Marx e Berardo – a mesma luta!

Viram o grande revolucionário Joe Berardo ser abraçado pelos trabalhadores da PT, antes de entrar para a Assembleia que vetou a OPA do Belmiro?

Os trabalhadores arranjaram ali um grande aliado, um verdadeiro defensor dos direitos dos operários e camponeses, soldados e marinheiros!

Qual Louçã, qual Jerónimo! O genuíno garante dos direitos dos trabalhadores foi Berardo, esse marxista coleccionador de arte moderna, esse revolucionário accionista anti-Sonae, esse progressista criador de riqueza para os pobres e os desvalidos!

Marx, Engels, Estaline, Lenine, Mao, Guevara, Berardo ““ a mesma luta!

Um exemplo a não seguir

Ainda há um pouco a mania, entre nós, de copiar as coisas que se fazem lá fora.

Mas nem tudo o que se faz lá fora é bom.

Um exemplo: Hugo Chavez (aquele democrata, que é Presidente da Venezuela e que agora governa por decreto), tinha um programa semanal de rádio e televisão, chamado “Alí´ Presidente”. Era transmitido aos domingos e durava quatro horas. Coisa leve. Durante essas quatro horas, Chavez arengava aos venezuelanos, fazendo propaganda da sua política, atacando os seus adversários e, quem sabe (eu nunca vi o programa), dando dicas sobre culinária, ponto de cruz e arranjos florais.

Pois agora, Chavez decidiu que o programa passaria a ser diário, de segunda a sexta, embora só com hora e meia de duração.

Imaginem, só por um momento, um programa semelhante, com o Presidente Cavaco Silva.

…Socorro!…

Vendam a cocaína!

Portugal foi o segundo país da Europa que maior quantidade de cocaína apreendeu em 2006: mais de 34 toneladas.

Melhor que nós, só a Espanha, com 47 toneladas.

O Público faz as contas: a 45 euros a grama, a cocaína apreendida renderia mais de 1,5 milhões de euros – cerca de metade do que vai custar o aeroporto da Ota.

í“ Sócrates: estás í  espera de quê, pá?

O 3º Mundo em todo o seu esplendor

Notícia de ontem, no Público:

“Só nos últimos dois anos desapareceram cerca de 180 tampas de esgoto e grelhas de sumidouros na área do concelho de Vila Franca de Xira.”

Segundo o jornal, o passado mês de Dezembro, foi o pior: foram roubadas 87 tampas de esgoto!

Um povo que rouba tampas de esgoto tem o país que merece!

Uma reportagem gripada

Eu sou do tempo em que a malta ia í  janela ver como estava o tempo. Confiávamos pouco no boletim mentirológico.

Agora, temos a Protecção Civil.

Graças a ela, e ao eco da comunicação social, os portugueses ficam a saber que devem andar pela sombra quando está muito calor e que precisam de vestir camisolasde lã quando está frio.

Passámos í  fase das vagas. Nunca mais tivemos um calor do camandro, nem um frio do caraças.

Em vez disso, temos uma vaga de frio ou uma vaga de calor.

E passámos a ter um país muito mais colorido, graças aos alertas amarelos e laranjas.

Hoje, estamos num daqueles dias em que o mapa de Portugal está todo amarelinho ou laranjinha.

É mais fashion, sem dúvida.

Ontem, no telejornal da RTP-1, alguém se lembrou que a gripe devia estar a chegar.

Eu sou do tempo em que a gripe era uma coisa habitual. Todos os invernos, havia uma. E a malta sabia como tratar dela: umas aspirinas, umas colheres de mel, uns abafos, um ou dois dias de cama. E a gripe ia-se embora.

Agora, não.

A gripe passou a ser mais uma ameaça.

A repórter da RTP-1 foi ao Banco de urgência de um hospital do Porto, para ver a gripe in loco.

As urgências estavam calmas.

A gripe ignorava, olimpicamente, a comunicação social.

Mas a reportagem tinha que ser feita.

Então, a jovem repórter perguntou í  chefe da equipa médica: “como tem sido a adesão í s urgências?”

E a minha colega, talvez nervosa por “estar na televisão”, respondeu: “a assiduidade í s urgências tem sido a habitual”

Adesão e assiduidade?

Mas afinal, hoje em dia, os doentes aderem í s urgências ou são assíduos nas urgências?

Nenhuma das senhoras se lembrou da palavra “afluência”, por exemplo.

Não há dúvida que estamos em época de eufemismos.

Por que não: “tem tido mais doentes nas urgências”?

Por que não: “está um briol dos antigos” ou “está um frio do caraças”? Ou, simplesmente, “está frio” – o que é habitual, em Janeiro.

E fico por aqui, porque tenho que ir ao site da Protecção Civil, para saber quantas camisolas devo vestir para enfrentar este barbeiro!

Calem estes abortos!

É por estas e por outras que os referendos podem ser uma má ideia.

