Discussão aberta í  porta fechada

Passos & Moedas decidiram organizar uma conferência aberta í  sociedade civil, destinada a discutir a reforma do Estado.

A senhora que organizou a conferência, a mando de Passos & Moedas, disse, na sessão de abertura (a única que podia ser filmada/gravada), que é preciso “criar condições para um debate aberto, livre, profundo, participado e construtivo”.

Por isso mesmo, a organização impí´s, como regra, que os jornalistas, embora possam assistir í s sessões da conferência, não podem gravar sons nem imagens, nem usar citações sem autorização dos oradores.

A maioria dos jornalistas presentes, abandonou a sala.

Não percebo porquê.

Haverá lá debate mais aberto, livre, profundo, participado e construtivo do que ficarmos a falar sozinhos?

Não é verdade que, quanto mais aberto se é, mais fechado se fica?

E quanto mais livre nos julgamos, mais presos estamos?

E quanto mais profundo se afirma, mais superficial se parece?

E quanto mais participado se pretende, mais isolado se acaba?

E quanto mais construtivo se quer, mais destrutivo se é?

Passos aprendeu isso na Interforma.

Moedas descobriu isso ao ler o relatório do FMI, o tal que ele acha “muito bem feito”.

E quanto a nós, que elegemos estas criaturas, queixamo-nos de quê?

 

A soneca do cabo da GNR de Valpaços

O Diário de Notícias é insubstituível.

O que seria de mim sem estas deliciosas notícias, enviadas pelos correspondentes.

Desta vez, a notícia vem de Valpaços e é da responsabilidade de José António Cardoso e Paula Carmo.

E foram necessários dois jornalistas porque a história é complexa.

Vamos a factos:

«Carlos Nogueira, 43 anos, militar da GNR, agora a prestar serviço em Mirandela, foi condenado a dois meses de prisão, pena substituída por 60 dias de multa í  taxa diária de sete euros por, segundo o tribunal, ter abandonado o seu comandante de patrulha quando exercia funções na cidade Valpaços».

Dois meses de prisão por abandonar o comandante em plena patrulha? Não será pouco?

Avancemos na redacção:

«O militar agora condenado confirmou em tribunal que foi indigitado para o patrulhamento da cidade transmontana entre  a uma e as nove da manhã, e que saiu juntamente com o comandante de patrulha, o qual, logo no início, lhe ordenou que conduzisse a viatura em que se deslocavam.»

Tudo normal: o comandante mandou que o outro fosse a conduzir. Por isso mesmo era o comandante! Avancemos:

«Cerca das quatro horas (…) o cabo terá indicado a central de camionagem como destino. Lá chegados, teria mandado encostar o jipe entre dois autocarros e de imediato “rebaixou as costas do banco, informando-me que queria dormir.»

Claro que esta é a versão do militar. Como sabemos, um comandante não dorme, descansa os olhos…

Perplexo, Carlos Nogueira prossegue a sua narrativa: “Ainda perguntei e a patrulha? Vai tu se quiseres, eu vou dormir, pois amanhã tenho que fazer uns biscates de construção civil, a GNR para mim é um part-time”.

Carlos Nogueira ficou sem palavras e, assim que o comandante começou a roncar, nos braços de Morfeu, foi-se embora e participou os factos.

Ah! grande comandante! Queres patrulhar Valpaços? Vai tu, que eu tenho que bater uma sorna porque amanhã vou fazer cimento! Isto de ser GNR é só para garantir a reforma! A minha vida não é isto!

Naturalmente, o pobre do Carlos Nogueira foi condenado a dois meses de prisão.

Quanto ao comandante, quem sabe, terá sido promovido?

Erotismo ou pornografia?

Notícia do DN de hoje:

«O Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada considerou que os espectáculos eróticos são de cariz artístico e, por isso, o imposto de valor acrescentado deve ser cobrado í  taxa reduzida».

