Defeitos e virtudes

Bill de Blasio, o candidato democrata derrotou e esmagou o seu adversário republicano e vai ser, a partir de janeiro, o novo mayor de Nova Iorque.

O DN esclarece-nos, na primeira página, «quem é o homem que vai mandar em Nova Iorque: tem 52 anos, 1,95 m, uma mulher negra e ex-lésbica e dois filhos mulatos».

Se a mulher, além de negra e ex-lésbica, fosse também coxa e invisual, Bill de Blasio poderia ser Presidente dos EUA!…

Dispam-se os médicos – já!

O secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, quer proibir os médicos e médicas de usarem anéis, pulseiras, gravatas e outros adornos porque, segundo ele, esses objectos são veículos de transmissão de infecções.

De facto, se examinarmos ao microscópio as gravatas ou os anéis dos médicos e médicas, encontraremos matilhas de estafilococos, cáfilas de estreptococos, cardumes de psudomonas.

E que dizer das solas dos seus sapatos, ou dos fundilhos das suas calças?

E sabe-se lá por onde andaram as camisas dos médicos e as cuecas das médicas!

Por isso, o mais higiénico seria os médicos e médicas, assim que chegam aos hospitais, despirem-se, tomarem um banhinho e seguirem para as enfermarias assim, tal e qual, ao natural.

Para dar o exemplo, Leal da Costa já começou por rapar o alto da cabeça…

leal da costa

Afinal, Hugo Chavez morreu atropelado

Segundo o DN, “o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, veio a público afirmar que o rosto do seu antecessor, Hugo Chávez, apareceu numa rocha durante a escavação do metropolitano de Caracas.”

maduro_chavezMaduro, vestido com aquele fato de treino tricolor lindíssimo, mostrou a foto de uma rocha onde ele diz que se pode ver o rosto do Chávez, assim como se fosse uma espécie de sudário.

Na minha opinião, a única explicação para este fenómeno é esta: Chávez não morreu de cancro na próstata, mas sim atropelado pelo metro de Caracas.

Ou então, Maduro não tem tomado os psicotrópicos…

Astérix e Sócratix

Segundo o DN, o livro de José Sócrates, A Condição do Mundo – A Tortura em Democracia, tornou-se num best-seller instantâneo.

Os portugueses, sentindo-se torturados pelas medidas de austeridade do governo, devem ter pensado que Sócrates, graças ao curso que tirou em Paris, descobriu algum esquema milagroso para nos livrarmos da troika.

Porque o que nos está a acontecer, é uma verdadeira Tortura em Democracia!

Mas parece que o livro até nem fala de Portugal…

O grande êxito de vendas deste livro demonstra que vale a pena chamar bandalho ao Santana Lopes, estupor ao Schauble e filhos da mãe ao gajos de direita.

Ainda segundo o DN, o Pingo Doce decidiu cancelar a encomenda de 250 exemplares do livro de Sócrates, que deveriam ser vendidos naquela cadeia de supermercados.

Se bem se lembram, o chefe do Pingo Doce, Soares dos Santos, não morre de amores por Sócrates. E vice-versa.

Em 2010, o grossista acusou Sócrates de mentir ao país, e o ex-primeiro-ministro respondeu, dizendo que “não basta ser rico para ser bem-educado” (conferir aqui).

Ao fim da tarde, no entanto, a administração da Jerónimo Martins reviu a sua decisão, e parece que o livro de Sócrates estará í  venda no Pingo Doce.

Negócio é negócio e, se o livro se vende bem, toca a vendê-lo, nem que o autor seja um grande mentiroso!

Finalmente, o DN diz que, neste momento, no que respeita a volume de vendas, o livro de Sócrates só é suplantado pelo novo álbum do Astérix.

Quem diria?

Banda desenhada e tortura em democracia – os dois grandes interesses literários dos portugueses.

Como diria Sócratix: “Estes portugueses são loucos!”

Antes Portas que Janelas

Nas Jornadas Parlamentares do PSD/CDS, Paulo Portas, a propósito das crises da Irlanda e da Grécia, disse:

«Antes ser celta que grego».

Eu acrescentaria: antes grego que ucraniano.

Ou: antes ucraniano que kosovar.

E: antes kosovar que tutsi.

E diria mesmo: antes tutsi que palerma.

Guião da Reforma do Estado

O Coiso teve acesso ao Guião da Reforma do Estado.

É assim:

Cena única:

Dia cinzento. Subúrbios de uma cidade. Prédios degradados. Ruas desertas.

A câmara aproxima-se do Estado, que caminha encurvado.

Grande plano do Estado. Ar triste e cansado. Olheiras.

Entra em casa.

Plano da sala, quase sem móveis. Alcatifa degradada. Ao fundo, uma televisão antiga passa imagens dos debates sobre o Orçamento. Sem som.

O Estado senta-se num sofá que precisa de ser renovado.

Afunda a cabeça nas mão.

Chora.

Grande plano do Estado. Lavado em lágrimas.

Grita: “Estou reformado! Estou reformado e estou fodido!”

Fade out.

O programa cautelar ou acautelar o programa?

Segundo o ministro da Economia, Pires de Lima, «o nosso objectivo é começar a negociar um programa cautelar nos primeiros meses de 2o14».

No entanto, segundo o primeiro-ministro, Passos Coelho, chefe do Lima, «só no dia em que fecharmos o actual programa saberemos se é preciso um programa cautelar ou se é outra coisa».

Partindo do princípio de que não vai ser “outra coisa”, o que será um programa cautelar?

Pelo nome, poderá ser assim: a Maria Luís pega na dívida, divide-a em cautelas e vende-as. Como ninguém quererá comprar cautelas de dívida portuguesa, seremos nós, os contribuintes portugueses, obrigados a comprá-las.

Depois, haverá um sorteio, na Santa Casa da Misericórdia, e a dívida sairá a um de nós.

Se não for isto, o programa cautelar, será “outra coisa”, como tão bem explicou Passos Coelho.

E é por isso que a diferença entre um programa cautelar e acautelar um programa é a mesma que existe entre corpo consular e consolar o corpo…

…ou entre a olho nu e no olho!