Tau-tau por causa da CIA

Ai, ai, que vem aí a União Europeia dar tau-tau ao Governo português, por causa dos voos da CIA!

Que medo!

Vejam bem que o Governo português sabia que a CIA andava a transportar prisioneiros de avião, fazendo escala em aeroportos nacionais, e não fez nada!

Podia, por exemplo, atacar os aviões da CIA e libertar os prisioneiros, oferecendo-lhes asilo político.

Podia, por exemplo, não autorizar a escala dos aviões da CIA, mesmo sabendo que, depois, em vez de apanhar tau-tau da União Europeia, apanhava tau-tau do Sr. Bush.

Podia, por exemplo, deixar os aviões da CIA aterrarem e, depois, quando eles estivessem já com os motores parados, prender os agentes secretos e apresentá-los, como troféus, í s televisões de todo o mundo.

O governo português podia ter feito todas estas coisas – mas não! Ficou caladinho, sendo cúmplice dessa coisa horrorosa que é transportar eventuais terroristas para Guantanamo.

Felizmente que temos mulheres como Ana Gomes!

Ela denunciou tudo! Ela foi aos sítios e falou com pessoas que viram os prisioneiros agrilhoados! Ela não se deixou enganar por esse personagem sinistro, chamado Amado, que, além de ser ministro dos Negócios Estrangeiros deve ser, no mínimo, um agente da CIA encapotado!

E agora, meus senhores, vamos ver os burocratas da União Europeia a vir por aí fora, chegar ao Palácio de S. Bento, baixar as calças ao Sócrates e dar-lhe uns quantos açoites, que é para ele ficar a saber que, para a próxima, não pode deixar os aviões da CIA sequer voarem sobre o nosso querido e amado Portugal!

Ora! Deixem-se mas é de lérias!

O queque presidencial

Cavaco Silva foi o convidado de honra do almoço comemorativo dos 225 do Martinho da Arcada.

Num singelo improviso, o Presidente de todos os portugueses, relembrou o seu tempo de estudante universitário e fez revelações fantásticas.

Disse Cavaco que, nesses tempos, a meio do mês, já não tinha dinheiro para lanchar. Mas, enquanto o dinheiro ia chegando, passava as tardes a estudar no café Canas, em Campo de Ourique, e lanchava um copo de leite ou um iogurte, acompanhado de um queque.

“E foi assim que me preparei para a quase totalidade dos exames, até ter sido chamado para a tropa. O método, pelos vistos, não foi mau”. – acrescentou Cavaco.

Fica assim comprovada a importância do queque na formação dos Economistas.

Mel Gibson e Francisco Louçã – a mesma luta!

Louçã propí´s – sem se rir – que as escolas portuguesas passem a leccionar nas línguas dos emigrantes. Fez esta proposta durante uma visita a uma escola do concelho da Amadora.

A ministra da Educação terá, agora, que procurar professores que, para além de aceitarem dar aulas de substituição (coisa que eles – e o Bloco de Esquerda – contestam!) ainda arranjem ânimo para falar ucraniano, moldavo, umbundo, quimbundo, quicongo, chokwé-cuanhama, ovambo, makonde, suaíli, shona, ronga-shangana e crioulo, entre outras línguas.

Para preservar a língua das minorias.

A luta de Mel Gibson é idêntica.

Depois de fazer “A Paixão de Cristo”, filmada em aramaico, realizou “Apocalypto”, em língua maia.

O próximo projecto de Gibson poderá ser, com a ajuda inestimável de Louçã, “The Adventures of Joseph of the Roof”, falado em mirandês.

Futebolistas em greve

Este Sócrates ainda há-de ser vítima de um atentado!

Então, agora, quer obrigar os jogadores de futebol a pagar os mesmos impostos que as outras pessoas?!

O homem passou-se definitivamente!

Há alguma comparação entre um futebolista e, por exemplo, um médico, um professor, um canalizador, um programador informático ou um pintor da construção civil?

O médico passa o dia, de estetoscópio ao pescoço, a passear a bata e a mandar toda a gente abrir a boca para ver o que está lá dentro; o professor não faz mais do que escrever uns rabiscos no quadro e mandar os miúdos copiar aquilo; o canalizador limita-se a atarraxar os canos, uns nos outros; o programador informático gasta o tempo a escrever coisas imperceptíveis, numa linguagem alienígena; o pintor da construção civil agarra o pincel e anda com ele para cima e para baixo.

Enquanto isto, o jogador de futebol interna-se pela meia direita, cruza com açúcar, cabeceia í  boca da baliza, finta, dribla, remata, chuta, dispara, descai para a esquerda, ludibria o adversário, corta, pensa e lê o jogo, amortece no peito, cola na relva, corre como se fosse um extremo, faz compensações, faz chapéus, usa a meia distância, tem disponibilidade física, sacrifica-se pela equipa, enverga e sua a camisola, dá de calcanhar, e corre, corre muito.

Alguma vez os futebolistas podem ser obrigados a pagar as mesmas taxas de IRS que nós, os comuns mortais, que desempenhamos profissões de merda?

E o exemplo de João Pinto é revelador do modo como o pérfido Sócrates pretende lidar com esta questão.

Vejam bem que o pobre do homem sacou 3 milhões de euros dos direitos desportivos (de quê?!) e queriam que ele pagasse impostos sobre isso! E o desgaste rápido que o J. Pinto tem tido nos últimos anos – vejam como ele passou do Benfica para o Sporting, depois para o Boavista e, agora, já vai no Braga. Com este desgaste tão rápido, em breve veremos o “menino de oiro” a jogar nos Pescadores da Caparica. Claro que ele tinha que se precaver deste desgaste rapidíssimo!

