Para inglês ver…

A União Europeia sempre foi para inglês ver.

Puritanos, os ingleses da Old England sempre desprezaram os que viviam í  grande e í  francesa.

Aderiram í  CEE por puro spleen, porque não tinham mais nada para fazer.

Sempre desdenharam.

Diz-se que quem desdenha, quer comprar, mas os ingleses queriam, sobretudo, vender.

Agora, querem regressar ao velho British Empire, como se ainda mandassem na Índia e na ífrica do Sul e continuasse a ser rule Britannia, Britannia rules the waves.

Faz lembrar o Angola é nossa

Claro que Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente de todos os Presidentes, já emitiu a sua opinião.

No final do jogo contra a Hungria, Marcelo estabeleceu novas regras: no final dos jogos da selecção, os jornalistas têm que ouvir o seleccionador, um jogador de campo e o Presidente da República.

Marcelo tem sempre um opinião a emitir.

O que é que isto tem a ver com o Brexit?

Tudo!

Com a saída do Reino Unido, as quatro equipas nacionais britânicas vão passar a participar nos campeonatos da Commonwealth e deixamos de nos preocupar com a Inglaterra, o País de Gales e a Irlanda do Norte.

Resta a Escócia, que votou a favor do Remain e que merece todo o nosso amor.

I love scotch, if you know what I mean...

marcelo brexit

Ora vamos lá a explicar o que é uma selecção nacional de futebol

Vou explicar muito devagarinho porque há muita gente que não compreende bem, mesmo gente implicada na coisa.

ronaldoA Federação Portuguesa de Futebol contrata um treinador de futebol e atribui-lhe o cargo de seleccionador, a que corresponde um ordenado, um eventual horário de trabalho e objectivos a cumprir.

Durante algum tempo, esse senhor e alguns ajudantes, assistem a jogos de futebol em Portugal e não só, supostamente atentos aos jogadores com nacionalidade portuguesa.

Vão tomando notas e, ao fim de algum tempo, escolhem 23 jogadores de futebol que, na sua opinião, são os melhores nas respectivas posições em campo.

Esses 23 jogadores constituem a selecção nacional de futebol.

Nada mais.

Com Portugal, têm apenas em comum o facto de terem a nacionalidade portuguesa.

Portugal é um país soberano desde 1139, tendo sido fundado por um tal Afonso Henriques, que foi rei; em 191o, a monarquia deu lugar í  República e, desde 1974, Portugal é uma República democrática, com um Presidente eleito por sufrágio directo e um Governo, que emana da Assembleia da República, cujos deputados também são eleitos por voto directo.

Portanto, nada de confundir a selecção nacional de futebol com Portugal.

São coisas diferentes.

A selecção nacional é uma equipa de futebol, enquanto Portugal é um país.

Quando se diz que Portugal falhou, que Portugal não conseguiu ultrapassar a Islândia e a íustria, que Portugal, mais uma vez, esteve í  beira do sucesso mas voltou a fracassar, está-se a confundir uma simples e prosaica equipa de futebol com uma nação.

Uma nação de deprimidos, tristes e desgraçadinhos mas, ainda assim, uma nação!

A culpa de tudo isto é dos responsáveis pelo marketing.

Quem decidiu começar a dizer que a selecção era candidata ao título de campeã da Europa?

Terá sido no fim de uma daquelas reuniões em que se bebe mais do que se discutem ideias?

A nossa selecção de futebol é mediana, portanto, empatar com a Islândia e com a íustria, foram bons resultados.

Fernando Santos é um treinador triste.

Aliás, o que faz um engenheiro no futebol?

Ponham o homem a fazer pontes e chamem o Mourinho, se têm aspirações.

Quanto a Portugal, a discussão é outra: não vai ser o Ronaldo que nos resolve o défice, a dívida, as sanções.

O cabrão até um penalti falhou!

O espião que vendia azeite

Gil, Carvalhão Gil.

É o nome do nosso espião apanhado em flagrante delito.

