Vantagens de Luis Filipe Menezes versus Marques Mendes

É mais alto.

Como médico pediatra, fez um grande favor í s crianças de Gaia, ao dedicar-se só í  política.

Troca os “vês” pelos “bês”, o que é bom, em caso de bitória.

Tem três nomes, como Luís Filipe Vieira e Nuno Pinto da Costa, o que é mais selecto.

Embora não tenha tanta graça quanto Santana Lopes, é muito mais engraçado que Marques Mendes.

Quando se veste í  Mourinho, o sobretudo não arrasta pelo chão.

Já é presidente de uma Câmara.

Se ganhar, é muito provável que os verdadeiros sociais-democratas adiram, finalmente, ao PS e os liberais, ao CDS-PP.

É mesmo muito mais alto.

As três falsas pragas

Andam a enganar-nos.

Metem-nos medo com ameaças cataclísmicas, nós trememos, encolhemo-nos, amedrontamo-nos.

Depois, o tempo vai passando e nada acontece.

Três exemplos:

1. Incêndios – não há. Compraram-se aviões especiais e helicópteros formidáveis, distribuíram-se kits anti-incêndio pelas juntas de freguesia e, afinal, tudo o que arde são pneus e fábricas de têxteis. As florestas – nada.

2. Onda de calor – desde Maio que a Direcção Geral da Saúde anda a fazer levantamentos dos idosos em risco de morrerem de calor.

E onde está o calor? Emigrou para a Roménia.

3. E ainda alguém se lembra da gripe das aves? Era suposto que matasse cerca de 2,5 milhões de portugueses. Mais uma vez, a DGS antecipou-se í  catástrofe e comprou toneladas de Tamiflu, o medicamento da Roche capaz de matar o vírus da gripe das aves.

E afinal – nada.

Uma pequena curiosidade: sabem quem detém os direitos do Tamiflu?

Consultem http://www.globalresearch.ca/index.php?
context=viewArticle&code=%20ME20051026&articleId=1148

E descobrirão que o Sr. Rumesfeld – sim, o mesmo que inventou as armas de destruição maciça, no Iraque – é chairman da Gilead Sciences, que detém os direitos do Tamiflu.

Dá que pensar, não?

Sócrates só

Portugal está em crise.

Segundo o INE, em 2050, seremos apenas 7,5 milhões – isto, se se mantiver a actual taxa de natalidade.

Todos ficaram muito preocupados.

Eu, não.

E, pelos vistos, o Nobel Saramago, também não – ele, que prevê que Portugal passe a ser mais uma província espanhola.

Que temos nós, de bom, para oferecer?

O clima?

Já houve tempo.

O vinho?

Foi chão que deu uvas.

As praias?

Só para quem nunca foi ao Tahiti.

Os navegadores?

Morreram todos há 500 anos.

E o que faz a classe dirigente?

Finge que vive noutro país. Aliás, finge que vive num país a sério. Até temos um governo com maioria absoluta, um presidente, uma oposição.

Mas alguém quer saber?

O novo presidente da Câmara da capital, ganhou as eleições com menos de 60 mil votos. O candidato que ficou em segundo lugar, é arguido num processo de corrupção e teve menos de metade dos votos do vencedor. O candidato do maior partido da oposição teve 30 mil votos (menos do que a população residente na freguesia do Monte de Caparica, onde trabalho).

A malta está-se borrifando para estes personagens.

Manuel Monteiro, candidato pela Nova Democracia, teve 1187 votos.

Se a nova democracia é isto, e a velha é aquilo – começamos a preferir a ditadura?

Mas Monteiro disse algo de notável: «as pessoas consideram-me um político do passado. Temos de ter a coragem de perceber que estamos gastos. (…) O país está cansado de Marcelos Rebelos de Sousa, de Paulos Portas, de Monteiros, de Marques Mendes».

Tens razão, ó Monteiro.

O arcebispo Marcelo, então, já o conheço desde, pelo menos, 1973! Há 34 anos que anda a cagar sentenças!

Portanto, o Sócrates pode dormir descansado – até pode dar uma de Hugo Chávez, pondo na rua professores ou directores de centros de saúde que lhe mandem umas bocas.

Será que alguém liga?

Zapatero, por favor, invade-nos já!

socartes_oposicao.jpg

 

O aborto da Madeira

Imaginem um tribunal no Tenessee, em que os juízes que julgam arguidos negros, pertençam ao Ku Klux Kan.

Imaginem israelitas a julgar palestinianos e vice-versa.

Imaginem um grupo de ateus a seleccionar candidatos ao seminário.

Imaginem olheiros do Benfica a escolher reforços para o Sporting.

Pois tudo isso poderia acontecer, por exemplo, na República Albertiana da Madeira.

No Hospital Central do Funchal existe uma comissão de ética. Cabe a esta comissão de ética decidir a favor, ou contra, a realização, nesse hospital, de interrupções da gravidez.

Dessa comissão de ética fazem parte, para além de médicos e enfermeiros, um juiz (Sílvio Sousa) e – espantem-se! – um padre católico, o padre José Manuel, capelão do hospital.

Sempre que um pedido para a interrupção de uma gravidez chega í  comissão de ética do Hospital do Funchal, qual será o voto do padre Zé Manel?

Quando é que dão a independência í quela coisa, afinal?

CSI – Tarantino mode

csi_tarantino.jpgQuentin Tarantino é fã da série CSI, na sua versão Las Vegas. Aceitou, portanto, o convite para escrever e realizar um episódio da 5ª época da série. E saiu este “Grave Danger”.

