Estocolmo, Riga, Tallinn, São Petersburgo, Peterhof, Helsínquia e Porvoo. Novas entradas em Já lá estive.
Saudades da paróquia!
Estive uma dúzia de dias ausente e que saudades que eu já tinha!
Saudades do ministro da Economia, Cavaco Silva, sempre a acentuar a próxima bancarrota do país a que ele preside – se a situação é insustentável, por que razão não dissolve a Assembleia e convoca eleições antecipadas?
Saudades da discussão em redor das Scut: quando as Scut foram criadas, todos criticaram o governo por não ter criado portagens; agora, os que não queriam portagens, já as querem e os que eram a favor, são contra. E depois, ainda há a história do ex-assessor do secretário de Estado das estradas, que agora está na empresa que fornece os chips que serviriam para a cobrança electrónica! E alguém acredita que o PSD está preocupado com a privacidade dos cidadãos, ao ser contra os chips? Enredo de telenovela…
Saudades de manchetes como a do Público de ontem: «cortes na cultura ameaçam os artistas independentes». Então, se eles são independentes por que razão estão preocupados com os cortes no Orçamento do Estado? Independentes, dependentes de subsídios?
Saudades de um país que tem um primeiro-ministro, Sócrates, a ser queimado em lume brando e outro primeiro-ministro, Passos Coelho, já na calha, que se reúne com o futuro primeiro-ministro espanhol, Aznar, que praticamente já está a governar, mas que não tem coragem para fazer passar uma moção de censura ao governo e provocar eleições antecipadas, a fim de se tornar primeiro-ministro, de facto.
Saudades de um primeiro-ministro, Sócrates, que, pelos vistos, deve ser o único português que ainda acredita no país, ao ponto de afirmar: “muitas vezes sinto-me sozinho a puxar pelo país!»
Pois deve ser por isso – por estar sozinho a puxar – que o país não sai do mesmo sítio…
Houve tempos em que ele, o país, até partiu, í descoberta, qual jangada de pedra, mas o Saramago morreu, a crise instalou-se e o país não sai da cepa torta.
Que saudades que eu já tinha da minha paróquia!
“A Vida e o tempo de Michael K.”, de J. M. Coetzee
Ao contrário de “Solar”, li este livro de Coetzee de um fí´lego.
Coetzee (prémio Nobel da literatura em 2003), conta-nos a história de Michael K., um sul-africano que nasceu com lábio leporino e com um ligeiro atraso mental e que trabalha como jardineiro municipal. A mãe de Michael está muito doente e gostaria de voltar para a sua terra natal, antes de morrer. Michael decide levar a mãe, percorrendo as estradas do país com a mãe, num carrinho improvisado, e isto apesar do país estar mergulhado no que parece ser uma guerra civil.
O livro está dividido em três partes: na primeira parte, o autor conta-nos a odisseia de Michael; na segunda, é o médico que está a tratar de Michael, depois de ele ser internado numa espécie de campo de concentração, que fala, contando-nos o que sente em relação a este homem que não quer comer; na terceira parte, voltamos a Michael, para conhecer o desfecho da sua aventura.
Em parte alguma, Coetzee nos dá indicação da etnia dos personagens mas, sabendo nós que a história se passa na ífrica do Sul, somos levados a crer que Michael é negro, que o patrão para quem a sua mãe trabalhava é branco, que o médico também deve ser branco e que a enfermeira Felicity deve ser negra.
Aconselho.
“Solar”, de Ian MacEwan
Um livro vale, também, pelo seu leitor. Quero com isto dizer que o “estado de alma” do leitor pode influenciar o valor do livro. Um tipo que esteja com uma grande depressão vai ficar ainda pior ao ler, por exemplo, “As Benevolentes” e vai dizer que o livro é uma tristeza, do princípio ao fim, sendo incapaz de encaixar alguns capítulos sem uma náusea profunda.
Serve isto para dizer que, apesar de Ian McEwan ser um dos meus escritores favoritos, este “Solar” nunca conseguiu entusiasmar-me e li-o aos repelões, sem nunca conseguir fixar a minha atenção.
Culpa minha, que estava com a cabeça noutro lado ou culpa do romance, que não consegue “agarrar” o leitor?
“Solar” conta-nos a história do físico Michael Beard, galardoado com o prémio Nobel, que é um sujeito fisicamente insignificante, o que não o impede de ser um mulherengo compulsivo.
Além disso, Beard não é muito honesto no seu trabalho científico, usando-se do esforço e do trabalho de outros, para se auto-promover. No entanto, no final, não será recompensado.
Não me entusiasmou, repito.
