Sport Beijing e Benfica

Um grupo económico chinês quer comprar o Benfica.

Como me disse o Pedro, “os encarnados vão, finalmente, ser vermelhos”.

Um Benfica chinês? Por que não?

O capitão da equipa passará a chamar-se Si Mao Tsé-Tung.

Na baliza, estará Kim, claro e, com pequenas adaptações, todo o plantel se poderá manter: Lu-i Sao, Mao Torras, Peh Ti, Rui Kos-Tah…

Só o treinador, Fernando Santos, não se safa, nem que lhe mudem o nome para Lin Piao.

Vantagens de um Benfica chinês?

Muitas!

Bilhetes para os jogos í  venda em qualquer loja dos 300, a um euro. Fogo-de-artifício mais barato para a festa do título. Os adversários todos com os olhos em bico, perante os dribles dos vermelhos.

E a principal: acabar com essa mariquice do equipamento cor-de-rosa.

Como se dizia da China, no tempo do Bando dos Quatro (Vieira, Vilarinho, Santos e Berardo) – o Benfica, de Mao a Piao.

Dizer mal do governo, só cá em casa

A secretária de Estado da Saúde, Cármen Pignatelli, revelou toda a filosofia da nossa classe dirigente, ao dizer o seguinte:

“Eu sou secretária de Estado. Aqui (numa cerimónia pública), nunca poderia dizer mal do governo. Aqui. Mas posso dizer na minha casa, na esquina, no café.”

Estamos esclarecidos.

Se quiserem saber o que eu penso do ministro da Saúde e da sua secretária de Estado, das suas políticas, nomeadamente no que diz respeito aos cuidados de saúde primários, onde trabalho há mais de 20 anos, estão, desde já, convidados a vir aqui a casa.

Poderei, então dizer que #$$%fd$# de política é que Correia de Campos está a implementar e que /&%%$HJ, se não for pior…

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Cagarros com GPS

“A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves está a colocar GPS nos cagarros das ilhas de Santa Maria e do Corvo, para estudar as suas deslocações no mar e identificar as áreas marinhas mais importantes para as aves”, diz o Público de ontem.

Cagarros controlados por GPS.

Vejam bem onde já chegou a perseguição aos fumadores.

Depois dos cigarros, os cagarros.

Um fumador já nem se safa com truques fonéticos: nunca mais poderei dizer “vou ali fora fumar um cagarro”, que logo o GPS me detecta!

“Na Praia de Chesil”, de Ian McEwan

napraiadechesil.jpgPublicado este ano, este pequeno romance de McEwan mais parece um conto extenso. A acção decorre em 1962 e centra-se em Edward e Florence, dois jovens apaixonados mas inexperientes, no que ao sexo diz respeito.

Ele gosta de rock and roll, ela é violinista e toca num quarteto de cordas. O namoro é o mais “respeitoso” possível. A revolução sexual ainda não tinha rebentado, mas estava í  porta. Já se falava que, nos EUA, as raparigas tomavam a pílula anticoncepcional.

Florence sabe que o casamento vai implicar intimidade física e, racionalmente, tenta preparar-se para isso. Edward está desejoso de tocar no corpo de Florence, já que ela nem um beijo na boca, que inclua contacto de línguas, lhe permite.

Com estas premissas, claro que a noite de núpcias é um desastre.

Afinal, “all you need is love” ou “all you need is sex”? Ou, melhor ainda: “all you need is love and sex”?

Lê-se de uma penada.

Columbo

columbo1.jpgFoi muito agradável rever a primeira série de 8 episódios de Columbo que foi uma das séries televisivas de culto, dos anos 70 do século passado.

Peter Falk criou um personagem único, que das fraquezas fazia forças. O seu aspecto insignificante e desleixado, com a gabardina sempre amarrotada e acanhada, os sapatos empoeirados, a gravata í  banda, o olho de vidro e o eterno charuto ao canto da boca, enganava os assassinos. Por trás dessa figura, tínhamos um misto de dedução de Sherlock Holmes, células cinzentas de Poirot e matreirice de Miss Marple.

A série baseava-se nesta excelente personagem e no seu contraste com os ambientes da classe alta de Los Angeles, as suas grandes mansões e os seus crimes sofisticados. Na primeira parte do episódio, era-nos mostrado como o assassino cometia o seu crime, arranjava o seu álibi e tentava esconder as provas. Na segunda parte, Columbo aparecia e ia massacrando o criminoso, até o apanhar em falso.