Afinal, parece que foi em flagrante delitro – já que o espião afirma que só estava a vender azeite ao russo.

Numa esplanada de Roma, o nosso espião não veio do frio nem tinha licença para matar; pura e simplesmente estava sentado junto ao um colega russo e foram ambos apanhados com a boca na botija.

Dizem os jornais que Gil, Carvalhão Gil, vendia segredos da Nato aos russos por 10 mil euros.

Alega o nosso espião que não – apenas vendia azeite, para ultrapassar o embargo russo aos produtos europeus. E até pedia recibo.

Eis o espião português domesticado, que até pede recibo pelos segredos que vende ao inimigo.

Com espiões destes, os nosso Serviços Secretos não passam de secretos… de porco preto…

Irrevogabilidades e incompatibilidades

Em julho de 2013, Paulo Portas apresentou a sua demissão do Governo, em ruptura total com Passos Coelho. Parece que não gostou da nomeação de Maria Luis Albuquerque para o cargo da ministra das Finanças.

E disse que essa decisão era irrevogável.

Não foi, como se sabe.

Portas continuou no Governo e lá continuaria se não tivesse sido apeado por aquilo a que ele apelidou de geringonça.

Agora, com aquele ar digno de quem leva a República muito a sério, despediu-se da Assembleia da República e vai trabalhar para a Mota-Engil.

Vai ser colega do Jorge Coelho que, depois de ter sido ministro do Equipamento, aceitou o cargo de CEO na dita empresa.

Nada de incompatibilidades.

Coincidências.

Portas, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros, fez seis viagens í  América Latina; chamou-lhes diplomacia económica. A Mota-Engil fez parte de todas as comitivas.

Agora, a Mota-Engil criou o cargo de consultor para a América Latina e convidou Paulo Portas.

Nada de incompatibilidades.

Coincidências.

Simples coincidências…

Afinal, Portas faz o que todos fazemos: trata da vidinha dele.

Pena que faça de conta que é diferente…

Quem protege as lombrigas?

A Ordem dos Advogados aponta várias fragilidades aos projectos de decretos-lei destinados a aumentar a protecção dos animais, diz o Público.

O projecto do PS visa mudar o estatuto dos animais de companhia, de modo a que alcancem um estatuto jurídico intermédio, algures entre os objectos e as pessoas. Porque, neste momento, em termos jurídicos, um cão ou um gato não passa de uma coisa.

Ora, as advogadas encarregadas de elaborarem um parecer, Alexandra Reis Moreira e Sónia Cristóvão, dizem que “as evidências científicas apontam que, até em matéria de faculdades cognitivas, as capacidades de um cão ou um gato têm sido suplantadas por porcos”.

Portanto, por que razão a lei só abrange os animais de companhia?

No entanto, as advogadas também criticam o projecto do PAN, por alargar a protecção dos animais até aos invertebrados – e dizem, no seu parecer, “animais como as moscas ou vermes receberiam tutela penal contra maus tratos físicos”.

Por outras palavras: seria o fim da indústria dos mata-moscas e dos desparasitantes!

Da próxima vez que eu apanhasse a minha neta a coçar o rabiosque, teria que a repreender e dizer: querida, deixa lá as lombrigas em paz!

Da importância das vacas na política nacional

As vacas sempre ocuparam um lugar central na política nacional.

No tempo das vacas gordas, ninguém se lembra delas; vamos comendo e bebendo í  fartazana, até que se esgota a mama e as vacas emagrecem.

Depois, no tempo das vacas magras, temos saudades dos bifes e mantemo-nos a ervas.

Não somos indianos, mas a vaca, para nós, é sagrada.

No futebol, quando a bola não entra, é vaca.

A nossa colega, que se deixou engordar, passa a vaca.

Quando viajamos a meias, fazemos uma vaquinha.

A vaca está em todo o lado.

Até o nosso político mais duradouro, tem uma grande admiração pela vaca.

