Os documentos secretos de Portas

 portas_fotocopias.jpg

Paulo Portas fotocopiou documentos do Ministério da Defesa, antes de se ir embora. Preciso de esclarecer que Paulo Portas já foi Ministro da Defesa, embora tal pareça inacreditável…

Fotocopiou e, agora, entregou esses documentos a uma empresa, para que os digitalizasse. Alguém da empresa pí´s a boca no trombone: que eram mais de 60 mil páginas e que algumas delas diziam “secreto” e “iraque”. Portas defendeu-se: só fotocopiou documentos pessoais – 60 mil páginas de documentos pessoais.

Quando Portas decidir publicar as suas memórias, os meses em que foi ministro da Defesa vão ocupar 12 volumes. Dos grossos.

A doença de Ramos Horta

Agora, assim de repente, já nem me lembro se Ramos Horta é o novo Presidente o novo primeiro-ministro ou o ministro dos negócios Estrangeiros de Timor. De qualquer modo, continua a ser uma figura ímpar na cena internacional, vencedor do Prémio Nobel da Paz.

ramoshorta.jpgMuita gente deve ter-se perguntado, no ano em que Horta recebeu o Prémio, que raio é que este homem fez, em prol da paz. Muita gente não portuguesa, claro – porque aos portugueses, está vedado dizer mal dos timorenses e dos seus abnegados líderes, coitadinhos.

Ironia í  parte, Al Gore também ganhou o Prémio Nobel da Paz por andar pelo mundo a apresentar um DVD, com o qual está farto de ganhar dinheiro.

Adiante.

Como se sabe, Ramos Horta passou largos anos exilado de Timor, vivendo, se não estou em erro, em Nova Iorque. No entanto, desde a independência que Horta tem passado a maior parte do tempo, lá, em Timor. E só pode ter sido o clima, ao qual já não estava habituado, que lhe deu volta ao miolo. Então, não é que o homem disse ontem que vai propor José Manuel Durão Barroso para o Prémio Nobel da Paz?!

Pode repetir?

Ramos Horta anunciou que vai propor Durão Barroso para Prémio Nobel da Paz!

Que se passará naquela cabecinha?

Será que Horta sofre de alguma doença degenerativa do sistema nervoso central ou, pura e simplesmente, passou-se da cabeça?

E que respondeu Barroso a esta enormidade?

Pensam que o ex-primeiro ministro português, que esteve na famosa cimeira dos Açores, com Bush e Aznar, onde se confirmou a invasão do Iraque – pensam que Barroso tentou dissuadir Ramos Horta, dizendo-lhe, em privado «ó pá, deixa-te de mariquices! Eu não mereço o Nobel da Paz! Que raio é que eu fiz em prol da paz mundial?»

Claro que não! Barroso respondeu que estava muito honrado com a ideia de Horta e que, sim senhor, a União Europeia tem desempenhado um papel muito importante na paz mundial, e tal.

Quer dizer: deu a volta í  questão e fez de conta que percebeu que Horta vai propor a União Europeia para o Nobel da Paz. Mas não é a União Europeia – é mesmo o Durão Barroso.

Ramos Horta – vai-te tratar, pá!

Índios e Cóbois

socrates_santana.jpg

Não estava com vontade de escrever sobre o assunto. Há alturas que olho para a vida política nacional e a única coisa que me sai é um bocejo monumental.

Antes de partir para férias, o Menezes tinha-se tornado o novo líder do PSD. Quando regressei, o Sr. Lopes tinha sido nomeado líder parlamentar do seu partido.

Era motivo para chacota nacional, mas já nem achei graça.

Depois, os jornalistas ficaram histéricos com a aproximação do primeiro debate parlamentar que colocaria, frente a frente, Sócrates e Santana – só deus sabe porquê e, como é público, tenho muitas dúvidas que deus saiba sequer onde fica Portugal.

Lia os jornais, via as televisões e era sempre a mesma conversa: grande excitação antes do duelo, será que Sócrates vence Santana, será que Santana vai cilindrar Sócrates?

Que bocejo!

Parece que o debate foi uma merda. Como tem sido habitual, Sócrates trazia no bolso alguns trunfos (vacina contra o cancro do colo do útero gratuita, por exemplo), Santana não estudou os dossiers e vitimizou-se, culpou Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, Jaime Gama, Fernão de Magalhães e Cristóvão Colombo pelo fracasso do seu glorioso governo. Depois, no final, fez uma espécie de flah interview, como se estivesse na Champions League, e teceu alguns comentários sobre a contenda, que só tinha duas balas e Sócrates tinha seis ou sete, que o presidente da Assembleia não o deixou falar – enfim, a culpa foi do árbitro. É o costume…

Nos dias seguintes, não houve jornal que não publicasse uma crónica sobre o grande duelo que, afinal, tinha sido um fiasco.

Uma tristeza de política – uma pobreza jornalística.

Ah! é verdade… na Assembleia da República, estava em discussão o Orçamento Geral de Estado para 2008.

Coisas sem importância…

Scolari acaricia um sérvio

scolari_soco.jpg

Não se fala de outra coisa. Numa verdadeira demonstração de afecto pelos Balcãs, o seleccionador nacional de futebol, Filipe Scolari, resolveu fazer uma festinha na face de Dragutinovic. Tudo aconteceu no final do jogo Portugal-Sérvia, que terminou empatado a um golo. Drag preparava-se para dar um beijinho no Quaresma quando Scolari, um pouco invejoso, se intrometeu e fez uma festinha no rosto do sérvio, perante a indignação de um tipo que eu agora não me lembro o nome e que foi guarda-redes, e que também queria oscular Quaresma.