Claro que, se o CSI já existisse, cada cenário de crime de Columbo, seria um paraíso de provas. Mas, naqueles tempos, não havia ADN, nem luzes especiais para detectar manchas de esperma, nem maneira de saber a quem pertencia aquele cabelo minúsculo. Também não havia computadores, muito menos, telemóveis.

Por trás de cada argumento, a mão de Steven Bocho que, depois, se tornaria famoso com Hill Street Blues.

Uma curiosidade: o primeiro episódio, datado de 1971, foi realizado por um rapazinho chamado Steven Spielberg.

Apelidos – 1

Em 1980, trabalhei cerca de um ano no Alentejo, mais precisamente em Mourão e na defunta aldeia da Luz, quando prestei o chamado Serviço Médico í  Periferia.

Foi aí que entrei em contacto com os apelidos típicos dos alentejanos, muitos deles derivados de alcunhas. Durante algum tempo, fui coleccionando num caderninho alguns desses apelidos, que acabei por perder algures.

Mas ficou o gosto por apelidos invulgares.

Aqui vão cinco impagáveis:

– Galhofa Zabumba

– Baioneta Chotas

– Ova Maranhão Rações

– Janeiro Bagina

– Besugo Algarvio

Prometo que vou voltar a coleccioná-los.

Tenham medo, tenham muito medo!

Um colega meu, lá do norte, fez uma gracinha semelhante a muitas outras que eu tenho feito: fez uma fotocópia da notícia em que o ministro da Saúde, Sua Excelência Professor Doutor (por extenso) Correia de Campos dizia que nunca tinha entrado num SAP, nem tinha intenção de entrar, e colocou-a num placard lá do SAP onde ele faz serviço, com um comentário do género: “fujam! Que isto é um SAP!”

A Directora do Centro de Saúde onde esse colega trabalha foi exonerada, por ter quebrado o “dever de lealdade” para com o ministro, ao não retirar, imediatamente, a tal fotocópia do placard.

Parece que a ex-Directora é casada com o vice-presidente da Câmara, que é do PSD e o meu colega é vereador da CDU, e ambos talvez conheçam a prima de um tipo que já foi da ETA e se tenham cruzado com a namorada do porteiro da discoteca frequentada por um tipo que já foi do PCP, embora seja irmão de uma fulana do CDS.

Por isso, quando vi esta foto, apeteceu-me logo escrever uma legenda apropriada, mas confesso que tenho medo. É que eu não sou casado com ninguém que pertença a nenhum partido, nem conheço ninguém que milite sequer no Partido da Terra. Quem me ajudará, então, se, sobre mim, descer a ira dos Távoras?

Livra!

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“A Estrada”, de Cormac McCarthy

estrada.jpgSem hesitação: o melhor livro que li nos últimos anos.

Um homem e o seu filho percorrem a estrada, em direcção í  costa, num mundo post-apocalíptico. Não sabemos o que aconteceu antes, não sabemos qual o seu objectivo. Sabemos apenas que aquele homem e aquela criança têm que sobreviver numa terra queimada, destruída, coberta de cinzas, enfrentando o frio e a chuva e a falta de alimentos, de abrigos, de ajuda. Sabemos, também, que não há aves, nem peixes, nem qualquer outro tipo de animais e que as árvores estão mortas, queimadas, que as cidades estão desertas, apenas habitadas por cadáveres ressequidos. Sabemos, ainda, que há outros homens e outras mulheres, sujos e andrajosos como eles, famintos e desesperados como eles, mas o homem e a criança têm que os evitar.

De vez em quando, ao longo da estrada, surge uma casa abandonada, com uma despensa repleta de conservas fora de prazo, de barras de chocolate com bolor, de bidões com água e de botijas de gás e que o homem e a criança fazem um festim e tomam banho e são felizes por dois dias. E depois, voltam í  estrada.

O instinto de sobrevivência, em estado puro. O engenho do homem, para conseguir proteger o seu filho e fazer, de pequenos objectos, as armas da sobrevivência.

Ao ler a descrição desta caminhada, penso nas intermináveis estradas dos EUA, mas a acção poderia decorrer em qualquer outro lugar do mundo. McCarthy deixa muitas coisas em aberto. Nada sabemos da aparência, quer do homem, quer da criança. Ficamos com o campo aberto para imaginarmos as suas feições, assim como depende de nós a explicação para o que aconteceu ao mundo, para que ficasse daquela maneira e por que razão o homem quer, desesperadamente, chegar í  costa.

