Soirées no Politeama

Eu sou do tempo em que as sessões de cinema eram apenas duas e tinham nomes franceses: a matiné e a soirée. Claro que também havia a sessão da meia-noite, no Politeama, mas era só ao sábado.

O Politeama era a sala preferida da malta, embora também gostássemos do Condes, do Avis, do Tivoli, do Império ou do S. Jorge.

Foi no Politeama que vi muitos westerns-spaghetti, com o Clint Eastwood ou o Giluliano Gemma.

No dia 21 de Janeiro de 1971, fui í  sessão da noite ver “Borsalino“, um filme que Jacques Deray realizara no ano anterior. Alain Delon e Jean-Paul Belmondo formavam um par de actores franceses muito em voga e interpretavam os papéis de dois escroques marselheses dos anos 30.

Deray tinha ficado célebre entre a juventude portuguesa porque, em 1969, tinha realizado “La Piscine“, também com Alain Delon e ainda com a maminhas da Romy Schneider. Vi-as no Tivoli, muito emocionado…

O bilhete de cinema custava, em 1971, 19 escudos (0.09 euros).

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A política dos pequenos passos

Foi Henry Kissinger que inventou a política dos pequenos passos, a propósito do conflito israelo-árabe. Perante tamanho problema, não se podia querer resolver tudo de uma vez; assim, tinha-se que ir resolvendo uma coisa aqui, outra acolá, até que, um dia, se haveria de chegar í  Resolução Final.

Não resultou, claro.

O PSD também tem adoptado a política dos pequenos passos e, embora o novo líder, Passos, seja alto, de apelido não passa de um coelho. Um pequeno roedor, portanto.

E os pequenos passos do PSD são: Santana Lopes, de 2004 a 2005, Marques Mendes, de 2005 a 2007, Luis Filipe Menezes, de 2007 a 2008 e Manuela Ferreira Leite, de 2008 a 2010. E, agora, Passos.

De pequeno passo em pequeno passo, até que Cristo desça í  Terra, e traga Marcelo Rebelo de Sousa envolto em nevoeiro, ou Sá Carneiro ressuscite.

Whatever comes first…

O rating, o PEC e outlook

E, de repente, vieram-nos com a conversa do rating!

Bem sei que sou pouco dado a números e, cá em casa, não sou eu que faço as contas, mas juro que nunca tinha ouvido falar do rating.

E dizem-me, agora, que é a primeira vez, desde 1998, que a Fitch cortou no rating.

E porquê?

Consultando o Diário de Notícias de hoje, vejo tudo lá escarrapachado:

“«Portugal tem capacidade para pagar as dívidas, mas as coisas podem piorar», já que o risco da economia crescer abaixo do esperado é «significativo», defende a Fitch, a justificar a descida da nota de risco de crédito de AA para AA-, com um outlook negativo, já ao nível da Itália, Chipre e Irlanda”.

O outlook não é o programa de mail do Bill Gates? Então não é que o sacana também está metido nisto do rating!

Depois de ler aquela explicação e depois de ler, um pouco mais abaixo, que “a classificação estava um nível acima da Moody’s e da Standard & Poors”, fiquei elucidado: Portugal já não é AA, mas sim AA-, e pronto!

Foi por isso, meus meninos, que o Sócrates e o Teixeira tiveram que escrever aquele calhamaço do PEC.

Suponho que agora, depois de o PEC passar no Parlamento, o Sócrates o vai levar a alguém da Fitch, a ver se eles sobem o rating.

Se eles aprovarem o PEC, os juros baixam e a malta já pode trocar de carro no ano que vem!

Capice?

Bom treino!

Estas paragens no Campeonato Nacional são benéficas para as equipas que, graças aos jogos de treino, têm assim possibilidade de pí´r em prática as jogadas ensaiadas.

Ontem, aquele jogo-treino do Benfica contra aqueles rapazes equipados de azul-e-branco (não me ocorre, agora, o nome da equipa), foi um bom exemplo disso mesmo.

Jesus teve a hipótese de ensaiar novos arranjos na equipa, meter o Airton e o Kardek, dispensando o Javi Garcia e o Cardoso e, tranquilamente, experimentar alternativas.

E ainda se marcaram três golitos!

Bom treino, não há dúvida!…

Não pode ser verdade!

O Diário de Notícias de hoje diz que, no ano passado, o Zeinal Bava ganhou 2,5 milhões de euros, o Granadeiro ganhou 1,6 milhões e o Rui Pedro Soares ganhou 1,5 milhões.