Fechado para férias do pessoal
Poupar no 10 de Junho
As comemorações do 10 de Junho reflectem a crise. Por determinação da Presidência da República, este ano não haverá o tradicional concerto e os cerca de 600 convidados, em vez de irem de carro para Faro, vão de comboio, que se lixam. Além disso, o desfile militar que, no ano passado contou com 1600 elementos, este ano não passou dos 1100.
É pouco.
Cinco sugestões:
1 – em vez dos trinta e tal condecorados, condecorava-se só o João Garcia que é, de facto, o português que subiu mais alto;
2 – desfile militar só com soldados baixinhos, com menos de 1 metro de 70; nada de patentes altas, tipo coronéis ou majores ou coisas assim;
3 – o Sócrates escusava de se incomodar em ir assistir í s comemorações; para ser vaiado, não precisava de ir a Faro – ia a qualquer sítio mais perto e era vaiado na mesma. Em sua substituição, podia ir o Passos Coelho que, para todos os efeitos, pelo menos na comunicação social, só não é primeiro-ministro porque ainda não foi eleito; mas isso é um pormenor…
4 – o Cavaco escusava de ter levado a esposa; o presidente é do Algarve e de certeza que já levou a mulher a Faro várias vezes; ela ficava em Belém e via as comemorações pela televisão;
5 – o Presidente não devia fazer dois discursos: gasta mais palavras, mais papel e mais tempo aos jornalistas, que vão tentar decifrar, nas entrelinhas, recados ao governo e insinuações sobre a possível recandidatura de Cavaco.
Com a massa que se poupava talvez já o Passos Coelho não tivesse que cortar nas reformas dos políticos. A propósito: coitado do Santana Lopes! Depois do que sofreu na Câmara de Lisboa, só ficou com um reforma de pouco mais de 3 mil euros.
Injustiças!…
Vá para dentro, cá fora
O ministro da Economia, Anibal Cavaco Silva, incitou os portugueses a ficarem por cá, nas férias: «neste tempo difícil que atravessamos, os portugueses devem fazer turismo no seu próprio país, pois é uma ajuda preciosa para ultrapassar a situação difícil em que o país se encontra», disse.
A estas declarações, reagiu o ministro da economia, Vieira da Silva, dizendo: «eu só espero que outros chefes de Estado de outros países não façam o mesmo apelo, porque se não perdemos uma fonte importante de divisas em Portugal.»
Perante isto, o ministro da Economia Cavaco Silva, retorquiu: «férias passadas no estrangeiro são importações e aumentam a dívida externa portuguesa. Sei muito bem daquilo que falo, porque conheço os números».
Toma!
E não: os dois ministros da Economia não estavam a discutir, na mesma sala. O primeiro Silva estava em Albufeira, Algarve, e o segundo Silva estava em Xangai, China.
O diálogo foi possível graças í calhandrice dos jornalistas, este constante leva-e-traz que consiste, por exemplo, em perguntar a um ministro qualquer qual é a opinião dele sobre, digamos, a eutanásia e, depois, ir a correr ter com outro ministro qualquer e bufar a opinião do primeiro, para ouvir a reacção do segundo; com sorte, a reacção do segundo ministro pode dar azo a uma declaração engraçada e, depois, é só voltar ao primeiro ministro e atirar-lhe com a afirmação do segundo ministro. E está lançada mais uma confusãozinha, que já dá para encher mais alguns minutos do telejornal.
Mas voltando aos ministros Silva: se eu fosse pela opinião do ministro da Economia, Cavaco, no próximo sábado, em vez de ir gastar euros para o Báltico, ficava a gastá-los em Almada. Mas também é verdade que, se todos seguissem esse exemplo, deixaríamos de ter estrangeiros a deixar cá os euros deles.
Juro que estou confuso.
Como é possível? Temos dois ministros da Economia e, mesmo assim, estamos em crise!
O pavão da Ramalha
401 Insultos!
Aqui está a actualização da lista de insultos que tenho vindo a recolher. A bold, os “novos” insultos, em relação í lista anterior. Sendo um “work in progress”, estou aberto a contributos, desde que verosímeis.