A começar pelo apelido, já que Cavaco tem uma sonoridade semelhante í  vaca.

E foi ele que disse, nos Açores, que tinha admirado o sorriso das vacas.

Se calhar, o homem tinha comido queijo “a vaca que ri” ao pequeno almoço e deixou-se influenciar.

Ora, se as vacas sorriem, por que não podem voar?

António Costa acredita que as vacas podem voar.

A oposição faz o trocadilho e diz que, se o António Gosta tanto vacas, passa a António Bosta.

Assunção Cristas diz que foi ministra da Agricultura e que viu muitas vacas e atesta que as vacas não voam.

Se calhar, Sãozinha, elas só voam quando estás de Costas…

Não querendo avacalhar mais o discurso, direi que uma vaca pode voar se lhe der na gana – basta querer.

E contra o querer, nada há a fazer!

Nem que a vaca tussa!

vacas

Eu gosto muito da minha escola

As escolas privadas que recebem subsídios do Estado decidiram pedir aos seus alunos que elaborassem uma redacção subordinada ao título em epígrafe, afim de atirarem com ela í  cabeça dura do António Costa, que está a tentar empurrar as criancinhas para a escola pública, expondo-as ao buling, í s drogas, ao sexo e aos esquerdistas.

De todas as redacções que os meninos fizeram, escolheram esta, da autoria da Constança, 12 anos.

“Eu gosto muito da minha escola.

Foi lá que aprendi a ler, a escrever e a rezar.
Os professores são todos muito bonzinhos, têm muita paciência para nós mas o pai disse-me que vão todos para a rua porque aquele primeiro-ministro monhé quer fechar a nossa escola. Também não percebo como deixaram um homem tão escuro chegar a primeiro-ministro. A mamã diz que a culpa é toda dos comunistas, que são aqueles que antigamente nos comiam a nós, criancinhas. que horror! Nem quero acreditar que existissem pessoas capazes de nos comer, embora eu, no outro dia, quando levei uma saia muito curta para a escola, ouvi o professor de geografia dizer que me comia toda… se calhar é comunista e é muito bem feita que seja despedido, mas os outros não, coitadinhos. O pai também diz que a culpa não é só do António Costa, mas também do tal comunista Jerónimo e da Catarina Martins, que é a chefe de um partido chamado Bloco de Esquerda, que é um nome muito estranho porque se é bloco não devia ser partido. Se o António, o Jerónimo e a Catarina conseguirem fechar a minha escola, o que vai ser das aulas de equitação, do ioga, da flauta e da culinária? A mamã já disse que não vai ter dinheiro para pagar esses luxos porque ou é isso ou o cruzeiro í s Bahamas e a manutenção do jipe. Mas também diz que o Dr. Pedro Passos Coelho nos vai salvar a todos, derrotar os esquerdistas e conseguir que continuemos a receber o dinheiro do Estado, porque os nossos pais têm o direito de escolher onde querem que os seus filhos aprendam a ler, a escrever e a rezar, como muito bem disse o nosso Patriarca de Lisboa. Que Deus nos ajude!”

Inaugurar coisa nenhuma!

António Costa convidou Passos Coelho para a inauguração do túnel do Marão.

Coelho declinou e disse que nunca esteve numa obra de inauguração enquanto liderou o Governo. “Nem de estradas, nem de auto-estradas, nem de pontes, nem de coisa nenhuma”. (sic)

Vamos lá a contas: só no ano passado, e segundo o pasquim Observador, que só não limpa o rabo ao Coelho porque não existe em papel:

Em Maio, Coelho inaugurou coisa nenhuma no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Alijó.

Em Julho, inaugurou coisa nenhuma nos Edifícios Centrais do Parque Tecnológico de í“bidos.

Em Agosto, inaugurou coisa nenhuma na ponte da foz do rio Dão.

E ainda: em 2014, em Março, inaugurou a coisa nenhuma da sede da Políca Judiciária.

