“Conversa n’a Catedral”, de Mário Vargas Llosa (1969)

Conheço este livro há décadas, mas só o comprei em 2013; mesmo assim, ficou ali na estante durante mais 13 anos até me sentir com coragem para o abordar, o que só aconteceu agora.

Mário Vargas Llosa, que recebeu o Nobel em 2010, publicou-o dois anos depois do famoso “Cem Anos de Solidão”, mas este livro, embora a sua acção se centre num país da América Latina, não tem nada a ver com o chamado realismo fantástico de Garcia Marquez e congéneres.

Esta conversa na Catedral também nada tem a ver com uma catedral. De facto, Catedral refere-se a uma cervejaria limenha, onde dois dos muitos protagonistas do calhamaço de 630 páginas, Santiago e Ambrósio, falam, depois de muitos anos sem se verem.

Santiago é um dos filhos de D. Fermin, um ricalhaço que apoia o regime no Poder; na juventude, Santiago sentiu simpatia pelos comunistas e até foi detido, mas o pai, com a sua influência, conseguiu que fosse libertado. Embora se deixasse de ideias comunistas, Santiago acabou por deixar a casa paterna e tornar-se jornalista, com um ordenado miserável e nunca aceitou nenhuma das riquezas da família.

Ambrósio foi motorista de D. Fermin, depois de ter sido motorista de Cayo Bermudez, um dos ministros do governo. D. Fermin tinha um segredo muito bem guardado e Ambrósio sabia qual era e Cayo Bermudez fazia uma vida de ostentação e putas.

E este é apenas um pequeno resumo das várias histórias que se cruzam neste livro, que está dividido em quatro partes; algumas delas são bem difíceis de seguir. Vargas Llosa mistura diálogos que estão a acontecer naquele momento com outros que aconteceram no passado e, como todas as personagens são políticos peruanos dos anos 50, torna-se difícil seguir o rumo da história.

As pegas, a D. Ivone, a Hortência e a Queta, são outras personagens centrais, já que todos aqueles homens frequentam as casas de passe de Lima.

Enfim, e em resumo, que grande desafio que deve ter sido escrever este livro. Llosa tinha apenas 33 anos quando o publicou…

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