Votos para 2013

De adoecer teremos medo
por causa do Macedo

Fugiremos para as hortas
escondendo-nos do Portas

Até gritaremos por Jesus
fugindo da Teixeira da Cruz

Apagaremos todas as pistas
para nos escondermos da Cristas

Atrás da mesa, debaixo do banco
para escaparmos ao Aguiar-Branco

Assim ou de de qualquer maneira
safamo-nos do ílvaro Santos Pereira

Pelos infantários e pelos lares
havemos de fugir ao Mota Soares

E nem que seja o último acto
esgueiramo-nos do Nuno Crato

E também não é segredo
que nos pisgasmos do Miguel Macedo

E nem que tenhamos que ir a Elvas
havemos de nos desenvencilhar do Relvas

Mas para isso há que arrasar
tudo o que venha do Gaspar

E como último conselho:
mandem lixar o Coelho!

Ai de ti se adoeces!

«Por mais impostos que possamos cobrar aos cidadãos, o SNS, mais tarde ou mais cedo, será insustentável. Não basta só cobrar impostos. É preciso que as pessoas façam alguma coisa para que recorreram menos aos serviços».

(- Francisco Leal de Costa, secretário de Estado da Saúde)

Hoje estava mesmo a apetecer-me apanhar uma gripe.

Conheço uma pessoa que está na cama com gripe. Ia lá a casa e pedia-lhe para tossir directamente para a minha cara. Várias vezes.

Depois, quando começasse a ter dores no corpo e febre, ia ao SAP para que o médico me receitasse muitos medicamentos, pedia-lhe alguns dias de baixa e enfiava-me na cama a ler tio patinhas.

Mas depois lembrei-me da entrevista do nosso secretário de Estado da Saúde e desisti da ideia.

Já avisei os meus netos que, este ano, não podem ter otites, nem amigdalites, e se se atreverem a ficar ranhosos, a única que lhes vou fazer é assoá-los e caso estejam a pensar ficar com diarreia, podem contar com uma rolha!

Não podemos ficar doentes, senão o Passos Coelho tira-nos, também, o Serviço Nacional de Saúde!

Parabéns, Pedro!

Desta vez conseguiste a unanimidade dos comentadores.

Definitivamente, escreves como falas e falas como governas: mal!

* «O contacto directo com os cidadãos não se confunde com exercícios patéticos, nos quais o primeiro-ministro se deixa substituir pelo Pedro através de uma redacção medíocre, com laivos de um sentimentalismo bacoco que ainda por cima revelam as insuficiências notórias do primeiro-ministro que temos»

– Constança Cunha e Sá, no i

* «O primeiro-ministro (…) serviu aos portugueses, que se deram ao trabalho de o ler, 14 linhas de uma prosa lamecha e repugante, que trivializa e degrada os problemas do país. (…) entrar pela casa de uma pessoa, já preocupada com as desgraças que dia a dia se acumulam, para lhes falar do “orgulho dos sacrifícios” e das “decisões difíceis” que ele, coitadinho, está a tomar, excede o tolerável»

– Vasco Pulido Valente, no Público

* «Pedro e Laura escreveram no Facebook uma redacção infantil e politicamente desastrada»

– Fernando Madrinha, no Expresso

* «Não, “Pedro e Laura”, na mesa de Natal de muitos portugueses o que preocupa não é a falta de rabanadas, nem brinquedos, nem pessoas, mas sim o facto de lá estar sentado o medo, a indignidade, a vergonha e o desespero, coisas que não vêm em estatística nenhuma. E isso não garante futuro nenhum que valha a pena viver, nem aos pais, nem aos filhos, nem aos netos».

– Pacheco Pereira, no Público

* «O Pedro e a Laura decidiram brindar os que os seguem na página do Facebook na internet com um texto sobre as dificuldades que os portugueses estão a sentir. O tom é piegas. O texto está mal escrito»

– Martim Silva, no Expresso

Pedro, o medíocre triste

A mensagem de Natal que Pedro Passos Coelho colocou no Facebook, não é um simples fait diver.

Aqueles três parágrafos revelam muita coisa – revelam que Passos Coelho, além de medíocre, é triste.

Começa ele por nos dizer que «este não foi o Natal que merecíamos». E porquê?

Porque «muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos que se habituaram». Por outras palavras: habituados a morfarem perus obesos, cabritos informes e manadas de bacalhaus, as famílias tiveram que se contentar com uma sardinha e pão com azeitonas.

Comíamos acima das nossas possibilidades!

Mas Pedro diz mais: «Muitos não conseguiram ter a família toda í  mesma mesa». E porquê?

