Os ilegais do Ginjal

Passear í  beira-rio, no Ginjal, é um privilégio, repito.

Nestes primeiros dias de Outono, com aquela luz especial a derramar-se sobre o casario de Lisboa, caminhar ao longo do Tejo, por volta das 6 da tarde, faz-me sentir muito bem.

São cerca de 5 km, ida e volta, passando pelos restaurantes desactivados do Ginjal, as fábricas de conservas de peixe abandonadas, o Atira-te ao Rio e o Ponto de Encontro, o elevador da Boca do Vento (avariado), e continuando por ali fora, mesmo até ao fim do cais.

A paisagem é sempre a mesma, mas sempre diferente, conforme a hora do dia, a estação do ano, a intensidade da luz: muda o céu, muda a cor do Tejo. Na outra margem, também Lisboa parece uma cidade diferente, de cada vez que percorremos aquele caminho.

Os habitantes do Ginjal devem ser meia dúzia de idosos, que resistem em casas a prometer derrocada para breve.

Mas a população do Ginjal aumentou recentemente. Famílias de emigrantes ilegais (romenos?), instalaram-se nas ruínas de uma das fábricas de conservas.

Aqui mesmo.

ginjal_lixo.jpg

Por entre montes de lixo. O cheiro é nauseabundo. Ao cheiro do lixo acumulado, junta-se, agora, o aroma peculiar de urina e fezes humanas.

A Câmara e a Junta de Freguesia já têm conhecimento do que se passa. Um jornal local disse, até, que alguns destes emigrantes se entretêm a assaltar os passeantes. Nunca vi tal coisa. No entanto, não deixa de ser anacrónico. O tempo vai passando e a densidade populacional deste local vai aumentando.

Custa a crer que se consiga viver no meio de tanto lixo, sem um tecto digno desse nome. Como será quando começar o Inverno?

Mas há compensações.

É isto que estes emigrantes ilegais vêem, todas as manhãs, quando acordam!

ginjal_vista.jpg

Ferenc – o aprendiz de democrata

O primeiro-ministro húngaro foi apanhado a dizer que o governo tinha que mentir ao povo, de manhã í  noite, para justificar as medidas de austeridade económica, impostas para que o país possa aderir í  União Euroipeia. Uma inconfidência que alguém gravou e passou í  comunicação social.

Os húngaros vieram para a rua, exigiram a demissão do governo, deitaram fogo a carros, apedrejaram a polícia e provocaram o caos em Budapeste. Dizem que tudo foi orquestrado pela a extrema-direita, mas o que é certo é que mesmo os apoiantes do primeiro-ministro ficaram muito desiludidos com a performance de Ferenc Gyurcsany.

Não se mente assim ao povo.

Aliás, não se diz, em voz alta, que se mente assim ao povo.

A Hungria ainda é uma jovem democracia. Ainda tem muito que aprender.

Portugal podia dar-lhe uma ajuda, não?…

Gordon ou Magron?

Vinha aí um furacão, ia atingir os Açores e foi uma festa na comunicação social. Chamava-se Gordon e ia arrasar árvores, arrancar telhas, esbarrondar casebres, estilhaçar vidraças, afundar barcos. Haveria vários motivos de reportagem: mulheres a chorar, homens lamentando-se, todos pedindo subsídios ao governo.

Os telejornais entraram num frenesim de directos.

Em directo do Faial, em directo do Pico, em directo da Terceira.

Em todos eles, um repórter nervoso, relatava banalidades. Ao fundo, um oceano plácido, lambia os Açores calmamente.

A Protecção Civil fez o que lhe competia: mandou amarrar embarcações, fechar escolas, arregimentar funcionários, que passaram a noite em claro, í  espera da catástrofe.

Mas o tal Gordon, assim que se apercebeu que tinha errado o caminho e que ia passar por território nacional, rapidamente se transformou numa tempestade de trazer por casa.

Foi um flop.

Até os furacões nos ignoram, caraças!

Equipamentos alternativos

Ontem í  noite, ao fazer zaping ao acaso, reparei que, na Sport TV, estava a dar um jogo de futebol entre uma equipa de amarelo e outra de grená.

Como o aparelho estava com o pio cortado, demorei algum tempo até conseguir perceber quem estava a jogar.

Pois eram o Braga e o Leiria!

Desde quando é que o Braga abandonou o seu equipamento igual ao do Arsenal de Londres (camisola vermelha, com mangas e colarinho brancos) e passou a jogar de amarelo? E desde quando é que o União de Leiria deixou de equipar de branco e optou pelo grená?

Aliás, no outro dia, vi o Sporting jogar com camisolas cor de fezes de bebé e o Benfica, quando jogou contra o Copenhaga (que equipava de branco) vestia-se de laranja!

