmente arranjado, que nada tem a ver com a tal Manela, a quem um grupo de estudantes mostrou os rabos, onde estava escrita a palavra de ordem: “Não pagamos!”

A Sra. Dona Manuela Ferreira Leite é muito acarinhada pelos jornalistas, que lhe fazem perguntas a propósito, que a fotografam em ângulos favoráveis, que a tratam como se ela já fosse primeira-ministra e não tem nada a ver com a Manela, a que também foi ministra das Finanças e inventou os pagamentos especial por conta, alinhou com a subida do IVA, congelou os salários da função pública  e se obstinou com o déficit.

A Sra. Dona Manuela Ferreira Leite só fala quando acha que tem algo para dizer, é detentora da Verdade e vai fazer-nos, a todos, muito felizes e prósperos, nada tendo a ver com a outra Manela, conservadora, retrógrada que, até no próprio partido, apenas conseguiu um terço dos votos.

Portanto, há que não confundir a Dona Manuela com a Manela e não votar em nenhuma delas!

Mamarracho

mamarracho

Numa rotunda, no Monte de Caparica, onde havia um verdejante relvado com algumas árvores já frondosas, ergue-se agora o Mamarracho.

É um incrível monumento ao operário da construção naval.

Quase indescritível: no centro, parece haver a proa de um navio em construção, depois, uns carris sulcam o chão, cheio de cascalho; mais atrás, um guindaste; num dos cantos, três hélices no topo de umas estacas; noutro canto, uma hélice maior, em cima de um cubo de cimento.

Tudo cor de ferrugem, feio, agreste.

Mamarracho!

Ainda não foi inaugurado.

A Maria Emilia de Sousa, presidente da Câmara de Almada desde a Idade Média (que exagero! Desde a 1ª República…), deve estar í  espera da campanha eleitoral das autárquicas para inaugurar o Mamarracho.

Só por isto devia perder as eleições!

As listas

Os partidos andam atarefados a organizar as suas listas.

A D. Manuela Leite queria que o PSD tivesse umas listas limpinhas, como estas (ela é 8ª lista a contar da direita e o Alberto João é a lista cor-de-rosa velho):

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Mas as distritais prefiram estas (o Pedro Passos Coelho é a 2ª lista a contar da esquerda e o Miguel Relvas é a 8ª):

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Pacheco Pereira (a lista castanha da primeira lista), disse logo que não e propí´s estas:

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Discutiram até de madrugada e acabaram por chegar a um consenso, embora com muitos votos contra. Assim ficaram as listas do PSD: um pouco monótonas, é certo – mas também, quem é que quer emoção com uma líder já entradota?

listas3

E não há duas zebras com as listas iguais!…

O impagável Sr. Lopes

É uma pena Santana Lopes ser apenas candidato í  Câmara de Lisboa. Ele devia era ser candidato a primeiro-ministro novamente.  A diversão era garantida.

Segundo o Pí¹blico de ontem: “Santana acusa Costa de aliciar noctívagos”.

O Sr. Lopes acha que a decisão de António Costa, de alargar o horário dos bares do Bairro Alto até í s 3 da manhã, tem como única intenção ganhar votos.

Sr. Lopes: pense!

Os moradores do Bairro Alto, por causa do barulho e da confusão, são muito capazes de ficarem tão chateados com o António Costa que não vão votar nele…

E a maior parte da malta que frequenta os bares do Bairro Alto não vive nem vota em Lisboa.

Logo: a decisão do Costa só pode beneficiar o Sr. Lopes, ou não?…

Isaltinar

Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, foi condenado a 7 anos de prisão por quatro crimes, a saber: fraude fiscal, abuso de poder, corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais.

Isaltino diz que está inocente, vai recorrer da sentença e tenciona candidatar-se novamente í  Câmara de Oeiras.

Assim se cria um novo verbo em português – o verbo isaltinar.

Eu não estou a cometer fraude fiscal – estou a isaltinar.

A partir daqui, só o céu como limite.

Exemplos:

1. “íˆ pá! Estás a abusar do poder!”

“Deixa estar, é apenas um pequeno isaltinanço…”

2. “Como consegues convencê-lo a aprovar o projecto?”

“Ora… ofereço-lhe um terreno em Cabo Verde, isaltino-o!”

3. “E o que fazes a esse dinheiro todo?”

“Passo-o para a conta da minha sobrinha que vive na Venezuela e o dinheiro fica isaltinado”.

É graças a figuras como Isaltino Morais que a língua portuguesa se mantém tão pujante e viva!

A soberba de Catarina Carvalho

Não tenho atitudes corporativas.

Claro que há médicos incompetentes, assim como canalizadores, talhantes, jornalistas.

Não costumo comentar assuntos médicos no Coiso – já o disse várias vezes. Sinto-me demasiado envolvido.

Mas a sub-directora do Diário de Notícias, Catarina Carvalho, não me deixa alternativa.

Na sua coluna semanal, a senhora subdirectora conta a sua ida ao Centro de Saúde de Benfica.

Começa por dizer que ficou muito bem impressionada, que pagou apenas dois euros e 25 cêntimos e nem imagina quanto custará, ao Estado, uma consulta médica.

E acrescenta esta frase formidável:

“Esta minha incursão pelo SNS teve bons motivos: tinham-me a dizer que eu já tinha médica de família”.

Para além do uso do verbo “ter” duas vezes na mesma frase, acho curioso a Sra. Subdirectora usar o termo “incursão” para se referir a uma ida ao Centro de Saúde, como se fosse assim uma espécie de aventura, um safari, por exemplo. Será que ela ignora que há pessoas que vão ao Centro de Saúde desde que nascem?

Mas enfim… de que é que a Sra. Subdirectora não gostou?

Do atraso da médica. Diz a jornalista:

“Um atraso í  portuguesa, 5, 10 minutos, aguenta-se sem bufar. 40, já doi.”

A Subdirectora do Diário de Notícias, portanto, bufa…

Adiante…

“Então ela chegou. E não me pediu desculpa. Não arranjou um alibi que explicasse o atraso. Acabei por não dizer nada. Fui cobarde, mas qualquer paciente sabe que está numa posição de inferioridade. Esperei para ver como seria a consulta. Nem sequer me auscultou.”

Aqui, passei-me! Conhecem a anedota do J. Cristo que vem í  Terra mascarado de médico de família? Pois ele até faz com que um paralítico saia do consultório a andar, mas o paralítico exclama: “Este médico é a merda de sempre! Nem sequer me mediu a tensão!”

A Sra. Subdirectora queria ser auscultada e a médica não lhe fez a vontade! Claro que a médica não tem desculpa para ter chegado atrasada. Devia ser chicoteada em público, no mínimo e deviam ensinar-lhe que uma consulta médica inclui, sempre, uma auscultação!

E Catarina Caravalho não quereria, também, palpação abdominal, observação ginecológica, exame neurológico sumário, palpação mamária, observação da orofaringe, sinais meníngeos? Saberá ela o que deve e não deve ser feito em determinada consulta médica?

Continuando:

“Disse que estava saudável e mediu-me a tensão. Deve ter acabado aqui a minha relação com o SNS. Não por causa dele, coitado, mas por causa dos que não o servem em condições profissionais que me satisfaçam”.

Isto é soberba em estado puro!

Por causa de uma médica que chega atrasada e que não a ausculta, a subdirectora do Diário de Notícias deixa de ir ao Serviço Nacional de Saúde!

É como se eu deixasse de comprar o Diário de Notícias, só porque ele tem uma subdirectora tão obtusa!