Aqui, as dúvidas são muitas: a família aumentou e a mesa é mais pequena e não cabem todos í  mesa e alguns tiveram que comer em pé? A família não aumentou mas a mesa encolheu? A mesa é a mesma, mas alguns elementos da família seguiram o conselho do Pedro e emigraram? As famílias decidiram fazer cisões e os avós sentaram-se uma mesa, enquanto os filhos e os netos se sentaram a outra mesa?

Pedro não esclarece, mas acrescenta: «E muitos não puderam dar aos filhos um simples presente.»

Quer dizer: armaram-se ao pingarelho e, em vez de darem um simples presente, deram um presente complicado!

A seguir, Pedro diz algo de muito estranho: «Já aqui estivemos antes».

Aqui, onde, pá?

E acrescenta: «Já nos sentámos em mesas em que a comida esticava para chegar a todos, já demos aos nossos filhos presentes menores porque não tínhamos como dar outros»

Ah! estás a fazer poesia, Pedro!…

Falas em sentido figurado… «já nos sentámos em mesas em que a comida esticava para chegar a todos»… e estamos a voltar a esses tempos em que éramos pobres mas honrados, em que estávamos orgulhosamente sós, em que, em qualquer casa portuguesa, bastava pão e vinho sobre a mesa. E, no fundo, tu achas que isso foi bom, formou o nosso carácter, ensinou-nos a não sermos exigentes, a contentarmo-nos com pouco.

No terceiro parágrafo, Pedro diz: «peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor»

Por outras palavras: Pedro pede-me para, quando eu olhar para os meus filhos e netos, não olhe com pesar, mas com orgulho.

E não poderei olhar com pesar e orgulho?

Porquê a conjunção adversativa “mas”, entre “pesar” e “orgulho”?

O resto da frase não faz qualquer sentido: «o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje… fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor»?

Os sacrifícios fazemo-lo?!

Depois da patética mensagem de Natal transmitida pela televisão, Pedro quis emendar a mão e fazer de conta que é muito bonzinho e está muito preocupado com as famílias.

Fez mal.

O texto que publicou no Facebook é uma redacção medíocre e até tem erros gramaticais.

O meu professor da Escola Primária ter-lhe-ia dado 4 valores, numa escala de 20.

Uma vergonha de coelho!

No passado dia 21 de Dezembro, na Assembleia da República, Passos Coelho disse:

«2013 será um ano de viragem» e 2014 será o ano de «recuperação da actividade económica».

A deputada Heloísa Apolónia ficou mais verde do que já é e disse:

«O senhor veio aqui, há uns tempos atrás, veja se se lembra, por favor, dizer que o ano de 2012 era o ano de viragem, e que 2013 era o ano da retoma do crescimento!»

Passos Coelho ficou irritado e ripostou:

«Senhora deputada, isso é uma falsidade! Nunca disse isso em lado nenhum, e desafio a senhora deputada a trazer afirmações minhas nesse sentido. Senhora deputada, não podemos dizer tudo aquilo que nos apetece sem sermos confrontados com a realidade. Não é assim, isso é falso, senhora deputada!»

E, no entanto, basta consultar os registos do Parlamento para verificar que o primeiro-ministro disse, a 6 de Janeiro deste ano, isto:

«Vamos ter um ano de grandes exigências, mas que será também um ano de viragem económica para o país, é aquilo em que o governo, e eu próprio, firmemente acreditamos».

Em que ficamos?

Afinal, parece que “podemos dizer tudo aquilo que nos apetece sem sermos confrontados com a realidade”, desde que sejamos primeiro-ministro e tenhamos deixado, há muito, de ter vergonha na cara!

O que é uma calúnia tosque?

Ainda havemos de saber por que razão Passos Coelho defende Miguel Relvas contra tudo e contra todos.

passos_relvasO Relvas é uma espécie de rei Midas ao contrário: em tudo o que toca, faz merda.

Foi a história da sua própria licenciatura, é a extinção das freguesias, as trapalhadas com a RTP, a transparência opaca da privatização falhada da TAP – tudo o Passos Coelho aguenta!

Ontem, no Parlamento, João Semedo, do Bloco, perguntou a Passos Coelho qual tinha sido o papel do Ervas no processo de privatização da TAP.

Irritado, Passos respondeu:

«A insinuação de que existe qualquer falta de transparência de membros do governo no processo de privatização não passa de uma calúnia tosque». (confirmar aqui)

Uma calúnia tosque?

Mas o que raio será uma calúnia tosque?

Passos fica tão nervoso quando atacam o seu querido Ervas que desata a falar com neologismos!

Perigoso…

A verdadeira profecia Maia: o fim do Sporting

Pois é: os maias não previram o fim do mundo, mas sim o fim do Sporting.