Isto é o que se supõe. Ao certo, ninguém sabe o que se passou.

Há jornais que dizem que foi um soco e que a atitude de Scolari manchou a imagem da selecção nacional de futebol – o que não se percebe. Então a malta não acabou o Euro 2000 í  porrada, depois do cabrão do árbitro ter inventado aquele penálti a favor da França? Então não é verdade que o João Pinto foi obrigado a dar um soco no árbitro, para o gajo ver se passava a apitar como deve ser, no Mundial de 2004? Então aquele puto dos sub-19 não sacou o cartão vermelho da mão do árbitro, demonstrando-lhe, assim, como estava errado na sua decisão de expulsar um português?

As selecções nacionais têm já um longo historial de mau comportamento, falta de fair-play e incivilidade, portanto, é natural que o gesto de Scolari tenha sido mesmo um soco.

Mas, cá para mim, aquilo foi uma carícia, o que acaba por ser muito mais grave.

O futebol é um desporto para homens, caramba!

Deixem-se de mariquices!

Aquele sacana

A família é a base da sociedade organizada.

É bom ver uma família novamente reunida.

Em 2005, Jardim vociferou contra os emigrantes chineses que, na Madeira, estariam a fazer má vizinhança ao pequeno comércio local. Marques Mendes não gostou dessas afirmações e disse-o publicamente. Jardim ripostou, dizendo que Mendes não seria bem-vindo, na festa do Chão da Lagoa. Mendes não foi.

No ano seguinte, Mendes também não foi e Jardim disse que o líder do PSD lhe era indiferente.

Mas eis que, este ano, Jardim e Mendes se reconciliaram e o actual presidente do maior partido da oposição lá apareceu na festa madeirense, pouco depois de Jardim se recusar a aceitar uma lei da República, sufragada em referendo, aprovada pela Assembleia da República e confirmada pelo Presidente Cavaco.

Claro que isto não tem nada a ver com o facto de, em Setembro, se realizarem eleições para presidente do PSD e de cerca de um terço dos votos serem de militantes da Madeira.

É uma mera coincidência.

Mendes adorou ir í  festa de Chão da Lagoa. Chamou a Jardim o “vosso, nosso grande líder”. E Jardim ripostou, perguntando: “onde se meteu aquele sacana?”

Aquele sacana continuará a ser, pelos vistos, o presidente do PSD e candidato a primeiro-ministro, para suceder ao arrogante Sócrates.

Quanto a nós, resta-nos escolher entre um arrogante e um sacana…

mendes_jardim.jpg

Sócrates só

Portugal está em crise.

Segundo o INE, em 2050, seremos apenas 7,5 milhões – isto, se se mantiver a actual taxa de natalidade.

Todos ficaram muito preocupados.

Eu, não.

E, pelos vistos, o Nobel Saramago, também não – ele, que prevê que Portugal passe a ser mais uma província espanhola.

Que temos nós, de bom, para oferecer?

O clima?

Já houve tempo.

O vinho?

Foi chão que deu uvas.

As praias?

Só para quem nunca foi ao Tahiti.

Os navegadores?

Morreram todos há 500 anos.

E o que faz a classe dirigente?

Finge que vive noutro país. Aliás, finge que vive num país a sério. Até temos um governo com maioria absoluta, um presidente, uma oposição.

Mas alguém quer saber?

O novo presidente da Câmara da capital, ganhou as eleições com menos de 60 mil votos. O candidato que ficou em segundo lugar, é arguido num processo de corrupção e teve menos de metade dos votos do vencedor. O candidato do maior partido da oposição teve 30 mil votos (menos do que a população residente na freguesia do Monte de Caparica, onde trabalho).

A malta está-se borrifando para estes personagens.

Manuel Monteiro, candidato pela Nova Democracia, teve 1187 votos.

Se a nova democracia é isto, e a velha é aquilo – começamos a preferir a ditadura?

Mas Monteiro disse algo de notável: «as pessoas consideram-me um político do passado. Temos de ter a coragem de perceber que estamos gastos. (…) O país está cansado de Marcelos Rebelos de Sousa, de Paulos Portas, de Monteiros, de Marques Mendes».

Tens razão, ó Monteiro.

O arcebispo Marcelo, então, já o conheço desde, pelo menos, 1973! Há 34 anos que anda a cagar sentenças!

Portanto, o Sócrates pode dormir descansado – até pode dar uma de Hugo Chávez, pondo na rua professores ou directores de centros de saúde que lhe mandem umas bocas.

Será que alguém liga?

Zapatero, por favor, invade-nos já!

socartes_oposicao.jpg

 

Dizer mal do governo, só cá em casa

A secretária de Estado da Saúde, Cármen Pignatelli, revelou toda a filosofia da nossa classe dirigente, ao dizer o seguinte:

“Eu sou secretária de Estado. Aqui (numa cerimónia pública), nunca poderia dizer mal do governo. Aqui. Mas posso dizer na minha casa, na esquina, no café.”

Estamos esclarecidos.

Se quiserem saber o que eu penso do ministro da Saúde e da sua secretária de Estado, das suas políticas, nomeadamente no que diz respeito aos cuidados de saúde primários, onde trabalho há mais de 20 anos, estão, desde já, convidados a vir aqui a casa.

Poderei, então dizer que #$$%fd$# de política é que Correia de Campos está a implementar e que /&%%$HJ, se não for pior…

correiadecampos_secretaria.jpg