Ode ao Gaspar
Gaspar malvado, quanto do teu mal
São lágrimas de Portugal!
Por te aturarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão emigraram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses ministro, Gaspar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a troika não é pequena.
Quem quer passar além do FMI
Tem que passar além de ti
Deus a Gaspar o perigo e o abismo deu,
Mas ele ficou com o que é meu e teu.
Pobrezinhos…
Esta malfadada crise está a dar cabo da vida de muita gente!
Américo Amorim, o famoso Rei da Rolha, perdeu, só neste primeiro semestre, 67 milhões de euros, ficando apenas com 1 989 078 921 euros, coitado!…
Mas não foi só ele o prejudicado.
O grande especialista em arte e os dois super-merceeiros  foram dos mais afectados.
O pobre do Berardo só conseguiu sacar 27 milhões nos primeiros 6 meses deste ano, o Belmiro não foi além dos 62 milhões e mais uns trocos e até o Alexandre Soares dos Santos – aquele benemérito que faz descontos de 100% no Pingo Doce – só arrecadou 561 684 694 euros no primeiro semestre deste ano.
Este fraco resultado, fez com que o desgraçado só ficasse com 5 719 292 579 euros – tudo isto segundo o Diário de Notícias (se calhar é tudo mentira e isto não passa de inveja dos jornalistas!…)
Mas, enfim!… estamos todos í brocha!
A mim, cortaram-me 10% do ordenado e já me vejo obrigado a assoar-me ao papel higiénico porque não tenho dinheiro para lenços de papel – agora, o Soares dos Santos, coitado, deve estar a assoar-se aos folhetos promocionais do Pingo Doce…
Porra de crise, esta!
“Os Alferes”, de Mário de Carvalho
Mário de Carvalho (Maternidade Alfredo da Costa, 1944) fez parte da equipa  do programa da Rádio Comercial, Uma Vez por Semana, uma ideia do José Duarte, para a qual também contribuí.
Das reuniões que tivemos em conjunto, lembro-me de um homem calmo, com um humor fino e escorreito, traduzido numa linguagem rica e imaginativa.
Assim são as três histórias que fazem parte deste livrinho, cuja primeira edição data de 1989.
Era Uma Vez um Alferes, A íšltima Cavalgada e Há bens que Vêm por Mal são os títulos das três histórias que têm alferes como protagonistas, alferes apanhados na guerra colonial e que pouco têm a ver com aquilo.
Na primeira, um alferes pisa inadvertidamente uma mina e ali fica, imóvel, í espera que venham os das minas e armadilhas. Na segunda história, um alferes engenheiro é encarregado de levar os projectos para uma cavalariça a construir numa Unidade de Cavalaria e aí conhece um médico, um padre, um coronel e a mulher deste. Na terceira, um alferes ferido por uma granada, é transferido de Timor para Portugal e, na viagem, conhece um major reformado que lhe conta uma história tenebrosa.
As histórias são curiosas e divertidas e Mário de Carvalho conta-as de um modo simples e acessível e, no entanto, com uma riqueza de vocabulário que não é habitual encontrar-se.
De facto, a nossa língua é muito mais rica do que, por vezes, parece e Mário de Carvalho prova isso mesmo.
Acrescente-se que as histórias são, de certeza, verdadeiras, porque muito credíveis e as personagens que as habitam devem mesmo corresponder a pessoas reais – ou Mário de Carvalho torna-as reais.
Por exemplo, o coronel da segunda história diz:
«Eu já adverti o nosso major: se acontece alguma coisa aos meus cavalos por causa do vosso desleixo, armo para aí um sarrabulho que até manda ventarolas.»
E pouca gente sabe o que quer dizer “mandar ventarolas”!
Eu sei e Mário de Carvalho também, de certeza!
Promessas…
Finalmente, aumentos na Função Pública!
Notícia do Diário de Notícias de hoje:
«Aumentam agressões a professores, a enfermeiros e a polícias»
O touro Marreta, o seu dono Farinhoto e os amigos do Facebook
As redes sociais são tão boazinhas!
E cómodas.
A gente senta-se no sofá, com o portátil no colo ou o smartphone na mão, e ajudamos crianças desaparecidas, pessoas com cancro, cães abandonados e até touros fugitivos!
Sem termos que pegar nas crianças ao colo, ou mexer no cancro ou fazer festas aos cães.
No princípio de maio, o Sr. Manuel Farinhoto ia levar os seus dois touros para o matadouro, lá para os lados de Viana do Castelo, quando os bichos conseguiram fugir para parte incerta.
Farinhoto começou a ver a vida a andar para trás, ao ver os futuros bifes do lombo a desaparecerem no horizonte.
Além disso, os bichos estavam zangados, e não era para menos, e podiam começar a dar cornadas a quem aparecesse pela frente.
Chamou-se a GNR que começou a palmilhar o terreno, em vão.
Chamaram-se vacas que, apesar de charmosas e boazonas, não conseguiram atrair os touros.
Talvez não se interessassem por vacas…
Entretanto, no omnipresente Facebook, foi criada uma página, intitulada Touro em Fuga, destinada a conseguir demover o Sr. Farinhoto da sua estranha vontade de mandar ou touros para o matadouro.
Cerca de 2800 pessoas contribuíram com 1300 euros e Farinhoto aceitou ceder os direito do Marreta, que assim vai para uma herdade em Aveiro, onde poderá correr em liberdade até ao fim dos seus dias.
Gesto bonito, o destes cidadãos anónimos.