As coisas que por aí se têm dito sobre o aborto – quer os movimentos pelo “sim”, quer os pelo “não” – são tão bárbaras que, por vezes, apetece que as mães dos tipos que as dizem, tivessem abortado.

Já ouvi dizer que, com a aprovação da lei, o aborto passará a ser tão comum como os telemóveis, que as mulheres que abortam incorrem na pena capital, que o aborto é como o enforcamento de Saddam, que as classes trabalhadores não têm outro remédio senão recorrer aos vãos de escada, para abortar, que o Estado vai gastar cerca de 10 milhões de euros com os abortos, etc, etc.

E depois, como é que os movimentos de cidadãos pelo “sim” e pelo “não” já conseguiram cerca de 200 mil assinaturas para se legalizarem? Não me espantaria que muitas assinaturas fossem repetidas. Aliás, a Comissão Eleitoral já disse que só vai verificar as assinaturas por amostragem, portanto, nunca iremos saber se todas aquelas assinaturas são verdadeiras.

Tal como no outro referendo, vou votar afirmativamente, porque me parece ridículo que, em 2007, ainda seja possível condenar uma mulher por interromper a sua gravidez.

No entanto, não sou capaz de fazer afirmações tão definitivas como a maior parte dos tipos dos diversos movimentos.

Eu sei lá se a mulher que decide abortar tinha alternativas, eu sei lá se ela aborta com o mesmo espírito com que deita fora uma camisola velha, eu sei lá se aquela gravidez iria desgraçar-lhe a vida, eu sei lá se a boa opção seria continuar ou interromper a gravidez.

Sendo médico há 30 anos, já contactei de perto com tantas mulheres que fizeram uma ou outra opção e cada caso foi um caso.

Quem sou eu, portanto, para decidir em nome de cada uma dessas mulheres?

E quem é o bispo de Viseu, o Patriarca de Lisboa, o Paulo Portas, o líder da Intersindical, a Maria José Morgado, o José Sócrates, ou quem quer que seja, para darem sentenças sobre um assunto tão íntimo, tão pessoal, como este?

E, no entanto, é vê-los falar de cátedra!

Quando oiço alguns tipos do “sim”, tão afirmativos, a defenderem o aborto, quase que me apetece votar “não”.

Quando oiço alguns tipos do “não”, tão peremptórios, a condenarem o aborto, mais vontade tenho de votar “sim”.

Porque lido com pessoas reais, com problemas reais, votarei “sim” – mas com imensa vontade de me abster…

Tau-tau por causa da CIA

Ai, ai, que vem aí a União Europeia dar tau-tau ao Governo português, por causa dos voos da CIA!

Que medo!

Vejam bem que o Governo português sabia que a CIA andava a transportar prisioneiros de avião, fazendo escala em aeroportos nacionais, e não fez nada!

Podia, por exemplo, atacar os aviões da CIA e libertar os prisioneiros, oferecendo-lhes asilo político.

Podia, por exemplo, não autorizar a escala dos aviões da CIA, mesmo sabendo que, depois, em vez de apanhar tau-tau da União Europeia, apanhava tau-tau do Sr. Bush.

Podia, por exemplo, deixar os aviões da CIA aterrarem e, depois, quando eles estivessem já com os motores parados, prender os agentes secretos e apresentá-los, como troféus, í s televisões de todo o mundo.

O governo português podia ter feito todas estas coisas – mas não! Ficou caladinho, sendo cúmplice dessa coisa horrorosa que é transportar eventuais terroristas para Guantanamo.

Felizmente que temos mulheres como Ana Gomes!

Ela denunciou tudo! Ela foi aos sítios e falou com pessoas que viram os prisioneiros agrilhoados! Ela não se deixou enganar por esse personagem sinistro, chamado Amado, que, além de ser ministro dos Negócios Estrangeiros deve ser, no mínimo, um agente da CIA encapotado!

E agora, meus senhores, vamos ver os burocratas da União Europeia a vir por aí fora, chegar ao Palácio de S. Bento, baixar as calças ao Sócrates e dar-lhe uns quantos açoites, que é para ele ficar a saber que, para a próxima, não pode deixar os aviões da CIA sequer voarem sobre o nosso querido e amado Portugal!

Ora! Deixem-se mas é de lérias!

O queque presidencial

Cavaco Silva foi o convidado de honra do almoço comemorativo dos 225 do Martinho da Arcada.

Num singelo improviso, o Presidente de todos os portugueses, relembrou o seu tempo de estudante universitário e fez revelações fantásticas.

Disse Cavaco que, nesses tempos, a meio do mês, já não tinha dinheiro para lanchar. Mas, enquanto o dinheiro ia chegando, passava as tardes a estudar no café Canas, em Campo de Ourique, e lanchava um copo de leite ou um iogurte, acompanhado de um queque.

“E foi assim que me preparei para a quase totalidade dos exames, até ter sido chamado para a tropa. O método, pelos vistos, não foi mau”. – acrescentou Cavaco.

Fica assim comprovada a importância do queque na formação dos Economistas.