Trata-se de um episódio duplo e vê-se logo que foi feito por Tarantino, até pela banda sonora, com música dos anos 60 que nunca chegou aos tops. E por muitos outros pormenores: todos os polícias-cientistas do CSI se juntam para salvar um dos seus, que é raptado e enterrado vivo por um engenheiro aero-espacial psicopata; podemos ver planos de toda a equipa CSI, como se se tratasse de uma equipa de super-heróis. Há sangue q.b., diálogos í  Tarantino, aparentemente sem qualquer relevância para o desenrolar da história e algumas reviravoltas inesperadas.

Um episódio de CSI que se vê quase como se fosse um filme do Tarantino – só que não há palavrões. A CBS televisiva não admite “mother-fuckerismo”.

“Todo-o-Mundo”, de Philip Roth

todo_o_mundo.jpgO novo livro de Roth (“Everyman”, no original) conta-nos a história de um homem qualquer, um homem no fim da vida, enfrentando a doença e a morte, a solidão e o sentido da vida (ou a sua ausência).

Depois do seu terceiro divórcio e depois de se reformar, este homem retira-se para a sua aldeia natal, para se dedicar í  pintura e recordar os bons e maus momentos da sua vida. Em sete anos, é operado outras tantas vezes, devido a problemas cardiovasculares. Há sempre uma artéria que teima em ficar entupida, no momento em que ele acaba de recuperar do desentupimento anterior.

Uma certa tristeza perpassa por toda a história, mas também uma resignação, que não é muito habitual nos romances de Roth. A isto não deve ser alheio o facto de o próprio Roth estar, também, doente e ter a mesma idade que o protagonista do livro.

Enfrentando a morte por várias vezes, arrependido de muitas opções que fez ao longo da sua vida, o homem está sozinho, como muitos de nós. Resignado.

E Deus está ausente de tudo isto.

Um Costa no Castelo

Todos os eleitores do novo presidente da Câmara de Lisboa não eram suficientes para encher o estádio da Luz.

Foi impressão minha ou, no domingo í  noite, Marques Mendes parecia mais baixinho?

Paulo Portas conseguiu acabar com o partido do táxi. Agora, nem de mota.

Manuel Monteiro – quem é?

Carmona e Roseta formaram Movimentos de Cidadãos. Esperemos que continuem em movimento.

Menos de meio lisboeta em cada cem, votou no PPM e, por isso, tem uma costela monárquica. Não dá, sequer, para uma grelha costal completa.

Felizmente, vivo em Almada.

O Estado protector

Vasco Pulido Valente, hoje, no Público: «Não sei como a minha geração, que viveu em permanente perigo de morte, conseguiu chegar í  idade adulta. (…) Quando, em 1940 ou 50, comecei a ir í  praia, comia bolas-de-berlim, com a criminosa colaboração da minha família. Aparecia a D. Aida com a sua lata e, em dez minutos, lá iam duas bolas a escorrer de creme, sem qualquer investigação ou autorização do Estado. O estado, nessa altura, não se interessava pela minha saúde».

Escreve ele isto, a propósito de mais uma intervenção da ASAE, desta vez atacando os vendedores de bolas-de-berlim, nas praias. Agora, as ditas bolas têm que estar acondicionadas em malas térmicas, í  temperatura de 7 graus, têm que ser servidas com pinças e os vendedores têm que ter um curso de manuseamento.

O Estado vela por nós. Cada vez mais.

Também eu gostava muito de bolas-de-berlim com creme, com muito creme. Também eu não sei como sobrevivi, embora me recorde, perfeitamente, de estar, de pé, agarrado a um varão, junto í  saída de um daqueles autocarros de dois andares da Carris, enjoadíssimo, aproveitando os solavancos do veículo, para vomitar, para a estrada, uma bola-de-berlim com creme, comida, horas antes, na praia.

Mas o Estado vela por nós. Cada vez mais.

Cientistas britânicos entregaram-se, recentemente, a um estudo verdadeiramente arrepiante. Arranjaram um programa informático qualquer, capaz de calcular o número de pessoas que não morreriam, se determinados produtos alimentares tivessem impostos mais altos. Já não me lembro dos números, mas era qualquer coisa do género: se aumentassem os impostos sobre o sal, poupavam-se xis mortes; se também se taxasse o açúcar, poupavam-se mais xis mortes; se se juntassem as gorduras, poupavam-se mais não sei quantas mortes. E assim sucessivamente.

Cheira-me a George Orwell.

O Estado preocupa-se, cada vez mais com a nossa saúde, não acham?

Peço desculpa, mas eu acho isto assustador.

O facto de existir, algures em Bruxelas, ou em Lisboa, um grupo de burocratas que decide o que é bom ou é mau, para mim, deixa-me incomodado.

Sobretudo, porque esses tipos não têm coragem para serem o que, no fundo, são – isto é, ditadores. E dizerem, por exemplo: as bolas-de-berlim passam a ser proibidas. Acabou-se a brincadeira! Se querem comer bolas-de-berlim, comprem-nas no mercado negro e comam-nas í s escondidas!

A mim, já nem me faz diferença. Há muitos anos que deixei, naturalmente, de comer bolas-de-berlim.

Não precisei que o Estado me educasse…

Apelidos – 2

Ora aqui vão mais uns quantos apelidos curiosos:

– Reis Dias Maneta

– Guerreiro Botão

– Valente Clara

– Marmeleiro Sapo

– Banheiro Corrula Caleia

– Jesus Velhinho

– Cravo Amiguinho

Que Jesus é Velhinho, já nós sabíamos, agora: como será uma Valente Clara? Será mais forte que uma valente gema?

O Cravo Amiguinho também já conhecia (“cravo, amigo, o povo está contigo!”), mas nunca ouvi falar de um Marmeleiro Sapo ou de um Guerreiro Botão.

Continuarei í  coca…