Resumindo a história: o Salão Erótico de Lisboa cobrou bilhetes com 5% de IVA. A Administração Fiscal considerou que o evento era “pornográfico, com sexo ao vivo e exposição física”, pelo que os bilhetes deveriam ter 21% de IVA.

Segundo a lei, a taxa reduzida de 5% aplica-se a “espectáculos, provas e manifestações desportivas, práticas de actividades físicas e desportivas e outros divertimentos públicos”, excluindo, portanto, “espectáculos de carácter pornográfico ou obsceno”.

Se assim fosse, a organização do Salão Erótico teria que pagar, com juros, 157 mil euros de multa.

Mas o Tribunal decidiu: aquilo não foi pornográfico – foi erótico.

Portanto: sexo artístico paga 5% de IVA; sexo í  bruta, paga 21%.

Isto não será inconstitucional?

Passos Coelho – um caso perdido

O nosso primeiro-ministro é um verdadeiro “case study”.

O homem não acerta uma!

Não está preparado para governar, faz tudo o que o Gaspar manda e fala, fala muito.

E eloquência não é como ele.

Ontem, ao ouvir cantar as janeiras, decidiu dirigir-se aos portugueses “que vivem em dificuldades”, para desejar “que consigam vislumbrar ao longo deste ano aquilo que se chama a luz ao fundo do túnel, quer dizer, um motivo de esperança para perceberem que nós não estamos a iniciar um ciclo vicioso de que não conseguimos sair”.

Mas o que será “aquilo que se chama a luz ao fundo do túnel”?

E o que será um “ciclo vicioso”?

Por que é que o gajo não diz, simplesmente: aguentem-se que havemos sair desta merda!?

Mas Passos Coelho ainda disse mais coisas!

Disse ainda que estamos “apenas a vislumbrar a saída de um período difícil que estamos a completar, porque outra forma não há senão passar por ele e resolver os problemas”.

Mas que salganhada é esta?

Para além da fixação no verbo “vislumbrar”, Coelho é daquelas pessoas que quer falar difícil para fazer de conta que é muito culto – e depois, mete os pés pelas mãos e ninguém entende o quer dizer.

É o que vos digo: estamos tramados!

 

 

O polvo? Nem unido!…

Notícia do DN de hoje:

«Os militares da Unidade de Controlo Costeiro da GNR apreenderam na passada sexta-feira, “nas imediações” da lota de Póvoa do Varzim, 369 quilos de polvo fresco por declarar».

É o que acontece ao polvo fresco quando não se declara…

Bastava que declarasse: “Nós somos polvo fresco” e os militares da GNR deixavam passar a coisa.

E a notícia continua:

«esta apreensão verificou-se no decurso de uma acção de fiscalização realizada naquele dia por militares do subdestacamento de Controlo Costeiro de Esposende, e que apreenderam o polvo fresco “por fuga í  lota”».

Estou a imaginar 369 de quilos de polvo fresco a fugir í  lota… todos aqueles tentáculos em movimento e os garbosos militares de Esposende em perseguição do malandro do polvo e ele a fugir-lhes por entre os dedos porque, como se sabe, o polvo é muito escorregadio…

Mas os militares levaram a melhor e explicaram que – voltemos í  notícia – «todo o pescado fresco deve obrigatoriamente ser entregue ou leiloado na lota». E quem não o fizer incorre numa “coima de 44 891 euros e a perda do pescado apreendido».

Gosto do preciosismo da coima: 44 891 euros. Não podiam arredondar para 44 900, por exemplo?

De qualquer modo, o polvo acabou preso.

É sempre o polvo quem se lixa!

Depardienine e Bardotvich

Gérard Depardieu acha injusto pagar tantos impostos ao Estado francês.

Em vez de fugir aos impostos, como os portugueses, decidiu requerer a cidadania russa e passar a pagar impostos ao Estado russo.

Putin, esse grande humorista, concedeu-lhe logo passaporte russo.

