A marcar passos, Coelho…

Num futuro próximo, o PSD, liderado por Passos Coelho, ganha as eleições com maioria relativa. O PSD e o CDS juntos, têm praticamente o mesmo número de votos que o PS, o PCP e o BE.

O PSD e o CDS-PP formam governo, instável, sempre contestado pelos partidos í  sua esquerda.

Zangado com as querelas parlamentares, o presidente da República, Manuel Alegre, aproveitando uma moção de censura construtiva apresentada pelo PS, destitui o governo e nomeia outro, formado por uma coligação, igualmente instável, entre o PS e o BE (o PCP nunca fará parte de nenhum governo…).

O novo governo não consegue vingar nenhuma proposta no Parlamento, sempre com a oposição da direita e com a abstenção do PCP.

Manuel Alegre vê-se obrigado a aceitar um governo PSD-PS, mas a coisa também corre mal porque, quer o CDS-PP, quer o BE ficam em brasa e boicotam todas as iniciativas do novo governo (o PCP sempre boicotou tudo, qualquer que fosse o governo).

Alegre, cada vez mais triste, decide, certo dia, ir í  caça e nunca mais voltar, deixando os portugueses a contas com uma crise política provocada pelas ideias peregrinas do Passos Coelho, que quer transformar os governos em Programas Quinquenais (Lenine inventou isso..) e deixar a formação dos governos na mão dos Presidentes, sem ser preciso fazer eleições.

Onde é que eu já vi isto?…

Coligações há muitas, seu palerma!

Paulo Portas propí´s ontem, no debate do Estado da Nação, que se formasse um governo de coligação alargada, PS, PSD e CDS-PP, para os próximos 3 anos, mas sem o Sócrates a comandar o PS.

Provocação, claro.

Se Portas fosse humilde, teria proposto uma coligação PS, PSD, CDS-PP, mas sem o Portas.

Para o seu lugar, poderia nomear aquela minha colega dos cuidados paliativos, a Isabel Galriça Neto.

Que entusiasmo, o dela, a aplaudir todas as palavras do Portas!

Que embevecimento!

A senhora até saltava da cadeira, ao bater palmas, frenética com o discurso do seu líder.

Alguém a devia informar que o facto de ter sido medalhada no 10 de Junho não a obriga a ser tão apologética.

Este tipo de acólitos devia ser premiado. Por isso, Portas devia ter sugerido uma coligação alargada, mas com Assis a chefiar o PS, Relvas í  frente do PSD e Galriça Neto pelo CDS-PP.

Os três actuais líderes retiravam-se pela direita baixa e deixavam os discípulos governarem.

Quanto a nós, é claro que emigrávamos…

Espanhóis campeões? Pftt…

Esmifraram-se para marcar um golo ao Paraguai, torceram-se para marcar um golo í  Alemanha e ontem, precisaram de 120 minutos para marcar um golo í  Holanda.

E foram campeões do mundo?

Acho mal!

Futebol é aquilo? passar a bola para o lado direito, depois para o esquerdo, depois para o direito outra vez e, cerca de 15 minutos depois, tentar meter a bola na grande área e falhar 95% das vezes?

Tricotar jogadas?

Mariquices, é o que é!

Espanhóis sem gana…

Olha, o Gana – ele é que devia ter sido o campeão…

No Coiso, óptimo continua a ser com pê

Recentemente, o Expresso resolveu adoptar o novo acordo ortográfico braso-luso-brasileiro. No entanto, como é um jornal muito democrático, permite que alguns dos seus colaboradores continuem a usar a ortografia “antiga”.

Assim, no final da crónica semanal de Miguel Sousa Tavares, surge o seguinte: “MST escreve de acordo com a antiga ortografia”.

Palmas para MST!

Aqui, no Coiso, também se usa a antiga ortografia. Ninguém me vai obrigar a escrever ato, fato, ótimo, ação e outras brasileirices.

Eu bem sei que, em tempos que já lá vão, farmácia era com “ph” e também sei que a língua vai evoluindo, incorporando estrangeirismos, modificando grafias, criando neologismos. Mas não me apetece deixar cair o pê de óptimo, só porque não se lê e porque é assim que se escreve no Brasil.

