Demorei quase um ano a ler este calhamaço de 884 páginas. A letra é miudinha, quase não há parágrafos e os diálogos são todos corridos – caso contrário, o livro ultrapassaria, facilmente, o milhar de páginas.
Fui-o o lendo em doses pequenas, em voz alta, para amenizar a densidade da coisa.
Littell tem apenas 42 anos e este é o seu primeiro grande romance. Com ele ganhou o Prémio Goncourt e o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa de 2006. Embora seja nova-iorquino, escreveu-o em francês e, em França, teve um sucesso estrondoso, o que já não aconteceu nos EUA.
A acção de “As Benevolentes” decorre na 2ª Grande Guerra e o narrador é um nazi SS, convicto, Max Aue, que nos vai descrevendo as maiores atrocidades cometidas pelo Reich, com uma amoralidade difícil de engolir.
Aue, ele próprio, é uma personagem bizarra, amoral: de origem francesa, Aue abandona a família para ingressar na SS porque é um nazi convicto; a sua sexualidade é, no mínimo, estranha – só tem relações com homens, mas está apaixonado pela sua irmã gémea, com quem teve uma relação incestuosa na adolescência; as mulheres, em geral, causam-lhe repugnância, no entanto, sente uma atracção sexual muito intensa pela irmã e deseja-a ardentemente.
Aue atravessa a guerra, convencido dos valores preconizados por Hitler e vai sempre em frente, sem hesitações, passando pelos campos de concentração e seus horrores, por Estalinegrado e a sua mortandade, e sempre com aquela sensação de que está a cumprir um dever mas, ao mesmo tempo, sem qualquer moral, no fundo, sem qualquer respeito pela vida humana, a não ser a sua própria sobrevivência.
A certa altura, parece estar chocado com o modo como os prisioneiros são tratados, parece revoltar-se pelo facto de estarem subnutridos e andrajosos e de terem uma esperança de vida muito curta. Mas, no fundo, o que Aue pretende é que os prisioneiros durem mais uns meses, de modo a poderem trabalhar para o Reich, nas fábricas de armamento.
Aue sobrevive aos bombardeamentos, í frente de batalha, a todas as agruras de uma grande guerra e í s suas próprias guerras interiores, acabando por assassinar o padrasto, a mãe e o seu maior amigo.
Por vezes, o livro é difícil de ler, com tantas descrições minuciosas das discussões entre os vários oficiais alemães – até parece que o autor está a escrever as suas memórias, como se tivesse privado de perto com Himmler, ou Eichmann, ou Goebbels.
Penso que Littell conseguiria o seu objectivo com metade das páginas. Por outro lado, o facto do livro ser tão extenso confere-lhe verosimilhança.
No final, ficamos com um sabor amargo na boca e com vontade de ir ler outro livro que nos fale de coisas mais agradáveis…
Knut Hamson (1859-1953), escritor norueguês, prémio Nobel da Literatura de 1920, é idolatrado por alguns colegas.
Publicado em 2007, “Exit Ghost” é mais um livro em que Roth usa o seu alter ego, Nathan Zuckerman como personagem central.
Um “pequeno” grande livro, este livro de estreia de Paolo Giordano, escritor italiano de apenas 26 anos.
Philip Roth é, neste momento, um dos meus escritores favoritos.



