Fernando Santos e o Benfica triste

Sou do Benfica desde o tempo em que brincava com barquinhos de papel nas poças de água que os funcionários da Junta de Freguesia faziam, em redor dos grandes troncos das árvores da avenida Gomes Pereira. Ainda alguém se lembra do tempo em que funcionários públicos regavam as árvores das ruas da cidade? Claro que quase ninguém se lembra disso. Nesse caso, já estão a ver há quanto tempo sou do Benfica.

Vi jogar o í‚ngelo, o Cávem, o Costa Pereira, o Germano, o Coluna, o José íguas, o José Augusto, o Simões, o Eusébio, o Torres.

E muitos outros, depois deles.

E nunca vi o Benfica tão triste como agora, treinado pelo Fernando Santos.

Triste, deprimido, sem garra, sem chama.

Ontem, o Rui Costa ganhou 2-1 ao Copenhaga e Fernando Santos disse: «entrámos bem, com personalidade e a trocar bem a bola. Controlámos o jogo e depois a incapacidade de Luisão marcou a partida, porque sentimos que a equipa se desorientou. Ao intervalo, reorganizei a equipa e na segunda parte controlámos mais.»

De que jogo falava F. Santos?

Não, certamente do de ontem.

O homem é triste e está a transformar o Benfica numa equipa triste.

Prefiro um Benfica a perder, mas com alegria, do que este Benfica cinzento.

Não há por aí alguém com paciência para iniciar uma petição para despedir mais este engenheiro?

Estou farto de engenheiros, caramba!

“Bones” – 1ª série

ossos1.jpgUma variante dos “CSI”, que também se vê com agrado, apesar da infalibilidade da equipa de cientistas parecer ser excessiva.

A parelha principal faz lembrar, com as devidas diferenças, o par do velho “Modelo e Detective”. Ele sente-se atraído por ela, mas faz de conta que não; ela, aparentemente, não lhe liga pevide.

Todos os cadáveres estão devidamente irreconhecíveis, o que permite í  equipa de cientistas, um trabalho de reconstrução notável. Todos são verdadeiros “geeks”, desde Zack, o mas novo que, aparentemente, ainda é virgem, até í‚ngela, que inventou um software capaz de transformar um pedaço do parietal no Sr. Smith, casado, pai de dois filhos e desaparecido num incêndio que consumiu todo o seu corpo. E ainda há o outro, de barba í  intelectual de esquerda, que é adepto da teoria da conspiração, para além do director do Instituto Jeffersonian, um negro com ar afectado e sotaque britânico.

Ao contrário dos “CSI”, que se centram mais nos crimes propriamente ditos, os episódios de “Bones” perderiam metade do interesse se não existissem as interacções entre as diversas personagens: a Dra. Temperance Brennan ignora a psicologia, não tem televisão em casa e apenas acredita na ciência pura; o agente Booth é um pouco tosco, mas tenta disfarçar isso com muito boa vontade. Ambos têm histórias pessoais complexas e que dão matéria para inúmeros episódios e várias séries.

Bom entretenimento, sem demasiado esforço.

“O Bode Expiatório”, de DBC Pierre

bodeexpiatorio.jpgO título original é “Vernon God Little”. Tem um subtítulo, em português: “Uma farsa do século XXI, em presença da morte”

Ganhou o Booker Prize e o Whitbread Award, em 2003.

E foi apenas por isso que me sacrifiquei a ler o livro até ao fim, sempre í  espera, em vão, de uma qualquer revelação.

O livro está dividido em três actos. O primeiro acto chama-se “Houve merda”, e esta palavra surge inúmeras vezes, ao longo de todo o texto.

Vernon Little é um jovem de 17 anos, que vive numa pequena cidade do Texas, chamada Martírio. Parece que aconteceu uma daquelas tragédias semelhantes a Columbine. Um, ou mais, alunos da escola local, assassinou um número indeterminado de colegas e, em seguida, talvez se tenha suicidado.

Little é um dos suspeitos. O outro, chama-se Jesus e suicidou-se mesmo.

O presidente do júri do Booker Prize, John Carey, terá dito que esta é “uma fulgurante comédia negra que reflecte o nosso temor, mas também o nosso fascínio pela América moderna”.

Talvez.

Eu acho que é um texto desgarrado, uma caricatura demasiado grosseira da América dos reallity shows, tão grosseira que transforma um fenómeno sério (a atracção pelas armas e as chacinas nas escolas) numa anedota de gosto duvidoso.

As bolas de Berlim não passarão!

Portugal está ameaçado.

Estranhas organizações estrangeiras querem corromper o nosso povo. Ínvias coligações brasileiro-marroquino-búlgaras querem envenenar-nos.

Felizmente, temos a ASAE!

