Tenham medo, tenham muito medo!

Um colega meu, lá do norte, fez uma gracinha semelhante a muitas outras que eu tenho feito: fez uma fotocópia da notícia em que o ministro da Saúde, Sua Excelência Professor Doutor (por extenso) Correia de Campos dizia que nunca tinha entrado num SAP, nem tinha intenção de entrar, e colocou-a num placard lá do SAP onde ele faz serviço, com um comentário do género: “fujam! Que isto é um SAP!”

A Directora do Centro de Saúde onde esse colega trabalha foi exonerada, por ter quebrado o “dever de lealdade” para com o ministro, ao não retirar, imediatamente, a tal fotocópia do placard.

Parece que a ex-Directora é casada com o vice-presidente da Câmara, que é do PSD e o meu colega é vereador da CDU, e ambos talvez conheçam a prima de um tipo que já foi da ETA e se tenham cruzado com a namorada do porteiro da discoteca frequentada por um tipo que já foi do PCP, embora seja irmão de uma fulana do CDS.

Por isso, quando vi esta foto, apeteceu-me logo escrever uma legenda apropriada, mas confesso que tenho medo. É que eu não sou casado com ninguém que pertença a nenhum partido, nem conheço ninguém que milite sequer no Partido da Terra. Quem me ajudará, então, se, sobre mim, descer a ira dos Távoras?

Livra!

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Sport Berardo e Benfica

berardo1.jpgE, de repente, Joe Berardo é o salvador da pátria.

Dos confins da ífrica do Sul e dos jardins da Madeira, ei-lo que surge a emprestar a sua colecção de arte moderna ao CCB, a troco de uns trocos, ei-lo que é abraçado pelos trabalhadores da PT, ao contribuir para lixar a OPA do Belmiro, ei-lo a sair exultante da assembleia do BCP, depois de ter travado Jardim Gonçalves, ei-lo a contribuir para o estudo que confirma Alcochete como alternativa í  Ota, para a localização do novo aeroporto.

E ei-lo, agora, a lançar uma OTA, perdão, uma OPA sobre o Benfica.

O que o move, não é o dinheiro – é a cultura, diz ele.

Quer ver o Benfica no topo do mundo – diz ele.

Não deixa de ser revelador o facto de o glorioso, semanas após estar cotado na bolsa, ser alvo de uma OPA, enquanto o Porto e o Sporting, há anos cotados, continuam ignorados.

O que fará correr Berardo pelo Benfica?

Amor í  camisola?

Nesse caso, teremos que mudar o equipamento do glorioso, porque o homem veste-se sempre de preto.

Uma coisa tem Berardo em comum com os jogadores do Benfica: mal sabe falar português.

Car Mona Lisa

A vida não pode estar a correr melhor a Marques Mendes: foi ele quem escolheu  para candidato do PSD í  Câmara de Lisboa, o homem que conseguiu fazer mais disparates que Santana Lopes: Carmona Rodrigues.

Recordam-se que Santana suspendeu o mandato de presidente da Câmara para assumir o cargo de primeiro-ministro. Carmona ficou na presidência. Mais tarde, Sampaio despediu Santana, que regressou í  Câmara alegremente, enquanto Carmona metia a viola no saco.

E agora, que chegou a vez de ser ele próprio a ser despedido, Carmona esperneia, resmunga e diz que não vai deixar que o deitem borda fora.

E, apesar de tudo, mantém aquele sorriso enigmático.

Um verdadeiro Car-Mona Lisa.

Ingrato.

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O espectáculo é triste.

Mas já devíamos estar habituados.

Oiçam esta história: Jorge Loureiro (filho de Valentim Loureiro), José Luís Oliveira (vice-presidente da Câmara de Gondomar, de que Valentim é presidente) e Laureano Gonçalves (ex-dirigente do Boavista, de que o outro filho de Valentim é presidente), compraram a Quinta de Ambrósio, em 2001, por um milhão de euros.

A Quinta do Ambrósio estava afecta í  Reserva Agrícola Nacional.

Seis dias depois da compra, os três sócios venderam o mesmo terreno í  Sociedade de Transportes Colectivos do Porto, por 4 milhões de euros!

Posteriormente, a Câmara desafectou a Quinta do Ambrósio da Reserva Agrícola, permitindo a sua urbanização.

Se calhar, estamos a ver mal as coisas.

Se este tipo de negócios (Quinta do Ambrósio, Parque Mayer e Bragaparques, etc) passassem a ser considerados normais, não teríamos tantos autarcas arguidos.

É capaz de ser tudo uma questão de pontos de vista…

A extraordinárioa votação do formidável Portas

E então, o jovem Paulo Portas é o novo líder do CDS-PP.

Vindo do nada, este jovem e prometedor político, ganhou as directas, com 75% dos votos, derrotando o velho e cansado Ribeiro e Castro.

Portas é uma lufada de ar fresco na política portuguesa. Praticamente desconhecido, chegou, viu e venceu.

Faz lembrar a nova esperança do futebol luso, Eusébio, recém-operado í  carótida no Estádio da Luz e já pronto para defrontar o Sporting no próximo domingo.

A mobilização que Portas conseguiu, junto dos militantes do CDS, foi impressionante. Parece que votaram mais de sete mil e quinhentos militantes!

Os militantes do CDS que votaram em Portas cabiam todos nos cinemas do Almada Fórum e ainda sobravam lugares.

O pequeno Centro de Saúde onde trabalho tem quatro vezes mais utentes inscritos do que todos os militantes que votaram no Portas.

