Iróku Saykaro

O líder da oposição na Malásia, Anwar Ibrahim, foi acusado do crime de «relações carnais contra a ordem da natureza».

Será que o homem foi apanhado a ter relações com uma costeleta de porco, o que deve ser altamente condenável pelo Islão?

Não – foi algo de mais prosaico e banal: Ibrahim é acusado de ter sodomizado um tipo qualquer que, depois, fez queixa dele.

Na Malásia, a sodomia é um crime gravíssimo, que pode levar a 20 anos de cadeia.

Sai caro…

PAC pior que Sheltox

Um grupo de cientistas da Universidade de Liverpool elaborou um estudo para a Organização Mundial de Saúde, segundo o qual, a Política Agrícola Comum foi responsável pela morte de mais de 12 mil pessoas, todos os anos, nos países da União Europeia, pelo menos, até 2004, quando a UE era apenas a 15.

Exceptuando os cigarros, os principais factores de risco para doença cardiovascular são a tensão elevada e o colesterol e a PAC subsidiou, ao longo dos anos, a produção de carne, de leite e de manteiga. A PAC pode ser considerada como «um sistema desenhado para matar os europeus através de doenças coronárias» (palavras do estudo, citadas pelo DN).

Nos anos 60/70, o slogan do Sheltox, contra baratas e formigas, era “Mata que se farta”.

Pelos vistos, a PAC mata mais que o Sheltox!

A sério: a PAC pode ser uma grande treta, uma grande negociata – mas daí a considerá-la responsável pela morte de milhares de europeus, só porque subsidiou a produção de alimentos gordos, parece-me um pouco exagerado, tipo teoria da conspiração.

É como dizer que Durão Barroso é o culpado de milhares de mortos, no conflito do Iraque, porque recebeu, nos Açores, Bush, Aznar e Blair.

E daí…

Politicamente correctos até í  náusea

A direcção do semanário Expresso publica uma pequena nota, no que respeita í  actuação da polícia no assalto í  agência do BES, de Campolide. Depois de quase 9 horas de negociações falhadas, os dois assaltantes continuavam com dois reféns, ameaçando-os com armas apontadas í  cabeça. Os snipers do Grupo de Operações Especiais dispararam três tiros. Mataram um dos assaltantes e feriram o outro gravemente. Os dois reféns saíram ilesos.

Diz a nota da direcção do Expresso:

“A operação de resgate dos reféns foi rapidamente elogiada pela generalidade dos observadores e o ministro da Administração Interna apressou-se a enaltecer a coragem da polícia. Muito provavelmente, há razão para aplausos. Mas para que não restem dúvidas de que a PSP negociou como podia e actuou como devia, era bom que fosse aberto um inquérito, por impopular que seja. Afinal, houve um morto.”

Por outras palavras: se os dois reféns tivessem morrido, a direcção do Expresso exigiria, no mínimo, que o director nacional da PSP fosse fuzilado…

Deus não existe (facto)

Em 17 de Novembro do ano passado, escrevi um texto (A cura para a Sida), em que me insurgia contra os panfletos da igreja Maná (e semelhantes), que reclamam ter a cura para todas as doenças, males do mundo, dívidas da família, ódios, maleitas, aleijões e tudo e tudo. Basta crer em Deus, rezar muito e deixar que Ele faça o resto.

Um tal JG (cujo mail mantenho em segredo porque sou bom rapaz), fez alguns comentários ao texto, no último dos quais dizia, nomeadamente: «E se duvidam dos panfletos, confrontem as pessoas, peçam relatórios médicos, agora falar só para usar o latim… Factos amigos; ao menos contra factos não há argumentos…»

Perguntei, então, a JG, por que razão Deus deixaria que morressem tantas crianças, em ífrica, vítimas de Sida, se a igreja Maná tem a cura?

E JG teve a desfaçatez de responder desta maneira inacreditável:

«Em relação í  sua pergunta, posso dar uma das muitas possíveis explicações…
Na bíblia (facto) está lá escrito que Deus abomina a feitiçaria e os que a praticam até í  3ª e 4ª geração.
Todos sabemos que ífrica é um dos centros onde há muito VUDU, Macumbeira, Feitiçaria, Magia, etc, etc…
Se as pessoas escolhem desagradar a Deus, temos que aceitar que Deus não as pode proteger do Mal…
Vou dar um paralelo….
Se roubares alguém e a pessoa fizer queixa de ti, por mais que depois se desculpe a transgressão, tens que enfrentar as consequências na justiça…

Há muitas explicações possíveis… esta é uma delas.»

COMO DIZ?!