Com o apoio da Marinha, GNR e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, os garbosos ASAE apreenderam, em Albufeira, quatro mil bolas de Berlim, impróprias para consumo. Um grupo tenebroso de emigrantes ilegais, provenientes de Marrocos, Bulgária e Brasil, preparavam-se para as introduzir no mercado nacional, provocando caganeiras monumentais aos veraneantes algarvios.

Mas podemos dormir descansados.

A ASAE e seus aliados velam por nós.

As bolas de Berlim não passarão!

Aquele sacana

A família é a base da sociedade organizada.

É bom ver uma família novamente reunida.

Em 2005, Jardim vociferou contra os emigrantes chineses que, na Madeira, estariam a fazer má vizinhança ao pequeno comércio local. Marques Mendes não gostou dessas afirmações e disse-o publicamente. Jardim ripostou, dizendo que Mendes não seria bem-vindo, na festa do Chão da Lagoa. Mendes não foi.

No ano seguinte, Mendes também não foi e Jardim disse que o líder do PSD lhe era indiferente.

Mas eis que, este ano, Jardim e Mendes se reconciliaram e o actual presidente do maior partido da oposição lá apareceu na festa madeirense, pouco depois de Jardim se recusar a aceitar uma lei da República, sufragada em referendo, aprovada pela Assembleia da República e confirmada pelo Presidente Cavaco.

Claro que isto não tem nada a ver com o facto de, em Setembro, se realizarem eleições para presidente do PSD e de cerca de um terço dos votos serem de militantes da Madeira.

É uma mera coincidência.

Mendes adorou ir í  festa de Chão da Lagoa. Chamou a Jardim o “vosso, nosso grande líder”. E Jardim ripostou, perguntando: “onde se meteu aquele sacana?”

Aquele sacana continuará a ser, pelos vistos, o presidente do PSD e candidato a primeiro-ministro, para suceder ao arrogante Sócrates.

Quanto a nós, resta-nos escolher entre um arrogante e um sacana…

mendes_jardim.jpg

Publicidade idiota

Estou farto dos spots idiotas, armados ao pingarelho. Quem disse que a publicidade tinha que ter graça? E quem disse aos criadores destas aberrações, que eles têm graça?

A TSF está cheia desses spots idiotas. E eu, feito burro, oiço-os várias vezes ao dia, porque tenho a mania de ouvir notícias. Acordo í s 7 da manhã com um idiota a gritar “adelante, Costa Santos!”, num estúpido spot í  Optimus. Cheira-me que é o mesmo idiota que grita, logo a seguir, “olhó o livro fresquinho”, num spot ao DN. E o mesmo tipo, ou alguém com uma voz parecida, ainda anuncia a “tenda do Adelino”, onde se vendem impressoras pintadas í  pistola, num spot í  Staples.

Como já repararam, sei os spots de cor. Pudera! Oiço-os í s 7 horas, ao acordar, í s 8 horas, já a caminho do Centro de Saúde, í s 13 horas, quando vou almoçar, í s 14 horas, quando regresso ao Centro, í s 17 ou í s 18 horas, quando regresso a casa e í  meia-noite, quando estou a ler o meu livro, antes de dormir.

Estou farto!

Claro que posso desligar o cabrão do rádio ou mudar a puta da sintonia, mas o que está em causa, aqui, é a suprema idiotice destes spots. Será que o Belmiro de Azevedo ouviu o spot, antes de o aprovar para a Optimus? E o director do DN achará que o spot do “olhó livro fresquinho” dignifica a imagem de um dos diários mais antigos de Portugal? Quanto aos donos da Staples, já não digo nada, porque os spots desta firma sempre foram idiotas.

Na televisão, é a mesma mediocridade.

Há um gordo que, num anúncio a uma seguradora que oferece um GPS, diz que sempre se guiou pelas “árvores, pelas casas, até pela vaca”. Pela vaca? Será pela vaca da prima dele?

E depois há um crooner que canta “Moviflor”, enquanto dois gordos sebosos, que parecem gémeos, fazem coro, lá atrás, em “chuás-chuás”, que exalam lípidos por todos os poros.

“Na tua casa, ou na minha?”, pergunta uma loura deslavada a um António Feio, que já tem idade para ter juízo. E lá vai ele a correr e, em 5 segundos, consegue o empréstimo para a casa, para ir dar uma queca na loura. Acho que o anúncio é ao Montepio, mas tanto faz, porque a publicidade dos bancos é, em geral, de uma mediocridade que faz doer os dentes do siso.

Fazer humor, não é fácil, todos o sabemos. Se os publicitários tivessem graça, seriam todos humoristas, em vez de andarem a fazer fretes nas agências de publicidade.

A tristeza do humor na rádio e televisão (tirando alguns momentos, cada vez mais raros, dos Gato Fedorento) é de uma pobreza franciscana.