Aldrabão, abécula, agarrado, analfabruto, atraso de vida, apanhado do clima, azeiteiro, alcoviteira, aselha, asno, anjinho, asqueroso, arruaceiro, artolas, aventesma, anormal, atrasado mental, arrogante, abichanado
Badameco, bandido, bruto, besta quadrada, barrigudo, brutamontes, borra-botas, bufo, boca de xarroco, boi, basbaque, biltre, bexigoso, bichona, bêbedo, bebedolas, batoque, banana, bardajona, badalhoca, bisbilhoteira, bandalho, bota de elástico, baldas, brochista, boneca de trapos, beata, bronco, bexigoso, betinho, bárbaro, baleia, burgesso, bardamerdas, bastardo, balhelhas, balofo, bácoro
Cunanas, camelo, chalado, camafeu, cona-de-sabão, cara-de-cu-í -paisana, coirão, choninhas, carroceiro, cabeçudo, cavalgadura, canalha, cretino, calhandreira, caga-tacos, cegueta, caixa de óculos, cornudo, coxo, candongueiro, careca, chupado das carochas, copinho de leite, cacique, calão, cabra, cabrão, cusca, coscuvilheira, cão, cabeça no ar, convencido, chanfrado, cagão, chato, cobardola, cavalona, chico-esperto, charlatão, caloteiro, cigano, comuna, carrancudo, corno, caceteiro, canalha, carapau de corrida, cabeça de abóbora, choné, cínico, corrupto, carraça, chunga, chulo, calaceiro, cabotino, cabeça-de-alho-chí´cho
Delambida, desenxabida, doido varrido, doidivanas, desmancha prazeres, desastrada, desengonçado, desaustinado, desbocado, desgraçado, destrembelhado, deslavado
Escanifobética, estafermo, embusteiro, estúpido, esqueleto vaidoso, engraxador, esgalgado, empecilho, estroina, escarumba, estouvada, estupor, espantalho, estapafúrdio, energúmeno, espalhafatoso, enjoado da trampa, enconado, enfezado, escroque, egoísta, esgroviada, escanzelada, esganiçada
Flausina, farsante, filho da puta, fufa, fersureira, falhado, foleiro, facínora, falsário, franganote, fanfarrão, fanático, fanchono, filho da mãe, farropilha, fuinha, frasco, fala-barato, fraco-de-espírito, faccioso
Gatuno, gordalhufo, gabiru, galinha choca, galdéria, gabarola, gosma, gandulo, ganancioso, garganeira, gandim, gordo
Histérica, herege, hipócrita
Idiota, imbecil, incapaz, incompetente, inútil, indolente, impostor
Javardo, judeu
Lambisgóia, ladrão, lavajão, lambéconas, lambe-botas, lingrinhas, larápio, larilas, labrego, louco, lorpa, lunático, lontra, linguareira, língua-de-trapos
Morcão, malacueco, maluco, mariquinhas-pé-de-salsa, meliante, mentiroso, malandro, malandreco, malandrim, marreco, maneta, mouco, mariconço, maricas, menino da mamã, mastronço, mostrengo, moina, meia-leca, medroso, monhé, molengão, mafioso, medricas, masoquista, mineteiro, maltrapilho, maria-vai-com-as-outras, miserável, magricela, mula, mal enjorcado, mimado, melga, manhoso, maníaco, mosca morta, monstro, matarroano, marmanjo, megera, marrão, mentecapto, mongas, mangas-de-alpaca, mandrião, madraço
Nódoa, nulidade, nabo, nojento, não-tens-onde-cair-morto, nababo, nhonhinhas, não-fode-nem-sai-de-cima, néscio
Otário, olhos-de-carneiro-mal-morto, orelhas-de-abano, obcecado, ordinário, obstinado, obtuso
Palerma, parvalhão, pateta, parvo, porcalhão, piroso, pirata, piolhoso, peida-gadoxa, pantomineiro, pote de banhas, pernas-de-alicate, pelintra, patego, panasca, paneleiro, putéfia, puta, panilas, pés de chumbo, patife, perliquiteques, palhaço, palhaçote, porco, punheteiro, preguiçoso, pacóvio, pobre de espírito, proxeneta, patinho feio, panhonhas, pintor, parasita, presunçoso, palonça, peneirenta, pinto calçudo, pato, papalvo, patarata, paspalho, paspalhão, pindérica, paranóico, pedante, pulha, pau-de-virar-tripas, pederasta, poltrão, pesporrente, pilha-galinhas, picuinhas
Quadrilheira, queixinhas, quatro olhos
Ranhoso, reles, rasca, rameira, rabeta, rafeiro, reaccionário, reaças, raquítico, rameloso, rufia, rata de sacristia
Salafrário, safardana, sevandija, sacripanta, sacrista, sacana, sovina, somítico, safado, sabujo, saloio, soba, sebento, sapatona, sádico, serigaita, sarnento, snob, salta-pocinhas, seboso, sonsa, sarrafeiro
Tarado, trombalazanas, trapaceiro, trabeculoso, tísico, trombudo, trauliteiro, tinhoso, trique-lariques, tosco, totó, trombeiro, trouxa, tonto, traste, trinca-espinhas, troca-tintas, tolo, taralhouca, teimoso, tagarela, trafulha
Unhas de fome, urso, untuoso
Vaca gorda, vigarista, vândalo, vígaro, velhaco, vendido, vagabundo, vira-casacas, vaidoso, vesgo
Xé-xé
Zero í esquerda, zarolho, Zé-ninguém