Os futebolistas portugueses estão revoltados e ameaçam fazer greve.

Acho muito bem e apoio incondicionalmente!

Suspeito é que ninguém dê por isso.

Como a maior parte das equipas quase só tem jogadores estrangeiros, se os portugueses não jogarem, não se vai dar por falta deles.

Nomes artísticos, precisam-se

Allen Stewart Konigsberg pensou que o seu nome era uma lástima e, para vingar no mundo do show-bizz, decidiu chamar-se a si próprio, Woody Allen.

O mesmo pensou Issour Daniilovitch Demski. E passou a chamar-se Kirk Douglas.

Quanto a Reginald Kenneth Dwight, todos o conhecem como Elton John.

Até Robert Zimmerman decidiu que seria melhor chamar-se Bob Dylan.

Há nomes que não pegam. Na música, no cinema – até na política.

Por isso, aconselho vivamente os seguintes políticos a adoptarem um pseudónimo rapidamente:

Abel Chivukuvuku, político angolano e Gurbanguli Berdimukhamedov, candidato í  presidência do Turquemenistão.

Mais: ao Sr. Berdimukhamedov aconselho que, depois de eleito, mude também o nome do seu país!

Bom Natal!

O que eu gosto mesmo no Natal é das prendas. Das listas de prendas, das compras, dos embrulhos e da Grande Troca de Prendas.

Nos idos anos 70, do século passado, o dia em que se realizava a Grande Troca de Prendas, era sorteado e nunca calhou no dia 24 de Dezembro.

Mas depois – why bother? – por que não fazer coincidir a Grande Troca de Prendas com o dia de Natal?

Claro que coincide com o dia em que se festeja o nascimento de Jesus – mas, em que dia é que nasceu Jesus?

Convenções, portanto.

Portanto, convencionou-se que, nesse dia, a família se reunia, comia í  fartazana, contava umas piadas, dava grandes abraços e beijos, sentia-se feliz por estarmos todos vivos e, durante toda a tarde, trocava presentes entre si.

Este ano, seremos 15.

Espero que, para o ano, sejamos, pelo menos, 16!

Bom Natal para todos!

Títulos de jornais

No início da década de 70 do século passado, o diário A Capital, tornou-se conhecido pelos seus títulos de primeira página. Em letras garrafais, a ocuparem quase toda a página, era frequente A Capital titular, por exemplo: “RíPIDO MATA SETE”. Descodificando, o que o jornal queria dizer era que o comboio chamado rápido (que era aquele que só parava em algumas estações), teria sofrido um acidente, do qual resultara a morte de sete pessoas.

A tradição de títulos explosivos manteve-se, embora, mais tarde, A Capital tenha desistido de os usar. Mas teve seguidores, como o Correio da Manhã, o Tal e Qual, o 24 Horas. É o estilo dos tablóides.

Mas esse estilo acabou por passar para alguns jornais de referência, embora suavizado.

Vejamos este título do Público de quinta-feira passada: «Menino Jesus “raptado” pela segunda vez em Faro». Reparem que o jornalista colocou as aspas em “raptado”, e não em “Menino Jesus”. Com isto, quis ele dizer que a entidade “Menino Jesus”, que é algo que não há a certeza de que alguma vez tenha existido, não foi raptado, de facto. Ninguém pode raptar o Menino Jesus, na medida em que ele está no Céu, sentado í  direita de Deus Pai – e já não é menino nenhum: tem, no mínimo, 33 anos.

Afinal, o que aconteceu? Claro que foi a figura do menino Jesus, de um presépio, que foi fanada por alguém, em Faro, pela segunda vez. O título da notícia poderia ser, então: “Roubada figura de um presépio em Faro” – mas o jornalista não resistiu a fazer uma piadinha com o título. Provavelmente, o que poderia ter feito era nem sequer escrever a notícia…

Outro exemplo: «Deco tem simulador de tarifas eléctricas». E o leitor pergunta-se: para que raio é que o jogador do Barcelona quererá um simulador de tarifas eléctricas? Todos os títulos relacionados com a DECO provocam este tipo de confusões. Se o jornalista colocasse DECO em letras capitais, a confusão já não existiria.

Mais um exemplo: «Protesto de sem-abrigo parou Ponte 25 de Abril». O protesto terá parado a ponte ou o trânsito na ponte? Talvez seja só um pormenor, mas…

E já que estava a embirrar com títulos, aqui vão mais uns quantos, todos do mesmo jornal:

«Bush admitiu pela primeira vez que não está a ganhar a guerra» – mas vale tarde do que nunca.

«Governo fecha mais 900 escolas em 2007» – mas afinal, quantos milhares de escolas é que há neste país de analfabetos?

«Estrangeiros obesos deixam de poder adoptar crianças na China» – e se forem obesos homossexuais?

«22 mil funcionários públicos passaram í  reforma até final de Novembro» – onde é que eles estavam a trabalhar, que ninguém ainda deu pela sua falta?

«José Veiga vai processar o Estado português» – isto resolve-se com um almoço com Madaíl?

«Esperança média de vida ultrapassou os 80 anos no Canadá» – atenção: se tens 79 anos, emigra para o Canadá já!

«Operação “Natal em segurança” com menos mortos que em 2005» – os portugueses resolverão este deficit nas próximas horas.