A oftalmologia e o futebol

Como é que um árbitro mede a distância a que se deve posicionar a barreira, para a marcação de um livre?

A olhómetro.

Como se chamam os funcionários dos grandes clubes que andam por aí, pelas distritais,Â í  procura de novos talentos?

São os olheiros.

Como se chama um dos clubes que desce í  2ª divisão, este ano?

Boavista.

Como se chama um dos clubes que sobe í  1ª Liga?

Olhanense.

O que se diz a um árbitro que não marca uma grande penalidade clara?

Entre outras coisas: “vai levar no olho!”

O que se grita ao fiscal de linha que não vê um fora de jogo evidente?

“Estás ceguinho ou quê?!”

Há aqui qualquer relação mística entre o futebol e a oftalmologia que ainda não foi bem estudada…

Papa site

O Papa Ratzinger tem um site na net. Aqui.

Perdão! Esse era o site visitado pelos padres e freiras abusadores, das instituições irlandesas, para se inspirarem nas suas actividades diárias.

Quem quiser saber tudo sobre o Papa e o seu clube de amigos, basta clicar em www.pope2you.net.

Se procurarem bem, talvez encontrem um pedido de desculpas pelas crianças abusadas sexualmente por padres católicos um pouco por todo o mundo. Eu não encontrei.

Claro que deus não existe.

Se existisse, o Papa e seus acólitos há muito que estariam no Inferno…

E, a propósito: o diabo não terá, também, um site?

Claro que tem: é aqui.

Te arrenego, preservativo!

Está-se mesmo a ver que o PS, e a “esquerda” em geral, querem que a nossa juventude se perca.

Agora, querem distribuir preservativos no Ensino Secundário, convidando os jovens a cevarem-se em formidáveis orgias nos intervalos das aulas, induzindo as pobres criancinhas a darem rapidinhas entre a aula de Inglês  e a de Educação Física, empurrando moças para baixo de moços, moços para cima de moços, e todos por cima uns dos outros, até ao orgasmo final.

As religiões uniram-se contra esta intenção. Quase todas.

Já sabemos qual é a opinião da Santa Sé: se a distribuição do preservativo em ífrica, contribuiu para a disseminação da sida, é muito provável que a distribuição das camisinhas no secundário possa levar ao chumbo colectivo, í  mais completa iliteracia, í  total burrice dos nossos jovens, que passarão a ser meros fornicadores analfabetos.

Agora, em consonância, também a comunidade muçulmana veio dizer que não aceita a distribuição de preservativos nas escolas.

Burkas no pénis, não!

O que é bom é para se ver!

Por sua vez, as Testemunhas de Jeová dizem ser indiferentes a esta decisão. Os seus jovens sabem que devem manter a virgindade até ao casamento. Além disso, não reconheceriam um preservativo, se alguém lhes mostrasse um e, em todo o caso, nem sequer saberiam onde e como o deveriam colocar.

Apenas os judeus disseram concordar com esta medida.

Depois, admiram-se de serem apedrejados…

Maldita enxaqueca!

O primo de Sócrates foi entrevistado para o Expresso. Está na China, a fazer um retiro de kung-fu. Usou o nome do primo indevidamente, para tentar obter favores. Quando regressar a Portugal, antes do Natal, pede-lhe desculpa pessoalmente. Deixou-se fotografar em poses marciais e a prestar homenagem a deuses estrangeiros.

Lopes da Mota parece que também invocou o nome de Sócrates em vão, numa tentativa de assustar os pobrezitos dos magistrados que investigam o caso Freeport. Desde então que eles andam cosidos com as paredes, amedrontados, temendo que alguém lhes dê um coça, lhes rapte os filhos ou lhes assalte a casa.

isaltinoA gripe A também não gosta de nós, portugueses. Infectou uma portuguesa, apenas uma e todos os casos suspeitos não têm passado disso. Os nossos vizinhos espanhóis carregadinhos de casos e nós, í  míngua!…

Até no desemprego os espanhóis nos batem! Aí estão eles com 12% de desempregados e nós nem sequer atingimos os dois dígitos! Sócrates tem que se esforçar mais, caramba! Ainda há muita malta para despedir, muitas empresas para fechar!