Fiquei irremediavelmente agarrado í  escrita de McCarthy, que, ainda por cima, nos conta a história de um modo original, sem divisão em capítulos, com os diálogos entranhados no texto, mas sem necessitar de deitar fora as vírgulas e os pontos finais.

Tenho que ler os anteriores livros de Cormac McCarthy rapidamente.

Ratzinger ao volante

Que alívio! Deus Nosso Senhor, através do Vaticano, revelou-nos, finalmente, os Dez Mandamentos da Condução!

A partir de agora, todos ficamos a saber o que é pecado, a bordo de um automóvel.

Obrigado, Ratzinger!

Não resisto a transcrever os 10 Mandamentos da Condução porque, sinceramente, já não me ria assim há muito tempo.

Ora, tomem lá:

1º – “Não matarás”- (até aqui, nada de novo…)

2º – “Que a estrada seja para ti um instrumento de comunhão entre as pessoas e não de dano mortal”(vamos passar a distribuir hóstias entre o maralhal, na fila da Ponte sobre o Tejo)

3º – “Cortesia, correcção e prudência ajudam a superar os imprevistos” – (Afinal, queres virar para a esquerda ou para a direita, meu herege de merda, que nem o pisca ligas!)

4º – “Seja caridoso e ajude o próximo na necessidade, especialmente se for vítima de um acidente” – (Aleijaste-te? Coitadinho! Para a próxima não tentes ultrapassar-me, meu huguenote dum cabrão!)

5º – “Que o automóvel não seja para ti expressão de poder e domínio e ocasião de pecado” – (Querida, não queres saltar para o banco de trás? É pecado? Então, dou-te uma trancada mesmo aqui… cuidado com a manete das mudanças, filha…)

6º – “Convença com caridade os jovens e os que já não o são para que não dirijam sem condições de fazê-lo” – (í“ minha besta! Então não vês que já nem te aguentas em pé? Deixa estar, que eu conduzo! Afinal, só bebi duas grades de mines!)

7º – “Preste apoio í s famílias das vítimas dos acidentes” – (Coitadinha… então o seu marido ficou decapitado num acidente? Salta para o banco de trás, que eu já te consolo… Ah! É pecado! Então é mesmo aqui… cuidado com a manete de mudanças, não vá ela enfiar-se onde não deve…)

8º – “Reúna a vítima com um motorista agressor em um momento oportuno para que possam viver a experiência libertadora do perdão” – (Ajoelha-te, motorista dum cabrão! Agora, compensa a vítima, coitadinha… e toda a sua família!)

9º – “Na estrada, guie o mais fraco” – (Que o mais forte está ocupado, no banco de trás…)

10º – “Sinta-se responsável pelos demais” – (Eu sei que não tenho a culpa destes tipos não saberem conduzir, mas deixe-me compensá-la pelos erros dos outros… que tal no banco de trás?…)

Enfim, mais de 100 anos depois de ter sido inventado o automóvel, o Vaticano define os 10 Mandamentos para uma Condução Católica e Apostólica.

Resta-nos aguardar os 10 Mandamentos para o Bom Uso dos Vibradores, que foram inventados, mais ou menos, na mesma altura.

(Os comentários não são da responsabilidade do Ratzinger.

“The Secret Life of Words”, de Isabel Coixet

vidasecretadaspalavras.jpgQue boa surpresa, este pequeno grande filme, produzido por Almodovar.

Sarah Polley interpreta o papel de uma operária surda (Hannah), com traços obsessivos, que é instada pelo patrão a tirar umas férias; há quatro anos que não o fazia e os seus colegas já a olhavam de lado.

Contrariada, Hanna acaba por aceder e, logo no início das férias, propõe-se como enfermeira de um queimado que, numa plataforma petrolífera, no mar do Norte, aguarda evacuação.

Grande parte do filme desenrola-se, assim, no espaço confinado da plataforma e é aí que Hanna acaba por desenvolver uma relação, dia a dia mais estreita, com Josef, o doente queimado, transitoriamente cego (Tim Robbins).

O facto de Hanna ser surda e Josef estar cego pela exposição ao fogo, faz com que a enfermeira acabe por se aventurar a contar a sua história, relacionada com os horrores da guerra na ex-Jugoslávia.

Um filme sussurrado, triste e belo.

Aconselho vivamente.