25 de Abril sempre!

“Não se ignora que Dostoievsky, apesar do seu misticismo e fervor religioso, foi um dos deformadores da consciência do povo russo na preparação para o bolchevismo. O romance e o autor são bastante conhecidos entre as classes mais cultas do nosso país para ser necessária a sua tradução. As classes menos cultas, julgo não tirarem qualquer vantagem da sua leitura. Como a tradução deste romance (“Os Irmãos Karamazov”) implica a sua divulgação, entendo ser o mesmo de proibir”.

Esta foi a justificação para a proibição da edição, em Portugal, do famoso romance de Dostoievsky, no tempo de Salazar (citação extraída do livro “Proibido”, de António Costa Santos).

Viva o 25 de Abril!

Mais Apelidos

Aqui vão mais seis apelidos, cinco dos quais têm graça, sobretudo, pela adjectivação:

– Coelho Salvador

– Grilo Rosado

– Fradinho Salgado

– Cana Verde Rico

– Gaita Grave

– Conceição Cagarelho

Exceptuando o Cagarelho, que não fica nada bem í  Conceição, nem a ninguém, temos um coelho que salva, um grilo cor-de-rosa, um frade que não é insosso, uma cana verde com problemas de concordância no género e uma gaita com sons baixos.

Continuo í  coca…

A namorada de Sócrates e o PSD de Menezes

O novo PSD, o de Menezes, não quer que a jornalista Fernanda Câncio seja contratada pela RTP-2 para fazer um programa qualquer sobre bairros sociais ou coisa que o valha.

E por que será que o novo PSD, o de Menezes, não quer a Câncio na RTP-2.

Porque é má jornalista, tem os dentes podres, é feia como o demo, é malcriadona e diz asneiras a toda a hora?

Não.

O novo PSD, o de Menezes, não quer a Câncio na RTP-2 porque tem «um relacionamento com o primeiro-ministro», segundo disse Rui Gomes da Silva, um dos chefes do novo PSD, o de Menezes, que também já foi um dos chefes do PSD do Sr. Lopes, o Santana.

Fiquei chocado quando li esta notícia. Eu, que pensava que o engenheiro Sócrates, além de ser apenas engenheiro técnico, era, também, um bocado misógino, havendo até, quem tivesse dito, durante a campanha eleitoral, que ele poderia ser homossexual – afinal, tem uma namorada!

Chama-se Fernanda Câncio e Sócrates até já mexeu os cordelinhos para ela ir trabalhar para a RTP e fazer reportagens que hão-de arrastar o Luís Filipe Menezes pela lama e destruir o seu novo PSD.

Se isto não é teoria da perseguição, é conversa de porteiras.

Sem ofensa para as porteiras…

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Jardim sem graça

Alberto João Jardim faz lembrar aqueles cómicos que nos massacram com piadas e graçolas, anos e anos a fio. No princípio, achamos graça e até dizemos que o tipo tem jeito. Passado algum tempo, dizemos que o fulano se está a repetir e que começamos a ficar fartos. Finalmente, já não podemos ver o homem í  frente.

O mesmo se passa com Jardim. Há 30 anos, talvez lhe achássemos graça – agora, até enjoa.

A última de Jardim – sobre o facto de não existir sessão solene da Assembleia Regional, para dar as boas vindas ao Presidente Cavaco, disse: «eu acho bem não haver uma sessão solene, acho que era dar uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa (…). Eu cá não apresento aquela gente a ninguém (…). Acho que isso ia ter repercussões negativas no turismo e na própria qualidade do ambiente».

Não é preciso recordar que o “bando de loucos” a que Jardim se refere, foi eleito pelo povo da Madeira – o mesmo que elege, cronicamente, Alberto João.

Que me desculpem alguns madeirenses, mas têm o dirigente que merecem…

Mamas de silicone vencem Simpsons

O país de Hugo Chavez continua a surpreender.

A entidade reguladora da televisão venezuelana, que é uma entidade estatal, decidiu proibir a emissão dos Simpsons, por considerar que se trata de uma série “imprópria para crianças”.

Em seu lugar, a Televen (a RTP lá do sítio), começou a emitir a série Baywatch.

De facto, as crianças venezuelanas, sobretudo os rapazinhos, devem achar mais interessante ver as maminhas de silicone a saltitar das meninas das Marés Vivas, em vez dos bonecos amarelos dos Simpsons a beber cerveja e a arrotar.

Resta dizer que o nome da entidade reguladora da televisão Venezuela é, ela mesma, “imprópria para crianças”, já que se chama Conatel…

Alberto João Jardim mostra o caminho

A “Pequena Esmeralda” é um assunto recorrente nos media.