Eu sou do tempo em que um clube só mudava de equipamento quando as camisolas se podiam confundir com as do adversário. Por exemplo, o Benfica, quando recebia o Braga, fazia o favor de jogar de branco, para não haver confusões.

Agora, é o que se vê!

Não há dúvida: no futebol, deixou de haver amor í  camisola!

“Sol” – um jornal novo, mas…

Saiu o novo semanário dirigido por José António Saraiva. Chama-se Sol e está a ser levado ao colo pela comunicação social em geral, com referências em todos os telejornais, entrevistas ao director, publicidade agressiva.

Sou um dependente de jornais. Aliás, sou a única pessoa que eu conheço que compra jornais todos os dias desde, pelo menos, há cerca de 30 anos. E sublinho que conheço muitas pessoas.

Já li o primeiro número do Sol e digo, está bem, saúdo o nascimento de um novo semanário que compita com o Expresso, mas

Mas“, aliás, devia ser o nome do novo semanário.

Era um bom título.

A conjunção adversativa “mas” define o espírito português.

“A vida corre-me bem, mas podia ser melhor”, “o tempo está bom, mas aposto que vai chover amanhã”, “a comida está boa, mas falta-lhe um pouco de sal”, “o colesterol baixou, mas os triglicéridos estão altos”, “o puto teve boas notas, mas ainda não sabe que curso vai seguir”…

Há sempre um mas

E o Sol publica, logo na primeira página, um Manifesto cheio de mas.

Vinte e seis mas!

Diz que é “apartidário mas não apolítico, isento mas não indiferente, rigoroso mas não burocrático, sereno mas não amorfo, ponderado mas não indeciso, responsável mas não previsível”, etc, etc.

Parece que, afinal, os adjectivos, em português, têm pouco significado.

Não é suficiente, por exemplo, dizer que o jornal é claro – é preciso acrescentar: mas não superficial”.

Não é suficiente afirmar que o jornal é directo – cumpre sublinhar: mas não simplista”.

Afinal, dizer que o Sol é um jornal “irreverente” obriga í  frase seguinte: mas não inconsciente”.

Não me agrada muito um jornal com tantos mas.

Mas, afinal, que tipo de jornal é este?

Desfolhei as suas 96 páginas e quase nada me surpreendeu: as mesmas notícias sobre a paupérrima politiquice nacional, uma sondagem irrelevante sobre quem foi o melhor presidente da república, um aspecto gráfico de gosto muito duvidoso, uma tentativa de agradar a gregos e a troianos, com assuntos muito sérios e trivialidades de revista cor-de-rosa, um espaço preenchido por Margarida Rebelo Pinto (o que raio terá esta senhora para nos dizer?), uma página verdadeiramente decepcionante de Marcelo Rebelo de Sousa, escrita como se fosse um blogue (que me interessa a mim o que o Marcelo faz, dia a dia?) – e a primeira página, então, é mesmo pobre. Como título-choque, os responsáveis do Sol escolheram o título: “Isaltino tem casa apreendida”. Quem é o Isaltino? Que me interessa a mim que um obscuro presidente da Câmara de um concelho minúsculo como Oeiras, tenha uma casa apreendida? É isto que os responsáveis do jornal consideram como notícia que mereça a primeira página do primeiro número de um novo semanário que se pretende “surpreendente mas não sensacionalista”.

Depois de ter ouvido, na RTP, Marcelo Rebelo de Sousa dizer, no seu comentário semanal, dizer que o objectivo do Semanário era levar Cavaco a primeiro-ministro e ter ouvido, hoje, no Telejornal, o tal Isaltino, dizer que o Sol tem como objectivo levar Marques Mendes a primeiro-ministro, começo a desconfiar do nobre intuito de A.J. Saraiva de fundar um jornal que seja uma alternativa ao Expresso. Aliás, no seu primeiro editorial, Saraiva ataca a decisão do governo de fechar maternidades, dizendo que foi um erro porque o interior vai ficar ainda mais desertificado. Nem uma palavra para o facto de essas maternidades, de facto, não terem as condições mínimas de segurança, nem uma palavra para o facto de não fazer sentido existirem maternidades a distarem 30 ou 50 km, ambas com pouco pessoal, ambas mal equipadas e que é muito mais seguro ter apenas uma maternidade bem equipada e com pessoal suficiente. Saraiva não tem autoridade para dar opiniões sobre uma coisa que desconhece em absoluto!

Será que Saraiva sabe que, se a maternidade não estiver devidamente equipada, aumenta o risco de morte neo-natal e de complicações graves para a mãe? Que é mais seguro transportar a grávida para um centro devidamente equipado, mesmo que este fique a 50 km do local de residência da futura mãe? Ou será que Saraiva pensa, como muitos portugueses, que deve existir uma maternidade em cada aldeia que, como não há obstetras em número suficiente (nem nunca haverá), poderá ter, ao serviço, uma senhora curiosa, que ajuda ao parto, como também ajuda nos abortos?