E não erraram por muito, já que o Sporting está no 10º lugar da Liga, com apenas mais 4 pontos do que o último classificado.

Os peritos há muito que esperavam por uma coisa destas.

Havia indícios.

Enquanto o Benfica tem o nome de um bairro de Lisboa e o FC Porto tem o nome da sua cidade, o Sporting é o gerúndio de “sport” – e, como se sabe, um gerúndio não anda, vai andando…

Além disso, há até alguma polémica em redor da pronúncia correcta. Será mesmo Sporting ou Sporte? Ou mesmo Zeborden?

Acresce o facto de o estádio do Sporting se situar no Campo Grande, mas chamar-se Alvalade, que é uma zona completamente diferente de Lisboa.

O equipamento escolhido também não foi feliz.

Quiseram ir buscar uma cor da bandeira nacional e escolheram o verde, mas não tiveram coragem de se vestirem todos de verde e optaram pelas riscas verdes e brancas.

Já o povo diz: está verde? não presta…

Estas contradições indiciavam o pior e o pior está a acontecer.

E como não têm um Jesus, arranjaram um Jesualdo.

Que dizer de um treinador que já nem os gregos querem?

O mundo não acabou, mas o Zeborden vai acabando…

Obsessão amorosa í  moda da Madeira

Hoje estava para escrever um texto sobre a privatização da TAP, tão transparente que ninguém sabe como vai ser, ou sobre a visita do Passos Coelho í  Turquia e o facto do gajo falar tão mal inglês – aliás, falar tão mal em inglês como fala em português -, ou sobre os Pandur comprados por Paulo Portas e cujas contrapartidas nunca foram realizadas (e não esquecer os submarinos), ou sobre o Orçamento de 2013, que me vai lixar completamente o meu rendimento e que me vai obrigar a trabalhar cerca de 9 meses para pagar os impostos.

Estava para escrever uma merda qualquer para humilhar estes cabrões todos, mas o Diário de Notícias, como é habitual, proporcionou-me uns momentos de descontracção com a notícia intitulada “Paixão obsessiva leva mulher a raptar homem”, da autoria de Lília Bernardes, proveniente do Funchal.

E não resisti.

Ora, comecemos:

«Paixão não correspondida associada a um alegado distúrbio de personalidade levaram uma mulher de 47 anos, apoiada por duas amigas de 17 e 18 anos, a sequestrar na Madeira um homem de 57 anos de idade, mantendo-o durante quatro dias no interior de uma residência localizada no município da Ponta do Sol. Segundo a PJ, o trio está “fortemente indiciado pela prática de crime de sequestro”»

A história promete… Aposto que muitos homens de 57 anos pagariam para ser sequestrados por três mulheres, sobretudo quando duas delas têm 17 e 18 anos… mas para a PJ, que é uma desmancha-prazeres, isto é crime!

Curioso, também, o facto da jornalista, além de ter dificuldade em colocar vírgulas no texto, frisar que as mulheres mantiveram o homem sequestrado “no interior de uma residência”. Ainda bem que não o mantiveram no exterior…

Mais í  frente, outra informação curiosa:

«De acordo com as informações recolhidas, o homem não terá sofrido maus tratos durante o cativeiro, tendo sido as próprias mulheres a libertá-lo devido a um agravamento do seu estado de saúde».

Imagino o que é que aquelas três malucas terão feito ao pobre do homem, que ficou tão fraquinho que o tiveram que libertar! Chupadinho das carochas, certamente!

E a jornalista acrescenta:

«Trata-se, portanto, e segundo uma fonte consultada pelo DN, da história de uma mulher de 47 anos que dá sinais de uma “obsessão amorosa”, definindo-se por um conjunto de ideias fixas ou pensamentos de carácter persecutório, em que a vontade do outro é não é levada em conta».

Não, não me enganei, é mesmo assim: «é não é levada em conta».

E ainda:

«Ou seja, a mulher tinha a “sensação” de que o homem gostava dela e que sem uma relação com ele a sua vida não teria sentido í  vida, não lhe importando se era correspondida ou não».

E mais uma vez, não, não me enganei, é mesmo: «a sua vida não teria sentido í  vida»!

Uma pessoa lê e não acredita!

Lília Bernardes explica que «esta história só chega í s malhas da justiça porque houve uma denúncia e queixa por parte do visado ou familiares».

Ainda bem, caramba! Se não, a malta não conheceria esta história maravilhosa…

Ou, como diz a jornalista: «a história morria entre quatro paredes».

Xiça!

Lerpar não é crime!

Foi com alívio que li a notícia que o Diário de Notícias publicou no passado dia 13, da autoria de Alfredo Teixeira.