Ora ou hora é indiferente? É que o agá também não se lê…

Por isso – e porque me apetece – a ortografia antiga permanece.

í“ptimo!

Enfadado

Enfadado, é o termo.

Não estou farto, nem irritado, nem zangado, apoplético, aborrecido, indignado, chateado, encolerizado ou mesmo furibundo.

Já não me espanto com a falta de assunto dos telejornais, a discussão í  volta das scut deixa-me indiferente, estou-me borrifando para a golden share, quero que o Sócrates vá pentear macacos e que o Passos Coelho dê uma volta ao bilhar grande, bocejo com a crise económica, adormeço ao som da voz do Medina Carreira, não ligo ao que diz o Teixeira dos Santos, viro as costas aos sindicatos, encolho os ombros í s associações patronais e desprezo solenemente todos os restantes parceiros sociais.

Estou mesmo muito enfadado.

Temos um governo a prazo que tem que pedir licença ao maior partido da oposição para poder publicar uma simples portaria, um Presidente da República que gostava de ser primeiro-ministro, uma comunicação social toda ela de direita e um calor do caraças, que até faz os funcionários da Câmara da Amareleja mudarem os horários de trabalho e cada vez apetece menos ligar a estes políticos pelintras, sem estofo, sem qualidade, sem nervo, sem pica, sem categoria.

E, por isso, estou enfadado.

Não me surpreende o facto do Ronaldo ter comprado um filho, como quem compra um Porsche, não me espanta que a mulher do Presidente dos Açores tenha gasto 27 mil euros numa viagem ao Canadá, não ligo nenhuma ao adiamento da leitura da sentença do processo Casa Pia e espreguiço-me perante tudo isto com uma indolência genuína.

Já nem quero que me tirem deste país, que me arranjem outro lugar para viver, que me façam o favor de arranjar outros políticos, outros comentadores políticos, outros treinadores para a selecção, outra selecção.

Quero apenas que me deixem assim, quietinho, sossegadinho.

Enfadado.

Não se importa de repetir?

No negócio Telefónica/PT/Vivo, o Estado português fez uso da Golden Share.

Ou da Golden Chair?

Ou da Chére Golden?

Tudo isto para impedir que a Telefónica comprasse a Vivo.

Morto ou Vivo, a PT não pode prescindir do mercado brasileiro.

Daí o uso da Golden Share – ou será Golden Cher?

Já houve tempos em que a Cher poderia ser considerada Golden… agora, muitas cirurgias depois, não passa de uma Plastic Cher.

Se existe uma Golden Share, é de supor que exista, também, uma Silver Share.

E se a Golden é usada contra a Vivo, será que a Silver será usada contra a Morto?

Confusão…

Com a nossa extensa plataforma continental, não será Golden Shore?

Are you sure it’s golden?

Yes - it’s Golden Share, sure!

Compulsivamente?!

Manchete da primeira página do Diário de Notícias de hoje:

“Portugal eliminado após erro de Queiroz – Substituição de Hugo Almeida abriu portas í  derrota que Eduardo chorou compulsivamente”.

Em primeiro lugar, Portugal não é eliminado por causa de um erro de Queiroz, mas sim por causa dos múltiplos erros do referido senhor.

Mas do que eu gosto é de Eduardo a chorar compulsivamente!

Compulsivamente?!

“Compulsivamente” vem de compelir, que significa “constranger a fazer alguma coisa, forçar, obrigar”

O jornalista não quereria dizer “convulsivamente” (“convulsão: movimento espasmódico causado por uma emoção forte”)?

Cada jornalista tem a selecção que merece!…

Essa do Queiroz!…

Valente selecção! Conseguiu empatar com a primeira equipa do ranking, o Brasil, e só levar um golo da segunda, a Espanha!

A selecção jogou certinha, encolhidinha, aflitinha,Â í  rasquinha, pobrezinha mas honradinha.

Jogou triste, como o país.

A passar para o lado e para trás ou a chutar lá para a frente, í  espera de um bambúrrio.

Duas linhas defensivas, bem fechadas, muita cafuga, muita miaúfa e muito medinho e, acima de tudo, muito respeitinho pelos espanhóis – porque o respeitinho é muito bonito.

