A malta protesta nas praças do Porto e de Lisboa contra a crise da habitação, monta tendas e passa nelas as noites, levando, depois, porrada da polícia de intervenção.
Depois, as tendas são arrancadas à força e a malta acaba por dispersar durante algum tempo.
Ficam as marcas, os cartazes pendurados na estátua do D. Pedro, no Rossio, por exemplo.
É então que surge um Pipi de calça branca, blazer azul com lencinho branco no bolso, camisa branca aberta para mostrar os pelos do peito e sapatinho com berloques.
Escala a estátua e retira os cartazes. Todos.
Deixa-se entrevistar pelos jornalistas das televisões. Que não gosta de ver a sua cidade (Lisboa) suja. Que não é contra as manifestações, mas contra a falta de respeito.
O Pipi é do tempo do respeitinho é muito bonito. Tolera o lixo acumulado nos contentores por toda a cidade, mas não aceita cartazes de trotkistas, cabeludos, cheios de piercings, malta que não toma banho aos domingos, que não vai à missa, que cheira mal dos sovacos e não usa calças vincadas e sapatos de berloques.
Onde andará ele agora, o Pipi de calça branca?
Temos aqui a nossa rua cheia de lixo e precisávamos que ele viesse cá limpar esta merda!