A notícia tem por título: «Tribunal decide que jogar lerpa é legal» e deixa-nos mais descansados. A todos!

Teixeira começa assim:

«O proprietário e um cliente de um café de Guimarães foram apanhados a jogar “lerpa”. Condenados em primeira instância a penas de multa, os arguidos recorreram e viram agora o Tribunal da Relação de Guimarães dar-lhes razão. Foram absolvidos porque, diz o acórdão, a “lerpa” não está tipificada na lei nem integra a lista dos jogos de fortuna e azar que apenas são permitidos em casinos».

Quando comecei a ler a notícia fiquei verdadeiramente assustado. Os dois valentes vimaranenses foram apanhados por quem? Então, uma pessoa já não pode estar calmamente a jogar í  lerpa sem correr o risco de ser apanhado? Terá sido a GNR ou a ASAE?

Mas Teixeira continua:

«Os factos remontam a fevereiro de 2009, tendo proprietário e cliente sido apanhados pelas autoridades a jogar numa das mesas do café. O dono do estabelecimento, então com 38 anos, já explorava o café há cerca de 20.»

Ora aqui está uma informação incompleta: por que razão A. Teixeira nos revela a idade do proprietário e não a do cliente? E será que o facto do homem já ser proprietário do café há 20 anos tem relevância para o caso? Será que os proprietários de longa data podem jogar í  lerpa e os proprietários recentes não podem?

Adiante.

Ficamos a saber, mais í  frente, que «o empresário foi condenado a 220 dias de multa, í  taxa diária de sete euros, num total de 154o euros. O cliente í  multa de 747,5 euros».

Curiosa, esta dualidade de critérios: será que o proprietário, por sê-lo, tem mais responsabilidade que o cliente? Ou será que paga mais multa porque tinha melhor jogo? Teixeira não esclarece.

Não esclarece esse pormenor mas esclarece-nos sobre a lerpa, poupando-nos o trabalho de ir googlar o termo.

E ensina-nos:

«A lerpa é praticada com um baralho de 40 cartas e pode ter entre um mínimo de três e máximo de 13 jogadores que acordam no início quem dá as cartas e quem tira o trunfo e o valor da “casadela” que é a aposta mínima obrigatória para todos os jogadores. Lerpar é não fazer nenhuma basada e nesse caso é-se obrigado a repor uma quantia monetária igual í  da jogada anterior mais a sua “casadela”».

Jogo complexo, hein?!

Ora, vamos lá a ver: acham que este é um jogo daqueles que só deviam ser jogados em casinos e, portanto, seria ilegal os dois homens estarem a jogá-lo num local público?

Foi esta dúvida colossal que o Tribunal da Relação de Guimarães teve que resolver.

E A. Teixeira continua:

Â«É um jogo cujo resultado, como o tribunal deu como provado, “é aleatório, estando fundamentalmente dependente da sorte”, embora o jogador possa beneficiar da “perícia” na recolha e no embaralhar das cartas, da capacidade de fazer bluff ou da destreza e memória visual. “Será sempre a sorte (ou o azar) a ditar o resultado final do jogo”, refere o tribunal. A Relação de Guimarães reapreciou o acórdão e concluiu que o jogo dos autos “apesar de ser um jogo ‘aleatório’, não é obviamente um jogo que se desenvolva em máquinas, nem é um dos jogos descritos numa das alíneas a) a e) do nº1 do artigo 4º da Lei do Jogo”, como é o caso de outros tal como o bacará, a banca francesa, a roleta francesa, a roleta americana, o black jack/21, o bingo e jogos em máquinas».

Ora toma!

Aqui está um acórdão histórico: a lerpa pode ser jogada em locais públicos!

Mais uma vez Guimarães fica ligada í  História de Portugal: além de ter sido o berço da Nação, foi também nela que ficou decidido que lerpar é legal!

Obrigado Diário de Notícias, por teres divulgado esta excelente notícia, sobretudo em tempos de crise.

E parabéns, Teixeira!

Grande texto, pá!

O Papa já twitta!

O Papa enviou a sua primeira mensagem no Twitter.

Rezava assim (verbo bem utilizado):

papa-estreia-se-no-twitter-1d0f«Queridos amigos é com alegria que entro em contacto convosco via Twitter. Obrigado pela resposta generosa. De coração vos abençoo a todos».Original, não?

A página do Papa no Twitter é Pontifex.Pontifex é de morrer a rir!

Há fotos do velhote, sentado em frente a um iPad, com o dedinho espetado e uma série de papalvos a olhar para aquilo como se fosse o milagre da multiplicação dos pães.

O Papa a twittar – olha que coisa extraordinária!

Ainda se fosse Deus!…