Depois, como é costume, começaram com muita pressa no final do jogo, a tentar fazer o que não foi feito nos 90 minutos anteriores.

E no fim, a selecção foi eliminada.

Queiroz desapertou o segundo botão da camisa, mostrou o fiozinho de oiro sobre os pêlos do peito e disse que saíram todos de cabeça erguida.

Deves estar a ver mal, ó Queiroz!

Saudades da paróquia!

Estive uma dúzia de dias ausente e que saudades que eu já tinha!

Saudades do ministro da Economia, Cavaco Silva, sempre a acentuar a próxima bancarrota do país a que ele preside – se a situação é insustentável, por que razão não dissolve a Assembleia e convoca eleições antecipadas?

Saudades da discussão em redor das Scut: quando as Scut foram criadas, todos criticaram o governo por não ter criado portagens; agora, os que não queriam portagens, já as querem e os que eram a favor, são contra. E depois, ainda há a história do ex-assessor do secretário de Estado das estradas, que agora está na empresa que fornece os chips que serviriam para a cobrança electrónica! E alguém acredita que o PSD está preocupado com a privacidade dos cidadãos, ao ser contra os chips? Enredo de telenovela…

Saudades de manchetes como a do Público de ontem: «cortes na cultura ameaçam os artistas independentes». Então, se eles são independentes por que razão estão preocupados com os cortes no Orçamento do Estado? Independentes, dependentes de subsídios?

Saudades de um país que tem um primeiro-ministro, Sócrates, a ser queimado em lume brando e outro primeiro-ministro, Passos Coelho, já na calha, que se reúne com o futuro primeiro-ministro espanhol, Aznar, que praticamente já está a governar, mas que não tem coragem para fazer passar uma moção de censura ao governo e provocar eleições antecipadas, a fim de se tornar primeiro-ministro, de facto.

Saudades de um primeiro-ministro, Sócrates, que, pelos vistos, deve ser o único português que ainda acredita no país, ao ponto de afirmar: “muitas vezes sinto-me sozinho a puxar pelo país!»

Pois deve ser por isso – por estar sozinho a puxar – que o país não sai do mesmo sítio…

Houve tempos em que ele, o país, até partiu, í  descoberta, qual jangada de pedra, mas o Saramago morreu, a crise instalou-se e o país não sai da cepa torta.

Que saudades que eu já tinha da minha paróquia!

Poupar no 10 de Junho

As comemorações do 10 de Junho reflectem a crise. Por determinação da Presidência da República, este ano não haverá o tradicional concerto e os cerca de 600 convidados, em vez de irem de carro para Faro, vão de comboio, que se lixam. Além disso, o desfile militar que, no ano passado contou com 1600 elementos, este ano não passou dos 1100.

É pouco.

Cinco sugestões:

1 – em vez dos trinta e tal condecorados, condecorava-se só o João Garcia que é, de facto, o português que subiu mais alto;

2 – desfile militar só com soldados baixinhos, com menos de 1 metro de 70; nada de patentes altas, tipo coronéis ou majores ou coisas assim;

3 – o Sócrates escusava de se incomodar em ir assistir í s comemorações; para ser vaiado, não precisava de ir a Faro – ia a qualquer sítio mais perto e era vaiado na mesma. Em sua substituição, podia ir o Passos Coelho que, para todos os efeitos, pelo menos na comunicação social, só não é primeiro-ministro porque ainda não foi eleito; mas isso é um pormenor…

4 – o Cavaco escusava de ter levado a esposa; o presidente é do Algarve e de certeza que já levou a mulher a Faro várias vezes; ela ficava em Belém e via as comemorações pela televisão;

5 – o Presidente não devia fazer dois discursos: gasta mais palavras, mais papel e mais tempo aos jornalistas, que vão tentar decifrar, nas entrelinhas, recados ao governo e insinuações sobre a possível recandidatura de Cavaco.

Com a massa que se poupava talvez já o Passos Coelho não tivesse que cortar nas reformas dos políticos. A propósito: coitado do Santana Lopes! Depois do que sofreu na Câmara de Lisboa, só ficou com um reforma de pouco mais de 3 mil euros.

Injustiças!…