Deus condena até í  3ª e 4ª geração? Isto é: se o tetraví´ do Youssuf Adu praticou feitiçaria, o pobre do puto tem que morrer de Sida, para espiar os pecados do aví´?

Então, Deus não é misericordioso?

Então Deus não enviou í  Terra o seu filho para que ele expiasse os pecados do mundo?

í“ JG – tens faltado í s sessões de propaganda, lá na tua igreja?

Está provado que JG é um imbecil (facto).

E que Deus não existe (facto).

Cuidado com os títulos

Título da edição on-line do Público (o meu fornecedor de jornais está de férias!):

Gil Vicente punido com três pontos por aliciamento a jogadores da Olhanense

Pergunta-se:

É punição, dar três pontos ao Gil Vicente?

Claro que não: o Gil Vicente foi punido com a perda de três pontos. O título é enganador.

E, já agora, outra pergunta: o que levaria Gil Vicente a aliciar jogadores da Olhanense? Estaria aborrecido com a Mofina Mendes?

E foi punido com três pontos em que sítio do corpo?

E, no caso de ser Almeida Garrett, quantos pontos seriam?

Portugueses passam férias na estrada

Notícia do Diário de Notícias de hoje: «a ida para férias dos portugueses que procuraram o Algarve entupiu ontem a A2. a BT da GNR dava conta de trânsito muito congestionado após a hora de almoço, quase a passo, entre Marateca e Alcácer do Sal»

Primeira página do Diário de Notícias, também de hoje: «Algarve em crise – nem os parques de campismo resistem í  quebra de turistas».

E, lá dentro, na página 38: «Campismo com quebras de ocupação superiores a 10%», e ainda, no que respeita a hotéis e empreendimentos turísticos: «Quebra é inferior a 10% e há hotéis a mudar preços várias vezes ao dia».

Em resumo: se os parques de campismo, hotéis e empreendimentos turísticos algarvios estão quase í s moscas e a auto-estrada para o Algarve estava, ontem, a abarrotar, temos que chegar í  conclusão que os portugueses estão a passar as férias na estrada.

Os filmes que saem nos jornais

Desde há algum tempo que, ao comprares um jornal, te arriscas a trazer para casa um serviço de chá para quatro pessoas, um faqueiro em prata, uma colecção de santos para pendurar em pulseiras ou colares, sacos para guardares o lixo reciclável, toalhas para a praia, cromos da bola, livros e filmes em dvd.

Filmes em dvd é a oferta mais popular. Desde o Diário de Notícias í  Visão, da Volta ao Mundo ao Expresso, não há periódico que não te ofereça um dvd qualquer. Se tiveres o “azar” de seres daqueles que, como eu, são viciados em jornais e revistas, sem dares por isso, acabas com uma pilha de dvd na prateleira da sala e, das duas, uma: ou ignoras e vais aumentando a pilha, ou te irritas e deitas tudo fora, ou decides ver alguns daqueles filmes. Afinal, é das duas, três…

E foram três os dvd que vi, esta semana, com o objectivo confesso de fazer diminuir a tal pilha.

“Bitter Moon”, de Roman Polanski

—O tarado do Polanski fez este filme em 1992, mas parece que foi feito vinte anos antes. É um filme que cheira a mofo – e não pelo facto de eu só agora o ter visto. A história do filme cheira a libertinos parisienses dos anos 50 e parece deslocada nos anos 90, quanto mais hoje em dia.

Peter Coyote é um candidato a escritor que, graças a uma herança, vai viver para Paris, onde, como toda a gente sabe, é onde está a Cultura. Durante não sei quantos anos, não faz nada se não escrever umas histórias que ninguém lê, fumar que nem um desalmado, apanhar grandes bebedeiras e foder com toda as miúdas que se cruzam com ele. Até que conhece Mimi (Emmanuelle Seigner), uma empregada de bar que estuda dança moderna numa escola nocturna e que fode que nem uma maluca, entregando-se a todos os tipos de jogos sexuais, sado-masoquismo incluindo. Enfim, a história do costume. O lugar comum. Henry Miller escreveu tudo o que havia a escrever sobre isto.

O americano e a francesa, depois de várias peripécias, acabam num cruzeiro, onde encontram um casal de ingleses, casados há sete anos. O tal casal é outro cliché: Hugh Grant e Kristin S. Thomas são o mais ingleses possível e está-se mesmo a ver que não se comem como deve ser, o que leva a um jogo de sedução, entre a francesa e o inglês, em que o americano e a inglesa serão os voyeurs.