Em Setembro desse ano, inaugurou a coisa nenhuma do quartel da GNR de Estremoz e, em Setembro, a coisa nenhuma do hospital privado de Vila do Conde.

E não é preciso escavar mais.

O homem não inaugurou coisa nenhuma porque coisa nenhuma tem importância para ele.

Dou-te mais seis meses de vida política, pá…

passos pensa

 

Dos buracos no asfalto ao glifosato – idiosincrasias portuguesas

Noticia o Público que “uma brigada de funcionários da Câmara de Vila Franca de Xira que se encontrava a tapar alguns buracos da Estrada de Alfarrobeira, que liga Alverca a Vialonga, foram abordados por uma patrulha da PSP, que emitiu um auto de contra-ordenação e uma notificação para pagamento de uma multa de 600 euros.”

Ora essa! Porquê?!

Porque “a Polícia assegura que a brigada do serviço de obras não cumpriu as normas de sinalização e de salvaguarda da sua própria segurança e da segurança dos automobilistas que ali circulavam”.

Por outras palavras: eles que deixassem a estrada com buracos, que assim ficaria muito mais segura!

A explicação desta atitude idiota da polícia é dada por outra notícia, esta do Expresso, segundo a qual, foi detectado glicofosato em portugueses.

De facto, um estudo efectuado pela Plataforma Transgénicos Fora, detectou níveis elevados de glicofosato, o herbicida mais usado em Portugal, na urina de 26 pessoas do Grande Porto.

Este herbicida é considerado “carcinogéneo provável para o ser humano pela OMS”, mas também não deve ser muito bom para a saúde mental.

Ora, sabendo nós que o nossos polícias comem muitas saladas afim de se manterem em forma e, desse modo, apanharem os ladrões, é natural que estejam cheios de herbicida e comecem a bater mal da mona, multando operários que se limitam a tapar buracos no asfalto!

Conversas em Família nunca mais! 25 de Abril sempre!

E é por isso que, para mim, o 25 de Abril será sempre recordado!

Ora tomem lá alguns excertos da Conversa em Família, do Presidente do Conselho, Marcello Caetano, de 4 de Julho de 1972 (recordo que esta Conversa era transmitida pela RTP, canal único de televisão; o sr. Presidente estava sentado num cadeirão, ao lado de uma lareira e falava-nos em tom professoral e condescendente, como qualquer ditador bom, por oposição ao ditador mau, o que tinha caído da cadeira):

Desde que o Senhor Almirante Américo Thomaz se presta ao sacrifício de continuar a exercer a Presidência da República, onde, dom tanta dignidade e devoção, tem servido os supremos interesses do País, só temos de agradecer a Deus o não sermos forçados a difíceis opções.”

Sobre a guerra colonial:

“Guerra colonial?
O sentido da frase é só um: chamou-se assim í s campanhas outrora sustentadas por uma potência para submeter um território ao seu domínio, combatendo a rebelião das populações ou anexando países em estado primitivo.
Ora é fácil de ver que nada disso se verifica no Ultramar português.
Os territórios das províncias ultramarinas estão em paz e ninguém neles contesta a sua integração na Nação portuguesa.
Percorre-se a Guiné, anda-se pela vastidão da terra angolana, desloca-se quem quer que seja de lés a lés de Moçambique e não encontra populações revoltadas.
A vida decorre, por toda a parte, tranquila e normal, num ambiente de trabalho e de entendimento exemplares.
…e se a paz está perturbada, isso deve-se í s guerrilhas que sem o apoio político, financeiro e militar de potências estrangeiras, teriam desaparecido há muito”.

E Marcello sabia como se deviam construir as sociedades africanas:

“As sociedades africanas têm que ser construídas fraternalmente pelos brancos e pelos pretos, fornecendo uns a sua experiência e tecnologia, e dando os outros os elementos válidos da sua cultura.”

As Conversas em Família foram alguns dos momentos mais tristes de uma ditadura saloia, pobre, isolada e envergonhada.