Louçã não se importa de formar governo, desde que não seja com Sócrates. Disse-o ao novo jornal “i”. E que cargo ocuparia Louçã no governo? Ministro da Economia, para dar subsídios a todas as micro-empresas? Ministro do Trabalho, para admitir todos os desempregados na Função Pública? Ministro da Saúde, para distribuir medicamentos gratuitos por todos e comparticipar a 100% cirurgias nos hospitais privados? Gostava de ver…

Alegre não fode nem sai de cima. Não se candidata, mas não sai do PS. Não entra nas listas mas não forma um novo partido. Está contra o Sócrates mas não o enfrenta. O Alegre que se fez triste…

Lisboa e Almada pararam, ontem, porque uma estátua de cedro do Brasil foi transportada desde Fátima até Almada. A Nossa Senhora veio visitar o filho, que fez 50 anos. Já está crescidinho, mas continua de braços abertos, aguardando que o Belenenses seja campeão.

Tirem-me deste filme!

Bones – 3ª temporada

bones3O agente do FBI, Booth e a patologista Temperance Brennan, conhecida como “Bones”, estão mortinhos para saltarem um para cima do outro, mas nenhum deles dá o primeiro passo. Esta tensão erótica, semelhante í  que existia entre David Addison (Bruce Willis) e Maddie Hayes (Cybill Shepperd), na série Moonlighting (Modelo e Detective, 1985-89), é o principal atractivo da série.

O resto, são argumentos mais ou menos imaginativos, com corpos mais ou menos desfeitos, em que só se aproveitam alguns ossos.

Os últimos dois episódios reflectem alguma atrapalhação e confusão mental por parte dos argumentistas e a 3ª temporada termina muito em baixo.

Jesus é vermelho!

Jesus vai ser o próximo treinador do Benfica?

De facto, só o próprio filho de Deus poderá fazer algo por aquela equipa!

No entanto, levantam-se alguns problemas: se, por um lado, pode ter alguma vantagem ter o filho do Senhor a treinar o nosso clube, dando uma mãozinha nas bolas í  trave, fazendo com que elas entrem, por outro é tramado se a equipa continua a ter maus resultados.

Como é que nós, benfiquistas, vamos protestar?

“Vai-te embora, ó Jesus! Não percebes nada disto, pá! Mete o Mantorras, Jesus! í“ meu Deus, mas que grande cabrão me saiu este Jesus! Vai mas é í  merda, Jesus!”

Blasfémia, claro.

Quer dizer, um gajo a ver a equipa a jogar mal e a não poder mandar o treinador levar num certo sítio, porque é pecado.

Brejeirice í  parte, este Jesus fez um bom trabalho no Estrela, em Belém e em Braga – mas servirá para o Benfica?

Mas, por favor – O SCOLARI É QUE NíƒO!

POR AMOR DE JESUS!

O tique de Quique

Quique Flores está mais magro.

Um ano a treinar o Benfica deixou-o macilento, olhos encovados, mal-encarado, cheio de olheiras, maçãs do rosto salientes. Claro que o facto de ter patilhas compridas, ser moreno e incompetente, também não ajuda…

E ganhou aquele tique de abanar a cabeça e pregar os olhos no chão, passando a mão pelo rosto, como quem diz: “onde é que eu me vim meter! Um clube como este que, em 15 anos, teve 17 treinadores e eu caí na esparrela de vir aqui perder um ano da minha vida!”

É este o tique de Quique.

Por mim, pode ir í  sua vida, sem rancores.

Mas só te peço um favor, Quique: leva o Luis Filipe Vieira contigo, pá!

A bela vista de um bispo

A comunicação social está, mais uma vez, muito contente: houve alguns distúrbios no Bairro da Bela Vista, em Setúbal.

Em traços largos: um jovem habitante desse bairro, fazia parte de um gang que assaltou a caixa multibanco do Hospital Particular do Alvor. Durante a fuga, a polícia atingiu-o a tiro e o jovem morreu.

Depois do funeral, familiares e amigos do jovem, manifestaram-se contra a polícia e houve uma troca de pedras e outros mimos.

