Jardim já não é o que era

O incrível Alberto João Jardim disse, aos jornalistas, que não havia ninguém em Portugal que “tenha testículos” para aceitar que o referendo sobre o aborto não foi vinculativo.

Desta vez, AJJ foi comedido. Não disse, por exemplo, que “Sócrates não tem tomates”, ou mesmo que “o governo não tem colhões”.

Ficou-se pelos testículos.

Está mais moderado, o líder madeirense.

Sinal dos tempos?

Sinceramente, fiquei desiludido com AJJ.

Ele, que costuma ser um homem com tomates para dizer o que lhe vai na alma, não teve tomates para dizer tomates.

Ou colhões.

Só testículos.

Está a amolecer.

Não tarda nada, está a elogiar Sócrates.

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Saudades de Santana

Carmona Rodrigues e a sua equipa estão a conseguir algo de impensável: os lisboetas começam a ter saudades de Santana Lopes.

Com a confusão que existe na Câmara de Lisboa, já há por aí muito boa gente a perguntar o que é feito do Sr. Lopes. Ele, ao menos, não fingia o que não era. Todos sabíamos com o que podíamos contar. Ninguém se espantava com as suas broncas.

Agora, o Sr. Carmona, não: tem aquele ar de gajo porreiro, de pessoa honesta e compenetrada do seu trabalho. Depois, vai-se a ver e é buraco atrás de buraco.

Volta Santana, estás perdoado!

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Com a verdade me enganas

Sócrates foi í  China. Conseguiu grandes contratos, novos investimentos, melhores relações comerciais, acordos bilaterais?

Não sabemos.

O que sabemos é que o ministro da Economia, Manuel Pinho, disse, perante empresários chineses, que um dos atractivos de investir em Portugal, era o facto de, por cá, os salários serem baixos.

Os indígenas revoltaram-se.

Toda a Oposição quis linchar o ministro.

Até os sindicatos, que há décadas reclamam melhores salários, que convocam greves para reivindicar aumentos salariais, que criticam a política de miséria do Governo – até os sindicatos vilipendiaram o ministro por ele ter dito que, em Portugal, os salários são baixos.

Mas afinal: os nossos salários são baixos ou são altos?

Vejam lá se decidem!

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Borgaparques

Um construtor civil tentou aliciar o vereador do Bloco de Esquerda da Câmara Municipal de Lisboa para votar favoravelmente um negócio de permuta de terrenos.

O construtor era da Bragaparques.

A conversa foi gravada e a gravação entregue na Polícia Judiciária.

Uma vereadora do PSD demitiu-se, Carmona Rodrigues diz que não sabia de nada, Santana Lopes afirma que o negócio sempre lhe cheirou a esturro.

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Sabem-se as verdades, zangam-se as comadres – Brigaparques.

Pelos vistos, a empresa de construção civil, já construiu parques de estacionamento de norte a sul do país.

Será que usou o mesmo estratagema – Borgaparques?

Sá Fernandes, o tal vereador do BE, devia era ter recebido a massa e ficar caladinho – Burkaparques?

A Índia já foi nossa!

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E tens razão: foi Mário Soares, há uns anos atrás.

Mas o Professor não é homem para dar espectáculo. Nunca o hás-de ver montado num elefante, na Índia, ou numa tartaruga, nas Seychelles.

Aí está uma grande diferença entre o estilo presidencial de Mário e de Aníbal.

Outra grande diferença: a comitiva de Soares, na visita í  Índia, era composta por 135 pessoas, enquanto a de Cavaco tem apenas 130.

Sim, Carolina, ó-i ó-ai, sim carolina, ó-ai meu bem

É o best-seller deste natal. Carolina Salgado, ex-mulher, ex-companheira, ex-patroa, ex-amante, ex-namorada, ex-gaja do Pinto da Costa, decidiu pí´r a boca no trombone e escrever um livro, onde conta tudo.

Conta como Pinto da Costa influencia árbitros para que favoreçam o FCP, como manobra os cordelinhos nos bastidores do futebol profissional, como manda sovar quem se interpõe no seu caminho, como pressiona inspectores da PJ, como funciona como uma espécie de Godfather do Norte.

Carolina ressabiada? Certamente… O P. da C. disse que, depois da separação, ela lhe teria exigido meio milhão de euros, em troca do silêncio. Como ele não pagou, ela bufou.

A rapariga limitou-se a escrever aquilo que muita gente diz há muito tempo – e com conhecimento de causa, uma vez que partilhou o leito do Perfeito.

O Procurador Geral da República reagiu e nomeou Maria José Morgado como investigadora-mor destas coisas da corrupção no futebol.

Agora se vai ver se Morgado é cão que ladra e não morde ou se vai, de facto, cortar a direito. Agora se vai ver se o Apito Dourado passa a Apito Acelerado.

Ao longo desta semana, não houve colunista que não escrevesse sobre o livro da Carolina. A ex-partenaire, ex-apaniguada, ex-fiancé, ex-tipa do Pinto da Costa arrisca-se a ter um sucesso superior ao dvd do Gato Fedorento – que também já começa a entrar na rotina natalícia dos portugueses.

Como vivemos em democracia, os bobos da corte vão-se substituindo, mesmo sem intervenção da autoridade.

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Sócrates ajuda os fumadores

Vi hoje no jornal alguns aumentos previstos para 2007: os transportes aumentam 2,1%, a habitação aumenta 6%, a água, a luz e o gás aumentam, em média 5,9%, o tabaco aumenta 9,1% e o pão será 20% mais caro!

Perante isto, já decidi: ainda não é desta que vou deixar de fumar, mas está visto que vou deixar de comer pão.

Obrigado, Sócrates!

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Putin e o polónio

Alguém acredita que Putin tem alguma coisa a ver com o envenenamento de espiões com polónio?

Não se vê logo que Vladimir não tem cara de envenenar ninguém!

Putin – o envenenador?

Não me parece.

E agora, de repente, a Grã-Bretanha está cheia de vestígios de polónio: ele é no restaurante onde o espião jantou, dias antes de morrer, ele é no hotel onde ele esteve instalado, ele é em aviões da British Airways, em casas de banho, em corredores e salas e escritórios.

í€ noite, todo a Grã-Bretanha brilha, com aquele brilho característico que só o polónio dá í s coisas.

Tem vantagens. Para a aviação, por exemplo. Aos pilotos, basta orientarem-se pelo brilho.

Não há dúvida que a paranóia das grandes potências ocidentais tem uma queda para o pó: há uns anos, andavam os States aflitos com o antrax; agora, é a Inglaterra, í  nora com o polónio.

Ao menos os países do Terceiro Mundo são muito mais prosaicos. Veja-se a Bolívia, por exemplo – quais pós radioactivos, qual quê! Cocaína, pois claro!

Quanto a nós, pobres portugueses, já nem pó de talco.

Temos o pó da casa e, mesmo assim, milhares de portugueses são alérgicos…

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