O raça do Cavaco!

Quem se lembra do Dia da Raça?

O Presidente Cavaco lembra-se, pelos vistos. Interrogado, pelos jornalistas, sobre a greve dos camionistas, resolveu dizer: «hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o dia de Portugal, de Camões e das comunidades portuguesas».

O Dia da Raça calhava a 10 de Junho, no tempo da Outra Senhora e ninguém sabia que Raça era festejada: os pastores alemães, os serra da estrela, as charolesas, as barrosãs, os cocker spaniel?

A minha avozinha, que talvez deus tenha, quando se referia a alguém que a impressionava de algum modo, porque se portava muito bem ou porque se portava muito mal, costumava dizer: «o raça da rapariga só faz disparates!» ou «o raça do rapaz só tira boas notas!»

Deve ser nesta categoria que se inclui o «raça do Cavaco»!

Que banho (turco) de bola!

Dou a mão í  palmatória: a selecção jogou bem, correu do princípio ao fim e mereceu ganhar í  Turquia. Apenas fiquei irritado durante cerca de 10 minutos, depois do golo de Pepe, porque me pareceu que a equipa ia defender o resultado, ao bom estilo Scolari, em vez de procurar marcar um segundo golo. Mas, enfim, o Ronaldo lá meteu a terceira, o Moutinho teve um passe de mestre e o Meireles marcou.

Afinal, não houve banhos turcos, Portugal é que deu um banho í  Turquia e o cabeça-de-turco até foi um brasileiro com nome de mexicano.

Esta dos brasileiros naturalizados para jogar futebol, é algo que se está a generalizar. Além do Deco e do Pepe, em Portugal, temos, só neste Europeu, um Aurélio na Turquia, um Kuranyi na Alemanha, um Guerreiro na Polónia e um Senna na Espanha. Todos brasileiros.

E o fenómeno não é só brasileiro. A lista que o Público hoje traz é bem curiosa. Há um albanês (Gercaliu) e um croata (Vastic) na selecção da íustria, um australiano (Simunic), na Croácia, um suíço (Neuville), na Alemanha e um argentino (Camoranesi), na Itália.

Mas, se quisermos ir mais longe, temos um nascido em França (Petit) e outro no Congo (Bosingwa), na selecção portuguesa; um nascido na Bósnia (Jakupovic), um na Costa do Marfim (Djourou), um na Jugoslávia (Bhrami), um em Cabo Verde (Fernandes) e um na Colí´mbia (Vonlanthen), na selecção suíça; na selecção turca, temos dois nascidos na Alemanha (Balta e Altintop), um na França (Erdinç) e outro na Inglaterra (Kazim); na selecção austríaca, ainda temos um nascido na Hungria (Garics) e outro na Alemanha (Arnic); a Croácia tem um nascido na Suíça (Rakitc) e três na Alemanha (Robert e Niko Kovac e Klansnic); a própria Alemanha tem três jogadores nascidos na Polónia (Trochowski, Klose e Podolski) ; Perrotta, da selecção italiana, nasceu em Inglaterra; Vyntra, da Grécia, nasceu na República Checa; Linderoth, da Suécia, nasceu em França; e, finalmente, a selecção francesa conta com dois nascidos no Congo (Makelele e Mandanda), um nos Camarões (Boumsong) e dois no Senegal (Patrick Vieira e Evra).

Portanto, Pepe é português e o resto é conversa!

Aliás, o facto de a Turquia participar no Europeu também é muito discutível – a menos que todos os seus jogadores tivessem nascido para cá do Bósforo. Se nasceram para lá do Estreito, deviam jogar numa competição asiática qualquer.

Europeus ou asiáticos, os turcos não tiveram outro remédio senão atirar a toalha (turca) ao chão e renderem-se.

E agora, é a vez de arrasar os checos!

Obama sabe a pouco

Está bem, o facto de os democratas norte-americanos terem escolhido um candidato negro, é um avanço. Mas contra quem concorreu Obama? Contra uma mulher… Ora, escolher entre uma gaja e um preto, que raio de escolha é essa? Um americano que se preze, por muito democrata que seja, vê-se entre a espada e a parede e tem que escolher o preto. A gaja, nunca!

Agora, imaginem que Obama era uma gaja!

Ou melhor: que Obama era uma gaja lésbica.

Ou melhor ainda: gaja, lésbica, preta retinta e agnóstica.

Isso, sim – seria radical!

A escolha de Obama não é nada de especial.

No fundo, Obama não passa de um John Kennedy bronzeado

Indiana Jones e o reino dos marxistas-leninistas

Escrevi, no meu texto sobre o novo filme do Indy que, em 1981, “os meus amigos-intelectuais-de-esquerda torceram o nariz a tanto divertimento e acharam que o filme era mais um panfleto publicitário do imperialismo norte-americano”.

Referia-me ao “Raiders of the Lost Arch”, no qual, Indy defrontava e derrotava um exército de nazis, que tentavam sacar a Arca da Aliança.

