Eu vi um SAP!

correiadecampos.jpgNão aguentou a pressão! Tantos grupos de trabalho, tantas inteligências í  sua volta, tantos colaboradores e ninguém o avisou que um SAP, neste momento, vale tanto como a capelinha ou a taberna.

Qualquer lugarejo que se preze tem que ter os seus locais de culto: um sítio para rezar pelas alminhas, um outro para emborcar os seus púcaros e, finalmente, um serviço de urgência, onde se possa ir mostrar a unha encravada ou o joanete de estimação.

O Sr. Campos não realizou a força dos SAP. E o SAP engoliu-o.

Tentou fazer passar a ideia de que, caso se tenha uma dor no peito suspeita de enfarto do miocárdio, é mais seguro chamar o INEM do que ir ao SAP lá do sítio. A malta quer morrer no SAP, caramba! Como muito bem disse o autarca de Anadia: «já nem se tem a dignidade de morrer num hospital!»

Eu sou dos antigos. Eu sou dos que pensam que a morte não tem dignidade nenhuma. Mas, já que tenho que morrer, prefiro que seja em casa.

Agora, a Dra. Ana Jorge aceitou o cargo e já disse que a política de saúde é para continuar.

Se é para continuar, por que raio é que o Sr. Campos se foi embora?

Enfim… tinha tanta coisa para dizer sobre isto mas, acreditem, estando por dentro de tudo, estou tão farto que não me apetece dizer mais nada.

O CDS e a unidose

portas_supositorio1.jpgE por que será que o CDS quer a unidose?

Quantos comprimidos para controlar a tensão hei-de eu receitar a um hipertenso: 30 para um mês, 60 para dois meses ou 365 para o ano inteiro? E quantos comprimidos receito para uma dor de dentes?

Se não me engano, neste momento, só os anglos-saxões continuam a usar as unidoses e, pelo menos em Inglaterra, já se fala em deixar essa velha mania.

Desde que houve o redimensionamento das embalagens, já há caixas com 10, 30 e 60 comprimidos de anti-inflamatório, caixas de 10, 20 e 60 de analgésicos, caixas de antibiótico para tratamentos de 3, 6, 7 ou 10 dias.

O problema é que há médicos que, distraidamente, prescrevem embalagens grandes quando uma pequena chegaria para uma dada situação.

O problema é que há doentes que continuam a não tomar a medicação até ao fim.

De qualquer modo, fiquei com a pulga atrás da orelha: por que raio é que o CDS quer a unidose?

Sempre os mesmos macacos

A presidência do BCP, o maior banco privado português, transformou-se numa espécie de compita entre PS e PSD.

Do lado do PS, Santos Ferreira e esse enorme economista, Armando Vara.

Do lado do PSD, Miguel Cadilhe e Bagão Félix.

Para concorrer ao BCP, Santos Ferreira abandonou a presidência da Caixa Geral de Depósitos. Para o seu lugar, entrou Faria de Oliveira, ex-ministro do PSD.

Portanto: os macacos são sempre os mesmos – apenas mudam de galho!

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Sócrates de volta í  santa terrinha

Foram 6 meses de grandes andanças por essa Europa fora, terminando com o frenesim da Cimeira com os dirigentes africanos e com a assinatura do Tratado de Lisboa.

Sócrates não parou! E foi vê-lo a dar grandes abraços ao Sarko francês, sonoras beijocas í  alemã Angie, tratar tu-cá, tu-lá com os grandes dirigentes, quer da Europa, quer de ífrica, como Kadhafi, esse grande ex-terrorista, agora mais bonzinho.

Há dois níveis de leitura destes acontecimentos: ter sido o governo português a organizar a cimeira com os dirigentes africanos e passar a existir um Tratado com o nome de Lisboa, não deixa de prestigiar o nosso país (primeiro nível de leitura), mas para que raio é isso serve (segundo nível)?

Agora, querem que a malta referende o tal Tratado. Para quê? Qual é a alternativa? Sair da União Europeia? Voltar ao escudo?

E como posso eu votar (a favor ou contra) se não faço a mínima ideia do que é o Tratado de Lisboa – e, muito sinceramente, não estou interessado em saber?

No fim do mês, Sócrates deixa de ser o grande líder da Europa e vai voltar í  terra.

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E tem já um grande desafio pela frente: explicar por que escolheu a Dulce Pontes, a gritar a Canção do Mar e a dar aos braços, qual gaivota etilizada, para abrilhantar a cerimónia da assinatura do Tratado.