Enfim, tudo um pouco “fucked up”, como Polanski gosta, mas que me cheirou a serí´dio. Por outras palavras: vê-se, mas já dei para este peditório.

“The Illusionist”, de Neil Burger

—Edward Norton, naquele seu modo contido, faz o papel de um ilusionista que, no século 19, se destacou no Império Austro-Húngaro.

Qual David Copperfield, o mago conseguia as maiores proezas em palco e era muito popular, até reencontrar o amor da sua adolescência, a condessa de Von Teschen (Jéssica Biel), agora noiva do sucessor do império. Esse reencontro não é bem visto pelo malandro do futuro imperador que, ainda por cima, é um grande bêbado e abusador de mulheres, e o inspector da polícia de Viena (Paul Giamatti), fica encarregado de vigiar o ilusionista.

É uma história de amor bem contada e com um boa fotografia em tons de sépia, para nos transportar melhor para o século 19. Norton não se ri durante o filme todo mas acaba por ficar com a melhor parte, no fim…

Vê-se sem grande esforço…

“The Door in the Floor”, de Tod Williams

—Mais uma história triste: Ted Cole (Jeff Bridges) é um escritor/ilustrador de histórias infantis, que se mete nos copos e gosta de desenhar e humilhar mulheres nuas; Marion (Kim Basinger), a sua mulher, está com uma depressão das antigas desde que os filhos do casal, adolescentes, morreram num acidente de viação. O nascimento de uma filha, agora com 5 ou 6 anos, não suavizou o sofrimento.

Casal em crise, está-se mesmo a ver. Nas férias de Verão, o escritor arranja um assistente, para o apoiar, para aprender as técnicas da escrita e, sobretudo, para servir de motorista, já que ele está impedido de conduzir, por ter sido apanhado com uma grande bebedeira nos queixos. O jovem assistente, tem a idade que o filho mais velho dos Cole teria, se ainda fosse vivo. E, apesar daquele ar inocente de puto marrão, aí está ele a perder a virgindade com a Kim Basinger. Parece-me injusto.

As relações entre o casal vão-se degradando mas, felizmente, existe uma porta no chão…

Vê-se bem, com algumas reservas.

País de opereta

Ontem, um doente meu, que faz o milagre de estar vivo, apesar de ter todos os factores de risco (é gordo, fuma, tem o colesterol alto, é hipertenso e diabético e não toma a medicação nem faz exercício físico, não faz qualquer tipo de restrição alimentar e tem uma profissão de stress), deu-me uma verdadeira lição sobre o modo como o jornalismo sensacionalista conseguiu tomar conta da vida das pessoas.

Perguntei-lhe eu: mas diga-me lá, ó Fulano, por que razão é que você não toma os comprimidos para a tensão? São genéricos! Uma caixa de 60 custa cerca de 2 euros! E os dos diabetes são í  borla!

Responde-me o Fulano: ó doutor, 60%  do meu ordenado vai para pagar dívidas; nem tenho cabeça para pensar em comprimidos e doenças! Aliás, o Cavaco Silva vai hoje falar ao país!… Bom… eu acho que ele não deve demitir o governo mas até o chefe da casa civil disse que, se ele interrompe as férias para falar ao país, é porque é uma coisa muito importante! É que cada vez vemos mais pobreza envergonhada! Vivem melhor esses tipos que recebem o rendimento mínimo que as pessoas que têm cursos! Muitos dos sem abrigo que dormem na rua, têm cursos superiores e andam lá artistas e pessoas como o senhor doutor a dar-lhes comida! É a nova pobreza!

Depois, í  noite, o Cavaco foi í  televisão falar sobre o estatuto dos Açores!…

E os sem abrigo com cursos superiores não perceberam por que razão o Presidente da República não quer saber deles para nada!

Quanto ao meu doente, há-de continuar a desafiar as estatísticas dos acidentes cardiovasculares e a fazer parte daquela vasta maioria de portugueses que continuam í  espera que alguém faça algo por eles.

Impunes, os jornalistas continuam a alimentar sensações.

Ser do Benfica…

É cada vez mais difícil!

Afinal, de que Benfica é que eu sou? Do que jogou ontem a primeira parte, do que jogou a segunda parte ou do que ficou no banco?

Sou do Benfica do Quim, Luisão, Petit e Nuno Gomes, ou do Benfica do Aimar, Yebda, Balboa e Urreta, ou do Benfica do Maxi Pereira, DiMaria, Cardoso e Binya?

Mais de 40 jogadores – para quê?!

Quem lucra com isso?!

O que vale é que temos, agora, um director desportivo que percebe da poda…

E um treinador que quer fazer flores…

Já não tenho idade para isto!…