Neste quarto filme, o vilão é uma militar soviética, interpretada por Cate Blachett, que estuda fenómenos para-normais e que acredita que as caveiras de cristal têm um poder extra-terrestre.

Os comunistas de São Petersburgo não gostaram. Apesar de poder haver alguma coisa que se perde na tradução, aqui estão excertos de um comunicado dos marxistas-leninistas, guardiões da Verdade:

O filme de Indiana Jones tem por objectivo «criar na juventude moderna uma ideia deturpada da política externa soviética da URSS nos anos 50 do século XX. (…) Vincamos decididamente a nossa profunda indignação face í  estreia na Rússia do filme-provocação, resíduo da guerra fria, pasquim nojento. (…) O filme apresenta, de forma caricatural e feia, as acções dos soldados soviéticos e dos nossos serviços secretos, que são cínica e cruelmente liquidados pelo super-herói americano Indiana Jones. Semelhantes invencionices formam, na nova geração de russos disposições (?) decadentes, falta de confiança no poderio do seu país e adoração pelos Estado Unidos. (…) Lançamos um apelo aos espectadores para assobiar o filme durante a estreia nas salas de cinema de São Petersburgo e enviar cartas de protesto aos fantoches do imperialismo Harrison Ford e Cate Blanchett».

Tudo isto soaria a anedota se não fosse verdade. Spielberg pensou que, ao escolher os soviéticos para maus da fita, não iria causar grandes danos – de facto, hoje em dia, quem defende o regime soviético?

Enganou-se. Saudosistas há muitos. Saudosistas que levam a sério um simples filme de aventuras e vêem nele algo de politicamente influente para a sua própria juventude…

Para a próxima, Spielberg terá que inventar uma raça de vilões, ou trazê-los de outro planeta…

Lagartas na sopa

Notícia do DN de ontem:

«Câmara (da Batalha) anunciou inquérito e vai contratar nutricionista para acompanhar alimentação nas escolas».

Tudo isto porque foram «encontradas formigas e uma lagarta em duas sopas».

Aplausos para a Câmara da Batalha.

Boa ideia, a de contratarem nutricionista.

Toda a gente que percebe de alimentação sabe que, para que uma sopa fique bem nutritiva, sobretudo na idade escolar, são necessárias duas lagartas.

A nutricionista contratada pela Câmara há-de resolver esta lacuna, certamente…

Seis coisas que eu li

Primeira: Pedro Passos Coelho (quem?) é candidato a presidente do PSD. Resolveu visitar a Madeira. Foi recebido pelo presidente da Assembleia Legislativa, coisa que não aconteceu com Mário Soares e Jorge Sampaio, no tempo em que eram Presidentes da República.

Passos Coelho defendeu mais poderes para as regiões autónomas.

Por mim, podes dar-lhe a independência, já!

Segunda: Obama hesita em declarar-se vencedor, ao mesmo tempo que Hillary não desiste da corrida.

…E nós com pena de não podermos votar nas eleições norte-americanas. Ao tempo que Obama já tinha ganho!

Terceira: Berlusconi decidiu resolver o problema do lixo, em Nápoles, impondo a lei marcial, isto é, tudo o que diga respeito í  recolha e ao tratamento do lixo, passa a ser um assunto militar.

Involuntariamente, Berlusconi pí´s a tropa no seu devido lugar: a mexer no lixo…

Quarta: na ífrica do Sul, o povo escorraça imigrantes de Moçambique e Zimbabwe. Vários mortos registados.

O racismo não tem a ver, apenas, com a cor da pele…

Quinta: um estudo publicado no New England mostra que a decisão de deixar de fumar é contagiosa, isto é, ao deixar de fumar, eu influenciei mais alguém a fazer o mesmo.

Nada de novo. Se eu começar a andar com as calças arregaçadas e isso for considerado “cool”, daqui a pouco tempo, muitos palermas andarão com as calças arregaçadas. Essa é uma das tragédias da espécie humana…

Sexta: Manchester United é o novo campeão da Europa, em futebol. Mais importante, para os jornais, o facto de vários portugueses terem participado na final da Champions. O Público cronometrou e titula: «a bola esteve 4,03 minutos nos pés dos portugueses». Sabendo que jogaram três portugueses, Ronaldo, R. Carvalho e Nani, dá pouco mais de um minuto a cada um. E Ronaldo ainda falhou um penálti… esta coisa de atribuir a possessão de uma equipa de futebol da dimensão do United a um portuguesinho como Cristiano Ronaldo, é típico da nossa saloiice.

Vejam como o «Chelsea de Mourinho», passou a ser «o Chelsea de Ricardo Carvalho», sem que o Abramovich tenha sido, sequer, ouvido …

9 meses sem fumar

Serve apenas para assinalar a data.

O cigarro é algo do passado e, hoje em dia, raramente me lembro da sua existência. Ansiedade? Nada. Engordar? Apenas um mísero quilo que, muito provavelmente, engordaria na mesma. Saudades? Nem isso.

Posso agora afirmar: é possível e nunca é tarde, mesmo depois de quase 40 anos de vício.