Que tal criarmos uma página semelhante, intitulada Governo em Fuga, e colaborarmos, todos, com um donativo, até conseguirmos uma verba aliciante que levasse estes gajos da manada do Passos Coelho para bem longe, para uma herdade qualquer, onde pudessem marrar í vontade, em tudo que quisessem, menos em nós, carago!
O subsídio de férias, perdão, de Natal, isto é, de férias, quer dizer, de Natal
Afinal, em que ficamos?
Recapitulemos porque isto é complexo.
O subsídio que nos estavam a pagar, em duodécimos, era o de Natal e o de Férias foi í vida.
Depois, o Tribunal Constitucional fez aquela maldade e mandou repor o subsídio de Férias.
Vai daí, o Governo disse que, afinal, o subsídio que estava a pagar em duodécimos não era o de Natal, mas sim o de Férias e que o de Natal seria pago em Novembro.
Depois, disseram que, afinal, iam pagar o subsídio de férias em Junho a quem ganhasse menos de 600 euros; quem ganhasse entre 600 e 1100 euros, receberia parte do subsídio de férias em junho e outra parte em Novembro; e quem ganhasse mais de 1100, receberia só em Novembro.
Isto queria dizer que o subsídio que estamos a receber em duodécimos não é afinal o de Férias, mas sim o de Natal, como inicialmente o Governo disse.
Entretanto, algumas Câmaras decidiram pagar o subsídio de Férias em junho, continuando a pagar o de Natal em duodécimos, apesar de o primeiro-ministro Passos Coelho ter explicado que o de Férias não podia ser pago em junho, não porque não houvesse dinheiro, mas sim porque o Orçamento rectificativo ainda não tinha sido promulgado.
A Lei do Rectificativo já está nas mãos do Presidente mas, mesmo que ele a promulgue rapidamente, como Cavaco prometeu, já não deve haver tempo para processar o subsídio de Férias, de modo a que ele seja pago ainda em junho.
Mas ontem o ministro Maduro, que obviamente ainda está muito verde, reafirmou que o subsídio de Férias já está a ser pago desde o princípio do ano!
Se assim é, por que razão é que Cavaco prometeu ser lesto na promulgação do Rectificativo? Até Novembro, tem muito tempo!
A única chatice desta embrulhada é mesmo o facto de Maduro não ter dinheiro para o barbeiro!…Â 
“A Trombeta do Anjo Vingador”, de Dalton Trevisan (1977)
E com mais este livrinho de contos, acho que esgotei a criação de Dalton Trevisan, pelo menos a publicada em Portugal.
A Trombeta do Anjo Vingador é mais uma colecção de contos curtos que versam sempre sobre a mesma temática: ciúme, engano, separação, ódio, amor, grandes bebedeiras, surras na mulher, vidas mais ou menos desgracidas, como o autor lhes chama.
Diz-se que os escritores estão sempre a escrever o mesmo livro e com Tevisam isso é evidente. Os livrinhos têm diferentes títulos, mas as historinhas são todas idênticas e podíamos perfeitamente trocar os títulos, que ninguém daria por isso, a não ser o autor. Talvez… (O Vampiro de Curitiba, Cemitério de Elefantes, A Polaquinha, Novelas Nada Exemplares, Guerra Conjugal).
Obsessões do escritor: elefantes de faiança como decoração pirosa, vidro moído que se ingere para partir deste mundo cruel, cheiro a cadela molhada, o João, a Maria, os inhos e as inhas, a perfídia.
«Abandonada pelo sedutor, ingeriu quinze comprimidos de aspirina. Não morreu, agora com tossinha nervosa que disfarça a dispepsia crónica. Sem amigas, repudiada pelas mães dos alunos, proibido o salão de baile. Guarda-pó dobrado no braço, transferida para a escola isolada no fundão. Sempre cativa do Josias, saudoso no saxofone da bandinha. Ela quem paga as prestações da fogosa mota vermelha. Só para vê-lo em nuvem de pó com outra na garupa».
Dalton evita os rodriguinhos. Escreve o essencial.
«Não tem café. Nem um bolacha mofada. Uma única salsicha. Na despensa a lata esquecida de milho verde.
Todos os copos – até os de brinde – usados na pia. Enche na torneira o menos sujo, merda de água, podre de cloro.
No banheiro, mãos no azulejo plantadas, urina longamente. Arrepiado ao pensar no banho frio, ninguém para ligar o aquecedor, quando havia aquecedor.
Na toalha, o bafio da cadela molhada.»
Gostei.
Não sejam mauzinhos para o nosso Presidente!
Nas comemorações do 10 de Junho houve um senhor muito mau que se virou para o nosso querido presidente Cavaco Silva e mandou-o ir trabalhar!
Foi preso e condenado a pagar uma multa.
Porque é feio insultar o nosso querido e adorado presidente.
Ele é lindo e maravilhoso.
É um homem alto e espadaúdo, elegante e formidável, inteligente e alto.
Ninguém é tão esperto como ele, tem carisma, é simpático, ágil, jeitoso e cheira bem.
Cavaco Silva é alegre, culto, especialista em muitas coisas e tem umas pernas muito bonitas.
Ele é forte, generoso, cuidadoso, rápido, corajoso, saudável e fofinho.
Nunca conheci ninguém tão meigo, que saiba dizer tão bem poesia e que bem que ele toca guitarra!
Fala várias línguas, escreve sem erros ortográficos e cozinha como ninguém!
Gosto muito do nosso Presidente.
Se pudesse, passava o dia a dar-lhe beijinhos!