Basta que Saraiva imagine uma grávida que viva na Fonte da Telha e que comece com dores de parto a meio de uma manhã de domingo, em Agosto. Será que ele sabe quanto tempo é que essa grávida demorará a chegar ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, tendo que percorrer a estrada até í  Costa da Caparica, cheia de veraneantes, com carros parados nas bermas, tudo entupido. Essa grávida, demorará mais tempo a chegar a Almada do que uma grávida de Elvas demorará a chegar a Badajoz, para parir o seu bebé. A solução será construir uma maternidade na Fonte da Telha?

Em resumo, para primeiro número, o Sol desiludiu-me. Claro que, como é a primeira vez, pode ser que a coisa melhor. A nossa primeira queca é, habitualmente, um fracasso e, depois, a gente vai melhorando. O problema é que os fundadores deste jornal são já homens batidos. Tinham obrigação de fazer melhor.

Enfim… um novo semanário que, de certo modo, não me entusiasmou… mas, para a semana, pode ser que seja melhor…

Luis F… Vieira

Não faço comentários í  transcrição das escutas telefónicas entre o major Valentim Loureiro e o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

Não vou dizer que, afinal, LFV também teve uma palavra a dizer na escolha dos árbitros para determinados jogos. Não vou espantar-me por, mais uma vez, as transcrições das escutas, que deviam ser sigilosas, aparecem estampadas nos jornais.

Apenas quero chamar a atenção para o facto do presidente do Benfica ter sido um pouco malcriado.

Exemplo:

“Valentim Loureiro – Eu penso que ou o Lucílio… o António Costa, esse Costa não lhe dá… não lhe dá nenhuma garantia?

Luis Filipe Vieira – A mim?! Foda-se, o António Costa? Foda-se!… Isso é tudo Porto!

VL – E o Proença?

LFV – O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos foder!” 

Não me parece bem que um presidente de um clube de tão alto gabarito use termos destes, ainda por cima, estando ao telefone com uma pessoa tão educada e polida como o major Valentim Loureiro.

Por favor, Sr. Vieira, tenha tento na língua! Imagine que havia crianças a ouvir este telefonema?…

Uma boa ideia do Hospital Sobral Cid

Dois membros do conselho de administração do Hospital Psiquiátrico Sobral Cid, de Coimbra, foram exonerados.

Um dos motivos: o Hospital financiou a Académica de Coimbra.

Acho mal que tenham sido exonerados, se foi só por isso.

Parece-me uma excelente ideia.

Seguindo este exemplo, o Benfica podia passar a ser patrocinado pelo Hospital Miguel Bombarda e o Sporting pelo Hospital Júlio de Matos.

Assim, nas camisolas dos jogadores, em vez daquele incompreensível “Espírito Santo Mantorras”, ou “Espírito Santo Liedson”, poderíamos ver, por exemplo, “Simão Miguel Bombarda” ou “Ricardo Júlio de Matos”.

Digam lá se não tinha mais graça?

Abaixo as baixas!

Os jornais deram conta de uma investigação da Inspecção Geral de Saúde, segundo a qual, mais de metade das baixas médicas que os inspectores analisaram, não seriam justificadas. O ladino Macário Correia, presidente da Câmara de Tavira, veio a público insurgir-se contra este regabofe, contra esta espécie de aliança entre os médicos e os trabalhadores que não querem trabalhar. O especialista Vital Moreira, no seu artigo do Público, criticou o presidente da Ordem dos Médicos, por este ter afirmado que os médicos não são polícias, e propõe que se extinga a Ordem.

Ora bem, como médico, custa-me um pouco escrever sobre este assunto, já que estou directamente e diariamente envolvido nele.

No entanto, quero deixar aqui, apenas, alguns exemplos correntes:

1. Um doente vem í  consulta na quarta-feira, dizendo que tem estado há dois dias com vómitos e diarreia. Ficou de cama na segunda e na terça, porque, diz ele, nem tinha forças para se levantar. Não veio ao médico porque decidiu tratar-se com as mesinhas caseiras, o caldo de galinha, o arroz branco; os vómitos melhoraram, mas continua com diarreia. Que faço? Acredito no que ele me está a dizer e dou-lhe baixa desde segunda-feira, ou não colaboro com o regabofe e passo-lhe, apenas, uma declaração em como ele compareceu na consulta na quarta-feira, sabendo que eles ficará com dois dias de faltas injustificadas?

2. Uma doente refere que tem lombalgias intensas, que mal pode andar, razão pela qual já não vai trabalhar há três dias. Entretanto, foi tomando uns Trifenes e fazendo umas massagens com Reumon gel, mas a coisa não melhora. Observo-a. Custa-lhe fazer extensão e flexão da coluna, que também lhe dói a palpação. Medico-a em conformidade e passo-lhe cinco dias de baixa.