Não acredito!

Se fosse verdade, o Rui Pedro Soares já tinha comprado um telemóvel com um “device” para eliminar escutas, o Granadeiro tinha arranjado outro penteado e o Zeinal Bava já tinha mudado de nome.

Ruben Micael, por exemplo…

“My Mom’s New Boyfriend”, de George Gallo

—Desta feita – e a contrário de “Zack and Miki Make a Porno” – um título idiota diz mesmo respeito a um filme idiota.

Onde está a Meg Ryan de “When Harry Met Sally?”. Ninguém sabe, nem a própria Meg Ryan, que se entregou nas mãos do mesmo cirurgião plástico que esfaqueou a Moura Guedes. Se não é o mesmo, parece, porque a Ryan tem os mesmos lábios repuxados e as mesmas maçãs do rosto proeminentes que lhes dão (í  Ryan e í  Guedes), aquele ar de Gato Félix que não é capaz de parar de sorrir, embora tenha um olhar triste.

Quanto ao filme, é uma parvoíce pegada, com António Banderas a fazer de ladrão de obras de arte, mas afinal é um agente da CIA bonzinho e Meg Ryan a fazer de cinquentona obesa que, depois de várias plásticas, se transforma numa MILF incorrigível, danada para a brincadeira.

Uma completa perda de tempo.

Laranja asfixiada

Faltam 61 dias para as eleições.

São 23h 59 minutos.

Um militante laranja diz para outro:

– O nosso presidente é um merdoso! O Sócrates precisa de ser arrasado e o maricas anda ali com paninhos quentes, com acordos de regime da treta! Que se lixe a convergência! A malta tem é que…

O outro interrompe-o, apontando para o relógio.

– Que foi?! – grita o primeiro.

– Já é meia-noite! – diz o segundo.

– E depois?

– Depois, como já só faltam 60 dias para as eleições, não podes dizer mal da direcção do nosso pê-esse-dêzinho!

– Ah!… É verdade… já me esquecia… Viva o nosso adorado líder!

– Viva!

– Que Deus ilumine o seu pensamento!

– Amén!

Nota – O Congresso do PSD aprovou ontem uma norma proposta pelo democrata Santana Lopes: a partir de agora, os militantes do PSD que critiquem a direcção 60 dias antes dos actos eleitorais, serão expulsos do partido. Manuela Ferreira Leite – que inventou a história da asfixia democrática – disse concordar com esta regra. Grandes democratas!

“North Country”, de Niki Caro

—Em 1989, as minas do Minnesota foram obrigadas pelo Supremo Tribunal a contratar mulheres e não é que contrataram logo a Charlize Theron?…

“North Country” é um filme baseado numa história verídica. Charlize faz o papel de Josey Aimes, mãe solteira de dois filhos, um de cada pai, e com fama de ser estouvada e danada para a brincadeira.

Assim, quando decide empregar-se nas minas, é alvo de provocações diárias, por parte dos mineiros todos e nem consegue a solidariedade das restantes mulheres, meia-dúzia de mães de família que não querem perder o emprego. A única que a apoia é uma delegada sindical (Frances McDormand), que acaba vítima de esclerose múltipla.

Afinal, acabamos por descobrir que Josey foi violada por um professor e a única testemunha, o seu primeiro namorado, nada fez para a ajudar e é agora um dos mineiros que mais a provoca.

O assunto é sério mas, sinceramente, ver a Charlize vestida de mineira, com capacete e tudo, tira a seriedade í  coisa e faz com que comecemos, também nós, a mandar umas bocas machistas, armados em mineiros do Minnesota.

E a coisa acaba por saber a soap opera…

Enjoado com tanta laranja!

Estou cheio de Congresso do PSD até aqui!

Um gajo liga a televisão, e só dá laranjas! Um tipo olha para as primeiras páginas dos jornais, e é tudo laranja!

Ontem, todos os ex-líderes do PSD quiseram botar faladura no Congresso: Manuela Ferreira Leite (quase ex-líder), Marcelo Rebello de Sousa (que já foi e está sempre para voltar a ser), Santana Lopes (que também já foi e que ficou ressaibiado por deixar de ser), Luis Filipe Menezes (que quase ninguém deu por ter sido) e Marques Mendes (foi, não foi?).

E, claro, os três candidatos a líder – três cães a um osso.

Estou farto de laranjas!

Como diz o povo: laranja, de manhã é ouro, í  tarde é prata – í  noite, mata!