História habitual.

No entanto, logo as televisões enviaram repórteres para o local, que transmitiram, em directo, para os três telejornais. E, assim que se acendem os holofotes televisivos, há sempre aquela tendência para as vozes se elevarem.

Seguiram-se dois ou três carros incendiados, meia dúzia de tiros para o ar e a festa vai continuar durante mais alguns dias.

Aposto que a coisa acaba assim que a comunicação social desmobilizar e passar a outro assunto.

Claro que a tensão entre os habitantes deste, e de outros bairros sociais, e a polícia, existe sempre. Por definição.

Claro que alguns desses habitantes estão envolvidos em negócios ilícitos.

Claro que, por vezes, a polícia exagera.

Claro que todos os habitantes desses bairros, entrevistados pelas televisões, precisavam de arranjar os dentes.

Claro que a culpa de tudo isto é do Sócrates, que só arranja cheques-dentista para grávidas, idosos e crianças, deixando de fora meliantes, traficantes, e outros vencidos da vida.

Claro que a comunicação social rejubilaria com confrontos a sério, assim como aconteceu nos bairros da periferia de Paris, ou com os ocupas da Dinamarca, ou nas ruas de Atenas.

Mas nós somos um país de brandos costumes, mesmo nos bairros sociais.

Por isso me espantaram as declarações do bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, também conhecido por Bispo Vermelho, provavelmente porque tem a pele muito sensível ao sol.

A propósito dos confrontos no bairro da Bela Vista, que ele tem a obrigação de conhecer bem, disse o Sr. Bispo – e quando um bispo fala, os outros baixam as orelhas – que “o que eu receio, e tenho repetido muitas vezes, é que nestas situações possamos encontrar, num futuro próximo ou remoto, já uma fogueira preparada para incendiar o país”.

Simpático, o Sr. Bispo. E optimista. A polícia mata um tipo que está a assaltar uma caixa multibanco, os habitantes do bairro onde ele vive, revoltam-se e, em questão de segundos, o país está a arder.

E, se isto não acontecer agora, vai acontecer num “futuro próximo ou remoto”. Bispo dixit!

Gostava de saber o que andou o Sr. Bispo, durante 20 anos, a fazer em Setúbal. Não criou estruturas que apoiassem os jovens destes bairros problemáticos, ensinando-lhes o catecismo e todas as coisas boas que a religião católica tem para oferecer, como seja, por exemplo, a vida eterna – desde que não cometas um dos pecados mortais.

Ora, o próprio bispo afirma: “se não tiver pão, ou mato-me ou mato, porque sem comer não se pode viver”.

Ou mato-me ou mato, Sr. Bispo?

Então e aquela coisa do “não matarás”? E aquela outra “felizes os pobres, pois deles será o reino de Deus”?

Com bispos destes, temos os católicos que merecemos…

“Fome”, de Knut Hamsun

fomeKnut Hamson (1859-1953), escritor norueguês, prémio Nobel da Literatura de 1920, é idolatrado por alguns colegas.

Thomas Mann disse que “Hamsun é o maior escritor de sempre”. André Gide disse que ele “apenas é comparável a Dostoievski, mas talvez mais subtil”. Paul Auster escreveu o prefácio desta edição da Cavalo de Ferro.

Segundo o The New Yorker, este primeiro romance de Hamson “é um romance intemporal que influenciou autores como Kafka e Henry Miller”.

Com efeito, “Fome” não parece um livro escrito no final do século 19. O romance não tem história, não tem personagens, a não ser o narrador, praticamente não tem acção. É, de facto, um livro onde não se passa nada, e isso deve ter sido muito inovador, em 1890.

Em “Fome”, um escritor deambula pela cidade, cheio de fome. Não tem ocupação, não tem dinheiro e tem mesmo muita fome. Está dias seguidos sem comer nada. Alucina. Apesar disso, escreve. De vez em quando, consegue vender um dos seus artigos, mas rapidamente gasta o pouco dinheiro que recebe em troca.

E é com este material, aparentemente parco, que Hamsun constrói toda a narrativa de coisa nenhuma.