No ano passado consultei mais utentes do que o total de militantes que votaram em Portas.

Na rua onde moro, vive mais gente do que os militantes que votaram em Portas.

í“ Paulinho, vai dar banho ao cão!

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Doutores arquitectos

A minha avozinha, que viveu até aos 94 anos, achava que toda a gente que tinha um curso devia ser doutor. Por isso, nunca dizia “advogado” ou “arquitecto” – dizia sempre “doutor advogado” ou “doutor arquitecto”.

A importância do “dê-érre” está bem patente na campanha institucional das “Novas Oportunidades”.

Nessa campanha, vemos, por exemplo, Carlos Queiroz a aparar a relva de um campo de futebol, Pedro Abrunhosa a indicar os lugares numa sala de espectáculos e Judite de Sousa como empregada de uma papelaria.

Supostamente, estas três “figuras públicas” não teriam singrado na vida se não tivessem terminado os respectivos cursos.

Quer dizer que teríamos perdido um treinador mediano, um artista limitado e uma jornalista banal.

Ou será que teríamos perdido um excelente aparador de relva, um óptimo arrumador de cinema e uma formidável empregada de papelaria?

Que merda de fixação é esta pelos graus académicos?

Terá alguma coisa a ver com o facto do engenheiro técnico Sócrates não estar inscrito na Ordem dos Engenheiros e toda a gente dar muita importância a isso – ou é, apenas, uma campanha publicitária falhada?

Se todos formos doutores, quem nos recolhe o lixo, desentope os canos, asfalta as ruas, apara a relva ou vende os jornais?

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Sócrates, o falso engenheiro

Os jornais não largam o osso. Vasculham os arquivos, falam com antigos colegas de Sócrates, interpelam professores, reitores, contínuos, mulheres da limpeza, vizinhas do lado, porteiras.

Qualquer depoimento serve para levantar mais suspeitas.

Empregado do café onde Sócrates costumava estudar í  noite: “Nunca o vi estudar a sério. Vinha para aqui, sentava-se naquela mesa, só pedia uma bica e ficava o tempo todo a ler livros de banda desenhada. Os livros sobre Cálculo de Estruturas e Betão Armado em Parvo, nunca os abria!”

Antigo contínuo da Universidade Independente: “Se o vi entrar nas salas de aula? Nunca! Ficava aqui, na sala de estudantes, a fumar cigarros e a ler revistas porcas!”

Gajo que ia a passar: “Esse gajo nunca me enganou: tem mais cara de agente técnico do que engenheiro!”

A parolice í  solta!

O país de doutores e engenheiros que somos rejubila com esta polémica: “já sabes que, se calhar, o Sócrates não é engenheiro?!”

Alguns jornalistas, ressabiados por não terem tido nota para entrar num curso a sério e não terem tido alternativa se não escolher Comunicação Social, pensam ter encontrado a investigação das suas carreiras.

Claro que o Sócrates não é engenheiro, é óbvio que arquitectou um arranjinho para conseguir o diploma, com umas equivalências manhosas e umas chico-espertices banais, só possíveis com a multiplicação de Universidades privadas que, como se está a ver, não passam de empresas que escondem os seus estranhos negócios atrás da fachada supostamente fiável do Ensino Superior.

Sócrates é, acima de tudo, um político.

E está tudo dito.

Ninguém nunca o iria contratar para, por exemplo, ser o engenheiro responsável pela construção de uma ponte, de um parque de estacionamento subterrâneo, ou mesmo de uma casa de um só piso e com apenas uma divisão assoalhada.

Agora, há uma coisa que não percebo: de que está í  espera Sócrates para dizer qualquer coisa de substancial sobre esta polémica.

O que dá que falar, neste caso, é o seu meio silêncio.

Das duas, uma: ou o tipo, desde o princípio, não dizia nada sobre o assunto e deixava os jornalistas tasquinharem no lodo até se fartarem – ou então, já devia ter dito qualquer coisa.

O silêncio de Sócrates alimenta a polémica.

Uma nota final para comentar um comentário. Um simpático colocou um comentário ao meu anterior texto sobre a “engenheirice”, dizendo que eu devia ter vergonha de confessar que não fui a nenhuma aula de Ortopedia. Claro que não editei o comentário desse senhor, porque o Coiso é meu e só cá escreve quem eu quero. Mas vale a pena esclarecer que todos os estudantes universitários de 1973/1974 tiveram passagens administrativas.

Não foi isso que me tornou melhor ou pior médico.

Perdão, licenciado em Medicina…

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Trancas no Portas

Mas, afinal, quem é este tipo, que, num dia, comenta a entrega dos í“scares, no outro, entra em directo do CCB, em todos os telejornais e, no dia seguinte, é entrevistado no canal público de televisão?

Quem é este homenzinho, que já foi ministro da Defesa e que, há escassos 2 anos, como líder do CDS, foi derrotado em toda a linha, tendo menos votos que o PCP?

Que percentagem de portugueses representa este senhor, para merecer a atenção dos telejornais?

Que pretende fazer ele que já não tenha feito, enquanto esteve no governo?

Que ideias novas tem, que coisas fantásticas aprendeu nestes dois anitos, de tal modo importantes, que valha a pena tornar a investir nele?

Quer ser o chefe da Oposição? Quer ser chefe do governo?

Não quererá, também, o rabinho lavado com água de rosas?

O fulano já lá esteve e os eleitores mostraram, claramente, que não o queriam.

Depois de casa roubada – trancas no Portas!

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