Mas percebe-se: com tantos anúncios engraçados, as estações de rádio e televisão acham que não vale a pena fazer programas de humor.

Caso contrário, nós, ouvintes e espectadores, ainda arranjávamos alguma hérnia inguinal, de tanto rir.

“The Departed”, de Martin Scorcese

departed.jpgCom Scorcese temos sempre duas garantias, pelo menos: uma história bem contada e boas interpretações.

“The Departed” (nem vale a pena mencionar o título em português) passa-se em Boston e trata da máfia irlandesa, retratada na personagem de Frank Costello (Jack Nicholson), que se pavoneia a seu bel-prazer, porque sabe que tem a protecção de alguns elementos da polícia local e do FBI.

Duas outras personagens surgem, em paralelo: Matt Damon, interpretando um protegido de Costello desde a infância e que vai para a academia de polícia, com a missão de se transformar num infiltrado da máfia; e DiCaprio, também aluno da academia e que, devido í s suas excelentes capacidades, se vai transformar em infiltrado da polícia na organização de Costello.

A partir daqui é só porrada e mau viver, jogos duplos, vinganças, delações, falsas fidelidades e um jogo do gato e do rato constante, até porque “rat” significa traidor.

No fim, morrem quase todos mas, o que mais me impressionou, foi ver o Di Caprio igualzinho ao Pedro, caramba!

Um gato especial

No Steere House Nursing and Rehabilitation Centre, em Providence, nos EUA, há um gato chamado í“scar que sabe qual é o doente que vai morrer a seguir.

Segundo um estudo publicado no New England Journal of Medicine, citado pelo Público, o gato dá uma volta pelas enfermarias, vai cheirando os doentes acamados, quase todos com Alzheimer ou Parkinson e, de vez em quando, sobe para a cama de um deles e enrosca-se no doente e ali fica, até que o doente morra.

Os autores do estudo garantem que o í“scar já fez isto, pelo menos, 25 vezes, o que foi óptimo para os doentes que estavam em lista de espera para entrar na Instituição. Enfim, óptimo é uma palavra demasiado forte, porque se os doentes do Steere House tiverem acesso a este estudo, das duas, uma: ou pedem transferência para outra casa de saúde, ou matam o sacana do gato. Pelo menos, os doentes com Parkinson – já que os que sofrem de Alzheimer, mesmo que tenham lido o artigo, já se esqueceram dele.

David Sosa, geriatra autor do estudo, afirma que o gato responderá a cheiros – será o famoso cheiro da morte?

Nicholas Dodman, especialista em comportamento animal, diz que o gato, provavelmente, salta para a cama do moribundo em busca do cobertor aquecido com que as enfermeiras costumam tapar os doentes em fase terminal.

De qualquer dos modos, embora eu goste de gatos, dispenso os desta espécie.

“Perfume”, de Tom Tykwer

perfume.jpgLi o livro de Patrick Suskind em 1987 e gostei. Gostei sobretudo da ideia de um tipo que não tem odor próprio, ser capaz de detectar todos os cheiros do mundo e acabar obcecado pelo facto de fabricar o perfume mais sublime, a partir da essência de 13 jovens mulheres.

Recordei a história, ao ver este filme de produção europeia, a tentar imitar os blockbusters americanos.

E como a história é mesmo muito boa, o filme acaba por se ver com agrado, embora tenha algumas cenas só para encher o olho, como a cena da orgia final, com milhares de corpos num frenesim sexual e que não precisava de ser tão explícita (até se vê uma senhora com o chamado bikini wax e os respectivos limites do bronzeado, o que não deixa de ser estranho, já que estamos no século 18…)

Ben Whishaw é o actor que interpreta o psicopata Jean-Baptiste Grenouille e dá-se bem com isso. Até fisicamente o tipo é estranho, com uns braços enormes, que lhe dão um ar desengonçado e assustador.

Sinais do apocalipse

Cinco enfermeiras búlgaras e um médico palestiniano, condenados í  morte, na Líbia, foram expatriados para a Bulgária, a bordo de um avião do governo francês.

Vinte e três sul-coreanos foram raptados por guerrilheiros, no Afeganistão.

Uma emigrante portuguesa foi violada repetidamente por um escocês, que se fazia passar por agente secreto.

Um chileno, um francês e um neozelandês, morreram ao fazer alpinismo no Monte Branco, em França.

Ao pedirem, ao futuro primeiro-ministro belga, para cantar “La Brabançonne”, o hino nacional belga, Leterne trauteou “A Marselhesa”.

O bandido mais procurado pelas autoridades espanholas foi preso na Figueira da Foz.

Em Inglaterra, quase meio milhão de pessoas estão sem água potável.

O Benfica vendeu o Simão Sabrosa.