Apesar da solidariedade que podemos sentir pela miúda, não deixa de ser irritante o modo como os órgãos de comunicação tomaram partido, endeusando o sargento, que é pai afectivo da “Pequena Esmeralda” e diabolizando o pai biológico que, pelos vistos, há anos que anda a tentar obter a custódia da filha.

Não vou tomar partido, porque o assunto só me interessa como exemplo do mau jornalismo.

Ontem, mais um episódio: o tribunal tinha determinado que o pai afectivo levasse a “Pequena Esmeralda” (mesmo quando atingir a maioridade, a Esmeralda há-de continuar a ser pequena…) a visitar o pai biológico.

O encontro iria ter lugar no tribunal. No entanto, e apesar do dispositivo de segurança digno de uma estrela pop, a multidão de curiosos (avisados pela comunicação social) e de jornalistas era tal, que a miúda, compreensivelmente, teve medo de sair do carro e o encontro não aconteceu. Mas os jornalistas já se apressaram a dizer quando e onde será o novo encontro, para que tudo se possa repetir.

A reportagem que vi na televisão era mais um exemplo de voyeurismo barato: o sargento, de pé, junto ao carro, esbracejando lá para dentro; no interior do carro, a “Pequena Esmeralda”, com um rodela de distorção no rosto, cirandava entre o banco da frente e o de trás; depois, o pai biológico entrava noutro carro, e raspava-se, com a multidão de donas de casa sem nada para fazer, a gritar “vai-te embora! Malandro!”

Alberto João Jardim é que mostra como se deve fazer: proibiu a presença de jornalistas no congresso do PSD-Madeira. Diz ele que é para evitar que alguns “empregados da comunicação social” venham, depois, dizer mentiras sobre o que se passa no congresso. O eterno presidente da Madeira diz que só deixa os jornalistas entrarem para assistirem aos seus discursos de abertura e de fecho.

E podem crer que aquilo vai estar cheio de jornalistas.

A menos que, í  mesma hora, a “Pequena Esmeralda” tenha marcado algum encontro com alguém da família.

Alérgico ao Senhor

Não resisto a esta diatribe.

O suplemento Tabu (título bem adequado!), do semanário Sol, da semana passada, publica um artigo intitulado «Comungar sem glúten».

Refere o artigo que «comungar pode dar direito a lesões intestinais, anemia, infertilidade e muitas outras maleitas». E isto porque a hóstia é feita com farinha de trigo, que contém glúten e há por aí muita gente alérgica ao glúten. Os portadores de doença celíaca, por exemplo, não suportam o glúten.

Fácil de resolver, diria qualquer ateu inteligente.

Errado.

A igreja católica, neste como noutros assuntos, é inflexível! A hóstia representa o corpo do Senhor e «as hóstias sem glúten são impróprias para a comunhão», segundo um documento de 1995, da Congregação da Doutrina da Fé, cujo perfeito era, então, Joseph Ratzinger, o actual Papa.

Que fazer, então?

É que um católico que não engole o Senhor regularmente, não é católico, não é nada.

Mais uma vez, fácil de resolver.

Segundo o padre Peter Siltwell, director da faculdade de Teologia da Universidade católica, citado pelo jornal, «ninguém está a ser excluído do sacramento. Quem quiser pode comungar através do cálice sagrado. É o que faço na minha capela.»

Então, mas o cálice sagrado contém vinho. Vamos dar vinho, por exemplo, a uma criança?

Por que não? diz o senhor padre. Â«É só uma quantidade mínima, umas pequenas gotas».

Portanto, para o padre Stilwell, não faz mal nenhum dar um pouco de vinho a beber a uma criança. O vinho é o sangue de Cristo, está abençoado – logo, não é um mau exemplo, não é incitamento ao consumo de álcool, não é condenável.

Enfim, o raio que os parta.

Agora, confesso que a ideia de um católico alérgico ao Senhor não me sai da cabeça.

Cuba í  beira do colapso

É conhecida a piada que diz que a revolução cubana teve três grandes êxitos: a saúde, a educação e a segurança social, e três grandes fracassos: o pequeno-almoço, o almoço e o jantar.

Mas o regime sempre teve a desculpa dos parvalhões dos americanos, que insistem em manter um bloqueio que já não faz sentido, se é que alguma vez fez sentido…

A farsa do «não-fode-nem-sai-de-cima» de Fidel Castro acabou.

O jovem e prometedor Raul Castro está agora, de pleno direito, í  frente dos destinos da nação cubana.

Mas começou mal.

Qual Marcelo Caetano das Caraíbas, Castro II começou por permitir os telemóveis e, agora, decidiu autorizar que os seus compatriotas frequentem os mesmos hotéis que os turistas estrangeiros.

Já falta pouco para que Cuba seja anexada pelos States…