Depardieu – que deve mudar o nome para Depardienine, em memória desse grande democrata que foi Estaline – elogiou a Rússia, como pátria dos direitos humanos.

Além de gordo, o homem está demente.

Mas eis que Brigitte Bardot lhe segue o exemplo e ameaça requerer, também, a nacionalidade russa.

E não, não é por causa dos impostos, é por causa de dois elefantes com tuberculose.

Pausa para rir…

O tribunal de Lyon decidiu que os elefantes Baby e Nepal, ambos pertencentes ao circo Pinder e ambos sofrendo de tuberculose, terão que ser abatidos.

Bardot uivou: «se os que têm poder neste país são suficientemente cobardes e sem vergonha para matarem os elefantes, então decidi que vou pedir a nacionalidade russa para sair deste país, que se tem tornado num cemitério de animais».

Ora toma!

E lá se vai a Bardotvicth para a Rússia que, como se sabe, preserva os elefantes como ninguém – basta ver as trombas do Putin e do Medvedev…

164 especialistas? Puf!…

O Tribunal de Contas advertiu o Governo para o facto de ter recrutado 164 especialistas que são pagos a peso de ouro.

Segundo o TC, três desses especialistas ganham entre 4615 e 5775 euros e os restantes recebem entre 3069 e 3892 e parece que também têm direito aos subsídios de natal e de férias, ao contrário dos restantes funcionários públicos.

O TC está ainda mais intrigado pelo facto de 15% desses 164 especialistas terem idades entre os 25 e os 29 anos, o que leva a supor que, para serem especialistas, devem ter terminado o curso aos 15 ou 16 anos.

O Tribunal de Contas está a ser injusto.

Com tanta merda que tem feito, 164 especialistas até são poucos para ajudar este governo!…

Votos para 2013

De adoecer teremos medo
por causa do Macedo

Fugiremos para as hortas
escondendo-nos do Portas

Até gritaremos por Jesus
fugindo da Teixeira da Cruz

Apagaremos todas as pistas
para nos escondermos da Cristas

Atrás da mesa, debaixo do banco
para escaparmos ao Aguiar-Branco

Assim ou de de qualquer maneira
safamo-nos do ílvaro Santos Pereira

Pelos infantários e pelos lares
havemos de fugir ao Mota Soares

E nem que seja o último acto
esgueiramo-nos do Nuno Crato

E também não é segredo
que nos pisgasmos do Miguel Macedo

E nem que tenhamos que ir a Elvas
havemos de nos desenvencilhar do Relvas

Mas para isso há que arrasar
tudo o que venha do Gaspar

E como último conselho:
mandem lixar o Coelho!

Ai de ti se adoeces!

«Por mais impostos que possamos cobrar aos cidadãos, o SNS, mais tarde ou mais cedo, será insustentável. Não basta só cobrar impostos. É preciso que as pessoas façam alguma coisa para que recorreram menos aos serviços».

(- Francisco Leal de Costa, secretário de Estado da Saúde)

Hoje estava mesmo a apetecer-me apanhar uma gripe.

Conheço uma pessoa que está na cama com gripe. Ia lá a casa e pedia-lhe para tossir directamente para a minha cara. Várias vezes.

Depois, quando começasse a ter dores no corpo e febre, ia ao SAP para que o médico me receitasse muitos medicamentos, pedia-lhe alguns dias de baixa e enfiava-me na cama a ler tio patinhas.

Mas depois lembrei-me da entrevista do nosso secretário de Estado da Saúde e desisti da ideia.

Já avisei os meus netos que, este ano, não podem ter otites, nem amigdalites, e se se atreverem a ficar ranhosos, a única que lhes vou fazer é assoá-los e caso estejam a pensar ficar com diarreia, podem contar com uma rolha!

Não podemos ficar doentes, senão o Passos Coelho tira-nos, também, o Serviço Nacional de Saúde!