Espanhóis campeões? Pftt…

Esmifraram-se para marcar um golo ao Paraguai, torceram-se para marcar um golo í  Alemanha e ontem, precisaram de 120 minutos para marcar um golo í  Holanda.

E foram campeões do mundo?

Acho mal!

Futebol é aquilo? passar a bola para o lado direito, depois para o esquerdo, depois para o direito outra vez e, cerca de 15 minutos depois, tentar meter a bola na grande área e falhar 95% das vezes?

Tricotar jogadas?

Mariquices, é o que é!

Espanhóis sem gana…

Olha, o Gana – ele é que devia ter sido o campeão…

No Coiso, óptimo continua a ser com pê

Recentemente, o Expresso resolveu adoptar o novo acordo ortográfico braso-luso-brasileiro. No entanto, como é um jornal muito democrático, permite que alguns dos seus colaboradores continuem a usar a ortografia “antiga”.

Assim, no final da crónica semanal de Miguel Sousa Tavares, surge o seguinte: “MST escreve de acordo com a antiga ortografia”.

Palmas para MST!

Aqui, no Coiso, também se usa a antiga ortografia. Ninguém me vai obrigar a escrever ato, fato, ótimo, ação e outras brasileirices.

Eu bem sei que, em tempos que já lá vão, farmácia era com “ph” e também sei que a língua vai evoluindo, incorporando estrangeirismos, modificando grafias, criando neologismos. Mas não me apetece deixar cair o pê de óptimo, só porque não se lê e porque é assim que se escreve no Brasil.

Ora ou hora é indiferente? É que o agá também não se lê…

Por isso – e porque me apetece – a ortografia antiga permanece.

í“ptimo!

Enfadado

Enfadado, é o termo.

Não estou farto, nem irritado, nem zangado, apoplético, aborrecido, indignado, chateado, encolerizado ou mesmo furibundo.

Já não me espanto com a falta de assunto dos telejornais, a discussão í  volta das scut deixa-me indiferente, estou-me borrifando para a golden share, quero que o Sócrates vá pentear macacos e que o Passos Coelho dê uma volta ao bilhar grande, bocejo com a crise económica, adormeço ao som da voz do Medina Carreira, não ligo ao que diz o Teixeira dos Santos, viro as costas aos sindicatos, encolho os ombros í s associações patronais e desprezo solenemente todos os restantes parceiros sociais.

Estou mesmo muito enfadado.

Temos um governo a prazo que tem que pedir licença ao maior partido da oposição para poder publicar uma simples portaria, um Presidente da República que gostava de ser primeiro-ministro, uma comunicação social toda ela de direita e um calor do caraças, que até faz os funcionários da Câmara da Amareleja mudarem os horários de trabalho e cada vez apetece menos ligar a estes políticos pelintras, sem estofo, sem qualidade, sem nervo, sem pica, sem categoria.

E, por isso, estou enfadado.

Não me surpreende o facto do Ronaldo ter comprado um filho, como quem compra um Porsche, não me espanta que a mulher do Presidente dos Açores tenha gasto 27 mil euros numa viagem ao Canadá, não ligo nenhuma ao adiamento da leitura da sentença do processo Casa Pia e espreguiço-me perante tudo isto com uma indolência genuína.

Já nem quero que me tirem deste país, que me arranjem outro lugar para viver, que me façam o favor de arranjar outros políticos, outros comentadores políticos, outros treinadores para a selecção, outra selecção.

Quero apenas que me deixem assim, quietinho, sossegadinho.

Enfadado.

“Diário de um Ano Mau”, de J.M. Coetzee

—Um escritor sul-africano, radicado na Austrália, é convidado pelo seu editor a escrever um livro onde deverá expor as suas opiniões sobre diversos assuntos. Septuagenário e sofrendo de reumático, o escritor contrata uma vizinha, emigrante filipina, para lhe passar os textos í  máquina.

A vizinha, de formas voluptuosas, faz despertar, no escritor, desejos difíceis de concretizar e entre os dois desenvolve-se uma relação platónica de sedução e atracção.