Kadhafi aconselha: metralha com moderação

A cimeira Europa-ífrica, que decorre este fim-de-semana, em Lisboa, é uma autêntica colecção de cromos e, de entre eles, destaca-se o líder líbio, Muammar Kadhafi.

Kadhafi gosta de viajar com a tenda atrás. Não confia na segurança dos hotéis e prefere fazer ó-ó na tenda que transporta consigo. Este fim-de-semana, o homem mandou instalar a tenda no Forte de S. Julião da Barra mas, como a tenda não tem ar condicionado, parece que Kadhafi tem rapado um barbeiro dos antigos.

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Entretanto, fez publicar na imprensa, um anúncio de página inteira que é um verdadeiro monumento í s alucinações provocadas pelo deserto.

O anúncio começa com a frase «bem-vindos ao site oficial de Muammar Al Gathafi» e continua com a afirmação «a Convenção de Otava de 1997 deve ser revista».

Essa Convenção é sobre minas terrestres e Al Gathafi está de acordo com algumas partes do texto. Está de acordo, por exemplo, com a decisão de «retirar todas as minas anti-pessoal e anti-tanque e outras por explodir em cerca de 60 países» e está de acordo com «o tratamento e a reabilitação das vítimas».

No entanto, o líder líbio não está de acordo com:

«1. A total proibição do fabrico e utilização de minas terrestres

2. A destruição da reserva de minas terrestres»

Não sei porquê, mas parece-me que existe aqui uma contradição: por um lado, Kadhafi aceita que se destruam as minas ainda por rebentar, mas é contra a proibição do fabrico de novas minas!

E porquê?

O texto do anúncio é elucidativo: «os países fortes, que são capazes de violentar a terra dos outros para os destruir com as suas armas estratégicas mortais, nunca pensaram nas necessidades dos fracos que não têm armas ofensivas; que não têm outra coisa a não ser armas defensivas como minas.»

Por outras palavras: Kadhafi é contra as minas que não chegaram a explodir, nos países em que já não há guerra – mas é a favor de que as minas continuem a explodir nos países que ainda estão em guerra.

Enfim, o sol do deserto é forte e o aquecimento do encéfalo produz coisas deste género…

 

Mas o Público de hoje traz outro anúncio de página inteira, ainda mais curioso.

O anúncio chama a atenção para o site de Kadhafi, em www.algathafi.org.

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E tem esta frase engraçadíssima: «o perigo das armas metralhadoras contra os seres humanos baseia-se no seu uso exagerado».

É como o álcool, que se deve consumir com moderação – também as metralhadoras devem ser usadas com conta, peso e medida.

Metralha os teus inimigos, mas com moderação. Mata-os só um bocadinho, acerta-lhes só com meia dúzia de balas da tua arma metralhadora, não os fures todos de um lado ao outro, segue a palavra de Kadhafi.

Mas o líder líbio diz outras coisas que não parecem fazer sentido (lost in translation?…), como, por exemplo: «a análise intelectual é o código dos acontecimentos»; ou ainda: «pela piedade humana há necessidade de apoiar o meu apelo para anular as armas metralhadoras exceptuando as outras armas convencionais».

Por favor, Kadhafi, sai da torreira do sol, homem!

 

David Fonseca versus Santana Lopes

Sou do tempo em que, para assistirmos a um espectáculo ao vivo, tínhamos que nos deslocar a Madrid, no mínimo. E como, na altura, a semanada nem para o tabaco chegava, tínhamos que nos contentar com o que havia. E era pouco.

Lembro-me de, em 1971 ou 72, ter ido ao Pavilhão de Cascais ver os Procol Harum e já fui com sorte. E tive que esperar que o meu filho tivesse barba para poder ver, ao vivo, os Rolling Stones e os Pink Floyd – na companhia do meu filho, claro…

Agora, é í  fartazana!

Todos os fins-de-semana há espectáculos, os mais variados. Parece impossível como há público para tantos espectáculos.

E a escolha é difícil. Por exemplo: ir assistir ao espectáculo em que David Fonseca vai cantar, ao vivo, o seu último disco, ou ir ao jantar-debate com Pedro Santana Lopes?

Convenhamos que tomar uma decisão não é nada fácil. Tendo em conta o número de patrocinadores, o jantar-debate com Santana Lopes deve ser mais importante que o espectáculo de David Fonseca – além de que, enquanto o cantor é um tipo sorumbático e que parece levar tudo a sério, o Sr. Lopes é um bacano, sempre disposto a uma chalaça.

Confesso: preferia voltar a ver os Procol Harum…

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