Volta í  consulta no fim da baixa, dizendo que a medicação não está a resultar e que a dor já se reflecte num dos membros inferiores. Prolongo-lhe a baixa, modifico a terapêutica e peço-lhe uma radiografia da coluna lombo-sagrada.

Regressa no fim da nova baixa, dizendo que a radiografia só estará pronta dali a 5 dias e que ainda não está melhor.

Que faço? Prolongo-lhe a baixa ou deixo de colaborar no regabofe?

3. Uma mulher de 80 anos vive sozinha com o filho. Ela recebe a reforma mínima, ele tem um trabalho indiferenciado, ganhando o ordenado mínimo. A velhota sofre um AVC e fica temporariamente acamada. O filho tem que cuidar da mãe, já que não tem mais ninguém. Para isso, terá que ter baixa. Só que a baixa para assistência í  família não é remunerada.

Que faço? Passo-lhe baixa por doença, a ele, para que ele possa cuidar da mãe, enquanto não se consegue arranjar um lar da Segurança Social, ou não colaboro com o regabofe e quero que eles, velhota e filho, se lixem, já que não tenho culpa nenhuma que ele só ganhe o ordenado mínimo?

4. Uma costureira de 55 anos ficou desempregada porque a fábrica foi í  falência. Está no Fundo de Desemprego, onde alguém a informa que o melhor é pedir baixa ao médico, caso contrário, corre o risco de ser chamada para empregada de limpeza ou outro trabalho qualquer pesado, e ela já não pode, porque está cheia de artroses.

Que faço? Colaboro com o regabofe ou mando-a dar uma curva?

Exemplos como estes são quase diários.

Os jornais, os inspectores da IGS, Macário Correia, Vital Moreira e muitos outros, parece que não fazem ideia do país em que vivemos, das situações sociais que, todos os dias, entram nos consultórios dos médicos do Serviço Nacional de Saúde.

Tenho a noção de que alguns dos meus doentes que estão de baixa talvez me estejam a enganar; se calhar, as costas não lhes doem tanto como dizem; se calhar, eles não gostam é de trabalhar; se calhar, aproveitam a baixa para fazer um biscate e arredondar o ordenado.

Se calhar…

Mas, sinceramente, não me sinto capaz de arcar com mais esta responsabilidade. A relação médico-doente é uma relação de confiança mútua e, se o doente me diz que se sente deprimido, que não dorme í  noite, que chora por tudo e por nada, que se sente ansioso, que está sem energia e que não consegue trabalhar, eu não hesito em fazer o diagnóstico de sindroma depressivo e dou-lhe baixa.

Não sei como se resolve este problema. Neste caso, estou sem ideias. Mas tenho a certeza de que não se resolve pedindo ao médico que, sempre que esteja perante um doente que diz que não consegue trabalhar, parta do princípio que o doente o está a enganar.

Agosto – minha mãe, estive no meu posto!

O malfadado mês de Agosto já lá vai! Já estamos no plácido mês de Setembro, que prepara o caminho para o glorioso mês de Outubro.

Isto é linguagem cifrada, claro.

Há doze anos, pelo menos, que não tiro férias em Agosto. Há doze anos, pelo menos, que Agosto é o mês em que mais trabalho: vejo os meus colegas irem de férias e regressarem de férias, tostados pelo sol, com os ventres mais dilatados e uns quantos quilos a mais e eu, enfezado e pálido, mas, cínico, murmurando: “a vingança serve-se fria… quando começarem as infecções respiratórias, estarei eu de férias e vocês terão que aturar os doentes tossindo, espirrando, projectando vírus em todas as direcções!”

Há doze anos, pelo menos, que aguento estoicamente todo o mês de Agosto, fazendo o meu trabalho e o dos que estão a banhos na Ericeira ou no Algarve.

Costumo dizer que não me importo.

Mas começo a importar-me.

A estaleca já não é a mesma, o poder de encaixe esmoreceu e – caramba! – este mês de Agosto fiz mais de 1200 consultas!

Em Agosto, minha mãe, estive no meu posto, mas confesso que não sei se aguentarei outro Agosto como este!

Engenheiros portugueses no Líbano

Portugal vai enviar uma companhia de Engenharia para o Líbano, para integrar a força da ONU.

Acho bem.

Pena é que os restantes países não sigam o nosso exemplo.

A França devia enviar uma companhia de Direito, a Itália enviava uma companhia de Letras, a Bélgica enviava uma companhia de Medicina e Farmácia e a Alemanha enviava uma companhia de Ciências.

Assim teríamos toda a Universidade Clássica no Líbano.

Talvez desse modo o Hezbollah e os israelitas se deixassem de bombardeamentos e aderissem ao espírito académico.