Para desenvolver esta ideia nuclear, Coetzee recorre a um estratagema curioso, acabando por escrever três livros: o livro principal, com as opiniões do escritor sobre a gripe das aves, a pedofilia, o terrorismo e outros temas actuais da nossa sociedade, um outro livro, onde o escritor vai descrevendo as sensações que a filipina lhe provoca e um terceiro livro, onde a própria filipina faz os seus comentários, introduzindo ainda a personagem do seu namorado. í€ medida que o livro vai evoluindo, as opiniões do escritor vão-se suavizando, com as críticas que a filipina lhe faz e esta, por sua vez, começa a consciencializar-se mais em relação a certos temas, ao transcrever os textos do escritor.

E os três livros convivem muito bem, mesmo na mesma página, obrigando-nos a alguma ginástica, que eu fiz com muito prazer.

Mais um excelente livro de Coetzee.

Rafinina

Tiago  (exclamando) – Rafinina! Rafinina!

Nós – Rafinina?! O que é isso?

T -Â É um país.

N – Um país?

T – Sim. É onde vivem as pessoas.

Corre para o mapa-mundo que está na parede e, apontando lá para cima, para o Norte, diz:

T – Os avós estiveram lá!

Não foi propriamente em Rafinina que nós estivemos, mas foi lá perto

Delicioso neto!…

—

Não se importa de repetir?

No negócio Telefónica/PT/Vivo, o Estado português fez uso da Golden Share.

Ou da Golden Chair?

Ou da Chére Golden?

Tudo isto para impedir que a Telefónica comprasse a Vivo.

Morto ou Vivo, a PT não pode prescindir do mercado brasileiro.

Daí o uso da Golden Share – ou será Golden Cher?

Já houve tempos em que a Cher poderia ser considerada Golden… agora, muitas cirurgias depois, não passa de uma Plastic Cher.

Se existe uma Golden Share, é de supor que exista, também, uma Silver Share.

E se a Golden é usada contra a Vivo, será que a Silver será usada contra a Morto?

Confusão…

Com a nossa extensa plataforma continental, não será Golden Shore?

Are you sure it’s golden?

Yes - it’s Golden Share, sure!

Compulsivamente?!

Manchete da primeira página do Diário de Notícias de hoje:

“Portugal eliminado após erro de Queiroz – Substituição de Hugo Almeida abriu portas í  derrota que Eduardo chorou compulsivamente”.

Em primeiro lugar, Portugal não é eliminado por causa de um erro de Queiroz, mas sim por causa dos múltiplos erros do referido senhor.

Mas do que eu gosto é de Eduardo a chorar compulsivamente!

Compulsivamente?!

“Compulsivamente” vem de compelir, que significa “constranger a fazer alguma coisa, forçar, obrigar”

O jornalista não quereria dizer “convulsivamente” (“convulsão: movimento espasmódico causado por uma emoção forte”)?

Cada jornalista tem a selecção que merece!…

Essa do Queiroz!…

Valente selecção! Conseguiu empatar com a primeira equipa do ranking, o Brasil, e só levar um golo da segunda, a Espanha!

A selecção jogou certinha, encolhidinha, aflitinha,Â í  rasquinha, pobrezinha mas honradinha.

Jogou triste, como o país.

A passar para o lado e para trás ou a chutar lá para a frente, í  espera de um bambúrrio.

Duas linhas defensivas, bem fechadas, muita cafuga, muita miaúfa e muito medinho e, acima de tudo, muito respeitinho pelos espanhóis – porque o respeitinho é muito bonito.

Depois, como é costume, começaram com muita pressa no final do jogo, a tentar fazer o que não foi feito nos 90 minutos anteriores.

E no fim, a selecção foi eliminada.

Queiroz desapertou o segundo botão da camisa, mostrou o fiozinho de oiro sobre os pêlos do peito e disse que saíram todos de cabeça erguida.

Deves estar a ver mal, ó Queiroz!